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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Coreia do Norte tão perto de si

Uma história "exemplar", aquela que Simon Black nos conta hoje e que procurei traduzir abaixo (minha inteira responsabilidade). Mas não exemplar no sentido de servir de modelo para atitudes e comportamentos. Esta é a exemplaridade de um quotidiano cada vez mais delimitado, regulado e opressivo. De um estatismo triunfante ainda em ascensão.
25 de Fevereiro de 2014

Por Simon Black (em viagem para a Colômbia)



Li Mi-Yung apenas queria ser livre.

Esta viúva de 55 anos da Coreia do Norte passou os últimos 18 meses a construir uma habitação, não dependente da rede de distribuição eléctrica, na sua propriedade no campo. Ela era, no essencial, completamente independente.

Recolhia e armazenava a água da chuva para assegurar água potável. Dispunha do seu próprio sistema de deposição de resíduos. Gerava a sua própria electricidade a partir do sol.

Admirável, não vos parece? Sobretudo num local onde há tão poucas pessoas independentes.

Infelizmente, após se terem dado conta das condições de vida da Sra. Li, as autoridades locais da Coreia do Norte enviaram brigadas de funcionários governamentais à residência da Sra. Li, com a intenção de a expulsar e de a levar perante um tribunal.

Algo de verdadeiramente infame. Pensar-se-ia que o governo norte-coreano estaria muito interessado em aprender com a experiência da Sra. Li com o propósito de tentar melhorar a vida de toda a gente.

Mas, enfim, que mais se pode esperar do governo da Coreia do Norte...?

Há todavia duas pequenas correcções que é necessário introduzir nesta história antes que possa prosseguir.

Li Mi-Yung é na realidade Robin Speronis [link]. E ela não vive na Coreia do Norte. Mora em Cape Coral, na Florida... na Terra dos Livres. Tudo o demais é verdade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Deslumbrantes sucessos, inomináveis tragédias

Depois do "Querido Líder" nos ter conseguido surpreender apesar das façanhas irrepetíveis do "Grande Líder" (sobrevivente a Stalin e a Mao, saliente-se), é a vez do "Grande Sucessor" nos continuar a maravilhar com mais extraordinários feitos da liderança dinástica norte-coreana. A mais recente e esplendorosa está bem espelhada neste título: "Candidatos [ao recrutamento no exército] podem ter 142 centímetros [de altura]", menos três centímetros que o anterior limite mínimo1.

A Coreia do Norte continua assim na ponta da lança da luta titânica contra as "alterações climáticas". De facto, se já era bem conhecido o seu importantíssimo contributo para redução das emissões de CO2 na contenção da utilização de electricidade, creio haver menor familiaridade com a mui conseguida antecipação na concretização das teses de alguns bioeticistas. É que, segundo estes últimos, uma das formas relevantes de conseguir diminuir a "pegada ecológica" humana consistiria na eliminação dos embriões maiores e, amanhã, com maior massa corporal. Um excerto:
«And so size reduction could be one way to reduce a person's ecological footprint. For instance if you reduce the average U.S. height by just 15cm, you could reduce body mass by 21% for men and 25% for women, with a corresponding reduction in metabolic rates by some 15% to 18%, because less tissue means lower energy and nutrient needs.»
1Este tremendo sucesso foi conseguido à custa do raquitismo epidémico decorrente da fome generalizada durante a década de 90 em que milhões de pessoas terão perecido.

domingo, 1 de abril de 2012

Vencedor indisputável

A Coreia do Norte voltou ontem a ganhar, a grande distância dos demais concorrentes, o ceptro da Hora do Planeta. É mais um recorde que, suspeito, continuará a ser superado, ano após ano, enquanto a dinastia Kim assegurar a condução, como um denodo ecológico1 absolutamente assinalável, dos destinos do país.


1Se por "ecológico" se entender viver à luz das velas não uma hora por ano mas várias por dia abdicando, em defesa da Mãe-Natureza, da maléfica electricidade.