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domingo, 2 de julho de 2017

Medo do futuro ou antecipar um modo de controlo

Ler aqui

Os curadores estão a assumir uma posição acerca das novas tecnologias financeiras.
Se é uma atenção genuína, isto é, se visa analisar a sua natureza e as suas potencialidades para evitar os erros cometidos no passado e no presente... tenho dúvidas. Muitas.

E repare-se a legenda escolhida para a imagem. Esta atenção à China, pela perspectiva das potencialidades disruptivas é também curiosa. E muito.

O título é delicioso no processo de transferência que faz da atenção aos perigos apenas para o que é novo. Como se as tecnologias e estratégias financeiras dos últimos cem anos não tivessem riscos. E a tomar as palavras de Yellen na semana passada, esta gente julga que não há riscos nenhuns nas "jogadas das mentes brilhantes" dos últimos cem anos.

Está bem, está bem. Acredita quem quiser.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Delícias para as noites de Verão

Partilhamos com os leitores uma entrevista que, em jeito de uma conversa à beira mar, toca aspectos estruturantes da nossa narrativa colectiva.
Na presente entrevista, Jim Rickards (último artigo que lhe dedicámos) partilha a sua experiência de reuniões com reguladores americanos, dedicando especial atenção às relações destes com os grandes bancos. Uma delícia. Mortal.
De passagem, compara os montes legislativos criados para privilegiar disciplinar o mundo financeiro das últimas décadas nos EUA.
Termina com um conselho tão simples como, julgo, sábio.
E não é porque o entrevistado se parece com os retratos que conhecemos de Jeremy Bentham.

Votos de uma excelente noite de Verão e boas reflexões.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Estado da Coisa


A tabela anterior é reveladora. Parte muito importante da dinâmica do mercado do ouro durante 2016 verificou-se na área de investimento. Os números do "conservador" World Gold Council são elucidativos.
Se a isto juntarmos as recentes declarações de reconhecidos gestores de fundos de investimento globais acerca da situação de debilidade perigosa dos mercados financeiros, então a dinâmica aqui sublinhada torna-se facilmente compreensível. 
Sublinho, todavia, a natureza protectora do metal precioso. Um seguro contra a "licenciosidade dos políticos e burocratas". Como a imagem ilustra, eles têm bem mais do que as três setas de Abe e Kuroda.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Recapitulando - Valor

Voltamos a trazer à consideração dos nossos leitores um artigo que publicámos em Outubro do ano passado acerca do papel que ouro pode desempenhar no conjunto dos esforços de poupança que fazemos: constituir-se como reserva de valor.
Antes dessa (re)leitura, deixo também uma ligação para uma recolha de dados feita por Mark O´Byrne para possuirmos informação mais actualizada e de fonte insuspeita quanto ao que se passa, para lá dos títulos das "notícias" dos últimos dias, no mercado dos metais preciosos.
A consideração desses dados não pode deixar de nos suscitar várias perplexidades.


O teste do tempo


As últimas semanas foram ricas em acontecimentos relevantes do ponto de vista financeiro. Muito relevantes, acrescentaria. Por esse mundo fora, registou-se um aumento na volatilidade dos índices bolsistas - com tendência claramente negativa, mas pouco pronunciada. Ainda.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Citação do dia (181)

"Os mercados financeiros modernos são um jogo de objectos impossíveis. Num mundo onde, globalmente, os bancos centrais manipulam o custo do risco, a mecânica da descoberta dos preços está separada da realidade, resultando em expressões paradoxais de valor que não deviam existir de acordo com uma eficiente teoria do mercado. Medo e segurança são agora permutáveis num jogo especulativo de alto risco."
Christopher Cole (2012)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Metafísica monetária e financeira

"Estar nos pináculos do jornalismo económico é estar ao nível do mar"

A conferência que a seguir se apresenta é constituída por duas partes. Ela começa pela apresentação da realidade quantificada, aquela que é medida e aquela que é possível projectar a curto-prazo.
A segunda parte (passados uns bons 20 minutos) é uma análise qualitativa, levada a cabo com frontalidade e ironia, da realidade que os "mandarins financeiros" forçam a existir. A análise inicia-se pela definição da substância das taxas de juro e o seu papel. Seja num sistema capitalista ou no verdadeiro "Truman Show" em que vivemos, no qual imperam o padrão-doutor e a distorcida visão metafísica de se poder ter algo a partir de nada.
A primeira parte da conferência é levada a cabo por Marc Seidner para a apresentação do que é. A segunda e substancial parte é conduzida por James Grant, na tentativa de identificar que consequências resultam da deturpação daquilo que é. Um profundo exercício de clarificação metafísica, desenvolvido com conhecimento, simplicidade, realismo e boa-disposição.

Votos de um excelente fim-de-semana.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Valor

O teste do tempo


As últimas semanas foram ricas em acontecimentos relevantes do ponto de vista financeiro. Muito relevantes, acrescentaria. Por esse mundo fora, registou-se um aumento na volatilidade dos índices bolsistas - com tendência claramente negativa, mas pouco pronunciada. Ainda.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cavalos Furtivos

Moldar percepções e expectativas

Gaston Phoebus, "Livre de Chasse" (1387)


O artigo que a seguir se publica foi traduzido e editado por mim a partir do original (mais longo e rico), cuja leitura se recomenda vivamente.
O Cavalo Furtivo”, Ben Hunt - 21 de Julho de 2014

Na guerra, a verdade é a primeira vítima” – Ésquilo

O cavalo furtivo é uma técnica de caça muito antiga onde o caçador consegue uma vantagem importante ao esconder-se atrás de um cavalo (ou da sua representação), levando a presa a considerar familiar ou natural o que está a ver. E a presa não sabe quantos pés tem o cavalo.
Os mercados de hoje estão atafulhados com cavalos furtivos, não para proceder a triviais aquisições hostis, mas para estabelecer objectivos macroeconómicos que são motivados politicamente. Seja o uso das palavras para criar representações furtivas ou o investimento num determinado activo para montar o mesmo cavalo furtivo, os governos são, hoje em dia, muito mais manipuladores do que em qualquer outra altura desde os anos 30. Muito pouco é o que parece nos mercados de hoje.
E sim, nós somos as presas. Somos nós os veados.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Todo um novo compasso

Renovar o esforço da orientação económica ou a necessidade de novos princípios

O Bank of International Setlements (BIS), conhecido como o banco central dos bancos centrais, publicou o seu relatório anual (cf. ligação abaixo) no final do mês passado. Alguns dos reflexos desse relatório podem ser lidos aqui e aqui e, em ambos os casos, sublinham-se os riscos que subjazem ao verniz da verdade oficializada. O BIS não é uma entidade qualquer. É uma peça-chave da arquitectura institucional financeira, monetária e política mundial e os seus avisos são um apropriado antídoto face à intenção sedante do discurso público acerca da situação da economia, mundial ou portuguesa.
Do primeiro capítulo traduziram-se e editaram-se as passagens que a seguir se apresentam, pela clareza e distinção com que apresentam a situação que temos, incontornavelmente, pela frente.
BIS ,"In search of a new compass", 29 de Junho de 2014

"A economia global mostrou sinais encorajadores no último ano, mas o desconforto persiste. O legado da Grande Crise Financeira (em maiúsculas no original – nt) e as forças que a criaram permanecem por resolver. (...) Restaurar o crescimento sustentável vai requerer políticas específicas em todas as maiores economias, tenham ou não sido atingidas pela crise. Os países que foram mais afectados precisam de completar o processo de reparar os seus balanços e implementar reformas estruturais.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O que é que eles sabem que nós não sabemos?

São múltiplos os sinais da disfuncionalidade dos mercados financeiros resultantes das prolongadas políticas de supressão das taxas de juro (ZIRP/NIRP), de uma inflação monetária sem precedentes e do regresso em força da promoção do crédito subprime (com particular afinco no crédito imobiliário nos EUA mas também, por exemplo, na Holanda). A actividade económica real continua num torpor pastoso apesar dos sucessivos anúncios de recuperação e das "acções sem precedentes", também conhecidas por "medidas não convencionais", tomadas pela generalidade dos bancos centrais. Entretanto, os níveis bolsistas continuam a quebrar recordes atrás de recordes sem que se vislumbrem sinais de escoramento na economia real (na realidade, mais não são que fenomenais transferências de riqueza da Main Street para Wall Street, ou seja, dos 99.99% para os 0,01%). A Fed finge que o seu próprio "sucesso" lhe permite agora abrandar os "estímulos" passando o testemunho ao BCE (que se prepara para avançar com o seu próprio QE enquanto se passam umas coisas estranhas na Bélgica). É por tudo isto que ouvir da boca de um alto responsável de um banco central, de um dos sistemas financeiros mais sólidos do mundo, dizer que atravessamos uma "inquieta calmaria" em "águas desconhecidas" e que os seus bancos devem reforçar os seus capitais e liquidez não pode deixar de ser notícia. Assim, enquanto por cá assistimos ao desenrolar da mais recente e não surpreendente história de mais um dos "bancos do regime", creio valer a pena a leitura da crónica de Simon Black que se segue e que me propus traduzir.
Myanmar, 25 de Junho de 2014
Por Simon Black

Um alerta para a "inquieta calmaria" nos mercados financeiros, vindo de Singapura


Bem, há pelo menos alguém que percebe o que está a acontecer.

Quando a quase totalidade dos bancos centrais do planeta está a sinalizar ao mundo que tudo vai bem no plano económico, o vice-presidente da Autoridade Monetária de Singapura (Lim Hng Kiang) disse ontem [24-06-2014] durante um jantar que "uma inquieta calmaria parece ter-se instalado nos mercados" e que "permanecemos em águas desconhecidas".

Foi realmente incrível ouvir uma linguagem tão incisiva por parte de um funcionário de um banco central.

O Sr. Lim apontou para os riscos "óbvios" e disse que iríamos enfrentar adiante "solavancos na estrada". Mas isso é um eufemismo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Uma certa Educação

Na primeira pessoa, a explicação de como se pode tirar proveito das fragilidades "montadas" no sistema financeiro. Com benefícios, pessoais e sociais - económicos e políticos. E o relato inclui, pelo menos, dois dilemas morais explícitos.
Respostas e atitudes reveladoras de uma certa Educação. O vídeo que se apresenta é uma parte da entrevista, cujo visionamento completo se aconselha vivamente.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

O fim desta narrativa

A responsabilidade dos bancos centrais na situação económica e financeira mundial tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais central nos meios de comunicação convencional. Lentamente, é certo. Um detalhe, um personagem, um acto de cada vez (o próximo a revelar-se). Há tentativas levadas a cabo para compreender a dinâmica e o possível fim da narrativa vigente (esta última identificada, pelo menos, aqui e aqui).
O artigo (parcial) que a seguir se apresenta foi traduzido e editado por mim
Quando quebra esta história?”, Ben Hunt - 25 de Maio de 2014

“Acredito que os mercados, hoje, são essencialmente vazios, já que o que passa por volume e liquidez corresponde, essencialmente, a máquinas a falar umas com as outras, estabelecendo posicionamentos em carteiras de investimento ou arbitragens efémeras. Ao invés da expressão do desejo dos humanos em serem proprietários de acções de empresas reais.
Acredito que hoje o nível de preços no mercado reflectem a maior política de acomodação monetária na história humana, em vez de resultados de empresas reais.
Acredito que os riscos políticos para a estrutura do mercado de capitais, bem como para o comércio internacional não eram assim tão graves desde os anos trinta. Em conclusão e face a estes riscos, acredito que alguém está a dar-nos música de violinos.
No entanto, isto não significa que pense que as coisas vão mudar para a semana, ou para o mês que vem. (...) Mas todos sabemos que toda a gente sabe que são as políticas dos bancos centrais a determinar os resultados do mercado. Também não estou a dizer que é impossível existir uma grande mudança nas crenças e comportamentos dos agentes no mercado.
Convenientemente, a Teoria dos Jogos providencia a ferramenta certa para desmontar estes processos sociais. Para iniciarmos esta explanação, considerem uma experiência mental clássica do Jogo do Conhecimento Comum – a ilha da tribo dos olhos-verdes. Segue assim:

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Para lá das primeiras linhas dos balanços

Quando queremos - mesmo - compreender o alcance do jogo que decorre para lá dos títulos das edições políticas ou económicas dos meios de comunicação convencional, podemos encontrar quem nos explique. A seguir partilha-se um programa gravado (podcast) acerca do que são os grandes movimentos financeiros que misturam autoridades soberanas e grandes operadores institucionais.
O que está para lá das primeiras rubricas dos balanços não é bonito. Essas rubricas são as mesmas em que todos parecem acreditar (vejam-se os índices bolsistas) e nas quais grandes entidades financeiras, bancárias ou industriais se apoiam para obter avaliações que, de seguida, hão-de respaldar créditos para negócios cada vez mais especulativos e nos quais o risco se encontra, em absoluto, distorcido. O desfecho dos quais, todavia, se encontra assegurado. E assim sucessivamente… "estando uma parte da mesa a acumular todas as fichas".

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Manipulação e Incerteza


Da inércia à aventura

Fernando Gil, “Os inventores do futuro”, 1998

“A previsão impede então a abertura e passa apenas a recobrir uma aspiração à recondução de situações conhecidas, a antecipação consistirá no voto que nada mude e tudo permaneça ´como dantes`. A noção de progresso amputa-se da aventura que representa, para se confinar na dimensão do seguro de vida.
Em vez de gerar este reflexo de angústia, senão de pânico, e portanto comportamentos defensivos ou desesperados, a ideia de risco deve tornar-se uma oportunidade. (...) A incerteza como dimensão existencial fornece à humanidade um trunfo de peso pois permite-lhe recobrar o seu próprio. A verdadeira conduta racional consiste em integrar o risco para além da antecipação prospectiva.”