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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O caminho do declínio dos EUA, também no sector financeiro

Simon Black, em mais uma acutilante missiva enviada do "terreno", volta a recorrer à história para ilustrar e melhor fazer entender relevantíssimas situações da actualidade. Desta feita, a personagem histórica invocada é a de Diocleciano (244 d.C. - 311 d.C.) que, já então pela 'n-ésima' vez, prendia (e matava) os "especuladores" que, supostamente, eram os causadores da inflação e das situações de escassez, na realidade provocadas pelo estado através da contrafacção da moeda - inflação monetária - e da imposição de controlos de preços. Enfim, exactamente aquilo que um Maduro (Nicolás, de seu nome) está a levar a cabo, com denodo e afinco, num país que já teve um dos melhores níveis de vida na América Latina e que agora caminha a largos passos para a ruína.

Mas que fazer quando se repetem, uma e outra vez, as mesmas falácias de sempre? Quando, por exemplo, se publicita um Instituto do Novo Pensamento Económico, para se anunciar como "novas" as mesmíssimas doutrinas que vêm governando o mundo ocidental desde há mais de 80 anos? Quando se não aceitam os princípios mais básicos da acção humana e da lógica e, assim, e por exemplo, se rejeita a lei da procura com terríveis consequências como a de prosseguir na insanidade máxima que é o salário mínimo? Só vejo uma forma: a que Chris Rossini aqui aponta. A tradução do texto de Simon Black é de minha responsabilidade.
13 de Novembro de 2013
Singapura

Nos inícios do século IV d.C., o Império Romano estava sob uma tremenda turbulência por via da peste, das invasões bárbaras, de uma profunda recessão, de guerras civis, de golpes de estado, etc.

Em boa medida, essa situação foi provocada pela situação económica extremamente sombria por que Roma então passava.

O Governo, pura e simplesmente, não tinha dinheiro suficiente para manter as funções correntes, muito menos para pagar todos os generosos programas sociais necessários para apaziguar a população.

De modo que, como se poderia imaginar, os governantes decidiram compensar a diferença através da contrafacção da moeda.

As moedas romanas foram tão rapidamente adulteradas que acabaram por perder a credibilidade necessária a um meio de troca entre os mercadores. Em consequência, aquela que foi em tempos uma vasta rede comercial do império praticamente entrou em colapso.

O Imperador Diocleciano
Com uma queda tão abrupta no comércio, a receita dos impostos do governo também diminuiu. Em 301 a.C., a situação tornou-se tão desesperada que levou Diocleciano a avançar com uma "solução".

Primeiro, responsabilizou os especuladores pela inflação que grassava, impondo a pena de morte a alguns deles.

Em seguida, fez publicar a que é provavelmente a lei mais idiota na história do mundo - o agora infame Édito dos Preços Máximos [link], que impôs o controlo de preços sobre um milhar de bens e serviços como o vinho, o vestuário ou os salários.

É claro que qualquer estudante de economia do ensino secundário [Simon Black não está a par dos programas das nossas escolas públicas...] pode dizer que os controlos de preços não funcionam. E também não funcionaram com Diocleciano.

A prazo, o efeito da lei foi devastador. A inflação e as situações de escassez rapidamente se instalaram. E verificou-se um êxodo em massa, de ricos e pobres, que fugiram do império em busca de uma vida melhor.

Poder-se-ia argumentar que foi esta a gota que fez transbordar o copo em Roma.

Ironicamente, Diocleciano estava de facto a tentar "reformar" o sistema, não a procurar lançar Roma no precipício. No entanto, este é um dos inúmeros exemplos históricos em como o caminho para a ruína está quase sempre pavimentado de boas intenções [ou, "de boas intenções está o Inferno cheio"].
Um "Diocleciano" venezuelano

Tal como sucedeu com Diocleciano, os nossos políticos contemporâneos estão constantemente a tentar "consertar" as coisas. Contudo, as suas tentativas fracassam de forma miserável, e, tipicamente, tornam a situação pior.

Duas das leis mais destrutivas recentemente aprovadas pelo governo dos EUA são, por exemplo, a (1) a Dodd-Frank Wall Street Reform Consumer Protection Act [link] e (2) a Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA) [link].

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Peter Schiff à RT: os EUA estão intoxicados em dívida

Como alguém comenta na página do YouTube onde o vídeo está publicado,
"How pathetic is it that as an American we must watch A RUSSIAN news outlet to see a journalist actually ask the correct questions? This sums up perfectly the malicious secrecy involved in the collaboration between the federal government, the American financial markets, and the American media who allows this partnership to operate in the shadows."
Mesmo sabendo nós que a RT está longe de ser alheia aos interesses de Putin, também creio que é exactamente assim. Grande entrevista de Peter Schiff!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Primeiro, vagarosamente; depois, o turbilhão súbito

Finda, por agora, a pantominice mediática acerca do shutdown ("apagão") do governo federal e da (nova) elevação do limite de endividamento, deste modo prevenindo, num "dramático último momento", a catástrofe anunciada que impendia não apenas sobre os EUA mas sobre boa parte da humanidade, é tempo de procurar regressar à sanidade.

Assim, é de referir que o acordo alcançado no Capitólio, e visado na Casa Branca, em nada contribuiu para alterar os desequilíbrios gigantescos das finanças federais americanas (muito pelo contrário, vide Obamacare). Consequentemente, a dívida pública continuará a subir acentuando a sua já mais que insustentável trajectória e boa parte dela continuará a ser alvo de uma monetização pelo Fed (através da tecnologia da "printing press" que Ben Bernanke tanto elogiava) pelo que, por conseguinte, continuará a trajectória descendente do valor do dólar. Simon Black, na linha de um par de apontamentos que deixei recentemente aqui e aqui vê, entre outras, razões para valorizar o crescente incómodo das autoridades chinesas, aliás publicamente já assumido em termos vigorosos. Pareceu-me pois útil proporcionar uma tradução da sua missiva, enviada de Santiago do Chile, "Slowly at first, then all at once" até porque começaram a surgir sinais sérios que podem indiciar a intenção de implantar controlos de capitais dentro dos próprios EUA dificultando a movimentação de contas bancárias de e para o exterior.
17 de Outubro de 2013
Santiago do Chile

"Como é que foste à falência?", perguntou o Bill.

"De duas maneiras", respondeu o Mike. "Aos poucos e subitamente."

O diálogo acima faz parte do romance de Ernest Hemingway, de 1926, "O Sol também se levanta".

Ele é muitas vezes atribuído a Mark Twain ou a F. Scott Fitzgerald, ou mal citado como algo do género: "No início, entra-se lentamente em falência; de repente, tudo acontece de uma só vez". Mas o tema é o mesmo.

As nações entram em bancarrota da mesma maneira. Os colapsos bancários ocorrem da mesma maneira. As crises cambiais acontecem da mesma maneira. Todos estes casos acontecem gradualmente... até que, de súbito, tudo se precipita. Por vezes, de um dia para o outro.

A história é generosa em proporcionar exemplos de nações inteiras que sofreram este destino, do colapso da União Soviética, em 1991, à crise financeira do milénio na Argentina, em 2001.

Os sinais de alerta estão sempre lá, logo no início. Ao longo de um período de anos, às vezes de décadas, um pequeno gotejar de sinais de alerta transforma-se num fluxo constante... e, eventualmente, numa grande inundação.

Os Estados Unidos estão claramente dentro deste padrão, algures entre um fluxo constante e uma grande inundação. Isso é evidente.

Ontem à noite, depois de mais de duas semanas de um teatro absolutamente constrangedor, o governo da Terra dos Livres assinou um acordo para tudo adiar por mais alguns meses. E ao fazê-lo, foi estabelecido um precedente muito perigoso.

No âmbito da barganha codificada na HR 2775 (que o presidente Obama promulgou), o Departamento do Tesouro fica autorizado a SUSPENDER o limite de endividamento. Por outras palavras, para todos os fins e propósitos, não há agora NENHUM LIMITE à dívida pública [federal].

Esta autoridade ilimitada para contrair empréstimos expira a 7 de Fevereiro de 2014. Mas estabelece o precedente que ignorar o limite de endividamento é um curso de acção perfeitamente viável.

O Congresso eliminou eficazmente as algemas de que dispunha... pelo que se pode apostar com praticamente toda a segurança que aquela disposição será prorrogada e, a certa altura, se tornará permanente.

Na Terra dos Livres ninguém se parece importar. Mas não é o caso dos estrangeiros. A mensagem essencial do comentário dos media estatais chineses, há dias atrás, foi muito clara:
"É talvez um bom momento para que o mundo confuso comece a considerar a construção de um mundo desamericanizado".
A posição dominante da América está chegar ao fim. Praticamente todas as evidências objectivas apontam para esta conclusão - desde as absurdamente insustentáveis finanças ​​do governo dos EUA à reacção mundial contra as suas tácticas desesperadas de espionagem.

Há já vários anos que este declínio vem acontecendo gradualmente. Mas nós estamos rapidamente chegando ao ponto de bifurcação onde o fluxo constante de sinais de alerta se transformará numa torrente épica de consequências.

Com o desenrolar destes acontecimentos, isto tornar-se-á na maior história do nosso tempo. O fim da hegemonia do dólar dos EUA irá afectar praticamente cada ser humano do planeta. E se a história serve de guia, o que se seguirá será extremamente tumultuoso.

Simon Black

domingo, 13 de outubro de 2013

Quanto mais tempo irá o dólar manter-se como moeda de reserva?

É esta a pergunta que titula o artigo de Patrick Barron publicado ontem no Mises Institute e que me propus traduzir por abordar uma das questões centrais da evolução próxima da economia mundial: o ameaçado estatuto do dólar enquanto "moeda de reserva" - inteiramente decorrente das decisões de política monetária que o Fed tem praticado, particularmente desde o fecho da "gold window" -, e as consequências que daí poderão advir para os Estados Unidos e para todo o mundo. É provável que a recente nomeação, ainda a confirmar pelo Senado, de Janet Yellen para chairman do Fed apenas venha a acelerar as mudanças que são já sensíveis (e que Barron assinala no seu texto), pois não será de esperar outra coisa do seu mandato senão "mais do mesmo, em maior quantidade" - planeamento central monetário.
Quanto mais tempo irá o dólar manter-se como moeda de reserva?

Usamos a expressão "moeda de reserva" quando nos referimos à utilização corrente do dólar por outros países para saldar as suas contas no comércio internacional. Por exemplo, se o Canadá comprar produtos provenientes da China, poderá pagar em dólares, em vez de dólares canadianos, e vice-versa. Todavia, a base a partir da qual se originou a expressão já não existe [a ligação do dólar ao ouro], e hoje o dólar é denominado de "moeda de reserva" apenas porque os países estrangeiros detêm grandes quantidades de dólares para facilitar o comércio.

A primeira moeda de reserva foi a libra esterlina britânica. Porque a libra era tão "boa quanto o ouro", muitos países consideraram, durante a era do padrão-ouro, que seria mais conveniente deter libras em vez do próprio ouro. As grandes nações comerciais do mundo utilizavam o ouro como forma de pagamento no comércio internacional, mas elas podiam optar por deter libras em vez de ouro, confiando que o Banco de Inglaterra entregaria o ouro correspondente, a uma taxa de câmbio fixa, mediante a apresentação das libras. Perto do fim da II Guerra Mundial, foi atribuído ao dólar dos EUA esse estatuto através de um tratado internacional, na sequência do Acordo de Bretton Woods. O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi formado com o expresso propósito de monitorizar o compromisso da Reserva Federal para com Bretton Woods assegurando que o Fed não inflacionaria o dólar e respeitaria o compromisso de trocar dólares por ouro ao câmbio de 35 dólares americanos por onça. Desta forma, os países confiavam que os dólares que detinham para fins comerciais eram tão "bons quanto o ouro", como tinha ocorrido em tempos com a libra esterlina.

Todavia, o Fed não manteve o seu compromisso para com o Acordo de Bretton Woods e o FMI não tentou forçá-lo a deter o ouro suficiente para honrar, em ouro, toda a sua moeda em circulação, ao câmbio de 35 dólares por onça. O Fed foi testado nos finais da década de 1960, primeiro pela França e depois por outros países, até que as suas reservas de ouro atingiram níveis tão baixos que só lhe restavam duas alternativas: ou revalorizar o dólar a uma taxa de câmbio mais alta, ou revogar as suas responsabilidades quanto a honrar a troca, integral, de dólares por ouro. Para sua vergonha eterna, os EUA escolheram a última opção e "saíram do padrão-ouro" em Setembro de 1971.

Não obstante, o dólar continuou a ser utilizado pelas grandes nações comerciais, porque ainda executava a função útil de meio de pagamento no comércio internacional. Não havia outra moeda que pudesse ombrear com o dólar, apesar do facto de ele ter sido "desligado" do ouro.

sábado, 28 de abril de 2012

Regresso ao padrão-ouro em 2013?

John Butler, autor do recentíssimo "The Golden Revolution", explica por que acredita que alguns países poderão adoptar o padrão-ouro já no próximo ano. Respondendo à observação do entrevistador de que há apenas uma pequena quantidade de ouro no mundo, relativamente ao stock de moeda fiduciária existente, sentencia: "The quantity of gold is finite, but the price isn’t." (via DailyCapitalist)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ron Paul: It ain't over yet!

Ron Paul Wins in Iowa and Minnesota, Romney in Panic, na RT.
«Ron Paul supporters surged to victory in Sunday’s Minnesota and Iowa district conventions. A number of Romney Hawks are now deeply concerned that Paul has already laid the groundwork for success in six more caucus states
Para quem tem acompanhado as primárias republicanas, não deixa de ser ridículo que Iowa já tenha anteriormente sido "ganho" por Romney, depois por Santorum e, agora, naquilo que importa - eleição de delegados à convenção republicana em Tampa - por Ron Paul! Rachel Maddox glosa o tema (via OInsurgente):


Para quem tiver tempo, o vídeo que se segue, captado ontem em entrevista à CNBC, vale bem a pena ser visionado. Ficará com uma visão rica da leitura económica de Ron Paul dos EUA e da grande barreira que a conventional wisdom veiculada pela mainstream media representa à sua divulgação. Paul tem também tempo (pouco) para estabelecer as suas ideias sobre política externa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O euro e as suas tragédias

Já me referi, por várias vezes, ao livro de Phillip Bagus, "The Tragedy of The Euro" ou, na (fraquinha)  tradução portuguesa, "A tragédia do euro".
PDF
Aqui ou aqui

Aqui, em entrevista a Alasdair Macleod da Gold Money Foundation (via ZH), Bagus revisita o tema. Vale a pena ouvi-lo com atenção - é da "nossa" moeda que fala! - e perceber como, afinal, um médico obstetra de 76 anos de idade, Ron Paul, não é um excêntrico quando, repetida e incansavelmente, aponta para os perigos da manipulação monetária por parte dos bancos centrais, em particular, da Fed.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Jim Rogers: Abolish the Fed

Jim Rogers: «They [The US Government] should abolish the federal reserve that's the first thing they should do, and they are not going to do that, but what they should do is let the interest rates find their normal rate, their realistic level. Right now masses of people in America, the people who have save and invest, the people who have done what we would say as the right thing to do are being destroyed. Think about all the retirees people who have just been saving and investing. They're being destroyed in favor of the people who have done everything the wrong way in the past ten or twenty years ...»

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A crise da dívida europeia e a ameaça sobre o dólar

Ron Paul, European Debt Crisis Threatens the Dollar. A ler, na íntegra.
«The global economic situation is becoming more dire every day. Approximately half of all US banks have significant exposure to the debt crisis in Europe. Much more dangerous for the US taxpayer is the dollar's status as reserve currency for the world, and the US Federal Reserve's status as the lender of last resort. As we've learned in recent disclosures, this has not only benefitted companies like AIG, the auto industry and various US banks, but multiple foreign central banks as they have run into trouble. Nothing has been solved, however, by offering up the productivity of Americans as a sacrificial lamb. Greece is set to be the first domino to fall in the string of European economies at risk. Rather than learning from Greece's terrible example of an over-consuming public sector and drowning private sector, what is more likely from our politicians is an eventual bailout of European investors.

The US has a relatively small exposure to overwhelmed Greek banks, but much larger economies in Europe are set to follow and that will have serious implications for US banks. Greece is technically small enough to bail out. Italy is not. Germany is not. France is not. It is estimated that US banks have over a trillion dollars tied up in at-risk German and French banks. Because the urge to paper over the debt with more credit is so strong, the collapse of the Euro is imminent. Will the Fed be held responsible if the Euro brings the US dollar down with it?

sábado, 12 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Compreender a importância da política monetária

deixa de ser uma matéria esotérica sempre que nos dispomos a ouvir Jim Grant, a personalidade que Ron Paul escolheria, caso fosse eleito presidente do EUA, para presidente da Fed (com a missão de o fechar?):

sábado, 3 de setembro de 2011

Porquê o ouro? (3)

Creio que os receios manifestados por alguns segundo que a actual cotação do ouro (novamente perto dos US$ 1900/onça depois desta correcção "técnica") não seriam sustentáveis, não estão a ver bem a coisa. Há múltiplas razões para supor que a cotação tem, pelo contrário, amplo espaço para subir. Uma delas remete para o comportamento do governo chinês que este telegrama, revelado pela Wikileaks, e oriundo da embaixada americana em Beijing, confirma e reforça:
3. CHINA'S GOLD RESERVES
"China increases its gold reserves in order to kill two birds with one stone"

The China Radio International sponsored newspaper World News Journal (Shijie Xinwenbao)(04/28): "According to China's National Foreign Exchanges Administration China 's gold reserves have recently increased. Currently, the majority of its gold reserves have been located in the U.S. and European countries. The U.S. and Europe have always suppressed the rising price of gold. They intend to weaken gold's function as an international reserve currency. They don't want to see other countries turning to gold reserves instead of the U.S. dollar or Euro. Therefore, suppressing the price of gold is very beneficial for the U.S. in maintaining the U.S. dollar's role as the international reserve currency. China's increased gold reserves will thus act as a model and lead other countries towards reserving more gold. Large gold reserves are also beneficial in promoting the internationalization of the RMB."

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A destruição do dólar (2)

Exactamente quarenta anos depois de Nixon, com uma guerra em mãos que sabia não ir ganhar mas que em qualquer caso tinha de "pagar", resolveu eliminar os últimos vestígios da ligação do dólar ao ouro, o resultado  (desastroso) é este (via O Insurgente):

Clicar para ver melhor

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Incumprimento (act.)

Segundo esta fonte, em finanças
diz-se que ocorre uma situação de incumprimento (default) quando um devedor não cumpre as suas obrigações de acordo com um contrato de empréstimo, ou seja, quando falha um pagamento calendarizado ou viola uma condição do contrato de empréstimo.
Creio ser uma definição consensual que não gerará controvérsia para situações, digamos, convencionais.

Para uma situação não convencional, leia-se esta peça de Paul Krugman para se ficar a perceber que, segundo ele, a dívida soberana não é problema algum para a América. Basta que se deixe que a inflação prossiga o seu caminho. E quanto maior for a inflação futura, mais rápida será a resolução do problema da dívida soberana...

Talvez agora os meus leitores entendam a posição de Ron Paul segundo a qual o default é inevitável mesmo que isso não signifique um default "convencional": basta que com um dólar, daqui a 10 anos, se consiga apenas comprar metade das coisas que se compra hoje...ou seja, que o dólar seja "redenominado" em 50 cêntimos. Desta forma, o devedor vê a sua dívida diminuída em 50%, exactamente o montante da perda do credor. Qual é a única entidade capaz de fazer isto sem consequências? O Estado. Porquê? Pelo monopólio que detém na emissão de moeda. Ninguém mais.

O pior dos incumprimentos é o moral.

domingo, 7 de agosto de 2011

Os chineses inquietam-se

Tentando contrariar administrativamente a pressão (ascendente) sobre o câmbio do renminbi/yuan, resultado do sustentado e colossal superavit da sua balança de transacções correntes e de capital dos últimos vinte anos, a China de há muito que tem vindo a colocar esses excedentes em títulos da dívida pública soberana, nomeadamente dos Estados Unidos.

Ora, o terror em que vive um grande credor é função directa do risco percebido de o devedor entrar em incumprimento (default), pelo que é motivo de grande preocupação para os chineses não o "nevoeiro" do limite de endividamento, mas sim a capacidade de, a prazo, os EUA entrarem em incumprimento. E por incumprimento entende-se não apenas não cumprir os compromissos a horas mas também, situação diria que muito mais provável, a ocorrência de uma desvalorização do dólar que significaria para o credor (a China) prejuízos gigantescos. Nesta última circunstância, os títulos do Tesouro americano revelar-se-iam verdadeiros activos tóxicos.

Neste recente artigo no Financial Times, o autor, antigo membro do comité de política monetária do Banco central da China, expressa bem a sua preocupação (alguns excertos):
The Chinese government has admitted that its foreign-exchange reserves have already exceeded its needs. It has tried various measures to slow down the growth of these reserves and protect the value of its existing stock. This has included demand stimulation, allowing the renminbi to appreciate gradually and creating sovereign wealth funds. It has also promoted reform of international monetary systems and the internationalisation of the renminbi. Sadly, none of these has worked. With large capital inflows and a current account surplus, China’s foreign exchange reserves have continued to rise rapidly.
The trade off: at what point does the cumulative loss probability offset CNY depreciation gains:

These policies failed because they did not address the real cause of the rapid increase in foreign exchange stocks, namely state intervention aimed at controlling the pace of renminbi appreciation. The question is: what losses is China willing to bear in its foreign exchange reserves in order to slow the pace of the renminbi appreciation?

One further factor is that any losses in the financial assets held by China will not be realised until their holders decide to cash out. If the US government continues to pay back its public debt, and China continues to pack its savings into US securities, this game may continue for a very long time. However, the situation is ultimately unsustainable. The longer it continues, the more violent and destructive the final adjustment will be.

If there is any lesson China can draw from the US debt ceiling crisis, it is that it must stop policies that result in further accumulation of foreign exchange reserves. Given that many large developed countries are simply printing money (and the recent rumours are that the US might return to quantitative easing) China must realise that it can no longer invest in the paper assets of the developed world. The People’s Bank of China must stop buying US dollars and allow the renminbi exchange rate to be decided by market forces as soon as possible. China should have done so a long time ago. There should be no more hesitating and dithering. To float the renminbi is not costless. However, its benefits for the Chinese economy will vastly offset those costs, while being favourable to the global economy as well.