«A nossa esquerda mobiliza-se para defender o “serviço público” da RTP e é indiferente à sorte dos Estaleiros de Viana do Castelo.
A nossa direita mobiliza-se para manter uma “informação pública” na RTP, Lusa, rádios, etc. e acha bem que, em nome da “democratização da economia”, os Estaleiros de Viana do Castelo fechem.
A nossa esquerda arrepela-se perante a hipótese de se privatizar um canal da RTP, ficando o resto por privatizar, e quer lá saber da privatização dos Estaleiros, mesmo que isso salve a empresa e parte dos empregos.
A nossa direita jura todos os dias que o “serviço público” justifica a presença do estado na RTP, mas não mostra qualquer zelo em privatizar os Estaleiros, nem lhe passa pela cabeça que possa haver razões “públicas” para os manter.»
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Esquerda e direita
Portugal no seu melhor, por José Pacheco Pereira. Um trecho:
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Government Motors - a mesma história de sempre (2)
Finalmente, segundo reporta a AP, a General Motors resolveu aconselhar todos os proprietários do Volt a levarem as suas viaturas aos stands onde as adquiriram para proceder a reparações, grátis, que "farão diminuir o risco de incêndio nas suas baterias". A "gratuitidade" anunciada desta operação só pode ser tida por humor verde negro quando se recorda que se calcula que cada Volt tenha custado ao contribuinte cerca de 250 mil dólares, tornando-o o caro mais subsidiado de sempre talvez apenas a par do... Trabant! Como referia há uns dias, ele há de facto semelhanças só na aparência improváveis...
Até tu, Brutus?
Krugman: Crise em Portugal começou antes da crise
Leitura recomendada: essa estava boa!, por Ricardo Arroja
Leitura recomendada: essa estava boa!, por Ricardo Arroja
Obrigatório ler
este post de Helena Matos ainda a propósito do "escândalo" provocado pelo facto de haver empresas que procuram, por meios exclusivamente legais, pagar um menor nível de impostos. Sublinho o seguinte excerto:
«Tanto em 1974 como em 2012 entende-se que as empresas não são dos empresários mas sim recursos estatais. Uma espécie de saco azul ao dispor dos governos. Em 1974 acreditava-se que confiscando as empresas, o Estado ficava rico. Em 2012, o socialismo tornou-se mais hábil: tolera os privados porque sabe que sem eles não há dinheiro. E por isso perante a suspeita de que os privados tentam pagar menos impostos reage com fúria e indignação. De 1974 a 2012 mudaram os meios mas o fim é o mesmo: as empresas devem servir o Estado.
Por isso Alexandre Soares dos Santos teria levado a sua vida com muito sossego e apreço da Pátria se tivesse sido funcionário público toda a vida. Ou melhor ainda se tivesse passado de carga de nomeação para cargo de nomeação. Agora certamente que peroria contra o espírito de ganância do dono da cadeia Pingo Doce.»
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Procurar ver no meio da poeira
Como tentei explicar aqui, um país pequeno e relativamente pobre como Portugal adentro da União Europeia, deve opor-se terminantemente a qualquer espécie de harmonização fiscal que, não por acaso, é defendida por Merkel e Sarkozy. Recorde-se, a propósito, a insistência com que tentaram que a Irlanda aumentasse o seu IRC aquando da negociação do resgate financeiro. A competição pelo investimento estrangeiro é feroz e nós precisamos dele como de pão para a boca e a atractividade e estabilidade fiscais são importantíssimos factores na sua captação.
Mas a julgar por múltiplos posts, de que este (para que Miguel Noronha chama a atenção) será exemplar, há quem não pense assim e chegue mesmo a apodar de "liberais de pacote" os que se limitam a evidenciar a racionalidade desta decisão da Jerónimo Martins (ou desta outra da Sonae). Há quem ache tal comportamento imoral? Pois deixem-me dizer-vos que imoral é a brutal carga fiscal sob que vivemos e nos está a sufocar a todos. Das 20 empresas do PSI20, 19 já têm a sua sede fora de Portugal, 17 das quais na Holanda! Se há algo de útil a retirar de toda a poeira libertada quanto a este assunto, concentremo-nos em perguntar por que razão tal sucederá e o que devemos fazer para a contrariar.
Uma conveniente dificuldade técnica?
Ron Paul tem recebido donativos de mais militares que a totalidades dos seus adversários em conjunto. Enquanto pôde, o militar do vídeo explicava o porquê desse comportamento.
Nota também interessante para o quadro de resultados que aparece em rodapé que nem nada tem a ver com o resultado final nem, sequer, com os resultados preliminares e intercalares que foram ocorrendo até ao final das primeiras três /quatro horas de contagem que acompanhei no New York Times e no Washington Post.
Romney ganha no Iowa
Mitt Romney - 24.6%
Rick Santorum - 24.5%
Ron Paul - 21.4%
Rick Santorum - 24.5%
Ron Paul - 21.4%
Na intervenção televisiva já após o conhecimento dos resultados finais, Paul disse: "Nixon said 'We're all Keynesians now. I want to be able to say, 'We're all Austrians now."
Paul não ganhou no Iowa apesar de, até muito recentemente, tal pareceu possível ir acontecer. Em 2008, no mesmo estado, tinha ficado em 5º lugar. Mas o que Paul já conseguiu é muito mais que assegurar um mero lugar no pódio. Em muitas áreas, foi ele a marcar a agenda: a crítica cerrada ao Fed, à gigantesca dívida, à política externa do império. Seguir-se-á agora o New Hampshire que, muito provavelmente, será ganho, folgadamente, também por Romney. Paul tem surgido nas sondagens em 2º lugar, o bastante para manter o seu momentum: "We're all Austrians now".
Bruxelas a nu
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| (PDF) |
Conta Andreasen que se deparou com uma situação em que nem sequer recebeu do seu antecessor as contas do ano transacto (2001) devidamente assinadas mas que, não obstante, se viu pressionada pelo seu chefe directo para que ela própria as assinasse assim se responsabilizando por algo que não conhecia nem podia conhecer; que os saldos finais de um ano não eram iguais aos saldos iniciais do ano seguinte; que não existia sistema informático único nem interesse pela sua introdução, apesar de já ter sido anteriormente comprado; que lhe pediam para dar autorização à efectivação de pagamentos sem que lhe fossem presentes os documentos que os justificassem, etc, etc. Depois de um relato impressionante que revela o total desprezo dos burocratas de Bruxelas pelo dinheiro dos contribuintes, vem a via sacra do processo disciplinar e da sua tramitação, prova duríssima a que foi sujeita. Talvez por isso Marta Andreasen, hoje membro do parlamento europeu eleita nas listas do UKIP, depois de Bernard Connolly, autor de "The Rotten Heart of Europe" (a quem José Manuel Fernandes aqui recentemente aludiu) e Paul van Buitenen, que viria a desencadear o escândalo que daria origem ao despedimento da Comissão Santer, tenha sido a última dos whistleblowers vinda do interior da impenetrável burocracia da União Europeia, responsável perante ninguém.
1Já em Setembro de 1957 Monnet sintetizava assim o significado de uma união monetária: "Via money, Europe could become political in five years".
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Mais uma derrota para o Bundesbank
Esta é mais uma indicação que a bazuca monetária em acção. Tudo aponta para a próxima eclosão de um verdadeiro festival pirotécnico.
Actualização congruente: Constâncio passa a ter mais responsabilidades no BCE
A irrelevância da dívida segundo Krugman
Na sequência de (mais) uma bizarra crónica de Paul Krugman intitulada "Nobody Understands Debt", Don Boudreaux cita uma passagem de um discurso de William F. Bucley que achei particularmente interessante para ajudar a compreender o amor, e mesmo a paixão, dos políticos pelo keynesianismo. Por isso mesmo a procurei traduzir (com alguma liberdade):
A meio do segundo mandato de Franklin Roosevelt, os cérebros do New Deal começaram a preocupar-se com a crescente inquietação popular relativamente à dívida nacional. Naquela época, a dimensão da dívida estava na mente de todos. Na realidade, Franklin Roosevelt havia, em parte, chegado à presidência, em 1932, com a promessa de diminuir a dívida que, mesmo sob o frugal Sr. Hoover, as pessoas tendiam a pensar que tinha atingido uma dimensão ameaçadora. Os sábios do Sr. Roosevelt preocupavam-se profundamente com essa tensão crescente. E então, de repente, a comunidade académica acorreu em seu socorro. Um grande espectro de economistas foi electrizado por uma teoria da dívida introduzida em Inglaterra por John Maynard Keynes. Os políticos esfregaram as mãos em sinal de gratidão. Retratando as consequências políticas da descoberta inebriante de Lord Keynes, o cartoonista do Washington Times Herald fez um desenho inesquecível. No centro, sentado num trono em frente a um mastro, estava um FDR em júbilo, cigarro inclinado para cima quase na vertical, um sorriso no rosto de orelha a orelha. Dançando à sua volta num círculo, de mãos dadas, de rostos brilhando de êxtase, os cérebros, cobertos de vestes académicas, cantavam o mágico encantamento, a grande descoberta de Lord Keynes: "Devêmo-la a nós mesmos."
Com quatro palavras talismã, os especialistas em planeamento tinham eliminado o problema da despesa sob déficit. Daí em diante, alguém que se preocupasse com um aumento da dívida nacional era simplesmente um ignorante da percepção central da economia moderna: que importa o quanto nós - o estado - devamos uma vez que o devemos a nós mesmos? Avante com a despesa! Impostos e mais impostos, gastar e gastar, eleger e eleger...
William F. Buckley, excerto de discurso de Maio 1958
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
A "agenda europeia"
129 iniciativas só para 2012, anuncia a Comissão Europeia! Como nestas coisas convém haver - nem que seja para efeitos meramente proclamativos - uma Estratégia (lembram-se da denominada de Lisboa?), recordemos a "agenda" - Estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Na sua forma compacta, Estratégia Europa 2020. Após a leitura do prefácio do documento, da autoria de Durão Barroso, datado de Março de 2010, só resta o sarcasmo. Mesmo que silencioso.
Via EUReferendum
Centros de decisão nacional
Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para Holanda.
Com a devida vénia a Céline, e ao João Gonçalves, é caso para evocar: Vão navios cheios de fantasmas.
Com a devida vénia a Céline, e ao João Gonçalves, é caso para evocar: Vão navios cheios de fantasmas.
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