O primeiro-ministro visita a Índia por estes dias. Pouca atenção pude dar a tal facto, mas não posso deixar de notar, não obstante a pequena pesquisa que fiz, a ausência de tratamento jornalístico, pelos meios de comunicação portugueses, da situação económica e social indiana depois da decisão de Modi de banir 87% da massa monetária em circulação.
Pude ver uma reportagem acerca de um modelo de camisa muito célebre, pois é igual ao que Modi usa. Uma outra envolvia a camisola da selecção portuguesa de futebol. E, claro, várias digressões acerca das raízes familiares do pm português.
Alguma referência à actualidade da economia e sociedade indianas? Alguma referência a isto? A isto? Ou ainda a isto?
Alguma análise ao recrudescimento do nacionalismo indiano? Manobra de aparente contenção do Paquistão pela hostilidade, que Modi tão perigosamente conduz?
Assim vai a narrativa em mais um acto ensaiado. E ainda há quem se questione por que razões enfrenta profunda crise o serviço jornalístico? Este "lapso" é apenas uma centelha brilhante da impossibilidade da neutralidade jornalística e da sua subserviência ao poder político.
E não é apenas pelos EUA ou a propósito de Trump e da sua eleição.
Fake News? É isto. Fabricadas e transmitidas pelos meios de comunicação convencionais, esses "guardiões da verdade", essas soberbas "instituições vigilantes dos agentes do poder"...
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Cogitações (6)
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Realidades domesticadas
Um exagero até que...
Por aqui, há algum tempo que acompanhamos os mercados dos metais preciosos. Esse interesse foi sempre acompanhado de uma constatação fundamental: o mercado dos metais preciosos, especialmente os monetários, não pode estar a funcionar livremente. A medição do seu valor em papel-moeda não pode estar a resultar das dinâmicas da oferta e da procura.
O que se entende, pois sendo as verdadeiras constantes da medição de valor - historicamente testadas e comprovadas -, os metais desafiam os ímpetos manipuladores dos curadores de serviço. Pelo que denegrir o único instrumento que pode espelhar, com mais fiabilidade e estabilidade, as preferências económicas é algo que apraz aos mesmos curadores. A bem de manter o jogo da roleta.
Ao longo dos últimos anos, muitos são os casos que se tornaram públicos de bancos e agências de investimento que são acusadas de conluio para manipular os respectivos mercados. Sejam as taxas interbancárias ou os custos associados a certos serviços bancários e financeiros. Destes, vamos tendo notícia nos episódios da narrativa colectiva que os meios de comunicação vão publicando. Mas e aqueles?
Por que razão não são escrutinados os episódios de descarada manipulação dos metais monetários? Se eles representam - para aforradores, empresas ou estados - um referencial de segurança e fiabilidade financeira tão relevante?
Sinal da importância em referir estes casos, sempre foi a tradicional reacção de quem os quer desvalorizar. Em particular quando se lê, ouve e vê descrever o interesse acerca destes casos como exclusivo de pessoas com motivos obscuros, que se divertem a tentar descobrir teorias de conspiração em qualquer acção dos governos, e por aí fora. Aliás, o facto de alguém ter interesse em poupar através dos mesmos metais recebe a mesma reacção.
Talvez desconheçam estes arautos da realidade normalizada que este tópico, como poucos, toca tão fundo nas tensões valorativas entre Liberdade e Igualdade, entre Diferença e Totalitarismo, progresso e estagnação (económica e cultural).
Duvidam os leitores que os comunicadores desta realidade normalizada conhecem o que se passa? Que estão calados ao serviço, isso sim, de causas obscuras?
Oiçam-se os primeiros segundos deste pequeno vídeo que publicamos abaixo. A comunicadora diz: "Já sabemos que isto acontece...". Se já sabem, porque se entretêm a desvalorizar, a esconder, a não oferecer destaque na análise cuidada, crítica e livre este tema? Por que razão recorrer à acusação ou à condescendência?
Deve ser, precisamente, pela importância do tema. Pela necessidade de conter e guiar a Narrativa Oficial.
É quanto baste para o trazer à atenção dos nossos leitores.
Faz-se referência também a um excelente artigo de um conhecedor do mercado dos metais preciosos Bron Suchecki e a uma recolha de materiais acerca do mais recente contributo que o Deutsche Bank (exactamente um dos que foi apanhado este ano a fazer patifarias e que agora faz de informador) forneceu para esta investigação (aqui).
Para não esquecer o já clássico livro de Dimitri Speck, "The Gold Cartel", onde se efectua um estudo estatístico e circunstanciado das manobras de entorse ao mercado de metais preciosos. Pelos suspeitos do costume.
Por aqui, há algum tempo que acompanhamos os mercados dos metais preciosos. Esse interesse foi sempre acompanhado de uma constatação fundamental: o mercado dos metais preciosos, especialmente os monetários, não pode estar a funcionar livremente. A medição do seu valor em papel-moeda não pode estar a resultar das dinâmicas da oferta e da procura.
O que se entende, pois sendo as verdadeiras constantes da medição de valor - historicamente testadas e comprovadas -, os metais desafiam os ímpetos manipuladores dos curadores de serviço. Pelo que denegrir o único instrumento que pode espelhar, com mais fiabilidade e estabilidade, as preferências económicas é algo que apraz aos mesmos curadores. A bem de manter o jogo da roleta.
Ao longo dos últimos anos, muitos são os casos que se tornaram públicos de bancos e agências de investimento que são acusadas de conluio para manipular os respectivos mercados. Sejam as taxas interbancárias ou os custos associados a certos serviços bancários e financeiros. Destes, vamos tendo notícia nos episódios da narrativa colectiva que os meios de comunicação vão publicando. Mas e aqueles?
Por que razão não são escrutinados os episódios de descarada manipulação dos metais monetários? Se eles representam - para aforradores, empresas ou estados - um referencial de segurança e fiabilidade financeira tão relevante?
Sinal da importância em referir estes casos, sempre foi a tradicional reacção de quem os quer desvalorizar. Em particular quando se lê, ouve e vê descrever o interesse acerca destes casos como exclusivo de pessoas com motivos obscuros, que se divertem a tentar descobrir teorias de conspiração em qualquer acção dos governos, e por aí fora. Aliás, o facto de alguém ter interesse em poupar através dos mesmos metais recebe a mesma reacção.
Talvez desconheçam estes arautos da realidade normalizada que este tópico, como poucos, toca tão fundo nas tensões valorativas entre Liberdade e Igualdade, entre Diferença e Totalitarismo, progresso e estagnação (económica e cultural).
Duvidam os leitores que os comunicadores desta realidade normalizada conhecem o que se passa? Que estão calados ao serviço, isso sim, de causas obscuras?
Oiçam-se os primeiros segundos deste pequeno vídeo que publicamos abaixo. A comunicadora diz: "Já sabemos que isto acontece...". Se já sabem, porque se entretêm a desvalorizar, a esconder, a não oferecer destaque na análise cuidada, crítica e livre este tema? Por que razão recorrer à acusação ou à condescendência?
Deve ser, precisamente, pela importância do tema. Pela necessidade de conter e guiar a Narrativa Oficial.
É quanto baste para o trazer à atenção dos nossos leitores.
Faz-se referência também a um excelente artigo de um conhecedor do mercado dos metais preciosos Bron Suchecki e a uma recolha de materiais acerca do mais recente contributo que o Deutsche Bank (exactamente um dos que foi apanhado este ano a fazer patifarias e que agora faz de informador) forneceu para esta investigação (aqui).
Para não esquecer o já clássico livro de Dimitri Speck, "The Gold Cartel", onde se efectua um estudo estatístico e circunstanciado das manobras de entorse ao mercado de metais preciosos. Pelos suspeitos do costume.
domingo, 16 de outubro de 2016
Alívio ou "o folgar das costas"
Depois de Centeno ter sido avisado pela agência de rateio que a situação fiscal era confortável (e por isso se manteria a avaliação de Portugal), nota-se um ligeiro suavizar da percepção da doença de que padecemos.
Essa suavização não é genuína, não nos enganemos.
É apenas a condição para que o BCE se mantenha "a pagar a festa". E como é preciso manter os espíritos alegres e plenos de esperança, impõe-se a manutenção da parada.
Aliás, o nosso governo fará a sua parte e dará cumprimento à "expansão económica" (note-se as aspas) pela força de... impostos. Por outro lado, não obstante as pressões alemãs, o investimento público avançará em sectores que revelem bom retorno. Político, bem entendido. Mas tudo se fará pela folga que o BCE garante. Como de resto mostra a segunda imagem.
Há alguma margem, comparando com as congéneres, para o BCE continuar a intervir.
Até quando?
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Rádio Espectador Interessado
Apesar das novidades. As quais nos nos fazem crer, farão do inferno o paraíso.
O que se pode dizer? Parece diferente. Será?
Excelente terça-feira.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
O deleitoso faz-de-conta
Não esqueçamos que o Verão está a acabar. Que se aproxima a altura das colheitas. Não me refiro às vindimas, mas à colheita das tempestades que se semearam. De natureza política, económica e financeira.
Vai ser interessante ver as voltas que hão-de dar os curadores de serviço para preparar as negociações relativas ao próximo orçamento de estado português. Assim como a situação da banca europeia - e é necessário manter a atenção a todo o sector na Europa: Portugal, Espanha, Itália... Alemanha.
Por isso é que o faz-de-conta se vai intensificar. Em várias frentes.
Haja saúde!
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
O futuro finalmente comunicado pelo Consenso
Ainda num ritmo algo intermitente, publicamos a tradução de parte de uma entrevista levada a cabo por David McAlvany a Richard Duncan. Seleccionaram-se estes parágrafos, pois considerou-se que eles permitem vislumbrar com clareza o que devem estar, seguramente, a pensar fazer os curadores e especialistas do Consenso económico e político.
Por aqui sempre procurámos evidenciar o tamanho das mangas dos mágicos de serviço, assim como a ausência de limites da sua imaginação. As linhas que aqui traduzimos, porém, revelam que o Consenso já equaciona abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de justificar o injustificável, já equaciona deixar de criar ilusões e distracções. Estas linhas mostram o que sempre esteve por detrás de uma filosofia da economia e da política dos últimos cinquenta anos: um logro; um negócio para obter algo a troco de nada.
O entrevistado afirma, com todas as palavras, que o passado deve ser esquecido e que, não podendo a tradição servir de guia na compreensão da presente situação económica e política, se deve fazer tábua rasa do pensamento e da investigação passada para se poder escolher livremente novas soluções para os novos problemas...
Por aqui sempre procurámos evidenciar o tamanho das mangas dos mágicos de serviço, assim como a ausência de limites da sua imaginação. As linhas que aqui traduzimos, porém, revelam que o Consenso já equaciona abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de justificar o injustificável, já equaciona deixar de criar ilusões e distracções. Estas linhas mostram o que sempre esteve por detrás de uma filosofia da economia e da política dos últimos cinquenta anos: um logro; um negócio para obter algo a troco de nada.
O entrevistado afirma, com todas as palavras, que o passado deve ser esquecido e que, não podendo a tradição servir de guia na compreensão da presente situação económica e política, se deve fazer tábua rasa do pensamento e da investigação passada para se poder escolher livremente novas soluções para os novos problemas...
“O Creditismo substituiu o Capitalismo” – Richard Duncan em entrevista concedida a David McAlvany a 27 de Julho de 2016
“David McAlvany (DM) – Na sua opinião, a mudança nas políticas dos bancos centrais para controlar as taxas de juro a estes níveis indefinidamente, não causará mudanças na natureza dos mercados financeiros?
Richard Duncan (RD) – Sim, julgo que causarão mudanças fundamentais e completas porque, se considerarmos os últimos cem anos, os bancos centrais – se existissem – não se preocupavam em manipular os preços dos activos. Mas em termos da economia global, e das implicações económicas globais, o mundo nunca gozou das condições que agora enfrentamos: níveis globais de dívida altíssimos, uma economia com excesso de capacidade (tanto nas indústrias, como nos mercados de trabalho). Na Índia, por exemplo, é possível encontrar 300 milhões de pessoas que trabalham por cinco dólares por dia. Por isso temos um excesso de capacidade de mão-de-obra, o que significa a ausência de pressões inflacionistas.
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Etiquetas: 1ª Grande Guerra, 2ª Grande Guerra, Anos 20, Bolhas, Capitalismo, Crédito, David McAlvany, Grande Depressão, Narrativa da Omnipotência dos Bancos Centrais, Narrativa Oficial, Richard Duncan
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Delícias para as noites de Verão
Partilhamos com os leitores uma entrevista que, em jeito de uma conversa à beira mar, toca aspectos estruturantes da nossa narrativa colectiva.
Na presente entrevista, Jim Rickards (último artigo que lhe dedicámos) partilha a sua experiência de reuniões com reguladores americanos, dedicando especial atenção às relações destes com os grandes bancos. Uma delícia. Mortal.
De passagem, compara os montes legislativos criados paraprivilegiar disciplinar o mundo financeiro das últimas décadas nos EUA.
Termina com um conselho tão simples como, julgo, sábio.
E não é porque o entrevistado se parece com os retratos que conhecemos de Jeremy Bentham.
Votos de uma excelente noite de Verão e boas reflexões.
Na presente entrevista, Jim Rickards (último artigo que lhe dedicámos) partilha a sua experiência de reuniões com reguladores americanos, dedicando especial atenção às relações destes com os grandes bancos. Uma delícia. Mortal.
De passagem, compara os montes legislativos criados para
Termina com um conselho tão simples como, julgo, sábio.
E não é porque o entrevistado se parece com os retratos que conhecemos de Jeremy Bentham.
Votos de uma excelente noite de Verão e boas reflexões.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Quem está a ser ingénuo?
Assisto, com um cansaço cada vez maior, ao espectáculo montado em torno do resultado do referendo no Reino Unido. Desde as manifestações em Londres, aos discursos e comportamentos contraditórios e inaceitáveis de vários (ir)responsáveis políticos europeus, passando pelos "especialistas" e comentadores do consenso nacional.
Todo o ruído serve para quê? Concorrer ou substituir o intoxicante nacionalismo de chuteiras que ameaça terminar rapidamente?![]() |
| Retirado daqui. |
Não aceitemos as "vistas curtas" que nos teimam em impor.
Para enquadrar a questão britânica em todas as suas dimensões, incluindo os desafios que a Europa enfrenta, leia-se Evans-Pritchard. E tome-se o pulso aos desafios, mais do que às campanhas de medo e intimidação.
"Who´s being naive, Kay?"
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Inversão do ónus
Ou como o exercício do poder dilui qualquer necessidade de justificação
Corre mais um verão pré-eleitoral. Afinam-se as gargantas e alinham-se as ideias que hão-de ser vendidas por entre egofonias de (ir)responsáveis desportivos (de futebol, sublinhe-se) e a mais recente fumaça frívola acerca de palavras ou das férias de um político.
O desastre dos cartazes eleitorais dos socialistas só pode entendido como mais uma distracção. Só pode.
Ouviremos declarações profundas e tocantes, levemente sérias, mas seguramente falaciosas, acerca do futuro e da tarefa que os demiurgos têm entre mãos para nos conduzir ao paraíso.
Por detrás destas excitantes distracções, acabam por ficar, sem análise ou enquadramento, alguns assuntos que ilustram bem - na natureza e dimensão - a farsa do guião que cumprimos.
Um primeiro caso, bem documentado e comentado por OAM acerca da seriedade dos demiurgos na gestão dos recursos dos contribuintes. Para o caso, os fundos da Segurança Social.
O outro caso que por aqui elenco, envolvendo as autoridades alemãs, evidencia a forma maleável e distorcida como se conduzem assuntos de estado com a importância das reservas estratégicas de ouro.
A conduta dos responsáveis em ambos os casos vê-se revestida de uma veladura que obscurece a responsabilidade. O poder isenta-se do balanço das responsabilidades.
Uma maravilhosa liga de cavalheiros, sem dúvida.
Corre mais um verão pré-eleitoral. Afinam-se as gargantas e alinham-se as ideias que hão-de ser vendidas por entre egofonias de (ir)responsáveis desportivos (de futebol, sublinhe-se) e a mais recente fumaça frívola acerca de palavras ou das férias de um político.
O desastre dos cartazes eleitorais dos socialistas só pode entendido como mais uma distracção. Só pode.
Ouviremos declarações profundas e tocantes, levemente sérias, mas seguramente falaciosas, acerca do futuro e da tarefa que os demiurgos têm entre mãos para nos conduzir ao paraíso.
Por detrás destas excitantes distracções, acabam por ficar, sem análise ou enquadramento, alguns assuntos que ilustram bem - na natureza e dimensão - a farsa do guião que cumprimos.
Um primeiro caso, bem documentado e comentado por OAM acerca da seriedade dos demiurgos na gestão dos recursos dos contribuintes. Para o caso, os fundos da Segurança Social.
O outro caso que por aqui elenco, envolvendo as autoridades alemãs, evidencia a forma maleável e distorcida como se conduzem assuntos de estado com a importância das reservas estratégicas de ouro.
A conduta dos responsáveis em ambos os casos vê-se revestida de uma veladura que obscurece a responsabilidade. O poder isenta-se do balanço das responsabilidades.
Uma maravilhosa liga de cavalheiros, sem dúvida.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
As conexões sauditas no 11 de Setembro
Praticamente logo após os atentados de 11 de Setembro, circularam intensos rumores quanto a uma alegada (e estreita) ligação de membros da elite saudita que, através de apoio logístico, e sobretudo financeiro, teriam apoiado (tornado possível?) aquela operação terrorista. Este era um elo que começava por surgir como natural já que 15 dos 19 piratas do ar eram nacionais do país governado pela Casa de Saud. Desde muito cedo (antes mesmo da formação da oficial Comissão de Inquérito aos acontecimentos - 2002) que familiares das vítimas fizeram sentir as suas suspeições nessa direcção. E a caminho dos quinze anos passados sobre o sucedido, o certo é que continuam classificadas como secretas 28 páginas do relatório oficial as quais, precisamente, se crê evidenciarem essa conexão. A isto acrescem as acusações da semana passada provenientes de Zacarias Moussaoui que até mesmo o New York Times entendeu destacar. Emprestando todo o seu envolvimento jornalístico de longa data, no terreno, no mundo islâmico, Eric Margolis elabora sobre a verosimilhança das acusações de Moussaoui recuando para isso ao tempo em que conheceu pessoalmente um dos fundadores da Al-Qaeda. É um artigo informativo, pleno de pormenores relevantes para um maior entendimento sobre o reino saudita ou, melhor, sobre a razão de ser dos comportamento da dinastia de Saud.
Votos de uma excelente semana!
Votos de uma excelente semana!
7 de Fevereiro de 2015
Por Eric Margolis
Desde 2001 que circulam alegações do envolvimento da Arábia Saudita nos ataques à América do 11 de Setembro. Os sauditas têm negado qualquer envolvimento muito embora 15 dos 19 piratas do ar fossem cidadãos sauditas.
Esta semana, as alegações de envolvimento saudita reacenderam-se quando um dos homens condenados pelos ataques de 11 de Setembro, Zacarias Moussaoui, reafirmou aquelas acusações. Moussaoui, que está numa prisão de segurança máxima nos EUA, acusa príncipes e altos funcionários sauditas de terem financiado os ataques do 11 de Setembro e outras operações da Al-Qaeda. Ele talvez tenha sido torturado e tem problemas mentais.
Eric Margolis
Entre os sauditas que Moussaoui nomeou estão o príncipe Turki Faisal e o príncipe Bandar bin Sultan, dois dos homens mais poderosos e influentes do reino. Turki foi chefe da inteligência saudita; Bandar foi embaixador em Washington durante a administração Bush.
Estas acusações surgem num momento em que decorre em Washington uma luta furiosa pela (não) divu, lgação das páginas secretas do relatório da Comissão de Inquérito aos ataques do 11 de Setembro que supostamente implicam a Arábia Saudita. A Casa Branca alega que a divulgação do relatório seria embaraçante e prejudicaria as relações entre os EUA e a Arábia Saudita.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Sinopse da peça colectiva
Narrativa condicionante
A promoção do receio e do pessimismo que resulta da submissão à realidade encenada explicada em poucos minutos. Não menos importante é a ideia - que resulta igualmente daquela apresentação - de que vivemos numa época de especial erosão de valores e costumes, disseminando a consciência da necessidade de uma autoridade (política, económica ou até moral) tutelar que oriente e dê sentido à vida colectiva.
É um vídeo rápido e a hipótese nele veiculada parece ser coerente com a dos Cavalos Furtivos, tanto na natureza como na finalidade.
A promoção do receio e do pessimismo que resulta da submissão à realidade encenada explicada em poucos minutos. Não menos importante é a ideia - que resulta igualmente daquela apresentação - de que vivemos numa época de especial erosão de valores e costumes, disseminando a consciência da necessidade de uma autoridade (política, económica ou até moral) tutelar que oriente e dê sentido à vida colectiva.
É um vídeo rápido e a hipótese nele veiculada parece ser coerente com a dos Cavalos Furtivos, tanto na natureza como na finalidade.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
A Grande Guerra 1914-1918 - O Lusitania (um bom pretexto e um alvo fácil)
Não tencionava incluir o caso Lusitania na série de posts que vimos publicando sobre a I Guerra Mundial. Todavia, é-me difícil não dar conta que a campanha de bombardeamentos aéreos agora em curso contra o “Estado Islâmico” tenha ocorrido após a divulgação sucessiva, em quatro vídeos distintos, de outras tantas decapitações. Primeiro, de dois cidadãos americanos; posteriormente, de um súbdito britânico seguido de, há dias apenas, de um cidadão francês. Creio impossível não notar a coincidência do envolvimento das três nacionalidades notáveis na geopolítica da região após a queda do império Otomano. Em conclusão: o que Obama e Cameron não conseguiram há um ano, tornou-se agora possível devido à divulgação de uns vídeos no YouTube. A "linha vermelha" estava, afinal, no efeito de choque causado pelo visionamento de decapitações. A encenação revela-se, mais uma vez, fundamental para fazer vingar um pretexto adequado.
Após o início da I Guerra Mundial, talvez não tenha havido acontecimento singular mais relevante para o que viria a ser o seu desfecho do que o torpedeamento por um submarino alemão do paquete transatlântico Lusitania, ocorrido em 7 de Maio de 1915, de que resultaram 1153 mortos (128 dos quais de nacionalidade norte-americana). E muito embora só a 6 de Abril de 1917 os Estados Unidos tenham declarado guerra às Potências Centrais, é inegável a importância daquele evento no processo de decisão que levaria a essa decisão e, com ela, a sorte da guerra[1]. Sublinhe-se, não obstante, que o presidente Woodrow Wilson, que procurava a sua reeleição em 1916, fez essa campanha eleitoral sob o slogan "He kept us out of war" (“Ele manteve-nos fora da guerra” – N.T.) o que indubitavelmente traduz o sentimento, de facto largamente maioritário na opinião pública americana à época, contra o envolvimento dos EUA na terrível guerra que decorria no teatro europeu.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Delícias para as noites de Verão
Toda uma outra História
Recentemente mão amiga fez-me chegar um exemplar da revista Exame (Julho 2014). Não foi o tema de capa ou o teste a um Maserati ("de luxo" escreveram, mas há de outro tipo?) que motivou essa chamada de atenção, mas o dossiê "Os grandes banqueiros da História". Para lá do tom deslumbrado das descrições e da narrativa focada em oposições superficiais (para enaltecer o carácter dos "vencedores", digamos), uma passagem deixou-me perplexo. Não sei se pela perigosa simplificação (mal de que padecem publicações convencionais) ou da (muito pior) deturpação histórica que essa passagem encerra. A passagem é a seguinte (com edição minha):
Esta passagem é uma evidência da simplificação a que estamos sujeitos através dos meios de comunicação convencional. Tom deslumbrado? O título desta secção ("O ouro e a operação de salvamento") é tudo o que basta para o evidenciar. Exemplo de oposições superficiais? Repare-se na oposição entre entre os "investidores europeus" (os maus) e "J.P.Morgan" (o bom). Mas se alguém perguntar porque vendiam os europeus os seus dólares, fica sem saber. Conclui pelo papel absolutamente altruísta e desinteressado de J.P.Morgan. Simples, não é?
Mas o banqueiro "monta operações de salvamento" a partir da Casa Branca! Haverá maior sinal do conluio entre poder político e financeiro? Que perdura até hoje. Com as consequências que todos conhecemos.
E a última afirmação relativa ao padrão-ouro? Inacreditável.
O vídeo que proponho hoje na rubrica das "Delícias" é um esforço para colocar os últimos cem anos de história política e financeira americana (com ramificações para todo o mundo) numa perspectiva crítica, mostrando a verdadeira natureza da narrativa oficial (sejam os seus silêncios ou as suas deturpações) acerca de temas tão relevantes como o papel dos bancos centrais, a criação da moeda e do crédito ou os interesses de estado que se relacionam com certos personagens como J.P.Morgan, por exemplo.
O autor James Corbett apresenta toda a investigação que suportou este filme à disposição dos leitores (muitas das fontes são oficiais). Os dados apresentados e a sua relação não andam longe do que Rothbard (e outros) já descreveram.
Em conclusão: simplificação ou deturpação?
Os leitores que decidam.
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
Recentemente mão amiga fez-me chegar um exemplar da revista Exame (Julho 2014). Não foi o tema de capa ou o teste a um Maserati ("de luxo" escreveram, mas há de outro tipo?) que motivou essa chamada de atenção, mas o dossiê "Os grandes banqueiros da História". Para lá do tom deslumbrado das descrições e da narrativa focada em oposições superficiais (para enaltecer o carácter dos "vencedores", digamos), uma passagem deixou-me perplexo. Não sei se pela perigosa simplificação (mal de que padecem publicações convencionais) ou da (muito pior) deturpação histórica que essa passagem encerra. A passagem é a seguinte (com edição minha):
"O ouro e a operação de salvamento
(…) Durante o pânico euro-americano de 1890-1895, on investidores europeus vendem os seus dólares. O Estado Federal arrisca uma crise de liquidez, senão mesmo entrar em incumprimento. J.P.Morgan monta, na Casa Branca, a operação de salvamento (…) A confiança recuperada permite a revenda dos títulos com lucro e depois de propor um empréstimo público de 67 milhões de dólares, em 1896, montado por J.P.Morgan. A sua capacidade transatlântica e, sobretudo, a sua habilidade jurídica e financeira entram para a história da banca. Isto conduzirá ao estabelecimento oficial do gold standard (padrão-ouro) nos Estados Unidos, em 1900."
Esta passagem é uma evidência da simplificação a que estamos sujeitos através dos meios de comunicação convencional. Tom deslumbrado? O título desta secção ("O ouro e a operação de salvamento") é tudo o que basta para o evidenciar. Exemplo de oposições superficiais? Repare-se na oposição entre entre os "investidores europeus" (os maus) e "J.P.Morgan" (o bom). Mas se alguém perguntar porque vendiam os europeus os seus dólares, fica sem saber. Conclui pelo papel absolutamente altruísta e desinteressado de J.P.Morgan. Simples, não é?
Mas o banqueiro "monta operações de salvamento" a partir da Casa Branca! Haverá maior sinal do conluio entre poder político e financeiro? Que perdura até hoje. Com as consequências que todos conhecemos.
E a última afirmação relativa ao padrão-ouro? Inacreditável.
O vídeo que proponho hoje na rubrica das "Delícias" é um esforço para colocar os últimos cem anos de história política e financeira americana (com ramificações para todo o mundo) numa perspectiva crítica, mostrando a verdadeira natureza da narrativa oficial (sejam os seus silêncios ou as suas deturpações) acerca de temas tão relevantes como o papel dos bancos centrais, a criação da moeda e do crédito ou os interesses de estado que se relacionam com certos personagens como J.P.Morgan, por exemplo.
O autor James Corbett apresenta toda a investigação que suportou este filme à disposição dos leitores (muitas das fontes são oficiais). Os dados apresentados e a sua relação não andam longe do que Rothbard (e outros) já descreveram.
Em conclusão: simplificação ou deturpação?
Os leitores que decidam.
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
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