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sábado, 22 de setembro de 2018

Radar


Os bancos centrais assumiram, no primeiro semestre deste ano uma postura muito activa na reorganização das suas reservas, especialmente mostrando-se compradores de ouro.

Aqui

A estratégia de diversificação deverá ser uma estratégia exclusiva dos bancos centrais?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O deleitoso faz-de-conta



Não esqueçamos que o Verão está a acabar. Que se aproxima a altura das colheitas. Não me refiro às vindimas, mas à colheita das tempestades que se semearam. De natureza política, económica e financeira.
Vai ser interessante ver as voltas que hão-de dar os curadores de serviço para preparar as negociações relativas ao próximo orçamento de estado português. Assim como a situação da banca europeia - e é necessário manter a atenção a todo o sector na Europa: Portugal, Espanha, Itália... Alemanha.
Por isso é que o faz-de-conta se vai intensificar. Em várias frentes.
Haja saúde!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O futuro finalmente comunicado pelo Consenso

Ainda num ritmo algo intermitente, publicamos a tradução de parte de uma entrevista levada a cabo por David McAlvany a Richard Duncan. Seleccionaram-se estes parágrafos, pois considerou-se que eles permitem vislumbrar com clareza o que devem estar, seguramente, a pensar fazer os curadores e especialistas do Consenso económico e político.

Por aqui sempre procurámos evidenciar o tamanho das mangas dos mágicos de serviço, assim como a ausência de limites da sua imaginação. As linhas que aqui traduzimos, porém, revelam que o Consenso já equaciona abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de justificar o injustificável, já equaciona deixar de criar ilusões e distracções. Estas linhas mostram o que sempre esteve por detrás de uma filosofia da economia e da política dos últimos cinquenta anos: um logro; um negócio para obter algo a troco de nada.

O entrevistado afirma, com todas as palavras, que o passado deve ser esquecido e que, não podendo a tradição servir de guia na compreensão da presente situação económica e política, se deve fazer tábua rasa do pensamento e da investigação passada para se poder escolher livremente novas soluções para os novos problemas...



O Creditismo substituiu o Capitalismo” – Richard Duncan em entrevista concedida a David McAlvany a 27 de Julho de 2016

David McAlvany (DM) – Na sua opinião, a mudança nas políticas dos bancos centrais para controlar as taxas de juro a estes níveis indefinidamente, não causará mudanças na natureza dos mercados financeiros?

Richard Duncan (RD) – Sim, julgo que causarão mudanças fundamentais e completas porque, se considerarmos os últimos cem anos, os bancos centrais – se existissem – não se preocupavam em manipular os preços dos activos. Mas em termos da economia global, e das implicações económicas globais, o mundo nunca gozou das condições que agora enfrentamos: níveis globais de dívida altíssimos, uma economia com excesso de capacidade (tanto nas indústrias, como nos mercados de trabalho). Na Índia, por exemplo, é possível encontrar 300 milhões de pessoas que trabalham por cinco dólares por dia. Por isso temos um excesso de capacidade de mão-de-obra, o que significa a ausência de pressões inflacionistas.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Delícias para as noites de Verão

Partilhamos com os leitores uma entrevista que, em jeito de uma conversa à beira mar, toca aspectos estruturantes da nossa narrativa colectiva.
Na presente entrevista, Jim Rickards (último artigo que lhe dedicámos) partilha a sua experiência de reuniões com reguladores americanos, dedicando especial atenção às relações destes com os grandes bancos. Uma delícia. Mortal.
De passagem, compara os montes legislativos criados para privilegiar disciplinar o mundo financeiro das últimas décadas nos EUA.
Termina com um conselho tão simples como, julgo, sábio.
E não é porque o entrevistado se parece com os retratos que conhecemos de Jeremy Bentham.

Votos de uma excelente noite de Verão e boas reflexões.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Uma espreitadela ao esquema - que continua e cresce

Fonte

Desde 2012 que o negócio acima exemplificado se vai concretizando. Com os resultados que os mais recentes índices bolsistas dos bancos italianos demonstram.
Isto depois de mais um "pacotinho" de ajuda do BCE em Junho último.
Se juntarmos os problemas políticos latentes em Itália (também em Espanha, onde os seus bancos também estão sob pressão, ou na Alemanha com, pelo menos, dos seus maiores bancos a descer nas avaliações de mercado), então o cenário está montado para uma boa tragédia.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Será que toda a gente sabe?

"As políticas dos Bancos Centrais correspondem a piscar para a direita, mas virar à esquerda."

As novas políticas dos Bancos Centrais

Com a coordenação de Robert Johnson, neste longo vídeo, procuram-se analisar as novas dimensões das acções e intenções das instituições que têm o nome de Bancos Centrais. Através do suporte quantitativo, os intervenientes constroem os movimentos da evolução dessas instituições, assinalando, especialmente, a mutação de infraestrutura de salvaguarda para o papel de agentes activos na construção e promoção dos mercados.
Num segundo momento da conferência, foca-se a reflexão nas consequências das acções dos Bancos Centrais ao plano global. E essa reflexão, segundo Andrew Sheng tem de passar pela admissão da manipulação implícita na acção e discurso público dos seus responsáveis, em particular na dissimulação das crescentes desigualdades sociais e económicas. Essa reflexão é enriquecida pela referência aos derivativos, às novas tecnologias, as novas “moedas” que os Bancos Centrais não controlam e os mercados emergentes.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O fim desta narrativa

A responsabilidade dos bancos centrais na situação económica e financeira mundial tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais central nos meios de comunicação convencional. Lentamente, é certo. Um detalhe, um personagem, um acto de cada vez (o próximo a revelar-se). Há tentativas levadas a cabo para compreender a dinâmica e o possível fim da narrativa vigente (esta última identificada, pelo menos, aqui e aqui).
O artigo (parcial) que a seguir se apresenta foi traduzido e editado por mim
Quando quebra esta história?”, Ben Hunt - 25 de Maio de 2014

“Acredito que os mercados, hoje, são essencialmente vazios, já que o que passa por volume e liquidez corresponde, essencialmente, a máquinas a falar umas com as outras, estabelecendo posicionamentos em carteiras de investimento ou arbitragens efémeras. Ao invés da expressão do desejo dos humanos em serem proprietários de acções de empresas reais.
Acredito que hoje o nível de preços no mercado reflectem a maior política de acomodação monetária na história humana, em vez de resultados de empresas reais.
Acredito que os riscos políticos para a estrutura do mercado de capitais, bem como para o comércio internacional não eram assim tão graves desde os anos trinta. Em conclusão e face a estes riscos, acredito que alguém está a dar-nos música de violinos.
No entanto, isto não significa que pense que as coisas vão mudar para a semana, ou para o mês que vem. (...) Mas todos sabemos que toda a gente sabe que são as políticas dos bancos centrais a determinar os resultados do mercado. Também não estou a dizer que é impossível existir uma grande mudança nas crenças e comportamentos dos agentes no mercado.
Convenientemente, a Teoria dos Jogos providencia a ferramenta certa para desmontar estes processos sociais. Para iniciarmos esta explanação, considerem uma experiência mental clássica do Jogo do Conhecimento Comum – a ilha da tribo dos olhos-verdes. Segue assim:

terça-feira, 10 de junho de 2014

As bruxas de Macbeth na versão Draghi et al

Vimos procurando ajudar a decifrar "o guião" que norteia as sucessivas operações de manipulação do sistema monetário e financeiro por parte dos bancos centrais à escala mundial (com particular e natural atenção ao ECB), operações essas pomposamente conhecidas por "política monetária". E embora na divisão do trabalho no Espectador Interessado, esta matéria esteja naturalmente (e muito bem) entregue ao LV, não resisto a uma intervenção, num registo menos habitual, depois de um amigo me ter chamado à atenção do Kaiser Report 611 (de 7 do corrente, vídeo abaixo). Assim, e na sequência de referências recentes, e agradecendo ainda à veia da Mónica Colaço [1], aqui fica um comentário à situação, estrutural, que atravessamos:
Um, dó, li, tá. A dívida veio e ficou por cá.
Trabalho, trabalho, trabalho e já está!
As obrigações queimam e dinheiro não há,
O que ele comprava, jamais comprará.
Olho de salamandra e dedo de rã
Pelo de morcego, casca de romã
Não comprará mais,
Nem hoje nem amanhã.



[1]  - Uma tradução/adaptação de uma brincadeira de Max Keiser, logo no início do vídeo, ela própria adaptada da cena das três bruxas na peça Macbeth, de Shakespeare, e que "corre" assim:

Bubble, bubble, toil and trouble.
Bonds burn and prices double.
And eye of newt, and toe of frog,
Wool of bat, and tongue of dog,
Cost more than you can afford

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Narrativa Omnipotente

Muito se tem especulado acerca dos acontecimentos na Ucrânia e das suas potenciais consequências para a economia mundial. Muitas são as análises sobre os riscos face à satisfação da procura energética da Europa e até ao papel do dólar como moeda de referência do sistema financeiro e comercial global. Na passagem que a seguir se apresenta experimenta-se mais uma hipótese face às políticas monetárias europeias e ao ouro. Considero importante assinalar que até meados de Junho, e após reuniões importantes no Banco Central Europeu, alguma coisa haveremos de poder relacionar com o que a seguir se apresenta. A tradução e os sublinhados são da minha responsabilidade.

"“De facto, no que diz respeito aos mercados, quanto mais ventos e tempestades sobre a Ucrânia houver, melhor. Draghi precisa de uma desculpa para lançar um programa semelhante ao Quantitative Easing (QE – injecção de liquidez na economia - nt) americano. As projecções negativas dos técnicos do Banco Central Europeu relativamente à possibilidade de a Gazprom fechar os canais de transporte do gás natural são apenas o que o médico pediu para aplicar o remédio. Alguns dias de queixas e lamentos nos meios de comunicação convencionais face às intenções de Putin, talvez acompanhados por um declínio de 1% nos mercados, e até Janet Yellen pode entrar em cena prometendo fazer “o que for preciso” para ajudar os irmãos europeus a ultrapassar essa terrível ameaça ao crescimento global.
Em última instância, tudo isto fortalece a Narrativa da Omnipotência dos Bancos Centrais, ou seja, o entendimento, que acaba por controlar efectivamente os mercados, de que os resultados económicos estão mais dependentes das acções dos bancos centrais do que da própria economia real.
Como é que se pode saber se esta Narrativa começa a tornar-se instável e a mudar? Se o ouro começar a ter peso. É isso que o ouro significa nos tempos de hoje... não uma reserva de valor ou uma qualquer protecção contra a instabilidade geopolítica. É antes uma apólice de seguro contra o erro desmesurado e o descontrolo dos bancos centrais. Por enquanto, a Narrativa Dominante de que os bancos centrais são grandes e tudo controlam permanece intacta. Pelo menos enquanto os investidores internacionais forem aceitando as afirmações gratuitas que Draghi ofereça publicamente e assim o ouro não tem a menor chance de sucesso."

Ben Hunt, "Tudo o que brilha"