James Altucher identifica The Trillion Dollar Lies, cuja leitura vivamente recomendo.
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domingo, 5 de agosto de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Por que razão os pais não avisam os filhos?
Esta pergunta, aqui formulada por Gary North, a propósito da obsessão por "canudos" inúteis, ainda que caríssimos (mesmo quando aparentam ser "gratuitos"), é realmente brutal.
Só encontro uma explicação para um comportamento genericamente tão passivo, quando não omisso, por parte de muitos dos pais na não orientação dos seus filhos: a fraude, porque é disso que se trata, perpetrada pelos sucessivos "apaixonados" pela educação, pela "igualdade de oportunidades", pelas "competências", pelas "qualificações", pelas "aprendizagens", etc., há décadas anunciadoras da obtenção do Céu na Terra. Malditos sejam!
domingo, 8 de julho de 2012
Saloios e chico-espertos
Abro uma excepção ao silêncio a que me tinha imposto, para citar uma passagem da crónica de hoje de Alberto Gonçalves no DN cujo título é "Doutores e engenheiros":
«Espero ser redundante acrescentar que, por si, um diploma significa pouquinho. Só há duas atitudes mais saloias do que atribuir exagerada importância ao curso que se obteve legitimamente: pretender que se obteve um curso e "tirá-lo", visto que "tirar" é o termo, de forma ilegítima. Pelos vistos, o dr. Relvas escolheu a última hipótese, no que já começa a configurar uma tradição da nossa classe política e uma prova do respectivo, e ilimitado, provincianismo.
E se os provincianos com poder têm a desvantagem de atrasar uma sociedade, também têm a virtude de a transformar num divertimento para quem se dá ao luxo de contemplá-la à distância. Como o eng. Sócrates, o dr. Relvas diverte, quase tanto quanto o espectáculo dado pelos que se indignavam com a peculiar licenciatura do eng. Sócrates para hoje defenderem o direito do dr. Relvas à falcatrua e, em contrapartida, pelos que afiançavam a lisura curricular do eng. Sócrates para hoje exigirem a cabeça (simbólica, salvo seja) do dr. Relvas. É verdade que a direcção do PS preferiu o silêncio, à imagem da actual direcção do PSD aquando do "debate" sobre o "inglês técnico" do eng. Sócrates. Mas não se veja dignidade onde só existem interesses, privilégios e trapaças comuns. Estão bem uns para os outros, o "engenheiro", o "doutor", os séquitos de ambos, o ensino "superior" especializado em favores e, na medida em que toda a paródia resultará em nada, o país assim parodiado.»
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O amanhã é já hoje e é horrível
E que dizer disto? Big Government on Steroids: Senate Bill Calls for Black Box Recorders on All New Cars.
Ocorrem-me as filas, ordeiras, em direcção ao extermínio nos campos onde o "trabalho libertava". O extermínio dos nossos dias a que vimos assistimos, insidiosa e metodicamente, é o da liberdade.
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Nota complementar: sempre que vou a Londres, fico hospedado num estabelecimento informal (não sei ao certo em que grau). A dona da casa, portuguesa, entre outras condições, estabelece uma em particular: não fumar dentro de casa (o que há anos me deixou de afectar pessoalmente). Esta é uma "proibição" totalmente legítima pois é de livre vontade que cada hóspede concorda com os seus termos.
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Nota complementar: sempre que vou a Londres, fico hospedado num estabelecimento informal (não sei ao certo em que grau). A dona da casa, portuguesa, entre outras condições, estabelece uma em particular: não fumar dentro de casa (o que há anos me deixou de afectar pessoalmente). Esta é uma "proibição" totalmente legítima pois é de livre vontade que cada hóspede concorda com os seus termos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Não é preciso ser uma águia
para antecipar o triplo desastre que resultará da extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade. Primeiro: "enjaular" criaturas em salas contra a sua vontade para nada aprenderem e tentarem que os outros nada aprendam é, no mínimo, idiota e talvez mesmo criminoso. Segundo: protelar ainda mais as já de si parcas possibilidades de quem queira entrar no mercado de trabalho, mesmo que mal remunerado, ganhando autonomia para daí desenvolver a sua cidadania, é criminoso. Terceiro: transformar em delinquentes todos aqueles que venham a escolher, livremente, não ir à escola é uma enormidade própria de pietistas e puritanos, uma grave violação da liberdade.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Esquerda e direita
Portugal no seu melhor, por José Pacheco Pereira. Um trecho:
«A nossa esquerda mobiliza-se para defender o “serviço público” da RTP e é indiferente à sorte dos Estaleiros de Viana do Castelo.
A nossa direita mobiliza-se para manter uma “informação pública” na RTP, Lusa, rádios, etc. e acha bem que, em nome da “democratização da economia”, os Estaleiros de Viana do Castelo fechem.
A nossa esquerda arrepela-se perante a hipótese de se privatizar um canal da RTP, ficando o resto por privatizar, e quer lá saber da privatização dos Estaleiros, mesmo que isso salve a empresa e parte dos empregos.
A nossa direita jura todos os dias que o “serviço público” justifica a presença do estado na RTP, mas não mostra qualquer zelo em privatizar os Estaleiros, nem lhe passa pela cabeça que possa haver razões “públicas” para os manter.»
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O fracasso da guerra à pobreza
Há um par de semanas atrás, chamava a atenção para a coincidência estatística entre o início declarado da guerra à pobreza, por Lyndon Johnson, e o facto de, desde então, a taxa de pobreza ter deixado de descer, como vinha a suceder antes da declaração de "guerra". O gráfico seguinte (via Cato), é perfeitamente elucidativo:
Este video, também via Cato, retoma o tema e chama a atenção para um aspecto poucas vezes esquecido: a definição de "pobreza". Quando vi este video, recordei-me do meu professor de História Económica, Jorge Borges de Macedo, que numa das suas aulas afirmou, para meu grande espanto e até mesmo alguma incomodidade: «Não são os pobre que emigram. Os pobres nem sequer têm dinheiro para dar o "salto"».
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Estado e moral hazard (5) - o "direito" ao crédito fácil (act.)
Na sequência da série Estado e moral hazard:
Após o desaparecimento do padrão-ouro e a adopção generalizada da moeda fiduciária (fiat money) - só possível pela imposição legal dos Estados - as taxas de juro são, no essencial, influenciadas pelos bancos centrais, entidades a quem o Estado confere o monopólio na emissão de moeda. Deste modo, e simplificando um pouco, a variação da quantidade de moeda em circulação é função directa da velocidade das rotativas (hoje essencialmente electrónicas) a cargo dos bancos centrais.
Ora os Estados, mesmo que nominalmente atribuam ao banco central (BC) "independência" na fixação da política monetária, não resistem a "estimular" a economia instando o BC, quer através da fixação de taxas de juro muito baixas (ou "apenas" nulas), quer na "cedência de liquidez" (concessão de crédito) às instituições bancárias. Ficam assim criadas as condições para uma desbunda creditícia - tanto maior quando maior o período em que essas condições perdurem - pois a banca comercial, ao conseguir ela própria financiamentos (durante algum tempo aparentemente ilimitados) a juros muito baixos, naturalmente que possibilitaram aos seus clientes o acesso a crédito também em condições muito "favoráveis", com spreads reduzidos mas, ainda assim, lucrativos. Nestas condições, é “racional” para os bancos emprestarem o mais que puderem (mesmo que à custa do relaxamento das regras prudenciais de todo o credor que pretenda reaver a quantia ou a coisa emprestada).
Por sua vez, as famílias e as empresas, ao se depararem com situações de crédito muito barato, decidem assumir posições devedoras que seriam impensáveis em sãs condições de mercado não distorcido pelas intervenções do BC.
Reparem no que sucedeu também entre nós: a idade limite para maturidade de um empréstimo hipotecário deixou de ser a idade da reforma para passar primeiro para os 70 e depois para os oitenta anos; foi por isso que os critérios para atribuição deste tipo de empréstimos foram sendo cada vez mais facilitados (em rigor, lançando às malvas as regras prudenciais de todo o emprestador sensato), quer pela sobreavaliação das habitações, assim se criando a ficção que existiriam "entradas" significativas por parte de quem pedia emprestado, etc.
Foi por isso que muitos investimentos, que nunca teriam sido feitos em condições normais, se fizeram ainda assim e tiveram que ser abandonados (é ver as casas de habitação ou instalações industriais por acabar, as autoestradas vazias e o aeroporto e o TGV que quase chegaram a ser...).
Para um país como Portugal, sem BC emissor, chegou agora a factura do alegre deboche: uma tremenda escassez de crédito que está a estrangular as empresas pelo lado da tesouraria precisamente quando o prazo médio de recebimento dos seus clientes não cessa de aumentar (fora os calotes); os particulares que, perante as subidas, ainda que tímidas, das taxas de juro na área euro, entram em incumprimento das obrigações em que incorreram nas suas hipotecas, tudo isto num contexto em que o desemprego é crescente; os próprios bancos percebem que, afinal, uma parte significativa dos seus activos (empréstimos concedidos) nunca será reavida, entrando por isso também em dificuldades (que podem ser bem sérias, como suspeito que iremos perceber até ao final do ano…1).
Ninguém tem "direito" a crédito, nem o Estado é capaz de o assegurar pelos passes de mágica das “rotativas” monetárias. O resultado de toda esta triste situação é apenas a criminosa e expropriadora política de taxas de juro baixas, que induz comportamentos temerários, quando não criminosos, em prejuízo da saudável prudência da poupança e do honrar dos compromissos assumidos - trocar bens e serviços no presente por mais bens e serviços no futuro. Iremos pagar - já estamos a pagar - esta manipulação ilusionista com língua de palmo: uma combinação de inflação, que irá destruir as poupanças constituídas e corroer os rendimentos dos que vivem de rendimento fixo diminuindo fortemente o nível de vida a que nos habituámos, com um desemprego crescente e uma recessão económica que perdurará até que as feridas abertas pelas políticas estatais criminosas possam sarar. Até que a sanidade regresse.__________________
1ACTUALIZAÇÃO: ‘Troika’ obriga banca a desvalorizar activos a partir de 2012. "Obriga" é uma expressão enganadora. O título correcto deveria ser "'Troika' obriga a que os balanços dos bancos reflictam a sua realidade patrimonial".
Estado e moral hazard (4) - perseguindo a eliminação do risco
Na sequência de Estado e moral hazard (3) - Os media governamentais
Especulações sobre o comportamento esperado por parte dos cidadãos de um dado país:
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1Este país existe e chama-se Estados Unidos da América e este tipo de apólices obrigatórias faz parte do inane pacote que ficou conhecido por Obamacare.
Especulações sobre o comportamento esperado por parte dos cidadãos de um dado país:
- Se, chegado o momento da reforma, por velhice ou invalidez, o Estado "garantisse" o "direito" a uma remuneração, até que a morte sobreviesse, em função dos impostos (ou contribuições) obrigatórios pagos ao longo dos anos de trabalho? Com a "garantia" de reforma, parece ser razoável supor que esses cidadãos, antecipando um futuro "assegurado", deixariam de preocupar-se em constituir poupança para acorrer a esse fim tal como sempre aconteceu anteriormente (ou a contar com a solidariedade dos filhos para assegurar a subsistência);
- Se os cidadãos não tivessem de se preocupar com a solidez das instituições onde fazem as suas aplicações financeiras porque o Estado lhes "garantia" sempre o reembolso mesmo em caso de falência (fraudulenta ou não, pouco importa) dessas instituições, não seria difícil imaginar que os cidadãos procurassem sempre as aplicações de maior rendibilidade ignorando o risco implícito das suas decisões. Não custa assim antecipar que todos os prejuízos indutores de uma insolvência seriam socializados, ao contrário dos benefícios;
- Se o cidadão activo e empregado for obrigado a adquirir uma apólice de seguro de saúde com um alargado leque de coberturas, incluindo as relativas a condições pré-existentes1, mas se o montante da multa que o Estado impuser a cada cidadão que afinal não subscreva a apólice, for bem inferior ao custo desta última, não será razoável supor que ele não a irá subscrever enquanto estiver saudável? Afinal, qual a razão para supor que faça sentido pagar uma apólice com uma tão larga cobertura de riscos, e portanto de elevado custo, para quem vá ao médico apenas uma vez por ano para fazer um check-up? Mais: se tiver o azar de ficar doente e precisar por hipótese de um internamento poderá, na altura, adquirir a apólice e invocar condições pré-existentes!
- Se o jovem cidadão, obrigado a frequentar a escola obrigatória a contra-gosto, não tiver necessariamente de se esforçar para conseguir o “sucesso escolar”, será de esperar que trabalhe se souber que tem sempre o “progresso” assegurado independentemente da sua atitude? 2
- Se determinada organização privada com dimensão significativa (um banco, uma seguradora, uma construtora de automóveis, uma fábrica de chips, etc.) se convencer que, em caso de dificuldade grave, o Estado intervirá para a salvar, não será de supor que a equipa dirigente dessa empresa se “arrisque” a tomar decisões que nunca tomaria sem essa garantia de intervenção?
- Se as múltiplas licenças e os inúmeros regulamentos que o Estado impõe a quem pretende iniciar um negócio, que significam um enorme sobrecusto (financeiro, temporal e moral) para o empreendedor, em nome da salvaguarda dos “riscos” sociais (“qualificações profissionais”, “segurança”, “saúde”, “qualidade”, ambiente”, entre outros) desaparecessem, não haveria fortes razões para supor que houvesse muito mais criação de empregos e riqueza?
1Este país existe e chama-se Estados Unidos da América e este tipo de apólices obrigatórias faz parte do inane pacote que ficou conhecido por Obamacare.
2 Visione-se, por exemplo, este video (via O Insurgente)
terça-feira, 12 de julho de 2011
A eco-teocracia esportuladora do nobelizado Steven Chu
Chu, secretário de estado da energia na administração Obama, é um dos estrénuos defensores da proibição das lâmpadas de incandescência proibição essa, naturalmente, para proteger o Ambiente e, en passant, até o próprio consumidor pela "poupança" que o mesmo irá obter ao ver-se forçado a comprar lâmpadas "economizadoras" (aquelas que têm mercúrio e que, segundo a própria Environmental Protection Agency, caso se partam dentro de uma divisão da casa, tal obrigará a ventilar a mesma por 15 minutos) .
Chu afirmou candidamente (ou desavergonhadamente?) que "We [o Governo] are taking away a choice that continues to let people waste their own money(!!!).” Ou seja, o governo federal considera que é seu direito impedir os cidadãos de efectuarem as suas próprias escolhas, gastando o seu dinheiro (o pouco que sobra após impostos) da maneira que bem entenderem, mesmo que estejamos a falar de coisas tão banais como lâmpadas ou sanitas para os lares americanos.
De cada vez que se permite um, ainda que aparentemente, pequeno passo nesta direcção estamos a aproximarmo-nos de um estado totalitário.
Chu afirmou candidamente (ou desavergonhadamente?) que "We [o Governo] are taking away a choice that continues to let people waste their own money(!!!).” Ou seja, o governo federal considera que é seu direito impedir os cidadãos de efectuarem as suas próprias escolhas, gastando o seu dinheiro (o pouco que sobra após impostos) da maneira que bem entenderem, mesmo que estejamos a falar de coisas tão banais como lâmpadas ou sanitas para os lares americanos.
De cada vez que se permite um, ainda que aparentemente, pequeno passo nesta direcção estamos a aproximarmo-nos de um estado totalitário.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Uma história desgraçada (act.)
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Há dias, em conversa com uma minha amiga que recentemente se divorciou, ela contou-me que o namorado, de longa data, da filha - auto-incluído na "geração à rasca" - se virou para ela acusando-a de fazer parte da geração causadora das presentes dificuldades aos mais jovens (ele tem, salvo erro, 34 anos) e, como tal, era dela a obrigação de sustentar (habitação, comida, viagens, etc.) a sua quota parte da "geração à rasca". Sim, porque o "jovem", suposto arquitecto, não achava digno concorrer a um emprego que apenas lhe oferecia o ordenado mínimo. Como é fácil adivinhar, aos 34 anos, nunca esteve empregado porque nunca lhe surgiu um emprego à altura da sua craveira.
Há uns meses atrás ouvi eu próprio da boca dele que estava a tentar convencer os sogros a lhe financiarem a aquisição de um equipamento de microgeração porque, segundo ele, era um "bom investimento", leia-se: uma boa maneira de fazer dinheiro à custa dos contribuintes, implicando trabalho mínimo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O dia depois
Pedro Lomba escreve hoje, no Público, mais uma magnífica crónica onde põe o dedo na maior ferida (entre tantas...) que Sócrates abriu em Portugal e que mais tempo irá demorar a sarar. Já por várias vezes me referi por aqui a esta questão embora em termos muito longe da elegância e profundidade da escrita de Lomba. A crónica de hoje termina assim (realce meu):
A crise que ele [José Sócrates] nos deixa não está apenas nos números da economia. É uma crise do nosso reduzido estado de consciência. Sócrates venceu, porque nos pôs a pensar como ele, semiconscientes, semiadormecidos, ouvindo e falando maquinalmente. É o que nos fez seguir esta campanha como analistas de percepções e de gaffes, obcecados com a eficácia, como se fôssemos o júri de um reality show de marketing político.
De certa forma, o problema nunca foi Sócrates, mas saber que Sócrates explorou as brechas da nossa democracia, que o napalm está aí para quem o souber usar. Deixa-nos num tal desalento ético, numa tal fractura, que a reconstrução será mais difícil. Mesmo sem Sócrates, porque os seus vestígios não irão desaparecer tão cedo.
terça-feira, 10 de maio de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O que eu andei pra aqui chegar
Texto certeiro de Jorge Costa que reproduzo na íntegra:
O título do post, entretanto, torna irresistível a remissão para esta balada (letra, aqui):Estamos exaustos. Meses depois de se ter tornado óbvio para toda a gente sensata - bastaria, se mais não fosse, comparar os custos de endividamento possíveis no mercado com os possíveis ao abrigo de um acordo de ajuda externa e projectar a diferença como fardo adicional para os anos vindouros -, o Governo quebrou e aceitou. Não sem antes, através de uma execução orçamental desastrosa, de que não há memória recente, ter o Governo agravado todas as condições que tornavam eloquentemente inevitável, pela perda de qualquer réstea de credibilidade, o recurso à referida ajuda. Estamos exaustos - financeiramente exaustos, economicamente exaustos, politicamente exaustos, moralmente exaustos -, depois da verdadeira odisseia que foi aceitarmos fazer o inevitável, o óbvio de há muito tempo. Se gastarmos tanta energia para aceitar dar o próximo passo - a reestruturação da dívida (as condições de acesso à ajuda a partir de 2013 talvez, para nossa sorte, sejam mais impositivas no timing)-, se tudo o que for necessário fazer, e o que é necessário fazer, não restem dúvidas, é sumamente doloroso, nos consumir o que este passo consumiu, é normal que nada sobre no fim. Nem pedaço de alma.
domingo, 3 de abril de 2011
Florentino
Tempo republicano, por Medeiros Ferreira
Zapatero decidiu não se apresentar como candidato do PSOE a primeiro-ministro na próxima eleição.Fê-lo sem dramatismos inúteis, marcando um tempo e uma prática republicana na Espanha monárquica, dando todas as condições para a renovação do seu próprio partido.Uma lição a reter.A cultura política democrática é uma coisa muito bonita.
sábado, 5 de março de 2011
Geração (auto?)ludibriada
Na sequência dos posts Às Deolindas e Deolindos do meu país e Às Deolindas e Deolindos do meu país (2)
Margarida Carvalho tem 27 anos, tem por formação base a biotecnologia e está a iniciar o doutoramento. Margarida é uma dos doze jovens com que o Expresso conversou acerca dos motivos que os levam a participar na manifestação, no dia 12 de Março, em Lisboa, sob o manifesto da geração enrascada. São suas as seguintes palavras que transcrevi do Expresso:
Margarida Carvalho tem 27 anos, tem por formação base a biotecnologia e está a iniciar o doutoramento. Margarida é uma dos doze jovens com que o Expresso conversou acerca dos motivos que os levam a participar na manifestação, no dia 12 de Março, em Lisboa, sob o manifesto da geração enrascada. São suas as seguintes palavras que transcrevi do Expresso:
«Para o Governo, os bolseiros não passam de eternos estudantes. Sei do que falo. Como técnica em biologia molecular tive uma bolsa durante dois anos. Recebia 745 euros, brutos, e sem direito a 13º e a 14º mês. Assim que a bolsa termina sentimo-nos desamparados, sem direito a qualquer protecção social. Não há subsídio de desemprego. Iniciarei o doutoramento em Abril e terei quatro anos de financiamento assegurado. Mas tenho a noção de que por enquanto terei de viver em casa dos pais. É triste que o nosso país não reconheça um bolseiro como sendo um trabalhador comum. Sinto que algumas pessoas olham para nós com preconceito. Lutarei para que tenhamos direito a um contrato. Fazer investigação científica é produzir trabalho.»
Escolhi, entre doze casos, o da Margarida por me parecer ser aquele que oferece um mais completo retrato de um imenso conjunto de equívocos, mistificações, quando não de puras aldrabices.
Não, Margarida. A atribuição de uma bolsa para investigação por uma instituição estatal não faz do bolseiro um empregado mas sim um subsidiado. Não é assim de admirar que o seu país (ou outro qualquer) não a reconheça como trabalhadora comum, não haja 13º e 14º meses nem tenha direito ao subsídio de desemprego. Como a própria Margarida acaba por reconhecer, a bolsa funciona como um financiamento ao seu titular que lhe permita dirigir o seu esforço e dedicação exclusivamente para a aquisição e desenvolvimento de conhecimento que possa proporcionar ao bolseiro uma melhor oportunidade futura no mercado de trabalho. Lamento, Margarida, mas não tem direito a um contrato [de trabalho].
A Margarida fará parte, provavelmente, dos ludibriados por aqueles - especialmente pelos Governos - que propalaram, anos e anos a fio, que mais qualificações académicas significavam automaticamente mais e melhores empregos o que é -sempre foi - uma rematada mentira. Depois, a Margarida acha que tem o direito a ter um emprego mesmo enquanto bolseira. Ora não existe isso de ter direito a um emprego. Existe sim, ou deveria existir, o direito a dispormos da nossa livre escolha para tomarmos as nossas opções em função das expectativas reais que o mercado de emprego proporciona.
São muitos e não são de agora os sinais, para dar uns exemplos, do excesso de licenciados em Relações Internacionais, História, Psicologia ou Jornalismo e a falta de engenheiros electrotécnicos e aeroespaciais e dos correspondentes salários esperados, sendo que estes últimos são função dos primeiros.
Como o Estado já não pode, pela sua iminente bancarrota, absorver mais mão-de-obra, só restam as empresas que temos e aquelas que conseguirmos atrair do estrangeiro e, sobretudo, das que conseguirmos vir a criar por recursos internos. Não por dever social, não através de subsídios estatais a esmo, não pelo voluntarismo bacoco de governos com equipas de "marketing de luxo". Sim pela diminuição drástica dos encargos sobre o factor trabalho, sim, pela eliminação de dezenas de milhares de páginas de leis, decretos-lei, portarias, despachos e posturas e demais regulamentação de institutos, autoridades e agências disto e daquilo, que tudo fazem, isso sim, por criar dificuldades a quem queira correr riscos na exacta medida que a sua prioridade é justificar a sua própria existência e crescimento.
É sobre isto que deve reflectir Margarida. Sobre quem e o quê lhe está a dificultar a vida e a deixar, depois do dispêndio de milhões, dezenas de milhar de licenciados e mestres e, já hoje, muitas centenas de doutorados. Infelizmente não creio que a maioria dos portugueses o tenha compreendido ou o vá compreender nos próximos anos. Provavelmente será necessário primeiro que o desastre assuma proporções épicas. Entretanto, Margarida, disponha da sua liberdade e, em última instância, emigre.
A Margarida fará parte, provavelmente, dos ludibriados por aqueles - especialmente pelos Governos - que propalaram, anos e anos a fio, que mais qualificações académicas significavam automaticamente mais e melhores empregos o que é -sempre foi - uma rematada mentira. Depois, a Margarida acha que tem o direito a ter um emprego mesmo enquanto bolseira. Ora não existe isso de ter direito a um emprego. Existe sim, ou deveria existir, o direito a dispormos da nossa livre escolha para tomarmos as nossas opções em função das expectativas reais que o mercado de emprego proporciona.
São muitos e não são de agora os sinais, para dar uns exemplos, do excesso de licenciados em Relações Internacionais, História, Psicologia ou Jornalismo e a falta de engenheiros electrotécnicos e aeroespaciais e dos correspondentes salários esperados, sendo que estes últimos são função dos primeiros.
Como o Estado já não pode, pela sua iminente bancarrota, absorver mais mão-de-obra, só restam as empresas que temos e aquelas que conseguirmos atrair do estrangeiro e, sobretudo, das que conseguirmos vir a criar por recursos internos. Não por dever social, não através de subsídios estatais a esmo, não pelo voluntarismo bacoco de governos com equipas de "marketing de luxo". Sim pela diminuição drástica dos encargos sobre o factor trabalho, sim, pela eliminação de dezenas de milhares de páginas de leis, decretos-lei, portarias, despachos e posturas e demais regulamentação de institutos, autoridades e agências disto e daquilo, que tudo fazem, isso sim, por criar dificuldades a quem queira correr riscos na exacta medida que a sua prioridade é justificar a sua própria existência e crescimento.
É sobre isto que deve reflectir Margarida. Sobre quem e o quê lhe está a dificultar a vida e a deixar, depois do dispêndio de milhões, dezenas de milhar de licenciados e mestres e, já hoje, muitas centenas de doutorados. Infelizmente não creio que a maioria dos portugueses o tenha compreendido ou o vá compreender nos próximos anos. Provavelmente será necessário primeiro que o desastre assuma proporções épicas. Entretanto, Margarida, disponha da sua liberdade e, em última instância, emigre.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Presidenciais 2011
Estranhas eleições estas.
Um candidato(?), de origem insular, cuja mais-valia é a de propiciar alguns momentos Tiririca a uma campanha que corria morna e desinteressante.
Um candidato(?) empenhado no cumprimento de um percurso auto-sacrificial em defesa do perímetro do Partido, cujo precursor foi Octávio Pato nas presidenciais de 1976.
Um candidato(?) cuja utilidade se esgotou em “relançar” um assunto morto e enterrado há anos, poupando esse encargo a quem verdadeiramente interessa a exumação do cadáver.
Um candidato(?) cosmopolita conhecedor in loco de climas escaldantes de seca e húmidos de chuva, em qualquer caso no meio de horríveis catástrofes humanas e que o dr. Mário Soares apoia sem poder afirmá-lo de forma audível.
Um candidato, esse sim com aspirações a challenger, cujo principal atributo reside no timbre da sua bela voz que lhe bem assiste nas sucessivas tiradas tonitruantes quase fazendo esquecer o vazio absoluto do seu conteúdo. Um candidato apoiado pelos partidos políticos que mais se opõem entre si, o que tem como consequência, por incrível que possa parecer, esvaziar ainda mais o vazio pré-existente.
Por fim, um candidato incumbente do qual podemos ter uma certeza: dele não virão quaisquer surpresas. Para muitos, aí reside o seu principal activo. Para outros, infelizmente, Cavaco não quer ser o De Gaulle português. E ainda que, no curto prazo, tal traduza um alinhamento com a anomia colectiva que nos entorpece, pagaremos todos por isso. Ainda assim, não vejo como não o apoiar.
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Nota: também publicado hoje no Delito de Opinião
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Sanatório ou manicómio?
Com a devida vénia a João Miranda, transcrevo o seu post Boas notícias para Portugal
A estratégia de desresponsabilização do governo começa a afectar a sanidade mental de toda a gente. Por exemplo, no Público escreve-se:
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A boa notícia para Portugal é o facto de a actual escalada dos juros não ser exclusiva de Portugal, da Irlanda e da Grécia. Na recta final da semana e início da actual, os juros das dívidas espanhola e italiana dispararam, o que volta a dar uma dimensão maior à crise de dívida soberana europeia.
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Ora nem mais. Estamos à beira da falência, mas felizmente quem nos poderia ajudar também não está lá muito bem. Chegou a peste. A boa notícia é que é uma pandemia.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Do vazio
A criatura da imagem torpedeou a tentativa de interiorização por parte dos portugueses de não poderem, indefinidamente, viver à custa de sucessivo e crescente endividamento e que, depois, viria a dissolver um parlamento com uma maioria estabelecida e em funcionamento, não pára de fazer declarações, quase sempre a despropósito e de uma vacuidade confrangedora. É caso para perguntar: Porque não se cala?
domingo, 17 de outubro de 2010
Zanguem-se, porra!
Mas quando perceberão os portugueses que os maiores inimigos do Estado "social" são os que têm estado no governo nos últimos 15 anos? Sim, aqueles que se reclamam como os seus mais estrénuos defensores!
Nota: sondagens publicadas entre 2 e 16 de Outubro (valores em percentagem)
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