segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A incessante procura de rendas à pala do estado
...e, infalivelmente, em prejuízo de contribuintes e consumidores. O senhor T. Boone Pickens, a quem o Ecotretas já dedicou vários posts, que já foi um defensor estrénuo das eólicas, de há algum tempo que defende que o governo lidere a iniciativa no sentido de promover a substituição da gasolina e do diesel, usados nos transportes por gás natural, para desta forma a América conseguir diminuir a sua dependência do petróleo da OPEP e, em simultâneo, usando energia mais "limpa". Veja-se o artigo que escreveu hoje ontem, no The Chicago Tribune.
O senhor T. Boone Pickens, um empreendedor e capitalista de longa data (tem 83 anos de idade), tem naturalmente o direito de defender uma maior utilização do (aliás, abundante) gás natural americano, tal como qualquer cidadão. Coisa diferente é a forma como se posiciona para explorar o filão que se avizinharia caso o governo federal liderasse esta ideia, ou seja, adivinha-se: financiasse uma rede de abastecimento de gás, introduzisse regulações no sentido de a conversão se tornar obrigatória, etc.
A defesa do subsídio em nome de um superior interesse "público" e do seu carácter "estratégico" para, na realidade, e em primeiro lugar, encher os bolsos de indivíduos que se aprestam para se apossar de "rendas" garantidas pelos estados é uma das características do crony capitalism ou do corporatismo mussoliano. Nada disto tem a ver com o capitalismo. É, antes, o seu contrário.
Frase do dia (22)
«Romney doesn't have an obvious reason to run for president. That's his trouble. Gingrich does. That's his.»
Steve Chapman, Chicago Tribune, via Reason.com
Resultados dos caucus no Nevada (complementado)
Depois de um processo muito acidentado e como tal susceptível de muitas interrogações e até acusações - afinal de contas, foram precisos dois dias para contar cerca de 35 mil votos! - são os seguintes os resultados oficiais:
Ron Paul foi agora terceiro (tinha sido segundo em 2008) embora com um resultado percentualmente bem superior: 18.8% agora contra 13.7% há quatro anos atrás.
Complemento: Thomas DiLorenzo, autor do excelente e revisionista The Real Lincoln: A New Look at Abraham Lincoln, His Agenda, and an Unnecessary War, recorda o seguinte dito atribuído a Estaline: "As pessoas que votam não decidem nada. As pessoas que contam os votos decidem tudo".
Complemento: Thomas DiLorenzo, autor do excelente e revisionista The Real Lincoln: A New Look at Abraham Lincoln, His Agenda, and an Unnecessary War, recorda o seguinte dito atribuído a Estaline: "As pessoas que votam não decidem nada. As pessoas que contam os votos decidem tudo".
Devagar, devagarinho (actualizado)
Hoje, o governo formalizou o anunciado há um mês atrás. Nada mais que isso. Dir-se-á: é um passo positivo, de qualquer modo. Eu diria que, até novas notícias - as referentes às necessárias rendas garantidas às actuais explorações produtoras de energia em regime especial (afinal também aqui, os "direitos adquiridos" não o são, não é assim?) -, não é um passo, é uma paragem, uma suspensão como o próprio decreto-lei o designa. Uma "moderação" que nada resolva e tudo adia (défice tarifário, elevadíssimo preço da electricidade). Não era isto que se previa no Memorando de Entendimento (inicial) com a Troika (pontos 5.6 a 5.14 que deveriam ser atingidos no 3º e 4º trimestre de 2011) nem na 2ª "revisão" de implementação do mesmo no ponto 36: "To that end, by end-January 2012 (structural benchmark), we [Governo português] will prepare a proposal which specifically corrects excessive rents in special (co-generation and renewables) and standard regimes (CMECs, PPAs, and power guarantee mechanism). This proposal will consider the merits of a full range of concrete measures, and will cover all sources of rents".
Um excerto dos considerandos preambulares do Decreto-Lei nº 25/2012, de 6 de Fevereiro de 2012:
Entretanto, a evolução verificada no mercado, com a retração da procura, e a implementação das medidas dos Memorandos de Entendimento acordados com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, apontam para a necessidade de moderar desde já as intenções de novos investidores que se perfilam para apresentarem pedidos de informação prévia de forma a permitir a receção e entrega de energia elétrica proveniente de novos centros eletroprodutores, conforme previsto nos artigos 4.º e 10.º do Decreto -Lei n.º 312/2001, de 10 de dezembro, alterado pelo Decreto -Lei n.º 33 -A/2005, de 16 de fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 172/2006, de 23 de agosto, e pelo Decreto -Lei n.º 118 -A/2010, de 25 de outubro.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Ethanol Subsidies Have Many Bad Consequences
Depois da palestra de Yuri Maltsev What Soviet Agriculture Teach Us, divulgo hoje uma outra, igualmente patrocinada pelo Ludwig von Mises Institute, sobre o tema da agricultura e dos subsídios estatais do grande Robert Higgs, autor do já clássico e imprescindível Crisis and Leviathan.
Palestra proferida em 14 de Maio de 2011
A insanidade eólica
De acordo com a Renewable UK, a capacidade de produção eólica instalada no Reino Unido no início deste ano, atingiu os 6 gigawatts. Pois agora que a Grã-Bretanha, como a generalidade da Europa, está a ser castigada com uma violenta vaga de frio, que já provocou cerca de 300 mortos, era esta a distribuição, às 15:30 de hoje, um dia com pouco vento, das diferentes fontes de geração de energia eléctrica, quando todo o mundo se procurava aquecer dentro de suas casas (de quem ainda tem dinheiro para pagar a electricidade):
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| Imagem retirada do blogue Autonomous Mind |
Ou seja, a capacidade efectiva, real, disponível era de apenas 570/6000 => 9.5% da instalada! Assim, os supostas 3.3 milhões de lares que, potencialmente, os 6 GW de capacidade eólica seriam capazes de abastecer transformam-se em menos de 314 mil habitações, e isto não entrando em linha de conta com as intermitências no vento ... que obrigam a duplicar a capacidade instalada de eólicas para garantir que o interruptor funcione quando o consumidor pretender!!!
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Uma renovável e feroz protecção dos detentores de rendas económicas
Nicolau Santos, assina hoje no Expresso, um artigo cujo conteúdo - uma contestação ao Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal - III - é particularmente vergonhoso (o que não é nada de novo como tenho assinalado por aqui, aqui ou aqui). Intitulado "Uma energia feroz e nuclear contra as eólicas" (link não disponível) é essencialmente uma defesa da política socratina de promoção das novas renováveis a qualquer custo e independentemente dos efeitos a jusante (do preço da energia para as empresas e para a (falta de) competitividade das nossas exportações e da sobrecarga que faz impender sobre a generalidade das famílias). Como "escudo" argumentativo lá vem a inevitável e liminar recusa (sequer da discussão) da energia nuclear, ao detectar o "gato de fora com o rabo escondido" (sic) nas pessoas de Monteiro de Barros, Sampaio Nunes e Mira Amaral e o facto de as renováveis serem um recurso "endógeno" (não tem que ser "importado").
Para além da pobreza do argumento da "endogenia", em tudo convergente e sobreponível com o usado por Salazar na tristemente célebre "campanha do trigo" (como anteriormente na Lei dos Cereais, de Elvino de Brito, de 1899), Nicolau Santos ficou particularmente perturbado pelo facto de no texto do manifesto se "estranhar que Portugal seja na Europa um campeão das novas renováveis". Espuma, então, perguntando sucessivamente: "Porquê? É proibido? É impossível? [Não lhe ocorre que sendo o investimento nas novas renováveis exclusiva função do nível das tarifas garantidas (feed-in), só economias ricas a poderiam suportar (e ultimamente já nem nessas...)]. E continua: "Esta frase é a prova que "as renováveis são o ódio de estimação dos subscritores e o alvo que querem abater para o substituir pela energia nuclear"(!). Ou Nicolau Santos não leu o Manifesto, o que não me parece de todo de excluir, ou a cegueira ideológica impede-o de perceber o que lá está escrito.
Não sou, a priori, um defensor da energia nuclear - não sei o suficiente para, por mim próprio, concluir pela sua defesa sem quaisquer dúvidas - mas serei certamente um defensor do seu estudo, exactamente o que o Manifesto propõe. Não obstante, e ao contrário de outros, acho até que o que sucedeu em Fukushima foi como que a emissão de um certificado da segurança intrínseca que mesmo uma central nuclear de geração já antiga, afinal proporcionou, nas terríveis condições cumulativas de um sismo de grande intensidade e subsequente tsunami gigante a que foi sujeita.
Leitura complementar: 100 Tories revolt over wind farms.
Não sou, a priori, um defensor da energia nuclear - não sei o suficiente para, por mim próprio, concluir pela sua defesa sem quaisquer dúvidas - mas serei certamente um defensor do seu estudo, exactamente o que o Manifesto propõe. Não obstante, e ao contrário de outros, acho até que o que sucedeu em Fukushima foi como que a emissão de um certificado da segurança intrínseca que mesmo uma central nuclear de geração já antiga, afinal proporcionou, nas terríveis condições cumulativas de um sismo de grande intensidade e subsequente tsunami gigante a que foi sujeita.
Leitura complementar: 100 Tories revolt over wind farms.
Factos e Valores
Numa notável palestra, Sam Harris defende que a Ciência pode (e deve) responder a problemas morais (legendas em português europeu ou em português do Brasil):
Os zelotas melancias e a sua tentativa de destruição da Terra
James Delingpole tem hoje, no Daily Mail, um notável artigo entitulado How green zealots are destroying the planet: The provocative claim from a writer vilified for denying global warming. Pelo facto de o considerar muito importante, como brilhante súmula do que tem sido o movimento ambientalista desde os inícios da década de 60 e o mal que tem provocado, procurei traduzi-lo, ainda que parcialmente (uma tradução rápida, algo livre e certamente não isenta de falhas), na esperança de, desse modo, poder ampliar a sua leitura.
Uma das mais sombrias ironias do movimento ambientalista moderno reside na dimensão dos danos impostos ao planeta em nome da sua "salvação". Os verdes biocarburantes (plantações como as de óleo de palma cultivadas para combustível) não só levaram à destruição de milhões de hectares de floresta tropical na Ásia, em África e na América do Sul, como é agora conhecido que produzem quatro vezes mais CO2 que os combustíveis fósseis.
Os parques eólicos, para além de enferrujarem as paisagens, de destruírem solo arável e causarem uma maciça poluição sonora , matam cerca de 400 000 aves por ano, só nos EUA. Os ambientalistas, de facto, têm um histórico desastroso no domínio das suas previsões e propostas de políticas. O bestseller de 1962, Silent Spring, de Rachel Carson - que profetizava uma epidemia de cancros em consequência da utilização de pesticidas - levou a uma proibição em quase todo o mundo do DDT, o pesticida contra a malária, condenando assim milhões de pessoas do Terceiro Mundo a morrer desta doença.
O bestseller de 1968, de Paul Ehrlich, The Populational Bomb, por sua vez, ensaiou outro dos temas favoritos do movimento verde: a sobre-população. Nos anos setenta e oitenta, alertava, centenas de milhões de nós estaríamos morrendo como moscas porque não haveria comida suficiente.
Por que razão a predição de Ehrlich nunca se concretizou? Porque, como na maioria dos cenários apocalípticos dos verdes, um factor essencial foi desprezado: o progresso [tecnológico].
Porque o movimento verde há anos que está ideologicamente comprometido com a ideia de que a humanidade é uma maldição ecológica ("A Terra tem um cancro e o cancro é o Homem", como resume um think tank denominada por Clube de Roma, que inclui vários actuais e ex-chefes de Estado), ele não consegue entender o papel que a tecnologia, o engenho e adaptação humanos representam na sobrevivência da nossa espécie.
Políticas activas de promoção do desemprego (3)
Com chamada à primeira página do caderno principal ("caixa" reproduzida da imagem à direita), o Expresso dá a contar a Eva Monteiro, licenciada em Filosofia, 26 anos de idade e (sem surpresa) desempregada, a sua história: tentando aumentar as suas hipóteses de conseguir um emprego, mas também por convicção e gosto, pretendeu tirar um curso profissional de Mecânica. Ocorre que está impedida de o frequentar pelo facto de as "regras" o impedirem. Eva Monteiro também sofre do conhecido pecado de ter "habilitações a mais" para frequentar um curso profissional.
O actual apparatchik que preside à monstruosidade conhecida por IEFP (Instituto de Emprego [?] e Formação Profissional [?]), Octávio de Oliveira, confirma a coisa ao comentar o caso de Eva Monteiro (itálicos meus): "[e]stamos a falar de alguém em quem a sociedade já investiu, e utilizando recursos na sua valorização. É uma questão de equidade e gestão de meios". Portanto, a culpa é da Eva, que ela a carregue, pois então! Depois, magnânimo e compassivo, lá adianta que "[admite] que deva ser equacionada e pensada. É um problema que até há pouco tempo não a tinha a dimensão que hoje tem". Salve!!!
Meus amigos, "[o]u damos cabo do Estado social ou ele dá cabo de nós"! Fujamos de todas as "agendas", "pactos" e políticas de "promoção do emprego e crescimento" elas sim autênticos alçapões e armadilhas de desemprego. Veja-se, por exemplo, o que o governo do PS fez, e que o actual do PSD e CDS manteve, quanto ao regime assassino que impuseram sobre os trabalhadores independentes.
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Leitura complementar: desemprego jovem
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Leitura complementar: desemprego jovem
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
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