John Whitehead, presidente do Instituto Rutherford, instituição americana de defesa dos direitos civis a quem já me referi no post A polícia do Pré-crime e do Pensamento na América de Obama, assina mais uma importantíssima mensagem de alerta para com as consequências letais de uma política externa de imperialismo policial que tem o seu zénite no recurso cada vez mais generalizado aos drones para assassinar opositores (reais ou imaginários) dos EUA.
Este é um tema a que regresso frequentemente pois, ao contrário de muitos, subscrevo a tese de Whitehead, que já Ron Paul defende de há muito, que a ilegalidade constitucional, o apagamento do Congresso e o descartar do Judicial vêm conferindo ao Executivo um poder irrestrito que, fatalmente, se repercutirá no próprio território americano. É de uma seriíssima gravidade o que se vem passando. É esta a razão que me levou a tentar proporcionar um acesso mais amplo ao artigo de Whitehead, através de tradução da minha responsabilidade.
Quando Barack Obama ascendeu à presidência em 2008, havia um sentimento, pelo menos entre aqueles que nele votaram, de que o país poderia mudar para melhor. Aqueles que assistiram, chocados, com o modo como o presidente Bush ia erodindo as nossas liberdades civis ao longo dos seus dois mandatos pensaram que talvez este jovem e carismático senador do Illinois viesse mudar o rumo e pôr fim a algumas das piores transgressões da administração Bush - a detenção por tempo indefinido de suspeitos de terrorismo, a tortura, as prisões secretas [black site prisons] e as guerras intermináveis que drenavam os nossos recursos, apenas para citar algumas.
Poucos anos mais tarde, aquela fantasia provou ser apenas isso: uma fantasia. Na verdade, Barack Obama não só continuou o legado de Bush, mas levou-o à sua conclusão lógica. Como presidente, Obama foi para além da Baía de Guantánamo, para além do espiar dos e-mails e telefonemas dos americanos, e para além foi quanto ao bombardeio de países sem autorização do Congresso. Ele agora reivindica, como foi revelado num memorando do Departamento de Justiça, graças a uma fuga de informação, o direito a assassinar qualquer cidadão americano, em qualquer lugar no mundo, desde que tenha a sensação de que eles possam, em algum momento no futuro, representar uma ameaça para os Estados Unidos.
Digiramos o que precede: o Presidente dos Estados Unidos da América acredita que tem o direito absoluto de o matar a si com base em "provas" secretas segundo as quais você pode ser um terrorista. Não apenas ele acha que o pode matar, como acredita que tem o direito de o fazer em segredo, sem o acusar formalmente de qualquer crime e sem lhe proporcionar a oportunidade de se defender perante um tribunal. A culminar tudo isso, o memorando afirma que essas decisões quanto a quem matar não estão sujeitas a qualquer reexame judicial.
