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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Gore Vidal

“As societies grow decadent, the language grows decadent, too. Words are used to disguise, not to illuminate, action: you liberate a city by destroying it. Words are to confuse, so that at election time people will solemnly vote against their own interests.”

Por razões como, por exemplo, esta ou esta, Gore Vidal tornou-se uma figura detestada pelo establishment americano. Seja pelo revisionismo explícito da história americana desde os pais fundadores, expresso nos seus romances históricos (desde "Burr"), seja pelo teor dos seus ensaios políticos resultante do repúdio crescente que o "Last Empire" lhe causava.

Ei-lo, numa das suas últimas entrevistas (2011):

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E se o Grande Emancipador fosse um assumido racista?

O Grande Emancipador é o cognome que a história ortodoxa (oficial) atribui a Lincoln. Segundo esta, Lincoln "foi forçado" à Guerra Civil a bem da defesa da integridade da União e, sobretudo, pela defesa do fim do esclavagismo que, à época, caracterizava os Estados da Confederação secessionista.

Por entender que esta caracterização de Lincoln corresponde a uma mistificação gigantesca, Thomas DiLorenzo, autor de Real Lincoln e de Lincoln Unmasked (e que já referenciei aqui), não é muito bem visto entre os gatekeepers da ortodoxia vigente, Democrata ou Republicana sem distinção. Paul Krugman é um deles (apesar de não o nomear directamente). Curiosamente, o überliberal (no sentido americano) Gore Vidal nunca mereceu um tão grande repúdio por parte dos admiradores do Grande Homem, do maior Presidente americano de sempre, apesar de defender uma caracterização romanesca (mas também histórica) de Lincoln muito semelhante à que DiLorenzo se atreveu a apresentar.

Agora, porém, é o Washington Times que publicita a saída de um novo livro, notícia retomada hoje pelo Telegraph por dois historiadores "respeitados" (Phillip Magness and Sebastian Page). E, vejam só, segundo o Telegraph, 
A new book on the celebrated US president and hero of the anti-slavery movement, who was born 202 years ago on Saturday, argues that he went on supporting the highly controversial policy of colonisation.(...)
“So it’s a tough issue to integrate in to Lincoln’s story.
“It’s a tough racial issue, and it raises a lot of emotional issues. It doesn’t mesh well with the emancipation legacy, and it doesn’t mesh well with Lincoln’s image as an iconic figure.”

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Perpetual war for perpetual peace


Reedição de 1982
Segundo conta Harry Elmer Barnes, em 1947 o historiador "progressivo" Charles Beard disse-lhe que a melhor forma de caracterizar a política externa de Roosevelt se podia traduzir na frase "guerra perpétua para uma paz perpétua." Barnes, reconhecidamente uma das figuras proeminentes da história  "revisionista",  haveria de usar a frase como título de um livro contendo uma antologia de ensaios de historiadores revisionistas, em 1953 (cópia digital disponível aqui).

Bem mais tarde, Gore Vidal viria a publicar também uma colecção de ensaios seus sob o mesmo título (figura da esquerda) ainda que tenha afirmado desconhecer, à data, a existência de um livro anterior com o mesmo título. Vidal, por sua vez, nos seus bem conhecidos "romances históricos", adopta também teses revisionistas muito críticas para muitos dos presidentes americanos, nomeadamente, Lincoln, Wilson e FDR.