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quarta-feira, 10 de outubro de 2018
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Por cá? Futebolando.
Por cá, as "novelas desportivas" (e são várias!) ocupam a atenção. A manobra de condicionamento que envolve a selecção nacional de futebol também já começou.
Mas a realidade segue imparável.
A Argentina já pediu apoio (outra vez!) ao FMI. Será que a Turquia lhe segue o passo?
E que dizer dos tweets do sr. euro-ministro Centeno? Toda uma postura, um registo de linguagem... imperdível. Mas só para estômagos fortes.
Uma aldeia Potemkine, só pode. Quem virá a seguir?
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Quantas cobras e quantos degraus?
"O futuro está repleto de degraus e de cobras"
Finalmente tivemos acesso à apresentação que Grant Williams fez na conferência que John Mauldin organiza todos os anos. Mais uma vez, Williams não desapontou. Seja a qualidade dos materiais que suportam a apresentação e as ideias partilhadas, seja o humor e a ironia que as acompanha. Esta apresentação mostra um pouco da qualidade do trabalho que Williams tem realizado no canal Real Vision.
Notem-se as inúmeras referências a anteriores oradores da mesma conferência a suportar cenários mais realistas (e sombrios) acerca da condição (e saúde) das economias à escala global, sejam desenvolvidas ou emergentes.
Alguns dos pontos fortes da apresentação são os seguintes:
- a relação entre as taxas de juro e os índices bolsistas;
- o impacto do corte de impostos de Trump na manobra de recompra de títulos e acções (potencia a ausência de um chão real para a economia);
- digressão histórica da acção da FED e dos seus responsáveis mais recentes (consequências para a saúde da economia);
- o actual dirigente da FED - Jerome Powell - parece ter intuído o beco em que a FED se encontra, bem como o atraso para uma possível antecipação da próxima recessão;
- a dimensão das dívidas soberanas - o fenómeno de "Japanização" das economias (perspectiva histórica);
- que saídas podem estar disponíveis para os investidores.
Boas reflexões e bom fim de semana.
Finalmente tivemos acesso à apresentação que Grant Williams fez na conferência que John Mauldin organiza todos os anos. Mais uma vez, Williams não desapontou. Seja a qualidade dos materiais que suportam a apresentação e as ideias partilhadas, seja o humor e a ironia que as acompanha. Esta apresentação mostra um pouco da qualidade do trabalho que Williams tem realizado no canal Real Vision.
Notem-se as inúmeras referências a anteriores oradores da mesma conferência a suportar cenários mais realistas (e sombrios) acerca da condição (e saúde) das economias à escala global, sejam desenvolvidas ou emergentes.
Alguns dos pontos fortes da apresentação são os seguintes:
- a relação entre as taxas de juro e os índices bolsistas;
- o impacto do corte de impostos de Trump na manobra de recompra de títulos e acções (potencia a ausência de um chão real para a economia);
- digressão histórica da acção da FED e dos seus responsáveis mais recentes (consequências para a saúde da economia);
- o actual dirigente da FED - Jerome Powell - parece ter intuído o beco em que a FED se encontra, bem como o atraso para uma possível antecipação da próxima recessão;
- a dimensão das dívidas soberanas - o fenómeno de "Japanização" das economias (perspectiva histórica);
- que saídas podem estar disponíveis para os investidores.
Boas reflexões e bom fim de semana.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
E a Primavera a começar
Uma tese que li (de Alex Gurevitch e através de subscrição) aponta para um cenário diferente do que as imagens sugerem. Mas a diferença é relativa ao tempo em que se desenrolam os principais episódios. Logo atrás da prosperidade vendida pelos meios convencionais, há razões para suspeitar que a recessão está já aí. Aliás, Gurevitch afirma que dar conta dela é já estar nela.
E o seu raciocínio parece simples: nos EUA, as taxas subirão um pouco mais face à volatilidade que os índices bolsistas vão revelando e aos medos inflacionistas. O que agravará a situação e, de seguida com o mesmo desplante, os magos decidirão baixar as taxas novamente.
Segundo o mesmo autor, a Zona Euro mostra sinais ainda mais preocupantes. E o ponto de partida é ainda mais crítico (o BCE ainda está no modo fácil, digamos).
Há algum tempo que vamos assinalando a "orientação das percepções" e os seus mecanismos, como aqui.
E a Primavera a começar.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Radar
Por entre fogos e militares espanhóis a combater os mesmos, por entre as palavras do presidente-animador (doentias especulações de orientação motivacional) espelhadas pelos meios convencionais de informação, não há quem dê por conta disto?
A notícia da Reuters começa por dizer que são os "Estados Nação", mas isto é um balão de ensaio. Só pode.
O título da notícia é prometedor: "União Europeia explora medida de congelamento de contas para prevenir corrida aos bancos"
Assim. E não há quem analise, discuta e se oponha? Mas não estamos a caminho de um paraíso de prosperidade? Para que servem, então, estas medidas?
Se algum leitor tiver acesso ao relatório que o artigo refere, por favor, partilhe na caixa de comentários.
Agradecemos todos.
domingo, 16 de julho de 2017
Radar
As recentes manobras de charme de Macron junto dos líderes europeus está a acelerar a concentração. Do projecto europeu. Parece estar em desenvolvimento adiantado a criação de um Fundo Monetário Europeu (concorrente do FMI). Alguns vêem já a hipótese de um verdadeiro Tesouro Europeu.
Pergunto-me: alguém discutiu isto? Houve algum referendo que legitimasse tal aprofundamento político, económico e financeiro?
Ninguém responde.
sábado, 22 de abril de 2017
As curvas do sonho. Contraplacado. (actualizado)
Pergunto-me pelo fundamento de tanto optimismo dos curadores e das suas hostes.
Surpreende-me a inesperada vitalidade financeira que manifestam tantos municípios da área metropolitana de Lisboa a realizar obra por estes meses.
Assustam-me as mansas (mas mais ruidosas) reivindicações corporativas.
Só quando contemplo estas tabelas compreendo.
São os mágicos de serviço - os tecnocratas dos bancos centrais e seus associados políticos - a dar vida a esta economia colossal. Onde não há critérios de análise objectiva, não há independência dos seus agentes, onde o (suposto) regulador está investido nas entidades que é suposto regular.
Nada disto passa de uma economia de contraplacado. De uma economia sonhada, de contraplacado bem pintado e promissor. Mas que não pode resistir ao mais pequeno (mas sério) desafio.
Importa não esquecer, todavia, é que o BCE terá atingido a margem máxima de compra de títulos portugueses. O mesmo está prestes a acontecer a outros países europeus - como a Itália. Cuidado com ela. Mais preocupante que a Grécia.
Por muito sérios que possam ser os resultados das eleições francesas, quem vencer terá de enfrentar estas condicionantes. Elas são inescusáveis.
Para onde iremos a seguir?
Actualização: O Banco Central Europeu acaba de avisar que está preparado para a possível turbulência após as eleições em França - "está preparado para injectar dinheiro nos bancos franceses".
Ver aqui
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Radar
Num gesto raro e até surpreendente, Otmar Issing faz a sua radiografia do projecto europeu. Sem receios de encarar a visão consensual que a burocracia europeia tem de si mesma e do conjunto dos dogmas que suportam o projecto, Issing diz coisas como (traduzo): "Um dia o castelo de cartas vem abaixo". Ou que "o euro foi traído pela política".
Descontando a aparente inocência daquelas palavras, estas declarações são importantes para ilustrar o estado do projecto europeu, especialmente depois do Brexit e das manobras de bastidores para prevenir outras saídas.
Declarações que Issing fez à publicação Central Banking e que Ambrose Evans-Pritchard contextualiza no artigo deste domingo.
O despertador está a tocar. Será que alguém o ouve?
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Radar
Já com uns dias (data de 28 de Julho), o Gabinete de Avaliação Independente do FMI tornou publica a sua avaliação da acção do Fundo Monetário nos últimos anos. Especialmente, a sua conduta, pressupostos e resultados do programa de apoio à Grécia, Irlanda e Portugal. Pode aceder-se a uma síntese aqui.
Ou aceder ao reltório completo e escolher os capítulos mais interessantes aqui.
Para aguçar o apetite, partilho aqui duas conclusões: houve falta de transparência e os pressupostos da acção da Troika foram demasiado optimistas, não tendo considerado a experiência adquirida em situações anteriores.
Dois artigos de análise do relatório e das suas conclusões: Evans-Pritchard e Frances Coppola.
Se a coligação governamental lê estes materiais...
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Nevoeiro do deleite
| Fonte |
A novela política está a começar. A promoção da ansiedade no presente, que resulta da intriga e jogo políticos, terá como desfecho uma solução apresentada e aceite como necessária. Como fundamental para salvar o país da instabilidade, dando continuidade a uma narrativa que suporta a mais disparatada tentativa alquímica de desatar o nó do presente. Político e económico.
A imagem (ver nota) que dá início a este comentário ilustra bem que direcção seguimos para concretizar a inflação de sucesso a nível europeu. Que teima em não chegar. Nem o sucesso nem a inflação! E Portugal também está à mesa a jogar. Muito exposto às consequências negativas de tais políticas.
Depois de ler e reler os números, alguém aceita que teremos pela frente um futuro de "esperança e sucesso"? A sério?
Há alguém que defenda a loucura desta política monetária e financeira, esperando corrigir os males feitos? A sério?
Que farão os próximos a sentar-se na cadeira do "poder" quando este foguetão queimar todo o seu combustível? Alguém responde?
Do outro lado do Atlântico, pouco falta para que se retome a loucura das políticas monetárias expansionistas. Hipótese que, dado o adiamento relativo às taxas de juro e às "coincidências" a vermelho no gráfico abaixo, parece muito credível.
Os cérebros procuram, avidamente, a velocidade de cruzeiro. No meio do nevoeiro...
Nota: o artigo que enquadra o primeiro gráfico (e está acessível na ligação) é, julgo, de leitura obrigatória para acender um farol contra o nevoeiro.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Em dia de aparente bonomia de Draghi
A dimensão dos desafios
No comunicado de hoje, Draghi repetiu o mote "estamos prontos para fazer o que for preciso". Seguem-se os passes da magia habitual por parte dos sábios. O "padrão PhD" no seu melhor.
Abaixo apresentamos uma infografia elaborada pela Universidade de Boston e Pearson Education para ilustrar a presente situação que os magos procuram inverter. A todo o custo. Custe o que custar. Mesmo.
No comunicado de hoje, Draghi repetiu o mote "estamos prontos para fazer o que for preciso". Seguem-se os passes da magia habitual por parte dos sábios. O "padrão PhD" no seu melhor.
Abaixo apresentamos uma infografia elaborada pela Universidade de Boston e Pearson Education para ilustrar a presente situação que os magos procuram inverter. A todo o custo. Custe o que custar. Mesmo.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Radar
Uma visão integrada do estado das coisas à escala global - economia, política e finança - por Jim Rickards.
Concorde-se ou não com todas as teses que defende, o enquadramento que apresenta é muito credível e consequente.
Siga-se, atentamente, a descrição dos diferentes momentos da Grande Narrativa em pouco mais de seis minutos.
sábado, 16 de maio de 2015
Abordagem complexa versus abordagem "Mick Jagger"
"You can´t always get what You want"
O teatro grego continua. E, por muito que me esforce, não consigo evitar lembrar-me das múltiplas declarações de Jean-Claude Juncker nos últimos anos. Muito se diz e escreve acerca do momento-quase-perfeito de resolução dos problemas em torno da Grécia nos meios de comunicação convencionais. É o problema da Europa, não esqueçamos.
Seguindo a multiplicação de referências dos responsáveis europeus acerca "do governo grego"e "do seu comportamento inadmissível", é impossível não ficar inquieto. Inquietude que resulta do esforço de tentar compreender, em toda a sua extensão, as subtilezas e os riscos da nossa situação comum e detectar o mais vil entorse perceptivo.
A tentativa de demarcar-nos (a Portugal, mas também à Espanha como casos de sucesso, entre outros) destes riscos tem de compreender-se como a distracção induzida ao animal que, assim, corre mais alegre e lesto para o matadouro. Isso tem, claro, vantagens imediatas - o preço da nossa dívida é renegociado, as exigências dos credores são aliviadas como incentivo aos ímpetos reformadores -, e por aí fora. Mas a condição geral permanece. Inexorável.
Alguém com um pouco de bom senso pode ficar aliviado quando, após anos de liquidez forçada nos mercados (EUA, Japão, Zona Euro e agora China), não se vislumbram sinais sólidos de dinamismo económico?
O cenário onde as yields das obrigações soberanas (das nações que contam, claro está!) descem e os preços dos índices bolsistas ultrapassam máximos históricos de modo recorrente é promissor? Mas para quem?
Na imagem, que peça está ali em quarto lugar?
O teatro grego continua. E, por muito que me esforce, não consigo evitar lembrar-me das múltiplas declarações de Jean-Claude Juncker nos últimos anos. Muito se diz e escreve acerca do momento-quase-perfeito de resolução dos problemas em torno da Grécia nos meios de comunicação convencionais. É o problema da Europa, não esqueçamos.
Seguindo a multiplicação de referências dos responsáveis europeus acerca "do governo grego"e "do seu comportamento inadmissível", é impossível não ficar inquieto. Inquietude que resulta do esforço de tentar compreender, em toda a sua extensão, as subtilezas e os riscos da nossa situação comum e detectar o mais vil entorse perceptivo.
A tentativa de demarcar-nos (a Portugal, mas também à Espanha como casos de sucesso, entre outros) destes riscos tem de compreender-se como a distracção induzida ao animal que, assim, corre mais alegre e lesto para o matadouro. Isso tem, claro, vantagens imediatas - o preço da nossa dívida é renegociado, as exigências dos credores são aliviadas como incentivo aos ímpetos reformadores -, e por aí fora. Mas a condição geral permanece. Inexorável.
Alguém com um pouco de bom senso pode ficar aliviado quando, após anos de liquidez forçada nos mercados (EUA, Japão, Zona Euro e agora China), não se vislumbram sinais sólidos de dinamismo económico?
O cenário onde as yields das obrigações soberanas (das nações que contam, claro está!) descem e os preços dos índices bolsistas ultrapassam máximos históricos de modo recorrente é promissor? Mas para quem?
Na imagem, que peça está ali em quarto lugar?
Tentando enquadrar os problemas europeus numa escala maior, propomos o visionamento de uma palestra de James Rickards. O autor procurou contrastar os modelos de interpretação dos fenómenos económicos, vigentes nas grandes instituições internacionais, com os modelos complexos que ele desenvolve para o mesmo fim.
Nela chamamos a atenção para o período de perguntas e respostas que é, apesar de tudo, mais rico de detalhes e significado (a partir dos 30 minutos aproximadamente).
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Teimosas anamorfoses
"As deformações são insustentáveis", David Stockman
Da entrevista que aqui propomos, destaco a desmontagem, frontal e simples, da relação entre a criação de dívida e o aumento da riqueza (medida pelo PIB). Stockman expõe a realidade das consequências das políticas dos defensores da visão de comando e controlo da economia ao nível mundial, mas dando particular destaque à China.
Outra ideia muito importante é que a política vai revelar-se, segundo Stockman, muito mais volátil e explosiva do que as dinâmicas dos mercados. A história pode repetir-se e não serão os números a deixar marcas importantes. Os resultados políticos da crise só muito discretamente se estão a fazer sentir.
A entrevista cruza os seguintes tópicos:
- a iniciativa de auditar a FED e o jogo político nos EUA - Elizabeth Warren, a referência moral dos liberais e progressistas contra os males dos mercados, considera "que não se deve submeter a FED à intromissão dos políticos";
- as bolhas que fervilham em torno das zonas de exploração petrolíferas nos EUA - crédito à habitação e aquisição de automóveis - graças à repressão financeira promovida pelos bancos centrais;
- os resultados das políticas monetárias e financeiras da FED e as suas ressurgências históricas (eterno retorno?);
- o papel, a natureza e o futuro dos bancos centrais;
- a Zona Euro, mercado e dívidas soberanas;
- o Japão e os balanços bancários, especialmente na Europa;
- as deformações insustentáveis que os socialistas de todas as cores impõem por esse mundo fora - desde 2008 que a China aumentou a riqueza em cinco triliões, mas aumentou a dívida em 28 triliões;
- o momento no mercado do petróleo - exemplo do que está para vir noutras dimensões dos mercados?;
- a Grécia e as estratégias para adiar o inevitável;
- a política, sempre a política.
Uma hora de análise desassombrada da narrativa oficial acerca do que está a refazer-se. Por entre as linhas do palimpsesto. Numa tensão intensa e crescente.
Que seja de bom proveito.
Da entrevista que aqui propomos, destaco a desmontagem, frontal e simples, da relação entre a criação de dívida e o aumento da riqueza (medida pelo PIB). Stockman expõe a realidade das consequências das políticas dos defensores da visão de comando e controlo da economia ao nível mundial, mas dando particular destaque à China.
Outra ideia muito importante é que a política vai revelar-se, segundo Stockman, muito mais volátil e explosiva do que as dinâmicas dos mercados. A história pode repetir-se e não serão os números a deixar marcas importantes. Os resultados políticos da crise só muito discretamente se estão a fazer sentir.
A entrevista cruza os seguintes tópicos:
- a iniciativa de auditar a FED e o jogo político nos EUA - Elizabeth Warren, a referência moral dos liberais e progressistas contra os males dos mercados, considera "que não se deve submeter a FED à intromissão dos políticos";
- as bolhas que fervilham em torno das zonas de exploração petrolíferas nos EUA - crédito à habitação e aquisição de automóveis - graças à repressão financeira promovida pelos bancos centrais;
- os resultados das políticas monetárias e financeiras da FED e as suas ressurgências históricas (eterno retorno?);
- o papel, a natureza e o futuro dos bancos centrais;
- a Zona Euro, mercado e dívidas soberanas;
- o Japão e os balanços bancários, especialmente na Europa;
- as deformações insustentáveis que os socialistas de todas as cores impõem por esse mundo fora - desde 2008 que a China aumentou a riqueza em cinco triliões, mas aumentou a dívida em 28 triliões;
- o momento no mercado do petróleo - exemplo do que está para vir noutras dimensões dos mercados?;
- a Grécia e as estratégias para adiar o inevitável;
- a política, sempre a política.
Uma hora de análise desassombrada da narrativa oficial acerca do que está a refazer-se. Por entre as linhas do palimpsesto. Numa tensão intensa e crescente.
Que seja de bom proveito.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Curtas e grossas
Sob o título em epígrafe, Jürgen Stark, um antigo economista-chefe do BCE, de onde saiu com grande estrondo em 2011, publicou na passada 4. feira no Financial Times um artigo (requer registo) onde retoma as teses da "linha dura" da (relativa) ortodoxia financeira do que ele caracteriza como "o economista alemão". Seguem-se alguns excertos desse artigo que noutras circunstâncias - de indignação vituperante diante a presença num governo de coligação de um partido de extrema-esquerda com um outro de extrema-direita num ministério sem uma única mulher! - seria considerado politicamente incorrecto ao ponto de ser alvo de uma saraivada de fatwas sobre o seu autor e todos aqueles que o citem (via Juan Ramón Rallo):
«[…] A verdade é que, em contraste com muitos países da zona euro, a Alemanha tem consistentemente prosseguido uma política económica prudente. Enquanto outros viviam acima das suas possibilidades, a Alemanha evitou os excessos. Estas são diferenças culturais profundas que a união monetária faz emergir uma vez mais.
A questão não é a de um país impor austeridade a outro. As elites políticas da periferia da zona euro são responsáveis por terem perdido o acesso aos mercados financeiros em 2010. Anos de má gestão e de inobservância da lei conduziram a défices orçamentais crescentes e à acumulação de dívida. Os prémios de risco dispararam. […]
A UE não é uma federação (como não é a zona euro). Estamos muito longe desse nível de integração na Europa. Não há, portanto, base constitucional para concretizar maiores transferências para os países mais débeis. Em todo o caso, essas transferências não resolvem os problemas económicos e levam ao risco moral. Anteriores programas de transferências, como os dos fundos para pagar investimentos em infra-estruturas nos estados membros mais pobres da UE, nem sempre conduziram a uma melhoria sustentável no desempenho económico. A Grécia, por exemplo, recebeu transferências da UE correspondentes a 3 a 5% do seu produto interno bruto durante décadas, dos quais aproximadamente um terço foram pagas pela Alemanha. Mas grande parte desse dinheiro escoou-se através do poroso edifício de um estado frequentemente corrupto.
A política económica alemã não se destina a punir os países da periferia da zona euro. A chanceler Angela Merkel quer ver todos os países da zona euro a criarem as circunstâncias necessárias a um crescimento económico que seja real e sustentável - do tipo que gera empregos. Isto exige finanças nacionais sólidas. O que não tem nada a ver com um fetiche quanto ao défice zero. Os economistas alemães opõem-se ao tratamento dos sintomas. Eles alertam contra aparentes soluções que funcionam como tranquilizantes políticos no curto prazo, mas que apenas se limitam a ocultar os verdadeiros desafios económicos.
Os apelos a estímulos macroeconómicos adicionais ignoram as causas da doença europeia. É vital que sejam removidas as barreiras estruturais ao crescimento. Isso inclui sanar os balanços dos bancos para desbloquear a criação de crédito. Não é por causa da Alemanha que a França enfrenta a estagnação económica e a Itália está
há três anos em recessão. Os problemas têm origem doméstica. Eles não podem ser eliminados nem pelo Banco Central Europeu nem pelos estímulos fiscais.
As reformas exigem coragem política e forte liderança. Essas são reformas dolorosas mas são necessárias para retornar a um caminho de crescimento sólido. O verdadeiro défice é o fracasso da elite política em muitos países bem como a falta de instituições credíveis. […]»
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Radar
Para um verdadeiro teste à realidade que temos e continuaremos a ter, a entrevista a Bernard Connolly é fundamental. Connolly, ainda que crítico do projecto da moeda única, fez parte da Comissão Europeia na dimensão de política monetária e do Conselho de Governadores dos Bancos Centrais Europeus. E é esta dimensão de participante das altas esferas da burocracia europeia que confere à sua entrevista o estatuto de imperdível.
O que acontece à Espanha, a Portugal, à Alemanha ou à França? Que cenários temos pela frente? Quem abandona a Zona Euro em 2017?
A ouvir a partir do minuto 13.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Coisas Reais
"No fim do arco-iris está a procura física asiática"
No primeiro aniversário do programa "Get Real", que se tem dedicado a analisar o mercado de vários bens tangíveis (dos metais, ao petróleo ou ao vinho, por exemplo), Jan Skoyles (The Real Asset Co) conduz mais uma entrevista. Desta vez o entrevistado é Ned Naylor-Leyland (Quilter Cheviot I.M.) e são analisados os seguintes assuntos:
- o ano de 2014 e a procura mundial dos metais - ouro e prata;
- a desmistificação da verdadeira dimensão e volume do mercado do ouro - o volume de ouro (sintético/papel) transaccionado diariamente em Londres (LBMA) é várias vezes superior ao volume de transacções financeiras (Dow Jones e FTSE londrino) - são 250 a 300 mil milhões diários e não 20 milhões como noticia o Financial Times;
- a natureza do mercado físico dos metais na China e na Índia - investimento, poupança e garantias de crédito;
- a Índia estabelece protocolos com a Royal Mint e o World Gold Council;
- o balanço do referendo suíço (Swiss Gold Initiative);
- as reservas estruturais de ouro europeias - as iniciativas de repatriamento (Alemanha, Holanda, Aústria, França) serão tentativas de preparação face ao risco dos programas QE na Europa?
- A Rússia e o rublo.
Pouco mais de vinte minutos fazendo o balanço a coisas reais.
No primeiro aniversário do programa "Get Real", que se tem dedicado a analisar o mercado de vários bens tangíveis (dos metais, ao petróleo ou ao vinho, por exemplo), Jan Skoyles (The Real Asset Co) conduz mais uma entrevista. Desta vez o entrevistado é Ned Naylor-Leyland (Quilter Cheviot I.M.) e são analisados os seguintes assuntos:
- o ano de 2014 e a procura mundial dos metais - ouro e prata;
- a desmistificação da verdadeira dimensão e volume do mercado do ouro - o volume de ouro (sintético/papel) transaccionado diariamente em Londres (LBMA) é várias vezes superior ao volume de transacções financeiras (Dow Jones e FTSE londrino) - são 250 a 300 mil milhões diários e não 20 milhões como noticia o Financial Times;
- a natureza do mercado físico dos metais na China e na Índia - investimento, poupança e garantias de crédito;
- a Índia estabelece protocolos com a Royal Mint e o World Gold Council;
- o balanço do referendo suíço (Swiss Gold Initiative);
- as reservas estruturais de ouro europeias - as iniciativas de repatriamento (Alemanha, Holanda, Aústria, França) serão tentativas de preparação face ao risco dos programas QE na Europa?
- A Rússia e o rublo.
Pouco mais de vinte minutos fazendo o balanço a coisas reais.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Em defesa do euro (na ausência do padrão-ouro)
No artigo que hoje proponho aos leitores, Gary North expõe o seu ponto de vista sobre a zona euro num mundo dominado pela moeda fiat. Num raciocínio próximo do de Jesús Huerta de Soto, na ausência do padrão-ouro internacional integral (isto é, o padrão moeda-ouro), é o euro, ou seja, o BCE, que constitui a única barreira, ainda que débil, ao desregramento orçamental dos estados membros. Nessa medida - e só nessa medida - o arranjo monetário da zona euro (um proxy do padrão-ouro como também lhe chamou JHS) é algo de bom e correcto, diz-nos North. Os que há 15 anos assinalam a "inconsistência" entre um planeamento central monetário supra-nacional e a diversidade fiscal dos diferentes estados da zona euro, e continuam clamando pela necessidade de aliar à união monetária (o euro) uma união fiscal (um orçamento supra-nacional), são os estrénuos defensores do centralismo e, por conseguinte, ferozes opositores à ideia da descentralização. Quem são estas pessoas? Os keynesianos, claro está. A doença é essa. Não há nenhuma inconsistência entre haver num dado espaço político-geográfico uma moeda única e diferentes políticas fiscais como frequentemente por aí se ouve (olhe-se para os Estados Unidos por exemplo). A tradução, como habitualmente, é da minha responsabilidade.
Gary North
11 de Outubro de 2014
O que está CORRECTO no Euro
(What's RIGHT With the Euro)
Eu penso como um economista. O economista pensa sempre em termos de alternativas. A mentalidade do economista foi expressa com clareza pelo falecido comediante, Henny Youngman. "Como está a sua mulher?" "Comparada com o quê?"
Uma das acusações mais comuns contra o euro é a seguinte: "A zona euro é composta por uma moeda centralizada, mas por políticas fiscais nacionais descentralizadas." Eu nunca vi nenhum dos críticos que invocam este argumento propor a abolição do euro e do Banco Central Europeu. Este argumento é sempre invocado para defender a ideia de união fiscal. Por outras palavras, não há nenhum esforço para descentralizar as moedas na zona euro. Mas há uma forte pressão, ainda que até agora ineficaz, para unificar as políticas fiscais da eurozona.
Gary North
Pense o leitor nas implicações disto. Consegue ver o que há de errado neste argumento?
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Um presente pleno de recorrências
Podemos apenas sonhar
Arrisco dizer que, mesmo quando possuíamos o escudo, nenhum parlamentar português expressou, de modo frontal e oficial, a verdadeira natureza do sistema monetário em que vivemos.
A Suíça fará um referendo no dia 30 de Novembro do corrente ano - "Swiss Gold Initiative". Aquilo que os cidadãos suíços são convidados a considerar, a discutir e a decidir é se o seu banco central deve ou não adoptar a política que abandonou há uma década e meia, isto é, se o banco deve ou não ter 20% do seu balanço garantido por reservas de ouro. Ainda assim, esta "Iniciativa do Ouro" peca por defeito, pois os suíços possuíam reservas de ouro de 40% até aos anos noventa, momento em que o Banco Central Suíço se juntou aos restantes bancos centrais nas políticas de deterioração orientada do mercado do ouro e do papel deste como "aliado na defesa dos direitos de propriedade".
Este breve vídeo é a apresentação dessa iniciativa às instâncias políticas suíças.
Presentemente imersos num obscuro, estratificado e centralizado bloco económico, os portugueses podem apenas sonhar que um tal discurso ocorresse. Como sinal de sanidade e verdadeiro respeito, entre outros, pelos valores da Liberdade e da Propriedade.
Não obstante, que por aí vou dando conta de repetidas referências aos benefícios de um disciplinador monetário, lá isso vou.
Arrisco dizer que, mesmo quando possuíamos o escudo, nenhum parlamentar português expressou, de modo frontal e oficial, a verdadeira natureza do sistema monetário em que vivemos.
A Suíça fará um referendo no dia 30 de Novembro do corrente ano - "Swiss Gold Initiative". Aquilo que os cidadãos suíços são convidados a considerar, a discutir e a decidir é se o seu banco central deve ou não adoptar a política que abandonou há uma década e meia, isto é, se o banco deve ou não ter 20% do seu balanço garantido por reservas de ouro. Ainda assim, esta "Iniciativa do Ouro" peca por defeito, pois os suíços possuíam reservas de ouro de 40% até aos anos noventa, momento em que o Banco Central Suíço se juntou aos restantes bancos centrais nas políticas de deterioração orientada do mercado do ouro e do papel deste como "aliado na defesa dos direitos de propriedade".
Este breve vídeo é a apresentação dessa iniciativa às instâncias políticas suíças.
Presentemente imersos num obscuro, estratificado e centralizado bloco económico, os portugueses podem apenas sonhar que um tal discurso ocorresse. Como sinal de sanidade e verdadeiro respeito, entre outros, pelos valores da Liberdade e da Propriedade.
Não obstante, que por aí vou dando conta de repetidas referências aos benefícios de um disciplinador monetário, lá isso vou.
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