Mostrar mensagens com a etiqueta Detlev Schlichter. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Detlev Schlichter. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por favor, acordem!

É o apelo que Detlev Schlichter deixa ficar quando, ainda que a contragosto, defende a opção de haircut dos depositantes cipriotas e, por extensão, de outros cidadãos de outras nacionalidades, Portugal incluído - Cyprus and the reality of banking: Deposit haircuts are both inevitable and the right thing to do. Artigo a ler com muita atenção diria (acompanhando Carlos Novais na recomendação), datado de dia 19 de Março. Esta é uma análise que, a meu ver, tem muitos pontos de contacto com a que Jesús Huerta de Soto aqui fez em defesa do euro e que eu subscrevo (como expliquei anteriormente). A tradução é, como habitualmente, da minha responsabilidade.
Imagem por Pixomar
Também eu fiquei chocado ontem de manhã. Não tanto com a notícia de que os depositantes em bancos cipriotas teriam de enfrentar um haircut, ou uma "taxa" ou um "imposto" sobre os seus depósitos, entendido como uma contribuição para ainda mais outro bailout na zona euro financiado pelos contribuintes de outros países, mas antes pela reacção da imprensa. Aqui estava, de acordo com a maioria dos comentadores internacionais, mais um exemplo da inépcia, ou mesquinhez pura e simples, da elite política da zona euro, um outro exemplo da imposição de sofrimento desnecessário e contraproducente e de uma brutal "austeridade" sobre os cidadãos inocentes dos pequenos e conturbados países. O Daily Telegraph, na sua primeira página, fez uso da hipérbole habitual de um "raide da União Europeia sobre as poupanças" e, naturalmente, de outra "ameaça à recuperação". O que agitou a maioria dos comentadores foi ter sido violada, levianamente, a "santidade" do seguro de depósitos pois mesmo os depósitos de montante inferior a 100 mil euros foram, pelo menos inicialmente, também sujeitos a um haircut, se bem que reduzido. É suposto que este tipo de depósitos desfruta de uma "garantia" que, por um passe de mágica, os protege da dura realidade feita de bancos falidos e de estados falidos. Minar essa "garantia" pode ter consequências de grande alcance para além do pequeno Chipre, uma vez que tem o potencial de erodir a confiança nos sistemas bancários na Grécia, em Espanha e em Portugal.

Concordo que esta é uma medida arriscada. O sistema bancário internacional está altamente alavancado [escorado em dívida] e boa parte dele vem oscilando à beira do abismo há já  muitos anos. Qualquer coisa que afecte os depositantes pode ter graves consequências. Mas, dado o estado de coisas, qualquer tentativa séria para lidar com os problemas dos sistemas bancários deve, inevitavelmente, acarretar riscos. As perguntas são as seguintes: Estão a ser avaliados os tipos correctos de riscos? E qual deveria ser a alternativa?

A banca é um negócio arriscado porque os bancos são empresas altamente alavancadas. (Desculpem-me por lhes dar esta notícia). Num  sistema bancário de reservas fraccionárias os "depósitos" não são depósitos (ou seja, contratos relativos aos serviços de custódia) mas antes empréstimos aos bancos e, como tal, empréstimos a negócios altamente alavancados.

A maioria das pessoas nos países desenvolvidos acostumou-se a não se preocupar com a saúde de cada um dos bancos individualmente considerados. Elas têm sido, ao longo de décadas, levadas a acreditar que todos os bancos são regulados pelo Estado e, em última análise, protegidos pelo estado. É verdade, mas apenas na medida necessária para que os bancos possam assumir riscos ainda maiores e se alavancarem ainda mais. A "protecção" do estado criou agora um monstro bancário que está engolindo os recursos do próprio estado. E isto dificilmente pode constituir um choque surpresa nos inícios de 2013!

A crença ingénua de que os depósitos bancários são sempre "dinheiro bom" por serem garantidos pelo estado e o estado, afinal de contas, é uma cornucópia sem fim, foi talvez compreensível, ou pelo menos desculpável, até cerca de 2008, quando o então primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, em plena crise bancária irlandesa, teve a genial ideia de simplesmente declarar que estariam garantidos pelo estado todos os depósitos em bancos irlandeses. E, pronto, problema resolvido! Obviamente, Cowen não tinha feito as contas e não percebeu quão grande essa garantia iria ser. Bem, tal foi determinado pelos mercados - e a Irlanda, o país, foi à falência.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A loucura monetária (6)

Continuado daqui (Partes IIIIII e IV), termino agora a publicação da tradução do artigo de Detlev Schlichter (numa tradução da minha responsabilidade) elaborado com o propósito de refutar (por KO técnico, acrescento eu) a argumentação dos autores do "Documento de Trabalho" (do FMI, recorde-se) no sentido da defesa da integral estatização da moeda, etapa essencial à construção de um estado totalitário. Numa reedição da mais absoluta "exuberância irracional" dos protagonistas da manipulação/criação da moeda (vide no actual "Super Mário" ou no anterior "Maestro"), supostamente a bem da promoção da "riqueza" e da salvação do desastre (para onde, aliás, nos conduziram), os autores do "Documento de Trabalho" propõem um verdadeiro passo de prestidigitação conseguido por decreto estatal: contabilisticamente, o Estado passaria a "fabricar" os seus próprios "activos" e portanto a "riqueza" colectiva. Loucura maior, seria difícil.
Activos místicos

Lembram-se do que eu disse acima quanto a pôr em circulação os nossos próprios cheques como meios fiduciários? Essa é uma descrição bastante boa relativamente à emissão de papel-moeda. O novo papel-moeda posto a circular é contabilizado como uma responsabilidade no balanço do seu criador, e as coisas que ele adquire através da emissão / despesa deste novo dinheiro de papel tornam-se nos correspondentes activos. Através da emissão de papel-moeda, o criador da moeda aumenta o seu balanço, enquanto que aqueles que transaccionam com o criador da moeda não aumentam nem diminuem os seus balanços mas observam uma troca de posições no lado do activo dos seus balanços, substituindo outros activos anteriormente detidos pela nova moeda.

Isto pode igualmente ser observado na criação da base monetária (reservas bancárias extra) pelos bancos centrais de hoje. Quando a Reserva Federal cria um 1 trillion de dólares extra como parte do "quantitative easing" e decide comprar títulos suportados em hipotecas aos seus bancos membros, o balanço da Fed expande-se de 1 trillion de dólares. As novas reservas bancárias estão do lado das responsabilidade no seu balanço, enquanto os títulos apoiados em hipotecas ficam no lado do activo. Os balanços dos bancos não se expandem como resultado da operação da Fed. Os bancos simplesmente substituem as hipotecas pelas novas reservas. Ambas estão no lado do activo dos seus balanços. O seu mix [a sua composição] de activos mudou. Eles têm agora mais reservas.

Este processo pode ser prolongado até que praticamente todos os activos no banco sejam transferidos para o banco central e os [depósitos nos] bancos estejam completamente cobertos por reservas e, assim, deixam de funcionar como bancos de reservas fraccionárias. Este foi precisamente o processo que Irving Fisher tinha em mente quando escreveu "100% Money" em 1935 (ver página 57), e Milton Friedman, quando escreveu "A Program For Monetary Stability", em 1960.

Em nenhum momento qualquer destes economistas sugeriu, nem nenhum banco central sugere hoje, que a criação de novo papel-moeda aumenta a riqueza geral da sociedade, que há agora mais activos na sociedade. É igualmente claro deste processo que o "perdão de dívida" pelo banco central é difícil. O banco central pode emitir suficiente moeda-reserva para adquirir todos os activos dos banco mas sempre que abata o valor contabilístico de qualquer um desses activos também tem de diminuir o passivo do seu balanço, tem que destruir moeda-reserva.

domingo, 11 de novembro de 2012

A loucura monetária (5)

Continuado daqui (Parte IParte II e Parte III), publico agora a penúltima parte do artigo de Detlev Schlichter, uma tradução da minha responsabilidade onde se demole sistemática e definitivamente a argumentação pseudo-histórica / antropológica a que os autores do "Documento de Trabalho" recorrem para defender a integral estatização da moeda. Como era de esperar, invocam sucessivos casos de recurso a moeda de papel, que classificam de "crucialmente vantajosos" [!]. As "vantagens" que já se antecipariam: as do financiamento das guerras [civis e imperiais]. De Esparta e Atenas, à Guerra da Independência, à Guerra Civil na América, à República de Weimar. 
Sem teoria, mas recorrendo a uma história revisionista

Que a distinção entre moeda "produzida privadamente" e a moeda "produzida pelo estado" tem significado e é importante é o que Benes e Kumhof tentam argumentar numa secção separada do seu ensaio. Aqui, eles afastam-se completamente de qualquer análise tradicional da moeda ou até mesmo do que ainda se poderia designar por "económico". Uma análise económica da moeda entende a moeda como uma instituição social útil e como tal tem de se iniciar por uma investigação sobre como se processa a utilização da moeda em geral, incluindo a que acontece hoje pelos utilizadores de hoje (incluindo o leitor e eu), e tenta explicar, através do raciocínio lógico, o que deveria ser por conseguinte uma boa moeda num contexto geral, incluindo o presente. Benes e Kumhof, no entanto, não argumentam conceptualmente como teóricos económicos mas como re-intérpretes da história. A história pode-nos dizer o que é uma boa moeda e como ela surge. Os antropólogos e historiadores monetários que Benes e Kumhof citam alegam que porque a moeda se originou - supostamente - com o Estado, a sua emissão é melhor controlada pelo Estado. Novamente, nenhuma explicação económica - conceptual, lógica ou teórica - é dada para o por quê de dever ser esse o caso e por que tal pode ser acolhido como uma regra geral. Alegadamente, a história diz-nos que o Estado é um emissor responsável de moeda e que o sector privado é um emissor irresponsável. E tudo se resume a isto.

A interpretação do registo histórico que é fornecida como suporte desta alegação varia entre o registo aventureiro e o bizarro a título definitivo. Exemplos em que a convertibilidade do dinheiro-depósito, em ouro e prata, foi abandonada por decreto oficial e vastas quantidades de moeda fiduciária foram criadas para financiar guerras, revoluções ou outras despesas do Estado, como durante a Guerra Revolucionária na América, a Guerra Civil nos Estados Unidos, ou a Alemanha de Weimar dos anos 1920, são reinterpretados para mostrar que as inflações que se seguiram e os desastres definitivos das respectivas moedas não podem ser atribuídos ao estado, mas são inteiramente resultado do envolvimento de emitentes "privados" de moeda.
"O papel-moeda colonial emitido pelos estados individualmente [os estados que deram origem à América por secessão da Grã-Bretanha] foram da maior vantagem económica para o país ... A Moeda Continental emitida durante a guerra revolucionária foi crucial para permitir que o Congresso Continental financiasse o esforço de guerra. Não houve emissão excessiva pelas colónias, ... Os Greenbacks emitidos por Lincoln durante a Guerra Civil foram novamente uma ferramenta crucial para financiar o esforço de guerra, (Hurra! Outra cortesia da guerra do papel moeda!) ... A única mácula no registo  estatal relativamente à emissão monetária pelo estado foi deflacionária e não de natureza inflacionária."
A sério? Os "colonials" que foram emitidos para financiar a guerra com a Grã-Bretanha acabaram sem qualquer valor, e até hoje permanece no idioma a expressão "sem valor tal como um continental". O período da Guerra Civil foi igualmente um período de inflação anormalmente elevada, e em 1879 os EUA decidiram voltar ao padrão-ouro, altura a partir da qual se instalou um período de crescimento considerável e crescente prosperidade.

A loucura monetária (4)

Continuado daqui (Parte I e Parte II). Nesta secção, Schlichter aborda o funcionamento actual do sistema bancário totalmente assente em moeda fiduciária e explica como ele decorre essencialmente do modus operandi do banco central, ou seja, da vontade dos estados. É por essa razão que defende ser impróprio categorizar a banca de "privada" no arranjo institucional hoje existente. A criação de moeda-depósito a partir do nada é um facto mas tal só acontece porque os bancos centrais o permitem e o estimulam. Só o regresso ao padrão-ouro - a perspectiva dos Austriacos - permitirá fazer regressar a sanidade monetária e o fim dos ciclos de expansão e recessão associados à expansão do crédito (e necessária correcção posterior). 
Benes e Kumhof criam um problema artificial

Para qualquer análise do actual sistema financeiro, uma distinção entre moeda criada pelo Estado e moeda criada por privados é completamente artificial e não proporciona qualquer utilidade porque, no nosso sistema monetário, a moeda é criada por um processo no qual os bancos "privados" estão intimamente ligados ao banco central estatal. Qualquer distinção entre "privado" e "estatal" é, portanto, arbitrária, e, para uma análise das consequências económicas de tal sistema, desprovida de sentido. Sim, a maior parte da moeda em circulação é hoje moeda-depósito e faz parte dos balanços dos nominalmente bancos "privados", mas as reservas estão constituídas na forma de moeda fiduciária estatal, sendo apenas criadas pelo banco central estatal, no qual os bancos nominalmente privados têm que ter uma conta para que possam obter uma licença bancária. Os bancos que operam sob um regime de reservas fraccionárias dependem fundamentalmente dos bancos centrais, patrocinados e controlados pelo Estado, que têm uma função de emprestador de último recurso e que podem - num sistema de moeda fiduciária - criar reservas bancárias segundo o seu livre arbítrio, sem custos e sem limite, e estão, em circunstâncias normais, dispostos a fazê-lo para apoiar [no limite, salvar] os bancos. Sem esse apoio fundamental, o sistema bancário de reservas fraccionárias, à escala que tem sido praticada nos anos e décadas recentes, seria inconcebível. Na sua descrição do sistema actual, Benes e Kumhof não têm em conta nada disto. Com toda a franqueza, não parecem entendê-lo.

Eis duas afirmações do ensaio do FMI que podem parecer à primeira vista razoáveis, mas que, sob inspecção mais minuciosa, revelam o grave mal entendido do nosso sistema actual revelado por Benes e Kumhof:
"Num sistema financeiro com pouco ou nenhum suporte dos depósitos através de reservas, e com o dinheiro [notas] emitido pelo governo a desempenhar um papel muito pequeno relativamente aos depósitos bancários, a criação dos agregados monetários de uma nação depende quase inteiramente da disposição dos bancos em fornecer depósitos." (página 5)
Mas o que determina a disposição dos bancos em oferecer depósitos? Um sistema bancário de reservas fraccionárias (que oferece depósitos) é lucrativo, mas é também arriscado para os bancos caso o público possa exigir o reembolso dos depósitos em dinheiro ou via transferência para outros bancos, e os bancos não podem criar dinheiro [notas] ou moeda sob a forma de reservas, o que é necessário para facilitar as transferências. Estas formas de moeda permanecem uma prerrogativa do banco central do Estado. É a certeza, ou a alta probabilidade, sob os presentes arranjos institucionais, que o banco central irá apoiar os bancos e continuar a fornecer qualquer quantidade de moeda e reservas ["liquidez"] que seja necessário, que permite aos bancos oferecer - de forma muito rentável, claro - grandes quantidades de moeda-depósito a partir de uma pequena quantidade de moeda-reserva. Caso o público exija o pagamento em dinheiro [notas], há a expectativa, razoável, de que o banco central apoie os bancos e forneça o dinheiro [notas] necessário.

Nas últimas décadas, o sistema bancário mundial encontrou-se em numerosas ocasiões numa posição em que sentiu que tinha assumido um risco financeiro demasiado elevado e que uma desalavancagem e uma diminuição do seu balanço era aconselhável. Eu sugeriria que foi este o caso em 1987, 1992/3, 1998, 2001/2, e, certamente, 2007/8. No entanto, em cada uma dessas ocasiões, o impacto económico mais amplo de uma tal estratégia de diminuição do risco foi considerada indesejável ou mesmo inaceitável por razões políticas, e os bancos centrais ofereceram amplas novas reservas bancárias a um custo muito baixo com a finalidade de desencorajar a contracção monetária e incentivar uma adicional expansão monetária, ou seja, a criação adicional de reservas fraccionárias. É assim de admirar que os bancos tenham continuado a produzir grandes quantidades de dinheiro-depósito - de forma rentável, claro? Poderá o resultado ser realmente atribuído à iniciativa "privada"?

Um sistema bancário de reservas fraccionárias à dimensão que hoje existe exige duas coisas: 1) um banco central patrocinado pelo Estado que tem o monopólio da criação de reservas e a função de emprestador de último recurso do sector bancário; 2) o banco central tem de ter o controle completo sobre as reservas bancárias e ser capaz de as criar, sem custos e sem limites. Em suma, a condição prévia para a existência em grande escala de um sistema bancário de reservas fraccionárias é um sistema completa e irrestritamente fiduciário [fiat]. Em contraste, a capacidade do banco central para criar reservas está fundamentalmente restrita sob um regime de padrão-ouro.

O padrão-ouro foi abolido e substituído por um sistema inteiramente irrestrito de moeda estatal fiduciária mediante um acto político. O Estado estabeleceu bancos centrais monopolistas que têm uma função de emprestador de último recurso ao sector bancário. O estado criou assim a infra-estrutura que permite aos bancos fornecer grandes quantidades de depósitos e, ao longo de décadas, tem repetidamente subsidiado esta actividade e socializado os seus riscos.

Aqui está a segunda afirmação de Benes e Kumhof:
"O controlo do crescimento do crédito seria muito mais directo porque os bancos já não seriam capazes, como são hoje, de gerar o seu próprio financiamento, depósitos, no acto de emprestar, um privilégio extraordinário que não é usufruído por nenhum outro tipo de negócio."(página 5)
Mas o que, exactamente, constitui o privilégio? - Numa sociedade livre, somos naturalmente livres de emitir os nossos próprios meios fiduciários - basta que passemos cheques sobre nós mesmos e, de seguida, os ponhamos a circular como substitutos de dinheiro. Provavelmente teremos de convencer o público que iremos converter esses cheques em dinheiro próprio a pedido, de modo a persuadir o público a usar os cheques como equivalentes a dinheiro, e mesmo assim é possível que não tenhamos sucesso. Mas se o público acreditar em nós e o nosso esforço for bem sucedido, tornámo-nos de facto em produtores de moeda e podemos financiar os nossos próprios empréstimos com os nossos cheques. Na verdade, foi basicamente assim que se originou o sistema bancário de reservas fraccionárias. Até agora, pois, nenhum privilégio. O negócio só se torna privilegiado, e possível na escala a que assistimos hoje, uma vez que o Estado o suporta. A solução "Austríaca" é simples: remova-se o privilégio! Sem moeda fiduciária, sem os bancos centrais e sem o seguro dos depósitos patrocinado pelo Estado, vejamos quanta criação de moeda "privada" haverá realmente!
(Continua)

sábado, 10 de novembro de 2012

A loucura monetária (3)

Continuado daqui (e daqui), publico agora a tradução da Parte III da contra-resposta de Detlev Schlichter ao "Documento de Trabalho", publicado por dois funcionários do FMI, que advoga a total estatização do controle da moeda por parte do Estado. Neste trecho, Schlichter demonstra que a abordagem dos seus autores não se enquadra em nenhuma teoria monetária - "Austríaca" ou "Monetarista" - o que acaba por se compreender já que a tese principal do ensaio se estriba em argumentos não-económicos.
O que este ensaio não é: não é nem "Austríaco" nem Monetarista

Benes e e Kumhof, cedo no seu artigo, afirmam que o sistema de reservas fraccionárias aumenta o risco de corridas aos bancos, provoca ciclos económicos de prosperidade exuberante [boom] e de recessão e que um sistema de reservas a 100 por cento iria assegurar uma maior estabilidade. Estas observações são, em princípio, correctas. Mas, infelizmente, por aqui se ficam. Benes e Kumhof não desenvolvem estas ideias. Na verdade, para a sua própria argumentação, estas ideias são completamente irrelevantes. No seu artigo não se dão ao trabalho de investigar toda a gama de efeitos da expansão do crédito bancário questionando, por exemplo, se a expansão da base monetária levada a cabo pelo banco central sob um sistema de reservas a 100% não poderia ter efeitos semelhantes ou até os mesmos efeitos adversos que a expansão da moeda-depósito tem num sistema de reservas fraccionárias.

A Escola Austríaca tem fornecido a análise mais abrangente dos efeitos da expansão do crédito bancário e tem mostrado de forma conclusiva por que os sistemas monetários mais inelásticos ("mais fortes") ["harder"] proporcionam uma maior estabilidade. A expansão da oferta monetária tem sempre efeitos perturbadores pois o influxo de dinheiro novo tem necessariamente de distorcer as taxas de juro, e as taxas de juro são cruciais para a coordenação das actividades de investimento com poupança voluntária. A pergunta que os "Austríacos" perseguem não é quem é que deve controlar a criação de moeda, mas se alguém deve controlar a criação de moeda. Deveria mesmo alguém poder criar moeda numa base contínua? Uma vez que um bem de oferta razoavelmente inelástica, como é o caso do ouro, seja amplamente aceite como moeda, qualquer quantidade desse activo monetário - dentro de limites razoáveis - é suficiente, e de facto ideal, para satisfazer qualquer procura de moeda. A procura de moeda é a procura de poder de compra na forma de dinheiro, e pode sempre ser satisfeita permitindo que o mercado ajuste o preço do activo monetário relativamente aos bens não-monetários. Não é necessária nenhuma criação de moeda e qualquer processo permanente de criação de moeda é na verdade perturbador.

Os "Austríacos" tendem a ser crítico do sistema bancário de reservas fraccionárias mas eles são igualmente críticos - na realidade, ainda mais críticos - da moeda fiduciária e do banco central. Os problemas que eles estudaram também ocorreriam - e são até mais prováveis de ocorrer - se o sistema bancário de reservas fraccionárias fosse substituído por um gigantesco banco central do Estado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A loucura monetária (2)

Continuado daqui, publico agora a Parte II do artigo de Detlev Schlichter que, como expliquei anteriormente, me propus divulgar aqui traduzindo-o para português. Schlichter começa por apresentar uma sinopse da tese nuclear do ensaio, publicado por dois técnicos do FMI (Jaromir Benes e Michael Kumhof), e faz desde logo notar que a "âncora" invocada no título do ensaio - The Chicago Plan Revisited é totalmente mistificadora pois a argumentação expendida nada tem a ver com os expoentes teóricos daquela Escola (Irving Fisher, Henry Simons ou Milton Friedman). Schlichter termina esta parte do seu contra-artigo explicitando o caminho que se propõe trilhar na refutação das teses presentes no ensaio. Fica de qualquer modo já claro que a tese dos seus autores não é mais que uma "justificação" para uma ainda maior estatização da economia ao reclamar um integral monopólio estatal no domínio da moeda. 
Harry Potter encontra Irving Fisher

A proposta em discussão é o Documento de Trabalho [Working Paper] do FMI 12/202 por Jaromir Benes e Kumhof Michael [link]... Intitula-se "O Plano de Chicago Revisitado" e apresenta-se como uma reafirmação das ideias de Irving Fisher e Henry Simons, da Universidade de Chicago, nas décadas de 1930 e 1940, e uma aplicação destas ideias à presente crise. Nele se sugere o seguinte:

A criação de "moeda privada" é a raiz de todos os males da economia. A maior parte da moeda, hoje, é criada por bancos "privados" através do sistema de reservas fraccionárias. Isso significa que a criação de moeda está ligada à concessão de empréstimos e à acumulação de dívida. Um sistema de reservas a cem por cento deve ser estabelecido pelo estado e o estado irá imediatamente reprimir qualquer tentativa por parte do sector privado para emitir instrumentos financeiros líquidos - quase moeda - que poderiam ser aceites pelo público como equivalentes a moeda. A criação de moeda é colocada sob o controle total do Estado. O novo sistema deve ser implementado imediatamente num único grande movimento: os bancos são obrigados a pedir emprestadas as reservas necessárias ao Governo (ao Tesouro) para atingir instantaneamente os novos rácios de reservas a 100 por cento . O governo cria essas reservas - como é habitual num sistema de moeda fiduciária - a partir do nada. Nos EUA, este plano ascenderia a um montante de novas reservas na ordem dos 184 por cento do PIB, de acordo com Benes / Kumhof, o que significa 27,6 milhões de milhões de dólares ou 15 vezes a dimensão combinado dos QE1 e QE2 [acrónimos das duas primeiras rondas de "Quantitative Easing"]. Com a nova exigência de reservas de 100%, essa moeda não irá circular não permitindo a criação de mais crédito bancário, o que - esperam os autores - tornará esta intervenção não inflacionária. (Uma parte das novas reservas também será cancelada na próxima etapa.) As novas reservas permitirão ao governo / banco central, por fim, transferir a propriedade dos activos bancários para si próprio.

É importante realçar que essas novas reservas são constituídas por um processo muito diferente do que sucede com os bancos de hoje, por exemplo, através do "alívio quantitativo", e do que foi sugerido por Irving Fisher em 1935 ("100% Money" [link]), ou  por Milton Friedman em 1960 ("A Program for Monetary Stability" [link]). Estes processos mais "convencionais" não permitem qualquer eliminação de dívida em grande escala. Os bancos centrais adquirem activos bancários trocando-os pela nova moeda-reserva, que constituem como um crédito sobre si mesmos (uma responsabilidade) e, sob os princípios contabilísticos normais, qualquer redução dos novos activos ("perdão" de dívida) causaria necessariamente também a extinção das reservas bancárias. O abate da dívida reduz o balanço do banco central e, assim, reduz o passivo do banco central, ou seja, reduz as reservas do sistema bancário.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A loucura monetária (1)

Por "dever de ofício" intelectual, tinha-me dado conta, há talvez um par de semanas atrás, da publicação deste ensaio por dois funcionários do FMI. Não que o tenha lido integralmente - coisa que não fiz - mas através da sua leitura crítica por parte de Gary North e, depois, também por Detlev Schlichter. Cheguei a considerar publicar um ou dois posts, não sobre o "Documento de Trabalho" do FMI, mas sobre o imenso tema da moeda e da sua centralidade ao longo da História e dos terríveis dias que correm. Depois desisti por pensar que a matéria é tão importante que não era susceptível de ser compactada no formato do blogue e que, por outro lado, também não pretendia entrar num domínio de interesse exclusivo para "iniciados", coisa a que nunca pretendi que este blogue se destinasse.

Entretanto, um habitual leitor (e normalmente meu opositor no plano das ideias), Miguel Loureiro, "desafiou-me" a dar a minha opinião sobre as "ondas de choque" que este artigo vem provocando por, entre outras coisas, falar em contrafacção organizada, e legal, de dinheiro e atribuir ao sector privado a culpa exclusiva pela crise financeira que atravessamos (e que, em minha opinião, continua a crescer a nível mundial) assim exonerando os governos/estados de responsabilidades. Mas, atenção: desta crise e de TODAS as crises passadas até aos confins do tempo (em que o Estado, supostamente, teria inventado a moeda). A dívida pública, afinal, não importa nada. A cura para o problema é simples: acabar com os bancos privados, colocar nos estados a exclusiva responsabilidade de criação monetária e eliminar a(s) dívida(s) através de uns meros movimentos contabilísticos.

Porque o que precede inclui uma gigantesca mistificação da História; porque em primeira e última instância o "amor" pelos sistemas de moeda fiduciários sempre surgiu associado à necessidade do Estado de financiar guerras e expansão de impérios (modernamente, também para arregimentar votos) creio agora, correndo o risco de "iniciação" atrás mencionado, de trazer para o blogue este tema. Escolhi fazê-lo proporcionando uma tradução do contra-artigo de Detlev Schlichter porque o creio capaz de fazer luz sobre este complexo mas absolutamente crucial tema: o da criação da moeda (e do crédito). O seu carácter estrutural para compreender o funcionamento da economia terá presidido à escolha deste tema por Ludwig von Mises, em 1912, para a edição do que viria a ser a sua primeira grande obra de fôlego - "A Teoria da Moeda e Crédito".

Tratando-se de um texto muito longo, irei publicá-lo em partes. A parte I, introdutória, é a que se segue:
"Não é possível escapar, nos dias que correm, a um sentimento omnipresente de crise. A desgraça iminente anuncia-se não apenas através de eventos reais, mas também pela cada vez maior proliferação de esquemas que são de arrepiar os cabelos e que, alegadamente, virão resolver os nossos problemas. Talvez não nos devamos surpreender se, numa altura em que os mais poderosos bancos centrais do mundo mantêm as taxas de juro a zero por cento, anos a fio, e continuam a imprimir quantidades de moeda que simplesmente vão para além da capacidade da imaginação humana (billions? trillions?), corajosamente esperando que, desta vez, tudo irá terminar de maneira diferente, as pessoas fiquem com a impressão que a ciência económica não tem certezas, que é apenas um exercício de criatividade sem limites. No seu excelente discurso à Fed de Nova York, Jim Grant lembrou-nos que quando o Financial Times, pela primeira vez, explicou aos seus leitores o que era o QE [Quantitative Easing], por volta de 2009, um desses leitores escreveu numa carta ao editor: "Agora consigo entender o termo "alívio quantitativo", mas. . . dou-me conta que já não percebo o significado da palavra "moeda". Esse senhor não está sozinho. Os fundamentos da economia monetária foram atirados pela janela fora e um alegre "vale tudo" de propostas de políticas "aterrou" em cima de nós. Homens e mulheres, que aparentavam ser sãos, propõem que, apesar de anos de taxas de juros de zero por cento não terem resolvido os nossos problemas, tudo irá mudar quando as taxas de juros forem negativas. Deveríamos todos receber cheques do banco central com dinheiro grátis para gastar, e os títulos de dívida pública depositados no banco central deveriam ser cancelados. Homens adultos sonham com dinheiro atirado de helicópteros e com dinheiro metido dentro de garrafas enterradas no chão. "Aqueles a quem os deuses pretendem destruir, são primeiro por eles enlouquecidos." [Eurípedes].

Quando pensávamos que era impossível aumentar o grau de loucura, aí chega uma proposta de política que estabelece um novo patamar mínimo na discussão sobre política monetária. Claro que no contexto actual está sendo saudada como "épica" e "revolucionária". O facilmente excitável Ambrose Evans-Pritchard, um incansável activista da exploração pelo homem do desconhecido na matéria da moeda, não podia acreditar nos seus próprios olhos: "Afinal sempre há uma varinha mágica", escreve ele no Daily Telegraph, "uma que poderia eliminar, de uma penada, a dívida pública líquida dos EUA e, por consequência, da Grã-Bretanha, da Alemanha, da Itália ou do Japão". E, prosseguindo, é cada vez melhor. Não estamos mais confinados ao debate de árduas estratégias para encontrar o lento caminho de volta ao crescimento sustentável, não, agora podemos simplesmente eliminar a nossa dívida.
(Continua)

domingo, 9 de setembro de 2012

O BCE e a folia da despesa pública

Nunca tive grandes ilusões quanto à capacidade vontade deste Governo para levar a cabo o indispensável e profundo desbaste do Estado e qualquer réstia que ainda sobrasse, perdi-a logo nesta altura.

Após o episódio de 6ª feira (apenas mais um de muitos já ocorridos e pré-anunciados), creio de grande clarividência este post de Gabriel Silva que termina assim: "Talvez sem financiamento não se pudesse mesmo gastar mais do que se recebe. E se entrasse nos eixos. Seriam as reformas forçadas. Porque pela vontade política, mesmo de uma maioria, já se viu que não se vai lá." Totalmente de acordo.

Detlev Schlichter, aqui, a propósito das mais recentes manobras do BCE, explica por que razão elas apenas virão adiar o inevitável colapso e irão continuar, por mais algum tempo, a permitir a irresponsabilidade financeira dos estados e a ficção do Estado social. A tradução é minha.
Ontem [5ª feira, dia 6/9], o BCE assumiu-se oficialmente como o emprestador de último recurso a todos os estados da Zona Euro. O assegurar que cada estado possa sempre pedir emprestado a taxas convenientemente baixas foi assumido constituir um componente essencial da "manutenção da estabilidade financeira" e, como tal, um elemento standard da banca central moderna. Apesar de todas as diferenças protestadas e quadros jurídicos diversos, todos os grandes bancos centrais tornaram-se agora em caixas ATM ["Multibanco"] inesgotáveis para os seus respectivos governos. Coincidência?

Na conferência de imprensa de ontem Draghi declarou que a compra ilimitada de títulos era realmente o curso normal que um banco central deve adoptar para se certificar de que os "canais de transmissão da política monetária" não ficam obstruídos. Actuação que estará bem dentro do mandato original do BCE, embora Draghi tenha pensado continuar a ser necessário atribuir a culpa a terceiros pela necessidade da sua nova iniciativa, nomeadamente os investidores que, com os seus "receios infundados", criaram "graves distorções" nos mercados de dívida pública.

Ele estava, evidentemente, a falar dos "temores infundados" de uma ruptura do euro, quando o que realmente está no centro da crise da dívida soberana da Zona Euro é o temor de que vários estados declarem falência o que não é de todo destituído de fundamento. A incapacidade da maioria dos governos em controlar a despesa pública e assim acabar com a sua dependência de empréstimos continua a ser a verdadeira razão para as "graves distorções" nos mercados de dívida soberana.

sábado, 21 de julho de 2012

O ataque dos economistas à propriedade privada

e a defesa do status quo é do que trata Detlev Schlichter no seu artigo Happy Interventionists: The Economist’s Attack on Your Property. Um excerto (realces meus):
The central problem in the present crisis – in Europe and elsewhere – is that states have assumed obligations they are unable to meet. So have many banks. In principle, this should only be of concern to the two parties to the contract – debtor and creditor. Ultimately, any entity can go bankrupt, including sovereign states, and there is no need to drag an ever larger group of innocent bystanders into this calamity. Specifically, there is no reason why a defaulted state would have to force its citizens to adopt a new currency. There is as little need for all Greeks to stop using the euro after the bankruptcy of the Greek government as there is for all Californians to stop using the dollar after the bankruptcy of the Californian government.

It is, of course, to be expected that a defaulted government would find it difficult to borrow again and that it, therefore, would have to live within the confines of its income from taxation. This is precisely why the political and bureaucratic class doesn’t like it – and why their intellectual handmaidens, the economists, come up with schemes to rather make everybody else pay. They happily impose an inflation tax on all money-users as long as it keeps the state borrowing and spending and living high on the hog on confiscated wealth, and as long as it keeps the banks from shrinking and asset prices from falling. The status quo must be protected at all cost.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Do padrão-ouro à moeda de papel recordando Charles de Gaulle

Substituí há pouco na vitrina das leituras a referência ao livro da figura abaixo da autoria de Detlev Schlichter. Um livro exigente para com os seus leitores embora não exija nenhum conhecimento específico prévio das matérias monetárias. Na melhor tradição da Escola Austríaca e partindo de uma axiomática básica, desenvolve todo um raciocínio lógico-dedutivo que permite proporcionar uma compreensão das crises financeiras e económicas que nos assolam com uma frequência e gravidade crescentes. Por último, indica também o caminho a prosseguir para o regresso a um sistema monetário sólido. Deixo duas passagens que julgo bem caracterizadoras do tempo que atravessamos:
«The money of the free market has always been gold or silver. As we have seen , a complete paper money is never the outcome of the market but always the result of politics. A paper money system is a system of continuous market intervention, in which interest rates and credit availability are the result of administrative decisions, not of market forces, and in which the banks and large parts of the financial industry cannot be free entreprises but must end up under the tutelage of the state.
...
The global financial crisis that commenced in 2007 offers a case in point. The crisis constitutes a thorough and illustrative indictment of the alliance of state and financial industry, of a system of expanding state paper money and government-supported fractional-reserve banking. Yet, the political class and the media managed to put the blame on capitalism and on greedy bankers. The result has been and will continue to be yet more money printing, more debt, more priviliged treatment of banks and more government intervention in the economy. Given the interests of the political establishment, the views of the mainstream media, the vested interests of the financial industry, and the statist zeitgeist, a timely return to hard money can almost be ruled out. Sadly, the monetary breakdown seems inevitable.»
Charles de Gaulle e a defesa do regresso ao padrão-ouro (1965):

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Keynesianismo sintético e analítico

Versão sintética:


Versão analítica (retirada de How To Debate Paul Krugman, por Detlev Schlichter):
  1. Recessions, depressions and crises are the result of the unhampered market.
  2. The Great Depression was caused by uncontrolled markets.
  3. Recessions, depressions and crises are practically the result of one problem: a lack of aggregate demand.
  4. The Great Depression was solved by the government spending lots of money and the central bank printing lots of money.
  5. This explains ALL economic problems.
  6. If there are recessions, depressions and crises, they can all be solved by printing money and by deficit spending.
  7. If after many rounds of money printing and deficit spending there is still a recession, then only one conclusion is permissible: There was obviously not enough money printing and deficit spending.
8) If after another round of money printing and deficit spending we still have a recession, then….well, are you stupid, or what? We obviously have NOT PRINTED ENOUGH MONEY and we are NOT ACCUMULATING ENOUGH DEBT!

(And, by the way, remember (7) above.)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Reforma monetária e a crise da zona euro

foi o título da palestra que Detlev Schlichter, um economista da Escola Austríaca, autor do recente Paper Money Collapse, deu no Adam Smith Institute no passado dia 26 de Janeiro. 20 minutos de video que me parecem bem interessantes:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Resolvendo" problemas depois de os criar

Na entrevista que se segue a Detlev Schlichter (via Causa Liberal), autor do mui recente "Paper Money Collapse" (em fila de espera nas minhas leituras), explica-se por que razão a "impressão", totalmente artificial, de ainda mais moeda, em ainda maiores quantidades pelos bancos centrais, para "salvar" as economias e "estimular" o crescimento, nos está provavelmente a conduzir à que será talvez "a mãe de todas as depressões". Pro memoria, fixe-se este facto referido por Sclichter: desde que Nixon cortou os últimos laços entre o dólar e o ouro, há precisamente 40 anos (1971), o dólar perdeu 80% do seu poder de compra via  inflação.