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terça-feira, 15 de julho de 2014

Para lá do horizonte




Outras vias

Terá início esta semana mais uma reunião do grupo de países apelidado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Um dos tópicos desta reunião será a criação de um banco que possa servir, especificamente, as necessidades destes países. A discussão acerca deste assunto já tem algum tempo, mas tornou-se uma necessidade premente uma vez que não foram implementadas as reformas necessárias no seio das estruturas existentes (FMI, Banco Mundial - que estão pendentes desde 2010) para acomodar a nova realidade económica e financeira mundial.
Demoremos algum tempo a considerar este facto. Os BRICS estão a querer tomar a iniciativa de criar uma infra-estrutura que se torne alternativa ao FMI e BM na defesa dos seus interesses.
A discussão, para além da composição relativa aos fundos e à participação de cada um dos países, já se centra na localização da sua sede. E aqui vão testar-se as vontades conciliatórias no contexto de tensões históricas.
Parece óbvio que estes países já reconheceram os limites da arquitectura e das práticas financeiras do Ocidente, em particular o propósito dessa arquitectura na projecção do interesse americano através do dólar.
Não vejo estas outras vias como negativas. Antes mostram que é possível diversificar as estruturas de poder económico e financeiro para corresponderem às necessidades de cada um dos seus agentes. Não será, seguramente, uma simples coincidência que estes impulsos transformadores se tornem evidentes ao mesmo tempo que o edifício do todo poderoso dólar mostra as suas deficiências estruturais.
Ou acreditamos que coincidências possam marcar os actos desta peça?

No interesse da pura especulação, pergunto-me: o que farão a Indonésia, o México, as Filipinas, a Turquia, a Coreia do Sul e o Vietname, depois de ser criada a nova rede financeira estruturante dos BRICS?

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Conquista dos EUA pela Espanha

Como aqui se dá conta, a declaração que se segue (minha tradução), alegadamente proferida por Winston Churchill em entrevista dada em Londres em 1936 a William Griffin, editor do The New York Enquirer, viria posteriormente a ser desmentida pelo próprio Churchill. Tal facto levou Griffin a intentar-lhe uma acção cível que todavia não chegaria a ser apreciada em tribunal (estava-se então em 1942, e Churchill era primeiro-ministro da Grã-Bretanha em plena II Guerra Mundial).
«A América deveria ter-se preocupado com os seus próprios assuntos e ficado de fora da Guerra Mundial. Se vós não tivésseis entrado na guerra, os Aliados teriam feito a paz com a Alemanha na Primavera de 1917. Tivéssemos feito a paz, não teria havido o colapso na Rússia seguido do comunismo, a desagregação na Itália seguida do fascismo, e a Alemanha não teria assinado o Tratado de Versalhes, que entronizou o nazismo na Alemanha. Se a América tivesse ficado fora da guerra, todos esses "ismos" não estariam hoje a varrer o continente europeu e a destruir o regime parlamentar - e se a Inglaterra tivesse feito a paz nos inícios de 1917, teria salvo as vidas de mais de um milhão de britânicos, franceses, americanos e outros.»

Winston Churchill (Agosto de 1936)
Tenha ou não Churchill proferido esta declaração (cujos pontos de vista eram à época partilhados por outras personalidades como o líder trabalhista Ramsay MacDonald ou o historiador Harry Elmer Barnes), é preciso recuar a 1898 para localizar o ponto de viragem em favor de um assumido intervencionismo externo dos EUA - sempre crescente até hoje - assim abandonando as mais veementes advertências dos Pais Fundadores quanto às consequências que adviriam para a América caso esta alguma vez enveredasse pelo aventureirismo externo.

Com a macabra oportunidade que o reemergir de mais um surto de violência no dilacerado Iraque vem proporcionar, venho sugerir ao leitor uma incursão pela pouco referida guerra Hispano-Americana (que se estendeu a Cuba e Porto Rico, Filipinas e Guam). Para guionista proponho aquele que é um dos meus historiadores preferidos dos séculos XIX e XX, Ralph Raico, que irá invocar o injustamente esquecido William Graham Sumner. A tradução do texto (de uma alocução proferida de Raico na FEE em 1995, também disponível em áudio) é da minha responsabilidade bem como das imagens escolhidas.
Por Ralph Raico (1995)


Ralph Raico
O ano de 1898 constituiu um marco na história americana. Foi o ano em que a América entrou em guerra com a Espanha - o nosso primeiro envolvimento com um inimigo estrangeiro no amanhecer da era da guerra moderna. À parte uns escassos períodos de contenção, nunca mais deixámos de nos enlear nos conflitos externos.

Algures na década de 1880, um grupo de cubanos iniciou a luta pela independência da Espanha. Tal como sucedeu antes e depois com muitos revolucionários, tinham pouco apoio real entre a massa da população. Recorreram assim a tácticas terroristas: devastando zonas rurais, dinamitando ferrovias, e matando aqueles que lhes surgiram pela frente. As autoridades espanholas responderam com duras contramedidas.