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sábado, 12 de julho de 2014

(In)Tranquilidade


As nuvens já vêm de longe, mas estão a avolumar-se rapidamente. Por cá, para além das manobras de tranquilização (sedação) a que se prestam os meios de comunicação social convencional, nada mais do que a apresentação da composição accionista do grupo Espírito Santo parece interessar. Pergunto-me que utilidade isso terá para o cidadão comum.
Não sei se não será apenas uma forma de desviar as atenções, concentrando-as apenas no BES (ou GES), evitando assim que se analise o contexto em que o problema ocorre.

São satisfatórias as declarações do regulador? O que fez o Banco de Portugal para antecipar a tempestade que parece formar-se?
São satisfatórias as declarações dos responsáveis políticos?
Como está - na substância, na qualidade e não na aparência - o sector bancário nacional ou europeu?

Tomando as palavras de Maximilian Zimmerer (CIO Allianz) acerca da zona euro e do seu sistema bancário e financeiro, "os problemas fundamentais não estão resolvidos e toda a gente sabe disso".
Recentemente tornaram-se visíveis casos problemáticos na banca búlgara (neste caso há um banco que vai mesmo cair), austríaca e holandesa.

À luz destes acontecimentos, repito, são satisfatórias as escassas (e ambíguas) declarações do responsável do Banco de Portugal? Se não há, em sua opinião, razões para alarme e considera tudo ter feito para que não houvesse turbulência no sistema, a missão parece ter falhado. Certo?
É que até as "vozes de dentro" parecem assobiar algo de diferente.