"Sem brincadeiras...
O mundo depois de 1970 foi tornado possível por vários desenvolvimentos. O mais importante dos quais foi o declínio das taxas de juro. Isto permitiu a expansão da dívida de um modo muito relevante. O mercado do crédito (total) dos EUA passou dos 170% do PIB no início dos anos 80 para mais de 350% em 2007. Em termos nominais, o total de dívida dos EUA passou de 5 triliões de dólares para mais de 50 triliões em 2007. Isto teve os seguintes efeitos:
- O crédito mascarou os efeitos do abrandamento da economia real. Os salários, na sua maior parte, estagnaram. Mas os consumidores continuaram a gastar mais dinheiro. Os gastos, que excederam a capacidade real da economia, mudaram o foco desta da produção para o consumo e para a finança. A indústria financeira, em particular, registou enormes lucros... e usou essa riqueza para controlar as políticas governamentais.
- Os governos também aumentaram os gastos. As receitas fiscais cresceram com o consumo alimentado a crédito e com as engenharias financeiras que proliferaram. As receitas fiscais em 1990 eram apenas de 1 trilião de dólares. Agora são de 2,5 triliões. Em cima disto, os governos aproveitaram a vantagem das taxas de juro baixas para se endividarem mais ainda.
Isto torceu e distorceu a economia ainda mais; sejam os fundos provenientes do crédito ou dos impostos, os governos transferem essa riqueza das partes produtivas da economia para aquelas que não o são... ou até para as que são, manifestamente, anti-produtivas.”
“Torcendo e distorcendo” – Bill Bonner
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quarta-feira, 30 de julho de 2014
Citação do dia (169)
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Planeamento central ou a exuberância de uma adivinha
| Imagem daqui |
Quando nos perguntamos em que circunstâncias económicas nos encontramos, como podem ser entendidas as políticas impostas ou, simplesmente, para onde caminhamos, hesitamos em aceitar as respostas que gravitam no nosso espaço político e comunicacional. Por isso é útil ouvir os verdadeiros protagonistas, sempre que eles facilitam o acesso aos seus momentos de sinceridade. Ainda que tenhamos de usar de cautela face a ela, aproveitemos o que há de revelador nas palavras e nos discursos.
A seguir apresentam-se partes de um discurso de Richard W. Fischer, que é governador do Banco da Reserva Federal de Dallas (rede de bancos que compõem a FED – nt), numa cerimónia em Hong Kong no início deste mês. Dêmos, então, espaço aos excertos que traduzi, a que acrescentei alguns sublinhados e pequenas observações.
A seguir apresentam-se partes de um discurso de Richard W. Fischer, que é governador do Banco da Reserva Federal de Dallas (rede de bancos que compõem a FED – nt), numa cerimónia em Hong Kong no início deste mês. Dêmos, então, espaço aos excertos que traduzi, a que acrescentei alguns sublinhados e pequenas observações.
“Planeamento central”, discurso de Richard W. Fischer perante a Sociedade Ásia - delegação de Hong Kong
“Quando a FED compra obrigações do Tesouro americanas ou outros produtos financeiros complexos como MBS (Mortgage-Backed Securities), pagamos por isso injectando moeda na economia, com a expectativa de que essa liquidez seja usada pelos bancos e outros investidores para financiar investimentos que criem emprego, a compra de casas e outras actividades económicas expansivas. Até agora, muita dessa liquidez injectada na economia tem estado a ser retida em vez de ser gasta no grau desejado.
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