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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Citação do dia (180)

A mágoa seria a reacção apropriada a um grande perigo que surgisse dos combustíveis fósseis. Pense-se nisto: se a energia que faz funcionar a nossa civilização sofresse de uma deficiência trágica, isso seria uma coisa profundamente triste. Seria ainda pior, digamos, do que se a tecnologia sem fios causasse cancro do cérebro. A atitude apropriada seria de gratidão para com as empresas de combustíveis fósseis pelo que fizeram por nós, juntamente com o reconhecimento de que teríamos que sofrer bastante nos anos vindouros, em conjunto com o compromisso para com as melhores tecnologias que mencionei anteriormente [hidroeléctrica e nuclear].

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Gramsci, o papa Francisco, jesuítas e proselitismo

Patrick J. Buchanan, uma presença frequente neste blogue, ainda que não pelos seus pontos de vista sobre economia (bem pelo contrário), não é um optimista. Explana longamente esse pessimismo informado, por exemplo, em Death of the West (2002) como no recente Suicide of a Superpower (2012). Como explica em artigo publicado na semana passada, Papal Neutrality in the Culture War, o papado de Francisco em nada contribuiu para moderar o seu pessimismo. Creio compreender o seu ponto de vista partilhando muitas das suas perplexidades perante a actuação do papa Francisco. A tradução que se segue é da minha responsabilidade.
Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

"O papa Francisco não quer guerreiros culturais; ele não quer ideólogos", disse o bispo Blase Cupich, de Spokane, Washington:

"O núncio disse que o Santo Padre pretende bispos com sensibilidade pastoral, pastores que conheçam o odor das ovelhas."

O bispo Cupich estava a veicular as instruções que o núncio papal havia trazido de Roma para guiar os bispos dos EUA no processo de escolha de um novo líder.

Eles escolheram o arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, detentor de um mestrado em assistência social, para suceder ao arcebispo Timothy Dolan que Laurie Goodstein, do New York Times, descreve assim [link]:
"Um loquaz evangelista, confortável em frente a uma câmara, que liderou os bispos no confronto de grande notoriedade contra a administração Obama quanto a uma disposição na legislação sobre cuidados de saúde que exige à maioria dos empregadores que tenha um seguro que cubra [a despesa com] os anticoncepcionais dos seus empregados."
Essa legislação exige igualmente aos empregadores a cobertura das drogas indutoras do aborto bem como das esterilizações.

Eis aqui mais uma confirmação que Sua Santidade procura mover a Igreja Católica para uma postura de não-beligerância, se não mesmo de neutralidade, na guerra cultural em curso pela alma do Ocidente.

Há um pequeno problema com a neutralidade. Como Trotsky observou, "Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você". Para a igreja, a sua auto-exclusão da guerra cultural não visa pôr termo a essa guerra, significa perdê-la.

domingo, 13 de outubro de 2013

Citação do dia (138)

"A thief is more moral than a congressman; when a thief steals your money, he doesn't demand you thank him."
Walter E. Williams

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Serão as armas o problema?

O Prof. Walter Williams volta a debruçar-se sobre o tema do controlo de armas em "Are Guns the Problem?" fazendo, como é nele habitual, recurso à hard evidence (à prova dos factos) para colocar perguntas incómodas aos estatistas (e.g., "progressistas") que têm a presunção de poder comandar e regular os comportamentos humanos pela via da legislação, o mesmo é dizer, da coerção, ao invés da promoção de valores morais que provaram com a decantação do tempo (a escola pública encarrega-se disso). Tal como com as drogas, vã tentativa. A tradução do seu texto é da minha responsabilidade.
Walter E. Williams
"De cada vez que acontece uma tragédia na sequência de um tiroteio, surgem mais apelos ao controlo de armas. Examinemos alguns factos históricos. Em 1910, a Associação Nacional de Armas [NRA] conseguiu criar 73 clubes de tiro, seus afiliados, no ensino secundário. A segunda edição do Manual do Escuteiro, de 1911, tornou a qualificação no programa de tiro júnior da NRA numa condição prévia para a obtenção de uma medalha de mérito de boa pontaria. Em 1918, a empresa Winchester Repeating Arms Co. estabeleceu a sua própria Winchester Junior [meu realce] Rifle Corps. O programa cresceu para 135 mil membros em 1925. Na cidade de Nova Iorque, abriram clubes de tiro em diferentes escolas secundárias - Boys, Curtis, Commercial, Manual Training e Stuyvesant. Com tantas armas nas mãos de jovens, observaram-se então os níveis de violência juvenil que vemos hoje?

E quanto à disponibilidade de armas? Os catálogos e revistas das décadas de 1940, 1950 e 1960 estavam cheios de anúncios de armas dirigidas às crianças e aos pais. Por exemplo, "O que cada pai deve saber quando um menino ou menina quer um arma" foi publicado pela Fundação Nacional dos Desportos de Tiro. O catálogo de vendas por correspondência da Sears, de 1902, tinha 35 páginas de anúncios de armas de fogo. As pessoas limitavam-se a enviar o seu dinheiro e a receber uma arma de fogo de volta pelo correio. Durante a maior parte da nossa história, uma pessoa podia simplesmente entrar numa loja, praticamente em qualquer lugar no nosso país, e comprar uma arma. Poucos estados se incomodavam sequer em impor restrições de idade relativas à compra de armas.

Estes e outros factos históricos deveriam fazer com que nos interroguemos: por que razão - num momento da nossa história quando as armas estavam prontamente disponíveis, quando a uma pessoa apenas bastava entrar numa loja ou encomendar uma arma pelo correio, quando não havia verificação de antecedentes criminais pelo FBI, nem períodos de espera, nem exigências de licenciamento - não havia então a frequência e o tipo de violência armada que às vezes observamos hoje, quando o acesso às armas está mais restringido? As armas são armas. Se elas fossem capazes de assumir comportamentos, como algumas pessoas parecem sugerir, deveriam ter feito então o que estão a fazer agora.

Os costumes, as tradições, os valores morais e as regras de etiqueta, e não apenas as leis e regulamentos governamentais, são o que fazem uma sociedade civilizada, não as restrições relativas a objectos inanimados. Estas normas de comportamento - transmitidas pelo exemplo, pela palavra boca a boca e pelos ensinamentos religiosos - representam um corpo de sabedoria destilada através de séculos de experiência, de tentativa e erro, e pela observação do que funciona. O benefício de haver costumes, tradições e valores morais como um meio de regular o comportamento é que as pessoas se comportam devidamente mesmo quando ninguém as está observando. Por outras palavras, é a moralidade que é a primeira linha de defesa da sociedade contra o comportamento incivilizado.

Os padrões morais de conduta, bem como a punição rigorosa e rápida de comportamentos criminosos, têm estado sob cerco no nosso país há mais de meio século. Os valores morais absolutos foram abandonados como um princípio orientador de vivência. Fomos ensinados a não fazer julgamentos, que um estilo de vida ou valor é tão bom como qualquer outro. Mais frequentemente do que não, o ataque aos padrões morais tem sido orquestrado pelo establishment educativo e pelos progressistas [progressives]. A polícia e as leis nunca poderão substituir essas restrições sobre a conduta pessoal de modo a produzir uma sociedade civilizada. Na melhor das hipóteses, a polícia e o sistema de justiça criminal são a última linha desesperada de defesa de uma sociedade civilizada. Quanto mais incivilizados nos tornamos mais leis são necessárias para regular o comportamento.

O pior é que, em vez de se tentar regressar ao que funcionava, os progressistas querem substituir o que funcionava com o que soa bem ou parece plausível, como mais cadeados nos armeiros, maiores períodos de espera e leis mais restritas relativas à posse de armas. Depois há as insanes "soluções" progressistas, como a "tolerância zero" para com os jogos no recreio das escolas nos intervalos das aulas como brincar aos polícias e ladrões e aos cowboys e aos índios e a gritar "bang bang", desenhar uma pistola, imitar uma arma a partir de peças de Lego, e cortar com os dentes um biscoito [Pop-Tart] na forma de uma arma [link]. Esse espécie de loucura pura - que se concentra sobre um objecto inanimado como uma arma ao invés de se concentrar na moralidade, auto-disciplina e carácter - irá continuar a produzir resultados decepcionantes."

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Are We Rome?

Ron Paul emitiu mais uma notável declaração agora relativamente ao que está em causa no pedido de autorização que Obama vai endereçar ao Congresso a propósito do anunciado ataque com mísseis à Síria. Pela sua importância, achei relevante traduzir o texto, o que faço mais abaixo. Antes dele, porém, uma chamada de atenção para um notabilíssimo livro da autoria de Cullen Murphy, com uma estrutura narrativa invulgar (talvez até única), cujo título, "Are We Rome?: The Fall of an Empire and the Fate of America", é em boa medida glosado no texto de Ron Paul.
O presidente Obama anunciou neste fim-de-semana que ele decidiu usar a força militar contra a Síria e que solicitaria autorização do Congresso quando este voltar a reunir após a pausa de Agosto. Cada membro tem a obrigação de votar contra esta utilização irresponsável e imoral da força militar dos EUA. Mas mesmo que cada um dos representantes e senadores venha a votar a favor de uma outra guerra, isso não melhorará essa terrível ideia pelo simples facto de se verificar uma espécie de aceno de cumprimento da Constituição. De resto, o presidente deixou claro que a autorização do Congresso é supérflua, ao afirmar, falsamente, que ele tem a autoridade para agir sozinho, com ou sem o Congresso. Que o Congresso se permita a si próprio ser tratado como uma montra de decorações pelo presidente imperial é algo de simplesmente espantoso.

O presidente afirmou no Sábado que o suposto ataque químico na Síria, a 21 de Agosto, significou "um grave perigo para a nossa segurança nacional". Discordo da ideia de que cada conflito, cada ditador e cada revolta, em qualquer parte do mundo, seja de alguma forma crítica para a nossa segurança nacional. Esse é o raciocínio de um império, não de uma república. É o tipo de pensamento que este presidente partilha com o seu antecessor e que está a conduzir-nos à falência e à destruição das nossas liberdades na nossa própria terra.

De acordo com recentes notícias da comunicação social, os militares não têm dinheiro suficiente para atacar a Síria pelo que haveria que ir ao Congresso para obter uma autorização de despesa suplementar para levar a cabo os ataques. Parece que o nosso império está no fim das suas possibilidades financeiras. Os ataques limitados que o presidente defendeu para atacar a Síria custariam aos EUA algo na casa das centenas de milhões de dólares. O chefe do estado-maior conjunto das forças armadas, General Martin Dempsey, escreveu ao Congresso no mês passado a dizer que só o treino dos rebeldes sírios e dos mísseis em número "limitado" e dos ataques aéreos significariam uma verba na "ordem dos milhares de milhões" de dólares. Devemos compreender com clareza o que uma outra guerra irá significar para a economia dos EUA, para não mencionar os efeitos dos custos desconhecidos adicionais, tais como um aumento brusco nos custos dos combustíveis em resposta ao disparo dos preços do petróleo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Coincidências, mistificações e um pouco de história

Foi notícia, no dia de ontem, a declaração de John Kerry, Secretário de Estado de Obama, quando afirmou que "Assad has now joined Hitler and [Saddam] Hussein" pelo facto de, alegadamente, Bashar al-Assad ser o responsável pelo incidente com armas químicas (provavelmente gás sarin) que levou à morte de centenas de pessoas no passado dia 21 de Agosto.

Embora não haja notícia de que Hitler, nem outro qualquer beligerante, tenha usado armas químicas durante os combates na II Grande Guerra, no plano estratégico ou táctico, todos sabemos que quer o lado "bom" quer o "mau" não fez outra coisa na I GG. Mas o que talvez poucos saibam é que em 1920, e exactamente a propósito do Iraque, um dos que veio a ganhar o epíteto de "grande homem" propusesse coisas como esta: 
"I am strongly in favor of using poisoned gas against uncivilized tribes"

Tendo ontem decorrido o 74º aniversário do início da II Grande Guerra, com a invasão da Polónia por parte dos exércitos nazis, é talvez oportuno que nos perguntemos por que razão a utilização de armas químicas (ausentes, repito, da II GG) é moralmente mais repugnante que aquelas outras de fósforo branco ou de napalm que nela foram extensa e intensivamente utilizadas, na Europa e no Japão (já não falando das duas bombas atómicas detonadas), para arrasar cidades inteiras e exterminar, às dezenas de milhar, os seus habitantes civis (Hamburgo, Dresden, Tóquio, etc.). É aliás muito curioso que o morticínio sistemático, a uma escala anteriormente desconhecida de populações civis através de bombardeamentos, não tenha sido considerado crime de guerra durante os julgamentos em Nuremberga.

Certas indignações selectivas que por aí se ouvem, particularmente as que ocorrem nos meios tidos por "progressistas", deveriam ser contrastadas com o que os EUA, com presidentes democratas e republicanos, fizeram na Indochina durante a guerra do Vietname com o "agente laranja", com os efeitos conhecidos em número de vítimas mortais, incontáveis estropiados e centenas de monstruosidades geneticamente induzidas pelos químicos. Ou na aplicação intensiva e extensiva de uma das inovações dos finais da II Grande Guerra que ficou imortalizada na famosa fala de Robert Duvall no filme de Francis Ford Coppola, Apolypse Now: "I love the smell of napalm inthe morning".

domingo, 17 de março de 2013

Citação do dia (106)

“Como é que algo que é imoral, quando praticado por privados, se torna moral quando é levado a cabo colectivamente? Mais: estabelecerá a legalidade a moralidade? A escravidão era legal; o apartheid é [era] legal; as purgas estalinistas, nazis e maoístas eram legais. Evidentemente, a legalidade de facto não justifica estes crimes. A legalidade, por si só, não pode ser o talismã das pessoas morais.”
Walter Williams

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A doença é mesmo profunda

Ontem, via Fiel-Inimigo, dei-me conta que Há mais procura no Hospital de Loures para abortar do que para ter filhosHoje, no Correio da Manhã, leio (realce meu): "Perto de 500 mulheres realizaram em 2011 mais do que uma interrupção da gravidez e oito já tinham realizado mais de dez abortos [!] anteriormente, de acordo com o relatório da Direcção Geral de Saúde."

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Factos e Valores

Numa notável palestra, Sam Harris defende que a Ciência pode (e deve) responder a problemas morais (legendas em português europeu ou em português do Brasil):