"As minhas posições políticas inclinam-se cada vez mais para a Anarquia (filosoficamente compreendida, isto é, a abolição de qualquer controlo e não o anarquismo de homens barbudos a lançar bombas). Ou então para uma Monarquia sem fundamento constitucional. Eu prenderia qualquer pessoa que usasse a palavra Estado (em qualquer sentido que não fosse a referência abstracta à Inglaterra e aos seus habitantes, uma coisa que não tem poderes, direitos ou consciência).(...) Se pudéssemos regressar a usar nomes pessoais, isso faria muito bem. Governo é um substantivo abstracto que significa o processo de governo e deveria ser uma ofensa escrevê-la com letra maiúscula ou usá-la na referência ao povo.
Se as pessoas criassem o hábito de se referirem aos ´conselheiros do Rei Jorge, ou o Winston e o seu grupo`, isso faria maravilhas pelo clarificar do raciocínio e reduziria a assustadora vitória do ´poder dos Outros`. "
J.R. Tolkien, "Letter to Christopher Tolkien, 29 November 1934"
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Citação do Dia (204)
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
O mercado do namoro: a anarquia em acção
A permanente intoxicação a que somos diariamente sujeitos vem instilando a ideia - infelizmente com muito sucesso, reconheça-se, tanto à "esquerda" como à "direita" - de que os mercados precisam de ser constantemente vigiados e regulados de modo a evitar as suas inerentes e tenebrosas "falhas". Há todavia um mercado, determinante para a vida social, em que se repudiaria por absurda uma qualquer intervenção burocrática - o mercado do enamoramento. A contrario, isso significa que consideramos estar em presença de um mercado que funciona bem. Mas se esse bom funcionamento é reconhecido, por que razão outros que lhe são próximos são alvo de intervenção estatal? É este o mote de um estimulante ensaio da autoria de Julian Adorney de que traduzi o excerto inicial e final (destaques meus) e serviu de título ao presente post.
Para os defensores do estado, a "anarquia" é um conceito assustador. Eles alegam que a intervenção estatal é necessária à nossa protecção pois que, na sua ausência, instalar-se-ia o inferno.
Mas na realidade vivemos todos os dias sob anarquia num dos aspectos mais importantes das nossas vidas: o namoro. Todos os dias as pessoas conhecem outras pessoas, têm encontros sentimentais, sexo casual, apaixonam-se e separam-se. Tudo isto sem que haja intervenção estatal.
O namoro, apesar de raramente envolver a troca directa de serviços por dinheiro, não deixa de ser um mercado como é o mercado de trabalho. As partes interessadas procuram relacionamentos mutuamente benéficos com outras pessoas, que têm o que aquelas precisam e pretendem o que estas oferecem. Os homens heterossexuais sozinhos, por exemplo, procuram relacionamentos reciprocamente agradáveis com mulheres heterossexuais que estejam disponíveis. Se duas pessoas pretendem um relacionamento com uma mesma pessoa, com frequência lutarão por ela (pense-se em The Bachelor). Isto mimetiza o modo como dois empregadores que queiram ambos contratar o mesmo empregado poderão vir a lutar por ele - por exemplo, através de sucessivas propostas remuneratórias.
Este mercado do namoro é, praticamente, anarquia pura. Não há nenhum burocrata estatal a dizer com quem cada um deverá namorar. As mulheres brancas heterossexuais não estão legalmente obrigadas a namorar exclusivamente homens que sejam brancos heterossexuais. E embora a conduta sexual com menores de idade seja proibida, qualquer pessoa acima dos dezoito anos pode namorar outra pessoa maior de idade. […]
Assim sendo, por que razão os estatistas aceitam a anarquia no namoro, ao passo que exigem a intervenção estatal noutras áreas?
domingo, 15 de setembro de 2013
A arrogância fatal do cientismo em sistemas caóticos
No WUWT, um artigo indispensável da autoria de Willis Eschenbach ("Um passo à frente, dois à rectaguarda") para ajudar a compreender a inutilidade das tentativas de modelar o sistema climático com o intuito de produzir previsões de longo prazo, apesar do exponencial aumento das capacidades computacionais postas ao dispor - com o dinheiro dos contribuintes - às instituições intrinsecamente alarmistas (de que outro modo conseguiriam o abundante financiamento estatal?).
Como se pode ler no website do Met Office (minha tradução), um dosantros ícones do alarmismo mundial climático, na página referente às sucessivas gerações dos seus famosos supercomputadores, cuja última actualização, à data de hoje, remonta a 7 de Novembro de 2011:
dinheiro poder computacional através da ampla generosidade dos governos. Por exemplo, depois de terem gasto 30 milhões de libras esterlinas em 2009 num novo supercomputador (que emite CO2 em profusão), irá agora obter um outro, desta feita de 100 milhões de libras!
Como se pode ler no website do Met Office (minha tradução), um dos
A investigação que levamos a cabo sobre as alterações climáticas está a ajudar os governos, empresas e indivíduos a planear antecipadamente os desafios que enfrentamos no futuro. As previsões que fazemos, e a orientação detalhada que proporcionamos, tem o potencial para proteger a vida numa escala gigantesca em todo o mundo, e, potencialmente, para permitir reduções ainda maiores [nas emissões de] CO2.O mesmo Met Office, instituição alvo da crescente galhofa já não apenas no Reino Unido devido às suas previsões estrondosamente falhadas, de tal modo que resolveu cancelar a publicação de previsões de "longo prazo", ou seja, as que vão além de 30 dias, revistas todas as semanas. Não obstante, numa atitude em tudo semelhante à que Hayek, no contexto da disciplina de Economia, designou pelo "The Fatal Conceit - The Errors of Socialism" ("A arrogância/presunção fatal - os erros do socialismo"), o Met Office persiste em obter – com êxito - cada vez mais
| Imagem retirada daqui |
Ora, regressando ao artigo de Willis Eschenbach, e nas suas palavras, "por volta de 1980 [quando os computadores eram, digamos, "a pedal"], foram divulgadas as primeiras estimativas do que é conhecido por "sensitividade climática de equilíbrio" (em inglês, ECS) ou seja, qual seria o aumento na temperatura global em resultado de um aumento para o dobro da concentração de CO2. Nessa altura, o intervalo de variação estimado apontava para algo entre 1.5ºC e 4.5º C".
33 anos depois, o avanço é extraordinário, conforme se evidencia no 5º Assessment Report do IPCC (AR5) agora "soprado" à imprensa. Na análise de Eschenbach: o intervalo estimado para a "sensitividade climática de equilíbrio" é agora de... 1,5ºC - 4,5ºC! Notável, não é?
33 anos depois, o avanço é extraordinário, conforme se evidencia no 5º Assessment Report do IPCC (AR5) agora "soprado" à imprensa. Na análise de Eschenbach: o intervalo estimado para a "sensitividade climática de equilíbrio" é agora de... 1,5ºC - 4,5ºC! Notável, não é?
domingo, 21 de julho de 2013
A alternativa à democracia é o mercado
Albert Esplugas Boter, num estimulante artigo intitulado A alternativa à democracia, termina-o da seguinte forma (minha tradução):
Significa esta reflexão que temos que aceitar a democracia para o bem e para o mau? Que o preço da paz social e das liberdades civis são políticas económicas que nos empobrecem? Há uma maneira de evitar esse odioso "trade-off": reduzir o âmbito das decisões democráticas, tanto quanto seja possível. A maioria das decisões importantes na nossa vida não é submetida a votação democrática na nossa comunidade, nem sequer daqueles que nos estão mais próximos: o que queremos estudar, em que queremos trabalhar ou que negócio pretendemos criar, onde queremos viver, com quem nos relacionamos e estabelecemos amizade, com quem nos emparelhamos, a que clubes e associações nos associamos, em que investimos, o quanto poupamos, que casa compramos... Quanto menos decisões se tomem "democraticamente" e mais decisões sejam tomadas no contexto do mercado e da sociedade civil, menos necessária será a ilusão de "jogo limpo" para conquistar o poder, pois não haverá nenhum poder de decisão para capturar, e maior será o bem-estar social fruto de uma política económica laissez-faire.
Porque a alternativa à democracia não é a ditadura, nem a monarquia, nem o sufrágio censitário, nem qualquer outra forma de governo. A alternativa à democracia é o mercado.
Tratando-se, a meu ver, de um texto conexo com este outro (que obteve um interesse assinalável, a avaliar pelo número de cliques que teve) pensei ser útil partilhá-lo com os leitores. Nele o autor percorre brevemente o pensamento de figuras determinantes da intelectualidade contemporânea relativamente à crítica do regime democrático (relembrando igualmente os perigos antevistos pelos liberais clássicos), detendo-se mais longamente num exame crítico a um proponente do "sufrágio censitário". Se o extracto lhe parecer interessante, convido-o a ler o texto na íntegra clicando em "ler mais".
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Paul Rosenberg: 5 razões principais porque me deixei de preocupar com a política
Não conhecia Paul Rosenberg. Mas, tendo-me deparado, via Mises Hispano, com este artigo (e mais uma mão-cheia de outros) já o incluí nas minhas deambulações virtuais. Revi-me em muitas das suas observações e subscrevo, sem pestanejar, boa parte delas. Também não me custa reconhecer que o meu minarquismo sofreu mais um sério embate. Em qualquer caso, parece-me constituir uma interessante proposta de reflexão, em tempos como os que correm em que a descrença democrática é crescente, como o Samuel Paiva Pires recente e desassombradamente "confessava".
"Quando era jovem, senti uma necessidade de compreender a política, pelo que investi algum tempo no seu estudo. Mas à medida que esse tempo passava, ia obtendo rendimentos decrescentes desse investimento. E, nos últimos anos, desisti completamente.
Nos dias de hoje, a minha preocupação com a política limita-se a coisas como estas:
Para além disto, não estou realmente interessado. Vejo as manchetes, mas raramente leio os artigos. E sinto-me muito feliz ao dizer que "não me interessei especialmente por isso" quando as pessoas me perguntam a minha opinião sobre as "novidades" do dia.
- Quem está fazendo a guerra, e onde?
- Em que zona na minha área [de residência, da escola dos meus filhos, do meu trabalho] estão ocorrendo crimes?
- Existem leis que me obriguem a deslocar os meus negócios para outras paragens?
Eis porquê:
Razão nº 5: Consome uma quantidade horrível de tempo e energia
A sério: comece a contar o número de horas que gasta nisto. Quantas horas despende a ouvir temas políticos na rádio, a assistir a programas políticos na TV e a ler artigos políticos nos jornais?
Em seguida, comece a pensar na intensa energia que gasta com isto. Todos nós temos reservas limitadas de energia; acreditará realmente o leitor que a política é a mais nobre e a de melhor utilização para a sua? Que tal usar a sua energia para construir o seu negócio? Ou para alimentar os seus filhos? Ou para ajudar um vizinho? Deve haver uma dúzia de coisas que sejam mais importantes do que ficar obcecado com os votos dos congressistas ou dos juízes do Supremo Tribunal.
Razão nº 4: É um vício
Se a mera imaginação de se desligar da política o faz sentir-se mal, provavelmente deve mesmo fazê-lo.
Experimente: imagine a sua vida, esvaziada de toda a política. Como é que isso o faz sentir-se? Vazio? Abandonado?
A verdade é que milhões de nós somos viciados em política. As pessoas não conseguem afastar-se para longe dela - é o guião que os seus subconscientes levam a cabo, 24 horas por dia, sete dias por semana.
O vício político é tão mau que até mesmo as pessoas firmemente religiosas gastam mais tempo com a política do que com Deus. A política é a obsessão da nossa era.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Somália: 20 anos de anarquia
| Um abraço ao Paulo Tunhas pelo "empréstimo" de há 30 anos |
Mais um excelente texto de Robert Murphy, a propósito deste artigo da BBC News. Murphy referencia igualmente o não menos excelente trabalho de Benjamin Powell, Ryan Ford, Alex Nowrasteh, sob o título Somalia After State Collapse: Chaos or Improvement?.
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