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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O regresso aos mercados

Vai por aí uma grande excitação porque "voltámos aos mercados" com uma emissão de dívida pública a 5 anos, no montante de 2,5 mil milhões de euros, à taxa de juro implícita de 4,891%.

"Demos um passo extraordinariamente positivo", afirma Eduardo Catroga. Ricardo Salgado, esse, ribomba com a "vitória sobre as agências de rating"! Para os lados do CDS, Ribeiro e Castro, num assomo pouco usual no seu partido, classifica de "movimento de mestre" a decisão de Vítor Gaspar de "antecipar a ida aos mercados"; já João Almeida prossegue o registo de cuidado extremo com que a direcção de Portas tem conduzido o CDS, preferindo sublinhar que o "[regresso aos mercados] tem que ter consequências" na "economia real" (crédito bancário disponível, crescimento e emprego).

Sendo inegável que o sucedido permite alimentar a ideia de que se tenha verificado uma inversão sustentada de expectativas (que os mercados secundários da dívida pública já vinham antecipando nos últimos meses), não vejo razões para grandes celebrações. A despesa pública estatal reduziu-se estruturalmente nos últimos 18 meses? Não! Pouco mais houve, à excepção notável do sector dos transportes públicos, que cortes temporários na mesma (alguns dos quais aliás já revertidos, vide 13º e 14º meses na FP e pensionistas). O défice orçamental desapareceu? Não, apenas diminuiu a sua magnitude (e não esqueçamos as receitas extraordinárias). E o que aconteceu com os impostos? Aumentaram desmesuradamente!

Daí que, sem mais, o "regresso aos mercados" pode até vir a transformar-se num mero paliativo, induzindo melhoras aparentes num corpo que continua extremamente doente (a propósito, veja-se como António José Seguro já se relembrou da linha de mercadorias entre Sines e Madrid para "estimular" a economia e o emprego). Não haja ilusões: o reequilíbrio das contas externas, se bem que em parte ajudado pelo bom comportamento das exportações (tal como em Espanha, por exemplo), só foi possível pela fortíssima redução induzida na procura interna (aumento de impostos, redução de salários, despedimentos, etc.) e, por essa via, na redução brutal das importações. Não é único, o caso luso. Pouco, muito pouco, foi feito por cada um dos países da zona euro, como o insuspeito Roubini assinala.

Por outro lado, é bem provável que o Tribunal Constitucional volte a pronunciar-se pela inconstitucionalidade quanto a medidas de redução da despesa pública constantes no OE/2013. Se tal ocorrer, qual é a alternativa para este ano? E para o ano? E para os seguintes? Continuar a redefinir o conceito de "rico" até ao desaparecimento por completo da classe média?

Ou será que a alternativa, à parte a ocorrência de um improvável milagre, é a adopção da política (?!) do despacho? Nos finais de Agosto de 2011, quando foi publicada a 1ª versão do designado Documento de Estratégia Orçamental, classifiquei de "cobarde" este Governo (António Barreto, retomava o adjectivo no fim-de-semana passado) ao não vislumbrar no documento o reflexo da existência de qualquer estratégia de longo prazo. Se outras razões não houvesse, teria bastado toda a longa e triste novela do relatório do FMI para o "repensar do Estado", do palácio Foz (que falta de tino!) e da regra de Chatham House, etc., para justificar o epíteto.

Estais optimistas? Muito boa sorte!

sábado, 15 de setembro de 2012

A Egan Jones volta a baixar o rating dos EUA

A Egan Jones anunciou há pouco a decisão de baixar a notação dos EUA na sequência do anúncio por Ben Bernanke do lançamento de mais uma ronda de quantitative easing (QE3). Pela terceira vez desde Julho de 2011, altura em que se antecipou ao anúncio no mesmo sentido da S&P em duas semanas, quando foi retirado triplo AAA, a notação agora atribuída aos EUA é de AA- (era AA). A agência explica assim a racionalidade do seu julgamento:
The FED's QE3 will stoke the stock market and commodity prices, but in our opinion will hurt the US economy and, by extension, credit quality. Issuing additional currency and depressing interest rates via the purchasing of MBS does little to raise the real GDP of the US, but does reduce the value of the dollar (because of the increase in money supply), and in turn increase the cost of commodities (see the recent rise in the prices of energy, gold, and other commodities). The increased cost of commodities will pressure profitability of businesses, and increase the costs of consumers thereby reducing consumer purchasing power. Hence, in our opinion QE3 will be detrimental to credit quality for the US.

Some market observers [Alan Greenspan, por exemplo] contend that a country issuing debt in its own currency can never default since it can simply print additional currency. However, per Reinhart & Rogoff's " This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly " , p.111, 70 out of 320 defaults since 1800 have been on domestic (i.e., local currency) public debt. Note, US funding costs are likely to slowly rise as the global economy recovers or the FED scales back its Treas. purchases (75% recently).

From 2006 to present, the US's debt to GDP rose from 66% to 104% and will probably rise to 110% a year from today under current circumstances; the annual budget deficit is 8%. In comparison, Spain has a debt to GDP of 68.5% and an annual budget deficit of 8.5%. We are therefore downgrading the US country rating from "AA" to "AA-".

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nuvens escuríssimas na Ibéria (2)

No passado dia 11 de Maio, o ministro da Economia do governo espanhol tinha estimado em "menos de 15 mil milhões de euros" o montante total de ajudas que o Estado espanhol iria conceder à globalidade da banca  espanhola para lidar com o problema do crédito malparado (essencialmente advindo do estouro da bolha imobiliária). 

Duas semanas passaram. Hoje, há pouco, foi noticiado que só o Bankia, está a solicitar uma nova ajuda suplementar de 19 mil milhões de euros!! Nova ajuda que surge apenas 15 dias depois de o mesmo ministro ter afirmado que não haveria nenhuma ajuda adicional a este banco para além da dos 4,5 mil milhões de euros já anteriormente concedidos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Não dêem importância à S&P ou à Moody's

é o (bom) conselho de Jim Rogers. Explica-o assim:
«(...) you should not bother to pay any attention to the rating agencies. Everything they have done in the past 15 or 20 years has been wrong. I stopped bothering about them long ago. Everybody knows that France is no longer Triple-A, everybody knows that Italy is no longer as highly-rated as it used to be. The market knows all about this. This is not news.»

«The best way to get out of it is to go ahead and to let people go bankrupt, let the people who made mistakes take their losses, the banks who made the bad loans, the people who invested in the bad banks – they should take their losses and start over (...) It looks as though the EU is about to make some of them take some losses and that will be good. That way we can start over and go forward. The problem is they are not doing enough. They are not taking enough losses. They are hoping that they can get through the next election or two and then everything will be OK. This is not going to solve the problem, it will delay the problem a bit longer, it does not solve the problem.»

«Whether it [a new rating agency] is European or not is irrelevant, the fact is that you do need somebody competent and somebody who can examine and decide who is solvent and who is not solvent (...) Until a few months ago that they had the US as a Triple-A credit. The US is the largest debt nation in the history of the world. It is absurd that it was Triple A. Europe needs somebody competent who can go in there. It does not matter whether it is Russian, or Australian or American, or European, just so you have somebody competent. And these guys in S&P and Moody’s have had a semi-monopoly for decades. They have gotten corroded and lazy and sloppy and they are no longer competent.»

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O estouro aproxima-se, inexorável (6)

No rescaldo da baixa da notação da S&P, as taxas de juro implícitas dos títulos de dívida pública subiram significativamente na generalidade dos prazos atingindo novos máximos históricos. O resultado, no ranking da probabilidade de bancarrota, é o seguinte (a 15 de Novembro último, o panorama era este):


Este comportamento explica a hipótese hoje aventada no Zero Hedge: Has The ECB Given Up On Portugal?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Grandes Manobras (2)

Às Grandes Manobras, a S&P responde, de acordo com o Finantial Times:
"Standard and Poor’s has warned Germany and the five other triple A members of the eurozone that they risk having their top-notch ratings downgraded as a result of deepening economic and political turmoil in the single currency bloc. The US ratings agency is poised to announce later on Monday that it is putting Germany, France, the Netherlands, Austria, Finland, and Luxembourg on “creditwatch negative”, meaning there is a one-in-two chance of a downgrade within 90 days."

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O assalto neoliberal (2)

O governo francês, anunciou um novo (mais um) pacote de austeridade, escorado no diagnóstico seguinte (citado no Público de hoje, link não disponível, realce meu):
"Ao fim de mais de 30 anos de orçamentos em desequilíbrio e da mais grave crise económica desde a Segunda Guerra Mundial, o regresso durável ao equilíbrio das finanças públicas é mais do que nunca necessário" e "O desendividamento é essencial para garantir a capacidade de acção do Estado e a soberania da Nação.
Traduzindo por miúdos: a França tenta, já demonstrando alguns sinais de desespero, não perder o rating AAA.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Devia ser evidente

o que decorre da seguinte observação de William Anderson (na linha desta):
[T]he ratings agencies have been in bed with both the government and the banksters for years, but I find it interesting that a bearer of bad news is regarded as the CAUSE of the current mess. Of course, if S&P really were to be telling the truth, it would have downgraded U.S. Government bonds to junk status.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por detrás do downgrade da dívida pública dos EUA

A ler Bob Wenzel, no blogue que acho mais importante (e informado) nos tempos que correm:
Who knows what is really behind S&P's downgrade of U.S. government debt? The U.S. government owes so much money that it's been clear for years that the only way the debt would be paid off is through the Federal Reserve printing money and inflating the government out of a debt crisis. It's odd for S&P to suddenly discover the debt crisis. There are a number of reasons this may be occurring now.
1. They could be working with the government to create a panic atmosphere in which it will be easier to raise taxes.

2. They could be working with Republicans to make the President look bad.

3. S&P is just inept, afterall, as Francine McKenna points out, S&P (owned by McGraw Hill) is audited by Ernst & Young. Who audited Lehman.
Here's the most likely answer:
4. A little of all of the above.

Abaixo do nível de "lixo"

S&P corta "rating" da Refer e da CP.