Um importante texto de JoNova que torna inútil um post em que eu próprio vinha pensando. Aqui o traduzo, com adaptações:
Senhoras e senhores: é óbvio (para quem sabe que não há almoços grátis) que de uma forma ou de outra este Festival de Funny Money iria terminar em lágrimas (…)
O governo pode imprimir dinheiro do nada [base monetária] podendo fixar taxas de juro artificialmente baixas de modo a incentivar os bancos privados a criar dinheiro do nada [crédito em regime de reservas fraccionárias]. E os governos continuam a fazê-lo, porque é muito mais fácil ser-se eleito distribuindo pão e peixe ao mesmo tempo que se atribui subsídios para painéis solares nos telhados das casas, numa espuma de dinheiro fácil e preços crescentes dos activos. Qualquer tolo pode gastar o dinheiro de outra pessoa, especialmente quando o otário nem sequer sabia que era o seu dinheiro.
Assim, a inflação rouba a todos e a cada um. Silenciosamente.
No mundo real, temos que pagar as nossas dívidas. Mas nunca o mundo da classe dirigente tem de fazer face às consequências das suas decisões. Alan Greenspan reconheceu-o ...- efectivamente anunciando que os EUA são, afinal, os Estados Unidos do País das Maravilhas, onde não importa quão alta é a dívida pois o país nunca irá entrar em incumprimento - porque podem imprimir dinheiro. O "Helicopter Ben" [Ben Bernanke, presidente da Fed] virá em socorro!
Há um pote no fim deste arco-íris. E funciona tão bem como qualquer super-herói ou máquina de movimento perpétuo.
Assim que o novo dinheiro “desponta” para a existência, ele começa a reorientar a actividade económica para longe das coisas que as pessoas-que-de-facto-ganham-dinheiro-trabalhando pensavam ser úteis. Ao invés, a parte de gigante da actividade induzida [pelo novo dinheiro] dirige-se para a produção de coisas que aqueles-que-o-fizeram-despontar pretendem... E elas surgem através de ilimitadas formas de desperdício, tais como: moinhos de vento gigantes para parar inundações, ciclovias para prevenir ciclones ou dez diferentes técnicas de ponta para armazenar um gás fertilizante [CO2] em minas, onde nunca nada irá crescer.
Mas o dinheiro que é criado, no sistema actual, a partir de dívida, tal como uma corrente de infinitas promissórias e, no geral, todas as coisas boas, têm de chegar ao fim. Desde 1982 que a bolha tem crescido e, após 25 anos de um borbulhar incessante, o bizarro acabou por ser tido como normal (podíamos ter uma casa, viver nela, e usá-la para comprar um iate de 42 pés na Florida). Finalmente, em 2007, o sector privado entrou em saturação de dívida. E em 2011, é agora óbvio que a maioria dos governos não consegue pedir dinheiro emprestado ou subir impostos muito mais. Não há mais paragens nesta linha, restando apenas comprar bilhetes para o Comboio Expresso do Estímulo Fiscal e assistir a vê-los encontrar maneiras de imprimir.
As pessoas estão começando a perceber.
Assim, chegamos ao mais estranho dos momentos quando o mundo está a descobrir que as previsões de incêndios, inundações e peste foram falsificadas, como se dão conta que as garantias sobre a qualidade do dinheiro eram igualmente falsas. O desastre está a chegar, mas não por causa do carbono. Temos estado preocupados com o ponto de inflexão errado.
Tratar-se-á de uma coincidência? Uma convergência aleatória de alucinações? Não é assim. É necessária uma mentira para alimentar outra mentira. É necessário um tipo especial de "riqueza" para que nos preocupemos com o mau tempo daqui a 100 anos. Ninguém esteve a observar os dólares com a atenção necessária e as recompensas por práticas fraudulentas tornaram-se descontroladamente elevadas, por comparação com as que são pagas pela denúncia de irregularidades ou pela investigação jornalística real. A corrupção reinou em toda a parte alta da cidade. Políticos mentiram, cientistas perderam dados, banqueiros avaliaram erradamente os riscos e venderam-nos aos totós, mas foram resgatados, e os funcionários públicos serviram os governos em vez dos cidadãos. Revistas científicas esqueceram o que era a ciência, professores quebraram as leis da razão e praticamente todos os old media deixaram-nos escapar impunes. Na verdade, estavam ocupados a promover escutas ilegais para fins de entretenimento...

Este texto devia ser debatido em horário nobre televisivo para esclarecimento dos cidadãos. Isso seria verdadeiro serviço público. Os jornalistas e editores da situação nunca irão dar visibilidade a textos deste tipo. Fazem parte do sistema que nos conduziu até aqui. São parte do problema. Colaboram na produção da mentira.
ResponderEliminarO cerne da questão. Por isso nem quero ouvir falar em sair do euro. A capacidade de criar moeda torna-nos preguiçosos, estimula o desperdício e larga ao eterno descanso a pressão disciplinadora de conseguir ser melhor por fazer melhor e não por vender mais barato...
ResponderEliminarNão, não podemos regressar a isso ou deixar alastrar isso aonde já são outras as forças dominantes!