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domingo, 29 de dezembro de 2013

As lições económicas de Belém

Num belíssimo texto - The Economic Lessons of Bethlehem - LLewellyn H. Rockwell fornece chaves de interpretação associadas à Natividade que poderão surpreender muitos. A par do texto que ontem publiquei relativo à família, aqui deixo o meu contributo (atrasado um pouco no calendário cristão ocidental, que não do ortodoxo) relativamente à quadra que atravessamos. Espero ter conseguido não o desfigurar completamente. Em qualquer caso, como em todas as traduções que levo a cabo, aqui fica o costumeiro aviso: é sempre preferível ler o original.

Umas Boas Festas!
Bem no centro da história do Natal estão algumas importantes lições relativas à livre iniciativa e ao estado, bem como ao papel da riqueza na sociedade.

Comecemos com uma das frases mais famosas: "Não há lugar na estalagem". Esta passagem é frequentemente invocada como veiculando uma rejeição cruel e insensível para com os fatigados viajantes, ​​José e Maria. Muitas variantes da história evocam imagens do casal a ir de estalagem em estalagem apenas para ouvirem os donos gritar-lhes para que se fossem embora e lhes fechavam a porta na cara.

Na verdade, as estalagens estavam cheias a transbordar em toda a Terra Santa devido ao decreto do imperador romano que impunha um recenseamento geral para que todos pagassem impostos. As estalagens são empresas privadas e os clientes são a sua essência vital. Não teria havido nenhuma razão para recusar este homem de linhagem real e a sua bela senhora, já perto de dar à luz.

Imagem retirada daqui
Em qualquer caso, o segundo capítulo de São Lucas não diz que eles foram sucessivamente rejeitados, local após local. Nele se refere a caridade de um dono de uma estalagem, talvez a primeira pessoa que encontraram, que, afinal, era um homem de negócios. A sua estalagem estava cheia, mas ele ofereceu-lhes o que tinha: o estábulo. Não há nenhuma menção de que o estalajadeiro tenha cobrado ao casal uma moeda de cobre que fosse, ainda que o pudesse ter feito, o que seria de resto seu legítimo direito enquanto proprietário.

E no entanto nem sequer sabemos o nome do estalajadeiro. Em dois mil anos de celebração do Natal, são hoje inexistentes tributos ao dono da estalagem. Tal é o destino do comerciante ao longo de toda a história: prosperar fazendo o bem, para acabar esquecido dos serviços que prestou à humanidade. É notável, pois, pensar que quando o Verbo se fez carne com o nascimento de Jesus, tal sucedeu através do trabalho de intercessão de um empresário privado. Sem a sua ajuda, a história teria sido de facto muito diferente. As pessoas queixam-se da "comercialização" do Natal, mas é evidente que o comércio esteve lá desde o início, desempenhando um papel louvável e essencial.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Lições económicas de Belém

Depois de mais de um mês de uma violenta e total abstinência (forçada), irei procurar retomar o "ritmo" habitual do Espectador Interessado ainda que cada vez mais perto de um insuportável enjoo com a superficialidade e a coisa espúria que tomou progressivamente conta da "civilização ocidental" e, em particular, do Rectângulo e Adjacentes. O meu pedido de desculpas a quem se habituou a ser um visitante regular do blogue.

Atendendo à época do ano, pareceu-me oportuno partilhar o belo texto de Llewellyn H. Rockwell, Jr., escrito em 2001, cujo título pedi emprestado para encimar o post. Tentei traduzi-lo o melhor que pude (mas o melhor mesmo é ler o original, claro).
Bem no centro da história do Natal estão presentes algumas importantes lições respeitantes à livre iniciativa, ao estado e ao papel da riqueza na sociedade.

Comecemos com uma das frases mais famosas: "Não há lugar na estalagem". Esta frase é frequentemente invocada como ilustrando uma rejeição cruel e insensível dos cansados viajantes José e Maria. Muitas versões da história evocam imagens do casal que, indo de estalagem em estalagem, apenas ouviam dos donos gritos para que se fossem embora ao mesmo tempo que lhes batiam com a porta.

Na verdade, as estalagens estavam superlotadas em toda a Terra Santa devido ao decreto do imperador romano [César Augusto] que impunha que todos fossem recenseados e tributados. As estalagens são empresas privadas e os clientes são a sua força vital. Não teria havido razão alguma para virar as costas a este homem de linhagem real e à sua bela mulher, que estava grávida.

Em qualquer caso, no segundo capítulo de São Lucas não se diz que eles foram sucessivamente rejeitados nas estalagens por onde passaram. Nele relata-se a caridade de um único dono de estalagem, talvez a primeira pessoa que eles encontraram, que, afinal, era um homem de negócios. A sua hospedaria estava cheia, mas ele ofereceu-lhes o que tinha: o estábulo. Não há menção de que o estalajadeiro tenha cobrado ao casal sequer uma moeda de cobre, embora, enquanto proprietário, estivesse no seu pleno direito fazê-lo.

É pois notável pensar que, quando a Palavra se fez carne com o nascimento de Jesus, tal tenha ocorrido pela mediação de um empresário privado. Sem a sua ajuda, a história teria sido muito diferente. As pessoas queixam-se da "comercialização" do Natal, mas evidentemente o comércio estava lá desde o início, desempenhando um papel essencial e louvável.

E todavia não conhecemos sequer o nome do estalajadeiro. Em dois mil anos de celebração do Natal, estão hoje ausentes homenagens ao proprietário da estalagem. Esse é o destino do comerciante através de toda a história: fazer bem, fazer o bem, e ser esquecido pelo seu serviço à humanidade.