terça-feira, 8 de janeiro de 2013

No 100º aniversário da Reserva Federeal

A estabilidade de preços é, desde a sua fundação, uma das missões estatutariamente atribuída à Reserva Federal. O gráfico abaixo (retirado daqui), dispensa comentários quanto ao sucesso da Fed nesse domínio.

Fontes: Bureau of Labor Statistics, Historical Statistics of the United States, and Reinhard and Rogoff (2009)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Citação do dia (96)

"In the end, more than freedom, they wanted security. They wanted a comfortable life, and they lost it all - security, comfort, and freedom. When the Athenians finally wanted not to give to society but for society to give to them, when the freedom they wished for most was freedom from responsibility then Athens ceased to be free and was never free again."
Edward Gibbon

Soares e González: mercados para a rua!


Realmente, esta chatice de não nos emprestarem o dinheiro que precisamos tem que acabar. É mesmo um escândalo! De que estará à espera a "Europa"? Por que raio o Hollande nunca mais se despacha?

sábado, 5 de janeiro de 2013

Citação do dia (95)

"Passa-se com os livros como com os homens, um pequeno número representa um grande papel; o resto confunde-se com a multidão."
Voltaire

Mais do mesmo

ou a necessidade de dar a impressão de fazer qualquer coisa para que tudo continue rigorosamente na mesma: PGR ordena auditoria urgente a violações de segredo de justiça.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Elogio a Gérard Depardieu


Ou, como titula Pat Buchanan, "The Depardieu Revolution". A tradução é minha
Quando o presidente socialista François Hollande assumiu funções, rapidamente concretizou a sua promessa de aumentar a taxa máxima de imposto [sobre o rendimento], para os franceses que ganham um milhão de euros por ano, para 75 por cento.

O regime passava agora a confiscar três dos quatro dólares que os franceses melhor sucedidos ganham. Paris também impõe um imposto sobre a riqueza para activos no valor de mais de 1,7 milhões de dólares.

Isso foi a gota de água para Gérard Depardieu, o actor famoso e bon vivant que já participou em inúmeros filmes interpretando papeis como o de Jean Valjean em "Les Misérables" [com estreia em breve em Portugal] e Cyrano de Bergérac.

Depardieu pôs a sua mansão de Paris à venda, atravessou a fronteira para a aldeia belga de Nechin, entregou o seu passaporte francês e vai renunciar à cidadania francesa. Uma pequenina comunidade de franceses já reside em Nechin, a um quilómetro fora do alcance da polícia fiscal de Hollande.

Depardieu diz que no ano que passou, 85 por cento [!] de tudo o que ganhou foi para pagar impostos. Ao longo de uma carreira de 45 anos, afirma, quase 200 milhões de dólares dos seus rendimentos foram-lhe retirados pelo fisco francês.

"Eu não gosto dos ricos", disse Hollande [20" do vídeo].

O sentimento é recíproco. Uma estação de rádio francesa afirma que 5 mil cidadãos franceses saíram do país desde que ele tomou posse.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Mais um ambiogate?

A czarina eco-teócrata que chefiava a Environmental Protection Agency (EPA) apresentou a sua demissão  a Obama no final de Dezembro passado, segundo a própria, por sua iniciativa, conforme se relata no New York Times do passado dia 27 de Dezembro. O artigo - um longo panegírico à acção da primeira afro-americana na condução da EPA - lá concede, no seu 18º parágrafo (!), que está a decorrer uma investigação, conduzida pela própria inspecção-geral da EPA, que tem por finalidade apurar qual a efectiva utilização de uma segunda conta de email (usando o pseudónimo Richard Windsor) na eventual condução dos assuntos da agência. Segundo aqui se lê (não no NYT, claro!) estão em causa 12 000 mensagens de correio electrónico relativas à "guerra ao carvão" que Jackson conduziu ao longo quatro anos em que ocupou o cargo. O que teria Jackson a esconder?

Coincidências e hipocrisias persistentes

O complexo militar-industrial, de que falava Eisenhower há 60 anos atrás, continua a operar livremente com o activo beneplácito do poder político (executivo e legislativo).

Foto daqui
A esquerda, hipocritamente, cessou toda a retórica anti-militarista dos anos dos Bush parecendo conviver placidamente num insuportável silêncio, cúmplice e ensurdecedor, face a coisas como "listas de morte" (em que Obama é simultaneamente, acusador, juiz e carrasco, inclusivamente de cidadãos americanos), guerras não declaradas, como a da Líbia, do Iémen, do Paquistão, etc. (basta agora uma "ordem executiva" do homem da Casa Branca), para além da intensificação da guerra no Afeganistão, sem fim ou propósito à vista, para além da manutenção de Guantánamo. A guerra através do recurso aos drones, que Obama promove em cada vez maior escala, prossegue num crescendo aparentemente sem fim (e convenientemente fora dos holofotes mediáticos). Seguir-se-á o seu uso no próprio território americano.

Custos de interesse particular

é a correcta retroversão dos orwellianos CIEG (Custos de Interesse Económico Geral), só possíveis pelo acobertamento estatal e pelo politicamente correcto, dos governos e, muito em especial, de Bruxelas, "justificados" por um suposto aquecimento global que os termómetros teimam em não registam nos últimos 16 anos (daí o entretanto rebaptismo para "alterações climáticas"). Sócrates foi um seu agressivo agente, mas como repetidamente tenho chamado a atenção, e o Prof. Pinto de Sá aqui explicita, relativamente ao pensamento do vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, este é um tema que tem sido alimentado (e explorado) por boa parte do "centrão". A factura, para os consumidores e para as empresas, virá já a seguir.

Imagem retirada daqui
Mas há alguns motivos para estar moderadamente optimista para, pelo menos, se conseguir suster a insanidade de concretização de negócios sustentados em agendas políticas (na mira dos subsídios e empréstimos que sempre acompanham estas políticas "activas"). É o tema do artigo recentemente publicado no Wall Street Journal sob o título "Silicon Valley's Green Energy Mistake".

Um outro sinal, a meu ver bem relevante, é o tom lúgubre com que George Monbiot, no Guardian, reconhece o esmorecimento do fervor eco-teócrata, que a ausência do tema na campanha para as presidenciais americanas denotou.

Por último, a título só aparentemente de comédia, via NoTricksZone, um sinal quiçá indicativo da aproximação do estertor eco-teócrata (e ecofascista), foi o do episódio do psicótico professor de música da universidade de Gartz, na Áustria, que achou por bem propor a "terminação" física de todos os "negacionistas" do aquecimento global em ordem a evitar a morte futura de centenas de milhões de pessoas no futuro. Entre os indivíduos a liquidar está, segundo o Professor Richard Parncutt, o próprio papa! Para quem não acreditar, vá até aqui certificar-se de que é mesmo verdade.

Entretanto, tem sido esta a evolução das emissões de CO2 nos EUA, que agora regressaram aos níveis de 1992. Principal responsável por este resultado, de longe: a adopção generalizada do gás natural tornada possível pela exploração das imensas jazidas de gás de xisto.
Imagem retirada daqui

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Em memória de Ravi Shankar

Um músico de excepção que desapareceu em 2012.

Equívocos, também papais

Segundo leio, Bento XVI, lamentou na sua homilia de hoje que o mundo de hoje esteja ainda "muito marcado por focos de tensão e confronto causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecer de uma mentalidade egoísta e individualista, que se exprime também por um capitalismo financeiro sem regras".

Duas breves notas:

1) Como compaginar o reforço da prevalência de uma "mentalidade egoísta e individualista" quando o Estado absorve uma cada vez maior parcela da riqueza gerada para - assim é propagandeado pelos seus defensores -, "promover a solidariedade" através da sempre crescente subida de impostos, em ordem a precisamente atenuar a desigualdade de rendimentos? Não ocorrerá que esteja precisamente na engenharia social de uma "solidariedade" imposta, e necessariamente da sua despersonalização e burocratização, que promove precisamente comportamentos inversos aos que os "humanitários" pretendiam perseguir? Não reside aí, afinal, a real fonte da sanha persecutória contra Isabel Jonet?

2) Como é possível continuar a sustentar a suposta existência de um "capitalismo financeiro sem regras" quando são os Estados, porque não lhes convém, que não permitem que os bancos entrem em falência em resultado da má gestão de que foram alvo (ou das fraudes que lá ocorreram) tal como acontece a qualquer empresa que não seja de "regime"? Porque havemos de continuar a aceitar que seja sempre o contribuinte a suportar os custos de resgatar zombies como, entre muitos, o banco franco-belga Dexia (o terceiro resgate vem a caminho), as Cajas espanholas, o BPN ou agora o Banif?

Nada disto tem a ver com o capitalismo. É antes o seu contrário.

Aleluia! Salve! Ou talvez não

O Senado americano votou ontem à noite uma proposta para evitar o já famoso "precipício fiscal". Não é ainda a versão final pois a Câmara dos Representantes também terá ainda de se pronunciar sobre a mesma mas o resultado final, creio, não será muito diferente do deste acordo de última hora.

Um pouco por todo o mundo (por exemplo, aqui, aqui, aqui ou aqui), os media do mainstream suspiram fundo perante o esvaizamento da ameaça do Armagedeão que se seguiria caso o "compromisso" bipartidário não tivesse sido conseguido. Tudo seguiu o costumeiro guião: mais 620 mil milhões de dólares de receita fiscal e para-fiscal e 20 mil milhões de "cortes" na despesa (na verdade, apenas uma diminuição no crescimento projectado da despesa pública), numa proporção de 40:1 (!) como Robert Wenzel assinala. Tudo isto embalado, como é bem de ver, pela retórica de Obama de que serão os "ricos" que suportarão a maior parte desse aumento através do aumento do IRS lá do sítio. A realidade, porém, é bem diferente: mais de metade do crescimento da receita advirá do acréscimo de cerca de 50% (!) dos descontos para a segurança social a suportar pelos trabalhadores!

Sim, não há dúvida. O precipício ficou mais perto. O precipício para que a economia americana com a ajuda preciosa dos republicanos que assim voltam a demonstrar a sua inutilidade (como Pat Buchanan assinalou).