“O que temos visto por esse mundo fora, da Índia aos Estados Unidos da América passando pelo Reino Unido, é a revolta contra o pequeno círculo de funcionários legisladores que não têm nada a perder [no-skin-in-the-game], jornalistas com acesso privilegiado ao poder e essa classe de semi-intelectuais paternalistas com um grau académico de uma grande Universidade [Ivy league, Oxford-Cambridge], ou outra educação de marca, que dizem a todos nós: 1) o que fazer; 2) o que comer; 3) como falar; 4) como pensar... e 5) em quem votar.
O Intelectual Ainda Idiota (IAI) é um produto da Modernidade que se tem multiplicado desde meados do século XX até atingir os máximos de hoje, a par do largo conjunto de pessoas sem coisa alguma a perder [no-skin-in-the-game] que tem invadido muitas dimensões da vida actual. Porquê? Simplesmente porque, na maioria dos países, o papel dos governos é cerca de cinco a dez vezes maior do que era há um século (expresso em percentagem do PIB).
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Citação do dia (195)
sábado, 13 de outubro de 2012
Epifanias de Nassim Nicholas Taleb
Aqui, do grande autor de O Cisne Negro.
The most stable country in the history of mankind, and probably the most boring, by the way, is Switzerland. It's not even a city-state environment; it's a municipal state. Most decisions are made at the local level, which allows for distributed errors that don't adversely affect the wider system. Meanwhile, people want a united Europe, more alignment, and look at the problems. The solution is right in the middle of Europe -- Switzerland. It's not united! It doesn't have a Brussels! It doesn't need one.
- x - x -I just came back from Lebanon, which I feel is the most stable place in the whole area. Every risk is visible to the naked eye there; you can't be harmed by something like that. The homicide rate is much lower than that in the United States. The media says it's chaos -- but it's not. In the end, it's stable because Hezbollah and the Shiites know that they have to live with the Sunnis and the Christians. It can't fall apart because it's a perfectly controlled mess.
- x - x -We need smaller, more decentralized government. On paper, it might appear much more efficient to be large -- to have economies of scale. But in reality, it's much more efficient to be small. An elephant is vastly more efficient, metabolically, than a mouse. It's the same for a megacity as opposed to a village. But an elephant can break a leg very easily, whereas you can toss a mouse out of a window and it'll be fine. Size makes you fragile.
- x - x -The European Union is a horrible, stupid project. The idea that unification would create an economy that could compete with China and be more like the United States is pure garbage. What ruined China, throughout history, is the top-down state. What made Europe great was the diversity: political and economic. Having the same currency, the euro, was a terrible idea. It encouraged everyone to borrow to the hilt.
- x - x -I have a negative approach to democracy. I think it should be primarily a mechanism by which people can remove a bad leader.
terça-feira, 13 de março de 2012
Is Ron Paul Taleb's New Black Swan?
Nicholas Nassim Taleb, autor do famosíssimo The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable (traduzido para português sob o título O Cisne Negro: o impacto do altamente improvável), explica as razões pelas quais só o candidato Ron Paul tem propostas que endereçam os quatro principais problemas da monstruosa hidra que está à solta nos EUA (e por arrasto no resto do mundo) - o défice orçamental, a actuação da Fed, o militarismo e os sucessivos bailouts (via Zero Hedge):
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Nassim Nicholas Taleb: É pior que em 2008
Via DailyCapitalist, o autor do famosíssimo The Black Swan (traduzido para português como O Cisne Negro), não está optimista:
… the current global market turmoil is worse than it was in 2008 because countries such as the U.S. have larger sovereign-debt loads.
“Definitely, we face a bigger problem now and we will pay a higher price,” Taleb, who is also a professor at New York University, said today at a news conference in Kiev, referring to the turmoil during the last global financial crisis. “The structure of the problem has still not been understood. We haven’t done anything constructive in three and a half years. Nobody wants to do anything drastic now.” …
Taleb urged countries to keep their budgets balanced, criticizing President Barack Obama of “loading the U.S. with debt that our children will have to pay” and said that growth fuelled by government debt isn’t really growth.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Modelos e profecias
Suponho que na gíria universitária ainda se o use o termo "cadeirão" para designar um obstáculo curricular significativo no percurso do estudante de Economia. Recordo-me que, quando por lá andei, a Econometria era tida por ser um desses cadeirões. Ora ainda que pessoalmente não me tenha dado mal com a coisa, a verdade é que sempre embirrei com ela. Ora porque me parecia uma perda de tempo, por exemplo, estimar se existe uma relação inversa entre duas variáveis, quando a mera lógica dedutiva já nos dizia que assim era ou, por outro lado, porque me parecia de uma futilidade imbecil e de uma arrogância intelectual indizível pretender antever os resultados do comportamento de milhões de indivíduos dos milhares de milhões de interacções que estabelecem entre si.
A construção de um "modelo" ou seja, uma pretendida representação de certa realidade complexa, assenta essencialmente no axioma de que o que aconteceu no passado, acontecerá no futuro. Ora, não é preciso ter lido Nassim Nicholas Taleb para saber que, de quando em vez, existe um corte, por vezes brusco (os Black Swans), com o passado recente. É assim que a anos a fio de "exuberância irracional" sobrevém um crash brutal mesmo quando os activos, a posteriori reconhecidos como "tóxicos", tinham ratings de AAA. E repare-se: a fina flor dos matemáticos e físicos recrutada nas mais reputadas universidades estava (e lá permanece) ao serviço de Wall Street, do Lehman Brothers, da AIG, do Goldman Sachs, etc. Todos a elaborarem "modelos" e a construir novos produtos financeiros de "risco estatístico tendencialmente zero". Viu-se.
Ora estes "modelos" que se aplicam em Finanças ou em Economia são, no essencial do seu mecanismo, muito parecidos com aqueles outros utilizados pelos defensores da tese do aquecimento global pela via do efeito de estufa causado, por sua vez, pela emissão de CO2 de origem antropogénica, de metano e outros gases (entre os quais o vapor de água). Mais uma vez, coleccionam-se dados sobre o passado, identifica-se (ou julga-se identificar) uma tendência e pronto, temos um "modelo" a funcionar. Como, supostamente, a não haver batota..., o modelo "explica" o passado, e como o futuro vai tender a ser igual ao passado, nascem assim as previsões.
Nós, pobres cidadãos, que sabemos pela nossa própria experiência, como os meteorologistas têm muita dificuldade em produzir previsões úteis a mais de 5/10 dias, devíamos pois olhar para as previsões sobre o clima com muito maior cuidado, até porque, mesmo que muitos não queiram reconhecer, a temperatura média da terra não aumenta de há 10/12 anos, ao contrário do que os "modelos" profetizavam.
Vem todo este arrazoado a propósito de um singelo parágrafo que acabei de ler na sacristia-mor do ambientalismo luso que é o canal Ecosfera no Público. Neste artigo pode confirmar-se, a certa altura, o que precede. Reparem só (realces meus):
Para se adivinhar quando é que vão ocorrer fenómenos extremos e raros como o furacão Katrina, que fustigou o Mississípi no Verão de 2005, é necessário fazer muitas simulações de cada modelo.
Sim, está correctíssimo. Trata-se de adivinhar. Daí a procura continuada que os serviços do Professor Karamba e similares têm que responder.
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Adenda: «Our present approach of dealing with climate as completely specified by a single number, globally averaged surface temperature anomaly, that is forced by another single number, atmospheric CO2levels, for example, clearly limits real understanding; so does the replacement of theory by model simulation.» (Prof. Richard Lintzen, ontem, em testemunho perante o Congresso - via WattsUpWithThat)
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Adenda: «Our present approach of dealing with climate as completely specified by a single number, globally averaged surface temperature anomaly, that is forced by another single number, atmospheric CO2levels, for example, clearly limits real understanding; so does the replacement of theory by model simulation.» (Prof. Richard Lintzen, ontem, em testemunho perante o Congresso - via WattsUpWithThat)
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