domingo, 4 de março de 2012

Um oxímoro: o ministério da Economia

Medeiros Ferreira, um blogger que tem horror à verbosidade, caracteriza bem a coisa, ainda que depois não retire as consequências lógicas do que escreve:
[Há uma pasta, a da Economia, que "paira acima das contingências" porque está] vocacionada para apoios, ajudas, subsídios, estímulos, concursos, parcerias e negócios. Uma espécie de ministério da segurança social para empreendedores com rede. Qualquer candidato ao lugar fabrica clientes com perspectivas de futuro.
Se há algo que os governos podem fazer em prol da Economia é, tão só e apenas, desmantelar os empecilhos regulatórios que eles próprios criaram e que impedem o crescimento económico e promovem o desemprego. O resto - estimular, "promover", "apoiar" -, é mero "ruído" ainda que embrulhado em retórica fluente.

Leitura complementar: Vichyssoise à Portuguesa

Fase do dia (28)

«O Estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver às custas de todos.»
Frédéric Bastiat, L'État

Primárias republicanas - os caucuses do estado de Washington


Segue-se, já no próximo dia 6, a Super Tuesday que abrangerá os seguintes estados: Virgínia (com 49 delegados), Massachusetts (41), Vermont (17), Oklahoma (43), Tennessee (58), Geórgia (76), Alaska (27), Dakota do Norte (28). Idaho (32) e Ohio (66).

O clip que se segue permite perceber por que razão um 2º lugar nos caucuses pode significar um primeiro lugar na eleição de delegados por cada estado (os que finalmente irão escolher o candidato republicano na convenção que ocorrerá no final de Agosto, na Florida). Ora, também no caso do estado de Washington, Ron Paul - o meu campeão - está convencido que irá ganhar a maioria dos 43 delegados em disputa na última etapa que decorrerá entre 24 de Março e 21 de Abril.

sábado, 3 de março de 2012

Depois dos empregos, as férias "verdes"

Volt production on hold for 5 weeks, anunciou a Government Motors a 1300 trabalhadores nas suas instalações em Detroit. Será por esta e por outras que Ron Paul lá ganhou as recentes primárias republicanas?

Andará Pacheco Pereira a ler Mises?

José Pacheco Pereira assina hoje no Público "Comprar a bala da execução" (aludindo à prática do Estado chinês que obriga a família do condenado à morte a comprar a bala que o matou), a propósito da rubrica pelo governo português, sem a mais leve sombra de debate entre nós (como de resto acontece desde a nossa adesão à então CEE), do novo fiscal compact. Um excerto (relaces meus):

Talvez valha a pena lembrar que a maioria dos modelos que foram aplicados à economia mundial e nacional falhou estrondosamente e que na génese de muitos problemas actuais está uma coligação muito próxima de economistas e políticos, amboer unidos por essa redução da política ao "economês". Hoje liga-se uma televisão e o comentador atrás de comentador, personalidade atrás de personalidade repete o seu "economês", dizendo exactamente as mesmas coisas num solilóquio que bem merece a classificação de "pensamento único".

O pequeno e imenso problema é o "ruído" do mundo. As acções humanas, sejam na economia, na sociedade, na cultura, na política estão cheias de "ruído", que gera um enorme fosso entre as intenções proclamadas e os resuoltados obtidos. Quase que se pode dizer que a regra é os resultados serem muito diferentes das intenções. É a regra que Weber lembrava aos políticos que as maioria das suas acções tem resultados exactamente opostos ao pretendido. Aplica-se também aos economistas a fazer política.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Pois. É o que há mais por aí

Reuters: Pact for budget discipline signed by 25 EU states

Bloomberg: EU Leaders Declare Crisis Turning Point as Focus Starts Shifting to Growth


Frase do dia (28)

«The course of history shows that as a government grows, liberty decreases.»
Thomas Jefferson

Notícias do ultraliberalismo reinante (4)

Edição do Sol de 02-03-2012

Gás de xisto por todo o lado

Estimam-se em 25 triliões de metros cúbicos as reservas de shale gas recuperáveis de que a China dispõe o que corresponderia às necessidades estimadas para 200 anos de consumo. Tem sido vertiginoso o ritmo a que se sucedem as descobertas de gigantescas jazidas um pouco por todo o mundo. Peak quê?

quinta-feira, 1 de março de 2012

E que tal um retiro?

Governo "em reflexão" sobre quem serão os novos gestores das empresas de transportes.

O regresso da tese de que os fins justificam os meios

Via Coyote, fiquei a saber que o filósofo James Garvey, autor de Ethics of Climate Change (!), se pronunciou sobre o Fakegate, protagonizado pelo ignomioso Peter Gleick, nestes termos:
What Heartland is doing is harmful, because it gets in the way of public consensus and action. Was Gleick right to lie to expose Heartland and maybe stop it from causing further delay to action on climate change? If his lie has good effects overall – if those who take Heartland’s money to push scepticism are dismissed as shills, if donors pull funding after being exposed in the press – then perhaps on balance he did the right thing. It could go the other way too – maybe he’s undermined confidence in climate scientists. It depends on how this plays out.
Portanto temos um autor, que escreve sobre ética (!), a defender que um cientista, por sinal um paladino da integridade científica (!), mas ladrão confesso, seja julgado eticamente, nesta última qualidade, pelos eventuais resultados positivos que se venham ultimamente a desenrolar para a "Causa". Absolutamente extraordinária, a total falta de vergonha desta gente!

Uma tragédia colossal

Taxa de desemprego em Portugal atinge novo recorde nos 14,8%, sendo que, entre os jovens, segundo o Eurostat, é agora de 35,1%!

O eterno sorriso de Julian Simon (2)

Peter Diamantis: "I’m not saying we don’t have our set of problems; we surely do. But ultimately, we knock them down."

Já ouviu falar de Ron Paul?

Via Christian Science Monitor, são estes os resultados de uma sondagem, nacional, da Rasmussen, quanto às possibilidades de cada um dos quatro candidatos à nomeação republicana relativamente a Obama. Os resultados são interessantes:

Mitt Romney - Empatado com Obama
Newt Gingrich - 10 pontos abaixo
Rick Santorum - 3 pontos abaixo
Ron Paul - 2 pontos acima!

Há muitos que, há já algum tempo, alvitram a possibilidade de Ron Paul, não conseguindo a nomeação republicana, avançar com uma candidatura fora do partido republicano. Esta sondagem parece demonstrar que há margem de sucesso para essa estratégia alternativa.

Actualização:

Evolução do "duelo" Obama-Paul, segundo a Rasmussen (via ZeroHedge).

Clicar para ver melhor

A América e 20 anos de guerras

What Can America Win From War?, pergunta Patrick J. Buchanan. A tradução é minha:

"Gostaria de expressar o meu profundo pesar pelo incidente verificado. ... Dirijo-lhe a si e ao povo afegão as minhas sinceras desculpas."

Estava o presidente Obama a remeter este pedido de desculpas a Hamid Karzai, na sequência da queima por tropas norte-americanas de alguns exemplares do Corão, que tinham sido usados ​​para trocar  clandestinamente mensagens entre prisioneiros afegãos, dois soldados americanos foram mortos em represália.

No sábado, um coronel e um major dos EUA, em trabalho no Ministério do Interior, foram mortos a tiro por um afegão, em protesto pela profanação do livro islâmico sagrado. Todos os oficiais norte-americanos foram retirados dos ministérios em Cabul.

No domingo, sete soldados americanos foram feridos por uma granada.

O secretário de Defesa, Leon Panetta, e o general John Allen, comandante no Afeganistão, apresentaram também os seus pedidos de desculpas.

Notável. Depois de termos lutado durante 10 anos, despendido $US 500 mil milhões, e sofrer quase 2000 mortos e muitos mais feridos e mutilados para salvar o Afeganistão de um futuro sob os Talibã, os Estados Unidos estão a pedir desculpas a um regime e às pessoas em nome das quais estão lutando e morrendo para os defender?

E como foi recebido o pedido de desculpas de Obama?

Abdul Sattar Khawasi, membro do Parlamento, levantou-se em conjunto com 20 outros parlamentares para declarar: "os americanos são invasores, e a jihad contra os americanos é um dever." Ele pediu aos mullahs para "instar as pessoas ... a fazer a guerra contra os americanos."

Em que outra guerra teríamos tolerado isto por parte de um líder eleito de um governo a quem tínhamos enviado um exército de 100000 homens com a intenção de o proteger?