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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Master Class - Grant Williams

"Os mercados, como a natureza, necessitam de predadores"

O vídeo que hoje aqui partilhamos corresponde a uma acção promocional do canal Real Vision. É a apresentação de uma intervenção de um dos seus fundadores - Grant Williams - numa conferência que ocorreu no passado dia 1 de Outubro. A apresentação é dedicada à história do papel do ouro nos sistemas económicos, mas especialmente às interpretações que, do seu papel e natureza, fizeram personagens historicamente relevantes. Evidenciando, com muita clareza, as consequências dessas interpretações para os mercados e para os cidadãos.

A história de "Pedro e o lobo" serve aqui para mostrar, em sentido auto-crítico, que a repetição dos avisos representa a descredibilização de "Pedro". Mas também demonstra a seriedade dessa descredibilização quando todos são confrontados com as reais consequências dos acontecimentos.

De especial nota as citações seleccionadas de Alan Greenspan, agora com a apresentação das consequências das políticas que ele iniciou e que outros têm levado a níveis inimagináveis.
Ainda hoje me causa estupefacção a mudança por que passou Greenspan, relembrar o que decidiu como governador da FED tendo por referência as suas ideias que já eram públicas nos anos sessenta - relativamente ao papel do ouro, por exemplo - é algo de incompreensível. E, caso se contemplem as suas mais recentes intervenções (que recuperam o sentido das suas ideias originais), a estupefacção é ainda maior.

Que a imprensa (especializada ou não, valem o mesmo para o caso) nada faça para o questionar quanto a estas mudanças é bem a medida da farsa que vivemos.

Ver Aqui



Assista-se e discutam-se visões e cenários para o futuro.
Próximo?


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Quantas cobras e quantos degraus?

"O futuro está repleto de degraus e de cobras"

Finalmente tivemos acesso à apresentação que Grant Williams fez na conferência que John Mauldin organiza todos os anos. Mais uma vez, Williams não desapontou. Seja a qualidade dos materiais que suportam a apresentação e as ideias partilhadas, seja o humor e a ironia que as acompanha. Esta apresentação mostra um pouco da qualidade do trabalho que Williams tem realizado no canal Real Vision.
Notem-se as inúmeras referências a anteriores oradores da mesma conferência a suportar cenários mais realistas (e sombrios) acerca da condição (e saúde) das economias à escala global, sejam desenvolvidas ou emergentes.

Alguns dos pontos fortes da apresentação são os seguintes:
- a relação entre as taxas de juro e os índices bolsistas;
- o impacto do corte de impostos de Trump na manobra de recompra de títulos e acções (potencia a ausência de um chão real para a economia);
- digressão histórica da acção da FED e dos seus responsáveis mais recentes (consequências para a saúde da economia);
- o actual dirigente da FED - Jerome Powell - parece ter intuído o beco em que a FED se encontra, bem como o atraso para uma possível antecipação da próxima recessão;
- a dimensão das dívidas soberanas - o fenómeno de "Japanização" das economias (perspectiva histórica);
- que saídas podem estar disponíveis para os investidores.


Boas reflexões e bom fim de semana.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Masterclass - Grant Williams

"Coisas que te fazem exclamar: hmmmm"

O vídeo que hoje publicamos é mais uma pérola de Grant Williams. Este trabalho foi apresentado no evento "Mines & Money" que decorreu em Londres em Dezembro último.
O título da apresentação encapsula a ideia principal do estado presente da percepção comum acerca do mercado dos metais preciosos: "Ninguém quer saber".
A qualidade (quantitativa e qualitativa) na apresentação dos dados, o humor e a ironia com que Williams desarma qualquer apaixonado-pela-economia-de-papel são razões mais do que suficientes para justificar o exercício reflexivo de Williams.

A análise coloca em contexto vários dados, comparando especialmente os diferentes veículos de investimento comuns face aos riscos implícitos do presente económico e financeiro. Bem como os mecanismos do estabelecimento do preço dos metais preciosos, especialmente do ouro e das acções das empresas de mineração e dos seus activos.

Atravessando a análise está a ideia de que, de algum modo e a qualquer altura, a disponibilidade e a oferta dos metais no Ocidente tem de mudar radicalmente. É a matemática... e é neste ponto que relembro o facto de metade das reservas de ouro portuguesas (aproximadamente 191 toneladas) estarem depositadas no Banco de Inglaterra. Mas - atenção - estão depositadas segundo o estatuto de "Depositado", ou seja, não fazem parte de uma reserva física. Esse é que é o problema.
Dado o estudo e os dados aqui perspectivados, a hipótese desse ouro poder estar a fazer parte de um grande jogo de papel ou geringonça contabilística deve ser equacionado.

Esperemos que antes do dia em que a matemática se fizer sentir. Ou antes que todos passem a querer saber.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Manipulação e Incerteza


Da inércia à aventura

Fernando Gil, “Os inventores do futuro”, 1998

“A previsão impede então a abertura e passa apenas a recobrir uma aspiração à recondução de situações conhecidas, a antecipação consistirá no voto que nada mude e tudo permaneça ´como dantes`. A noção de progresso amputa-se da aventura que representa, para se confinar na dimensão do seguro de vida.
Em vez de gerar este reflexo de angústia, senão de pânico, e portanto comportamentos defensivos ou desesperados, a ideia de risco deve tornar-se uma oportunidade. (...) A incerteza como dimensão existencial fornece à humanidade um trunfo de peso pois permite-lhe recobrar o seu próprio. A verdadeira conduta racional consiste em integrar o risco para além da antecipação prospectiva.”