"Depression is the aftermath of credit expansion."
Ludwig von Mises, Planning for Freedom
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Obamanomics - 4 anos depois
Tão parecidos que nós somos
Pergunta: o que têm as três seguintes declarações em comum?
Resposta: a confissão de que não se pode cortar despesa pública, daí decorrendo que a "solução", para estes senhores, só pode ser a de fazer subir ainda mais os impostos.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Impressoras monetárias e novilíngua (2)
O BCE pariu uma nova sigla, o programa de OMT - "Outright Monetary Transaction" - sob o qual o Banco Central Europeu desencadeará compras de dívida soberana, "sem limites", no mercado secundário (alguns detalhes aqui). Nada de novo, apenas mais uma sigla. Mais um novo passo no processo de monetização progressiva da dívida pública dos países da Zona Euro. Imprimir, imprimir e imprimir (cada vez mais) moeda. Nisto consiste o papel do banco central.
Leitura complementar: A Gentle Reminder Of The Effectiveness Of Prior ECB Bond Buying; Draghi Acts: Is It Inflationary?
Leitura complementar: A Gentle Reminder Of The Effectiveness Of Prior ECB Bond Buying; Draghi Acts: Is It Inflationary?
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Citação do dia (72)
"A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais."
Aristóteles
Factores de competitividade e de declínio
Segundo o ranking elaborado pelo Fórum Económico Mundial (2012-2013), Portugal é 49.º na lista da competitividade mundial, tendo caído quatro lugares face ao relativo a 2011-2012.
Parece-me interessante reproduzir aqui os factores dados como mais problemáticos para o desenvolvimento dos negócios no nosso país notando que os seis primeiros estão todos relacionados com o Estado (pág. 296):
Note-se que o "acesso ao financiamento/crédito" só na aparência é imputável à actividade bancária privada. Pelo contrário, o contexto de escassez de crédito é muito mais penalizador exactamente para o sector privado da economia já que é o Estado (formal e "paralelo") quem "seca" o crédito pelo acesso privilegiado que tem junto da banca.
Interessante parece-me também contrastar a posição que Portugal ocupa agora por referência aos principais "pilares" com que o índice geral é calculado, com a que ocupava em 2006 (em 2008, em alguns casos). Um rápido olhar permitiria, no mínimo, questionar umas quantas relações de "causa-efeito" que os estatistas de vários matizes, à esquerda e à direita, têm por indiscutível o seu suposto carácter virtuoso. Por exemplo: é o ensino formal extensivo factor explicativo do sucesso económico ou é antes a consequência deste último?
Parece-me interessante reproduzir aqui os factores dados como mais problemáticos para o desenvolvimento dos negócios no nosso país notando que os seis primeiros estão todos relacionados com o Estado (pág. 296):
| % dos que responderam ao inquérito |
Interessante parece-me também contrastar a posição que Portugal ocupa agora por referência aos principais "pilares" com que o índice geral é calculado, com a que ocupava em 2006 (em 2008, em alguns casos). Um rápido olhar permitiria, no mínimo, questionar umas quantas relações de "causa-efeito" que os estatistas de vários matizes, à esquerda e à direita, têm por indiscutível o seu suposto carácter virtuoso. Por exemplo: é o ensino formal extensivo factor explicativo do sucesso económico ou é antes a consequência deste último?
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| Posicionamento de Portugal entre 144 países |
Magnifique!
Via Roderick T. Long, com o belo título "Parfois la Porte du Chat Est Fermée". No original, "Henry 2, Paw de Deux".
terça-feira, 4 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
Peter Schiff optimista quanto a um próximo regresso ao padrão-ouro
Os adversários do padrão-ouro, cujos última "versão", fixada na conferência de Bretton Woods em 1944 era já muito ténue e exclusivamente assente no dólar como moeda internacional, foram "suspensos" por Richard Nixon em 1971, costumam apodar os seus defensores de "gold bugs", de dinossauros excêntricos que pretendem o regresso ao tempo das trevas monetárias. De um tempo em que, supostamente, por a moeda não ser suficientemente "elástica", isto é, não podia ser criada/emitida nas quantidades que os governantes "achassem adequadas" em cada momento, tal restrição teria sido a causa de situações recorrentes de grande instabilidade nas economias pois os governos, sob este regime monetário, estariam despojados de um importante instrumento "estabilizador". Para aqueles, a vitória universal da moeda fiduciária, criada a partir do nada sem qualquer restrição - nem escrutínio público1 -, foi assim um passo importante para a "estabilização" das economias pois agora a sua "elasticidade" é, virtualmente, infinita.
Para Peter Schiff, um investidor financeiro adepto da Escola Austríaca, famoso pelas suas previsões quanto à eclosão da bolha imobiliária e do subprime, a verdade histórica é oposta à que a ortodoxia (e a Wikipédia) proclama. Schiff, defensor do regresso ao padrão-ouro, acha que a performance do padrão-ouro internacional que vigorou nos 100 anos que precederam a eclosão da I Grande Guerra é, pelo contrário, bastante sólida tendo coincidido, aliás, com o mais longo boom de sempre que a economia mundial verificou.
Para ele, como para os "Austríacos", foi exactamente o abandono da disciplina financeira e monetária que nos conduziu a onde estamos. Na entrevista que se segue Schiff retoma a sua previsão da inevitabilidade de um próximo regresso ao padrão-ouro e explica por quê:
Para ele, como para os "Austríacos", foi exactamente o abandono da disciplina financeira e monetária que nos conduziu a onde estamos. Na entrevista que se segue Schiff retoma a sua previsão da inevitabilidade de um próximo regresso ao padrão-ouro e explica por quê:
1É extraordinário que assistamos, em qualquer país democrático, aos debates parlamentares, por vezes bem acesos e coloridos, sobre a utilidade de gastar mais um milhão aqui do que ali, 10 milhões no programa 'A' em vez do 'B', 100 milhões no "incentivo" X, etc. Sobre os "estímulos" e sobre os "cortes". Porém, nas poltronas dos bancos centrais, nominalmente independentes, criam-se milhares de milhões literalmente com um teclado de um computador, de um minuto para o outro, e sempre no maior dos segredos. Não vos parece estranho, isto?
72,8%
Parece ser o limiar aceitável de "apoio popular democrático" para um regime que este homem comanda, ininterruptamente, há quase 33 anos. Até à UNITA foi permitido quase dobrar a votação que obteve em 2008 (18.22% contra 10,36%). A coisa promete... lá para 2024.
Desígnios e desastres
O Professor Carlos Zorrinho, actual líder da bancada parlamentar do PS, observou, em jeito de ironia, que o "[p]astel de nata" não serve como desígnio nacional". Para o extraordinário Zorrinho que, recorde-se, após ter sido coordenador do esfunado e funesto "Plano Tecnológico", foi secretário de estado da Energia, é um "erro estratégico" que o actual governo tenha apagado a "luz" a um dos desígnios com que o Governo de Sócrates, ufano, "'puxava' pelo comboio europeu": a promoção da "economia verde", das "energias renováveis" e do carrinho eléctrico na busca de um suposto "crescimento sustentável".
À pala deste "crescimento sustentável", acumulámos um gigantesco défice tarifário cuja resolução irá passar, inevitavelmente, por novos e substanciais acréscimos na factura eléctrica (e fiscal), para as famílias e para as empresas, para beneficiar, pela outorga estatal de generosíssimas tarifas aos produtores de "energia verde" rendas económicas totalmente injustificáveis. E o que o actual governo vem fazendo para reduzir essas tais rendas, ditas "excessivas", tem sido muito, mas muito modesto e pessoalmente tenho ainda alguma esperança que a troika venha exigir novas e substanciais reduções das mesmas. Repare-se que, ao contrário do que alguns menos pensarão, o governo não tem reduzido os custos da energia. Não! O que o governo tem conseguido é que o seu agravamento futuro não seja tão agressivo quanto ocorreria sem as renegociações havidas ainda que, repito, bastante modestas.
O governo, pelo contrário, sacrificou interesses de longo prazo (menores preços da energia eléctrica) em prol de benefícios imediatos (maximização do valor conseguido com a alienação da EDP). Irá fazer algo de semelhante com a venda em bloco da ANA. Isto, sim, é profundamente lamentável, para não dizer economicamente criminoso.
A converseta politicamente correcta do "crescimento sustentável" é uma contradição nos seus próprios termos. Na verdade, tal expressão, criada para veicular a salvação da "Mãe Terra" da maldição do Homem, na correspondente entrada do dicionário da Novilíngua, tem um significado bem diferente e preciso: o de "crescimento insustentável".
O governo, pelo contrário, sacrificou interesses de longo prazo (menores preços da energia eléctrica) em prol de benefícios imediatos (maximização do valor conseguido com a alienação da EDP). Irá fazer algo de semelhante com a venda em bloco da ANA. Isto, sim, é profundamente lamentável, para não dizer economicamente criminoso.
A converseta politicamente correcta do "crescimento sustentável" é uma contradição nos seus próprios termos. Na verdade, tal expressão, criada para veicular a salvação da "Mãe Terra" da maldição do Homem, na correspondente entrada do dicionário da Novilíngua, tem um significado bem diferente e preciso: o de "crescimento insustentável".
Serviço quantos?
Da crónica de ontem de Vasco Pulido Valente, no Público, destaco o seguinte excerto onde, sem pejo, se escreve o que precisa ser dito, redito e m-a-r-t-e-l-a-d-o acerca de algo que nunca existiu - o "serviço público de televisão":
Pedro Passos Coelho precisa de arrumar a casa. Um problema relativamente simples como o da RTP não explica ou justifica quatro opiniões diferentes - do CDS, do dr. Borges, do indescritível Relvas (hoje na clandestinidade) e do velho lobby da extrema-esquerda e da extrema-direita, que ressurge sempre nesta matéria. Toda a gente grita e o país pasma.
E toda a gente grita porquê? Porque não quer que lhe tirem o "serviço público de televisão"? De maneira nenhuma. Desde que me lembro (e conto com o tempo da ditadura) nunca existiu em Portugal um "serviço público de televisão" e, para complicar as coisas, não existe também um único iluminado capaz de esclarecer sem retórica cultural e patrioteira o que é, na sua essência, um "serviço público de televisão". Mesmo em Inglaterra já se põem dúvidas sobre a BBC. Aparentemente, só nós descobrimos, com uma certeza absoluta, do que na verdade se trata. E, como de facto, o que descobrimos não passa de uma fantasia (ou de um saudosismo imperial), meia dúzia de extravagantes (geralmente para defender o seu emprego e o seu dinheiro) persiste em discutir o indiscutível.
sábado, 1 de setembro de 2012
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