Mostrar mensagens com a etiqueta Padrão-ouro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Padrão-ouro. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Em defesa de um padrão monetário livre - parte V
Plataformas de transacção e rede de Agentes
Publica-se aqui a quinta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A quarta parte pode ser lida aqui.
Publica-se aqui a quinta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A quarta parte pode ser lida aqui.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #46", Outubro de 2014
A necessidade de uma plataforma electrónica de transacção
Este artigo é a quinta parte de um roteiro de implementação de um padrão-ouro livre internacional através da iniciativa privada e do mercado livre.
Enquanto que o actual mercado do ouro tem as suas próprias plataformas de negociação, um padrão-ouro exige plataformas abertas de transacção e troca de dinheiro digital para permitir a liquidação de dívidas ou contratos dos emissores de ouro digital entre si, bem como destes com os seus clientes. E estes têm de poder trocar papel-moeda por ouro digital.
Facturas reais (1)
Tendo sido articulada por Adam Smith, Antal Fekete e Keith Weiner, a doutrina das Real Bills integra-se como necessária num padrão-ouro para conferir crédito comercial e liquidação de transacções pendentes.
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no XPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas: Gold Standard Institute, Goldmoney, Ken Griffith, MPENSA, Multibanco, Ouro, Padrão Monetário Livre, Padrão-ouro, Rede de Agentes, Sistema Monetário Internacional, Sociedade para o Padrão-Ouro Livre
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Optimismo e possibilidades
E se um novo meio monetário evitasse o intermediário?
Apesar do turbilhão de "inevitabilidades históricas" que se projectam sobre o futuro e nos dão poucas razões para sorrir inocentemente, a mudança - simples, honesta e multiplicadora - é possível.
A propósito dos artigos que por aqui temos publicado acerca de um padrão monetário livre, o vídeo demonstra que as mudanças são, efectivamente, possíveis. Convém não esquecermos isso.
Apesar do turbilhão de "inevitabilidades históricas" que se projectam sobre o futuro e nos dão poucas razões para sorrir inocentemente, a mudança - simples, honesta e multiplicadora - é possível.
A propósito dos artigos que por aqui temos publicado acerca de um padrão monetário livre, o vídeo demonstra que as mudanças são, efectivamente, possíveis. Convém não esquecermos isso.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Em defesa de um padrão monetário livre - parte IV
Num padrão-ouro, o ouro é o meio pelo qual todas as outras coisas são comparadas e medidas
Publica-se aqui a quarta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A terceira parte pode ser lida aqui.
Publica-se aqui a quarta parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A terceira parte pode ser lida aqui.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #45", Setembro de 2014
Um meio padronizado para o ouro digital
Por muito agradável que seja pensar no ouro como dinheiro, a maioria das pessoas não se apercebe de que nem todo o ouro é igual entre si. Uma grama de ouro numa barra de 1 kg pode ser 40% mais barata do que uma grama de ouro numa folha ou filigrana que pese apenas 1grama. As quantidades mais pequenas vão exigir um prémio mais elevado, dado o seu mais elevado custo de produção.
Através da história, as moedas de ouro de vários países foram servindo como meio monetário num padrão-ouro internacional de natureza informal. Normalmente, os contratos eram pagos em moedas de ouro de tamanho e denominação mais pequenos. De uma forma rápida, podemos assinalar a presença deste padrão-ouro informal desde o Império Persa no século VI antes da nossa era e foi interrompido em vários períodos em que a moeda de prata se impôs como meio primário de troca.
Tomando a perspectiva histórica que inclua as moedas persas, romanas, espanholas ou inglesas, é notória a evolução para a diminuição do seu tamanho e o aumento da sua pureza (toque) ao longo dos tempos. Durante os séculos em que as moedas de ouro circulavam no comércio internacional, as notas de crédito eram pagas em moedas de ouro da época, e não em forma de barras ou em joalharia. O meio, por excelência, era a moeda de ouro. Ainda que se pudessem liquidar contratos e dívidas em barras de ouro, isso acarretava um custo adicional.
Na altura, como agora, as moedas de ouro são transaccionadas com um prémio superior às barras, ao ouro em bruto e à joalharia por causa da precisão do seu padrão, o que as torna fiáveis e seguras. Foi esse o segredo da utilização das moedas de ouro ao longo dos tempos.
O padrão-ouro foi escolhido pelo mercado
Com a excepção das medidas legislativas britânicas em 1925, o meio privilegiado para efectuar as transacções não era imposto pelos estados, mesmo quando estes eram responsáveis pela cunhagem das moedas utilizadas. A melhor e mais líquida moeda de ouro de um país acabava por circular como meio de pagamento no comércio internacional apenas porque era a escolhida pelas forças do mercado e não por força de um decreto. No comércio internacional, a boa moeda afasta a má moeda.
No período colonial americano havia um padrão-ouro livre, no qual ourives privados cunhavam moedas com o mesmo peso que o Dobrão Espanhol. O prémio dessas moedas tornava rentável aos ourives a compra de joalharia ou restos de metal precioso de outras fontes, proceder à sua purificação e cunhagem de acordo com o padrão-ouro efectivo.
Dobrão espanhol
Com a consolidação dos estatutos do Banco de Inglaterra no século XIX, assistiu-se a uma pressão para substituir as moedas de ouro por notas emitidas pelos bancos. Estas notas ainda podiam ser trocadas por ouro, mas desde o fim da Iª Grande Guerra que o Banco de Inglaterra limitou a troca de notas por barras de 400 onças troy (12,440 kg).
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Em defesa de um padrão monetário livre - parte III
Sistemas de pagamento e contabilidade para o Padrão-Ouro Livre
Publica-se aqui a terceira parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui e a segunda aqui.
Publica-se aqui a terceira parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui e a segunda aqui.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #44", Agosto de 2014
Neste artigo continuarei a apresentar o roteiro para a criação do padrão-ouro livre através da iniciativa privada e pelo mercado livre e vou concentrar-me nas exigências para um sistema de pagamentos e contabilidade seguros.
Elementos do sistema digital de pagamentos e contabilidade
Como mencionei na primeira parte, o ouro digital como moeda não é uma novidade. James Turk patenteou a ideia em 1993 e a empresa e-Gold lançou em 1996 o primeiro sítio de ouro digital na internet. Entretanto, a indústria arrancou e atingiu 80 toneladas por ano de transacções desde 2001, até que as autoridades norte-americanas fecharam o negócio entre 2005 e 2009. Desta experiência aprendi algumas lições que agora partilho aqui.
1 – Precisamos de um sistema descentralizado que suporte múltiplos agentes
As empresas – e-Gold e GoldMoney – publicitaram-se a si mesmas como sistemas unificados com a sua unidade de ouro exclusiva. Julgo que estas empresas não terão pensado bem na possibilidade dos seus clientes quererem transferir ouro entre as duas empresas. Surgiam, na altura, uma rede de agentes que providenciavam esse serviço, mas era oneroso e pouco profissional.
A próxima geração do sistema de dinheiro digital tem de ser desenhado, desde a raiz, com o propósito de suportar múltiplos emissores numa mesma plataforma.
2 – Precisamos de um protocolo de transacções comum (API)
A maneira de ter múltiplos emissores de ouro digital a operar sem problemas na mesma plataforma é desenvolvermos uma linguagem de transacções digitais comum. Para que os computadores de todos os agentes possam falar entre si e para que, cada um dos intervenientes, possa desenvolver aplicações informáticas a partir do nosso sistema.
Um interface de programação automatizado (Automated Programming Interface – no inglês - NT) permitirá as aplicações informáticas de emissões de contratos futuros serem construídas por terceiros, potenciando a comercialização de promissórias. Os seguidores de Adam Smith e de Antal Fekete julgam que esta comercialização é vital para o padrão-ouro poder funcionar. Isto parece significar que precisamos de uma base de código aberta (open source code base).
Existem três ou quatro aplicações/sistemas informáticos disponíveis que podem servir este desígnio.
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no XPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas: Gold Standard Institute, Ken Griffith, Ouro, Padrão Monetário Livre, Padrão-ouro, Programas Informáticos, Sistema de Pagamentos, Sistema Monetário Internacional, Sociedade para o Padrão-Ouro Livre
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Em defesa de um padrão monetário livre - parte II
Um modelo regulatório para um padrão-ouro livre
Publica-se aqui a segunda parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui.
Publica-se aqui a segunda parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #43", Julho de 2014
A principal fragilidade que conduziu ao desaparecimento da primeira geração monetária do ouro digital foi a ausência de um modelo regulatório.
As primeiras empresas de ouro digital iniciaram a actividade como empresas regulares sem obterem as licenças necessárias para a prestação de serviços financeiros. Depois de terem crescido o suficiente para chamar a atenção das autoridades, foram impedidas de obter as respectivas licenças a maior parte delas enfrentou disputas legais e fechou.
Nos anos 90, os estados não tinham categorias regulatórias para sistemas digitais de pagamentos com reservas totais, por isso as empresas que fizeram os pedidos de licenciamento viram os seus pedidos negados.
O problema regulatório
De acordo com a visão apresentada na Parte I para o padrão-ouro livre, precisamos de um sistema de transacções de ouro digital, bem como plataformas eficientes de transacção do nosso ouro face às diferentes moedas envolvidas. A definição destas exigências, e os respectivos papéis, constitui-se como o trabalho de definição das instituições financeiras reguladas.
Em vez de pedir aos governos que criem novas regulamentações e enquadramentos legais para os sistemas de ouro digital, consideremos primeiro o contexto existente das instituições reguladas. A maioria dos países tem uma pirâmide de intituições financeiras com um banco central no topo, que se pode apresentar do seguinte modo:
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no XPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas: Banca, Gold Standard Institute, Ken Griffith, Ouro, Padrão Monetário Livre, Padrão-ouro, Sistema Monetário Internacional, Sociedade para o Padrão-Ouro Livre, Sociedades Cooperativas, Uniões de Crédito
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Radar
No final deste mês ocorrerá um referendo na Suíça acerca das suas reservas de ouro (repatriamento, reservas mínimas de 20% e proibição de vendas de ouro por parte do banco central suíço).
A Holanda procedeu, recentemente e em segredo, ao repatriamento das suas reservas de ouro que estavam em Nova Iorque.
A Holanda e a Alemanha tinham planos preparados para regressar a um padrão-ouro caso o euro caísse em 2012 (aqui e aqui). A preparação ocorria enquanto altos dirigentes diziam que a crise tinha passado... pois! Caso para dizer: cada um vai-se preparando e mantém essa preparação em segredo.
A novela continua. Acredita quem quiser.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Em defesa de um padrão monetário livre
O dinheiro num mercado livre
Inicia-se hoje a publicação de um conjunto que artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute. Os diferentes artigos que iremos publicar são dedicados à análise das potencialidades, das dificuldades e soluções para a construção de um novo padrão monetário. A novidade central nesta reflexão, ancorada na experiência e no passado recentes, é a ideia de que esse padrão pode ser implementado pela iniciativa livre dos cidadãos, sem necessidade da sua imposição por parte do estado. Importa sublinhar, especialmente nesta primeira parte, que esta reflexão assenta num conhecimento das necessidades monetárias do mercado, bem como na análise de tentativas recentes para a implementação de um padrão monetário livre.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
Inicia-se hoje a publicação de um conjunto que artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute. Os diferentes artigos que iremos publicar são dedicados à análise das potencialidades, das dificuldades e soluções para a construção de um novo padrão monetário. A novidade central nesta reflexão, ancorada na experiência e no passado recentes, é a ideia de que esse padrão pode ser implementado pela iniciativa livre dos cidadãos, sem necessidade da sua imposição por parte do estado. Importa sublinhar, especialmente nesta primeira parte, que esta reflexão assenta num conhecimento das necessidades monetárias do mercado, bem como na análise de tentativas recentes para a implementação de um padrão monetário livre.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #42", Junho de 2014
Nasci em 1971, três meses depois de Richard Nixon ter emitido uma lei que obrigava ao abandono da ligação entre o dólar e o ouro. Durante toda a minha vida, ouvi defensores do ouro e economistas austríacos lamentarem-se do desaparecimento do padrão-ouro, bem como o clamor de um regresso a ele. O propósito deste artigo é indagar se um novo padrão-ouro pode ser constituído através da iniciativa e acção privadas. A esta meta darei o nome de “padrão-ouro livre”.
Após anos de estudo e reflexão acerca destas matérias, cheguei à conclusão de que o padrão-ouro imposto por um estado e gerido por um banco central não resolveria o problema que enfrentamos relativamente à moeda que usamos. Políticos e dinheiro honesto são como azeite e água – não se misturam. Os políticos e os governadores dos bancos centrais são exímios na desvalorização da moeda, caso os deixemos controlá-la. Não há nenhuma nação que, tendo monopolizado a produção de moeda, esteja a salvo dessa tentação.
Julgo que o único modo de o mundo voltar a ter um verdadeiro padrão-ouro será se ele for alcançado através do livre mercado, sem intervenção estatal.
A primeira tentativa – a era do ouro digital
O leitor talvez não saiba, mas existiu um breve período (1996 até 2008) em que existiu um sistema monetário fundado no ouro. Liderado pela empresa e-gold.com, a “economia do ouro” através da internet cresceu ao ponto de representar 80 toneladas de ouro/ano de transacções entre utilizadores. No seu ponto alto, existiam sete entidades digitais emissoras e uma rede internacional de agentes e dois milhões de titulares de contas. O ouro digital era a forma mais rápida e barata de mover dinheiro à volta do mundo. O ouro mudava de mãos – como meio de pagamento – numa razão de 78 transacções por utilizador/ano.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Regra de Ouro
Alan Greenspan, "A Regra de Ouro - a razão pela qual a China está a comprar" - Foreign Affairs - 29 de Setembro de 2014
"A questão de fundo - o regresso a um qualquer padrão-ouro - não está no horizonte de ninguém. Essa ideia tem poucos apoiantes num mundo em que, virtualmente, todos aceitam papel-moeda e taxas de câmbio livres. No entanto, o ouro tem propriedades especiais que nenhuma moeda, com a excepção da prata, pode reivindicar. Durante mais de dois mil anos, o ouro gozava do estatuto de meio de pagamento inquestionável e não exigia garantias de crédito a terceiros. Não se levantavam questões quando, o ouro ou títulos directos sobre ouro, eram oferecidos em pagamento de uma obrigação.
Nos dias de hoje a aceitação de papel-moeda - moeda sem ligação a qualquer activo com valor intrínseco -, fundamenta-se na garantia de crédito das nações soberanas com poder efectivo de taxar. Mas essa garantia não consegue igualar o estatuto, que o ouro possui, de ter aceitação universal."
Surpreendente este artigo. Seja pelo momento em que é publicado, mas também por ser escrito por Alan Greenspan. Assistimos, neste momento, a uma correcção mais acentuada do que muitos previam nos metais preciosos, em especial depois de ocorrerem mudanças relevantes na estrutura e organização do próprio mercado.
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no XPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas: Alan Greenspan, BCE, Crise de Crédito, Descalabro ético, Fed, Grande Crise Financeira, Liberdade, Mal moral, Mercado do Ouro, Missionário, Padrão-ouro, Sistema Bancário, Sistema Financeiro Internacional
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Delícias para as noites de Verão
Toda uma outra História
Recentemente mão amiga fez-me chegar um exemplar da revista Exame (Julho 2014). Não foi o tema de capa ou o teste a um Maserati ("de luxo" escreveram, mas há de outro tipo?) que motivou essa chamada de atenção, mas o dossiê "Os grandes banqueiros da História". Para lá do tom deslumbrado das descrições e da narrativa focada em oposições superficiais (para enaltecer o carácter dos "vencedores", digamos), uma passagem deixou-me perplexo. Não sei se pela perigosa simplificação (mal de que padecem publicações convencionais) ou da (muito pior) deturpação histórica que essa passagem encerra. A passagem é a seguinte (com edição minha):
Esta passagem é uma evidência da simplificação a que estamos sujeitos através dos meios de comunicação convencional. Tom deslumbrado? O título desta secção ("O ouro e a operação de salvamento") é tudo o que basta para o evidenciar. Exemplo de oposições superficiais? Repare-se na oposição entre entre os "investidores europeus" (os maus) e "J.P.Morgan" (o bom). Mas se alguém perguntar porque vendiam os europeus os seus dólares, fica sem saber. Conclui pelo papel absolutamente altruísta e desinteressado de J.P.Morgan. Simples, não é?
Mas o banqueiro "monta operações de salvamento" a partir da Casa Branca! Haverá maior sinal do conluio entre poder político e financeiro? Que perdura até hoje. Com as consequências que todos conhecemos.
E a última afirmação relativa ao padrão-ouro? Inacreditável.
O vídeo que proponho hoje na rubrica das "Delícias" é um esforço para colocar os últimos cem anos de história política e financeira americana (com ramificações para todo o mundo) numa perspectiva crítica, mostrando a verdadeira natureza da narrativa oficial (sejam os seus silêncios ou as suas deturpações) acerca de temas tão relevantes como o papel dos bancos centrais, a criação da moeda e do crédito ou os interesses de estado que se relacionam com certos personagens como J.P.Morgan, por exemplo.
O autor James Corbett apresenta toda a investigação que suportou este filme à disposição dos leitores (muitas das fontes são oficiais). Os dados apresentados e a sua relação não andam longe do que Rothbard (e outros) já descreveram.
Em conclusão: simplificação ou deturpação?
Os leitores que decidam.
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
Recentemente mão amiga fez-me chegar um exemplar da revista Exame (Julho 2014). Não foi o tema de capa ou o teste a um Maserati ("de luxo" escreveram, mas há de outro tipo?) que motivou essa chamada de atenção, mas o dossiê "Os grandes banqueiros da História". Para lá do tom deslumbrado das descrições e da narrativa focada em oposições superficiais (para enaltecer o carácter dos "vencedores", digamos), uma passagem deixou-me perplexo. Não sei se pela perigosa simplificação (mal de que padecem publicações convencionais) ou da (muito pior) deturpação histórica que essa passagem encerra. A passagem é a seguinte (com edição minha):
"O ouro e a operação de salvamento
(…) Durante o pânico euro-americano de 1890-1895, on investidores europeus vendem os seus dólares. O Estado Federal arrisca uma crise de liquidez, senão mesmo entrar em incumprimento. J.P.Morgan monta, na Casa Branca, a operação de salvamento (…) A confiança recuperada permite a revenda dos títulos com lucro e depois de propor um empréstimo público de 67 milhões de dólares, em 1896, montado por J.P.Morgan. A sua capacidade transatlântica e, sobretudo, a sua habilidade jurídica e financeira entram para a história da banca. Isto conduzirá ao estabelecimento oficial do gold standard (padrão-ouro) nos Estados Unidos, em 1900."
Esta passagem é uma evidência da simplificação a que estamos sujeitos através dos meios de comunicação convencional. Tom deslumbrado? O título desta secção ("O ouro e a operação de salvamento") é tudo o que basta para o evidenciar. Exemplo de oposições superficiais? Repare-se na oposição entre entre os "investidores europeus" (os maus) e "J.P.Morgan" (o bom). Mas se alguém perguntar porque vendiam os europeus os seus dólares, fica sem saber. Conclui pelo papel absolutamente altruísta e desinteressado de J.P.Morgan. Simples, não é?
Mas o banqueiro "monta operações de salvamento" a partir da Casa Branca! Haverá maior sinal do conluio entre poder político e financeiro? Que perdura até hoje. Com as consequências que todos conhecemos.
E a última afirmação relativa ao padrão-ouro? Inacreditável.
O vídeo que proponho hoje na rubrica das "Delícias" é um esforço para colocar os últimos cem anos de história política e financeira americana (com ramificações para todo o mundo) numa perspectiva crítica, mostrando a verdadeira natureza da narrativa oficial (sejam os seus silêncios ou as suas deturpações) acerca de temas tão relevantes como o papel dos bancos centrais, a criação da moeda e do crédito ou os interesses de estado que se relacionam com certos personagens como J.P.Morgan, por exemplo.
O autor James Corbett apresenta toda a investigação que suportou este filme à disposição dos leitores (muitas das fontes são oficiais). Os dados apresentados e a sua relação não andam longe do que Rothbard (e outros) já descreveram.
Em conclusão: simplificação ou deturpação?
Os leitores que decidam.
Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Ouro - um regresso esperado
Antes mesmo de ganhar o prémio nobel da economia em 1999, Robert Mundell pronunciou um discurso no Latrobe College (Pensilvânia, 1997) de que se seleccionou, traduziu e editou a seguinte passagem:
“O sistema monetário internacional no séc. XXI”, Robert Mundell - 12 de Março de 1997
"Não penso que voltaremos a ver um tempo em que duas grandes economias – os Estados Unidos e a União Europeia – fixem as suas moedas ao ouro, como fizeram no passado. O mais provável é que o ouro volte a ser usado a dada altura, talvez daqui a dez ou quinze anos, quando os governadores dos bancos centrais se sentirem confortáveis a falar publicamente acerca do seu uso, ao preço do mercado e não fixo, entre os próprios bancos centrais.
O ouro terá um papel na estrutura do sistema monetário do século XXI, diferente do que desempenhou no passado. Podemos analisar o período do padrão-ouro como sendo um período único na história, quando havia um balanço entre os poderes e não havia uma superpotência a dominar.
Esperemos que o maior evento do século XXI seja o facto de o dólar e o euro aprendam a viver juntos."
quinta-feira, 19 de junho de 2014
A Grande Guerra 1914-1918 – Algumas notas e fragmentos (VII)
Depois de um interregno aparente, regresso explicitamente ao tema da I Guerra Mundial suprimindo o impulso de escolher para título deste post qualquer coisa como um (por aqui) improvável "Obrigado, Lorde Keynes!" Explico-me. No seu livro de 1919, As Consequências Económicas da Paz" (a paz (?) de Versalhes), Keynes oferece-nos uma breve mas ainda assim rica descrição do ambiente prevalecente no mundo ocidental até às vésperas da eclosão da hecatombe iniciada em Agosto de 1914. Ela ilustra a tripla liberdade então existente - a da livre circulação de pessoas, dinheiro e bens - que o liberalismo clássico tinha tornado possível pela primeira vez na História. O trecho que se segue é, creio, disso bem ilustrativo. Finda a guerra, uma nova era se iniciaria: a da deificação do estado-nação, do nacionalismo, do proteccionismo e da autarcia. Em suma, a vitória do colectivismo sobre o individualismo para o que era imprescindível proceder à sistemática destruição do padrão-ouro moeda que tinha vigorado nos 100 anos precedentes. A tradução é minha, bem como os realces introduzidos. (O livro está disponível para download gratuito em português do Brasil.)
"Que extraordinário episódio de progresso económico humano constituiu aquela era que terminou em Agosto de 1914! É certo que a maior parte da população trabalhava duramente e vivia com um baixo padrão de conforto, mas, aparentemente, contentava-se com a sua sorte. Todavia, a qualquer homem de capacidade ou carácter acima da média, era possível escapar a esse destino, ascendendo às classes média e alta, para quem a vida oferecia, a baixo custo e com pouco esforço, conveniências, confortos e amenidades que iam muito além do que os monarcas mais ricos e poderosos de outras eras alguma vez possuíram. Enquanto beberricava o chá matinal ainda na cama, o habitante de Londres podia encomendar por telefone diversos produtos de todo o mundo, nas quantidades que achasse adequadas, na expectativa razoável que fossem entregues rapidamente à sua porta; em simultâneo, e pelos mesmos meios, podia investir a sua riqueza em recursos naturais e em novos empreendimentos em qualquer parte do mundo e participar, sem esforço ou dificuldade, nas vantagens em perspectiva; ou podia decidir ligar a segurança da sua fortuna à boa-fé dos habitantes de um município importante num qualquer continente que a sua fantasia ou as informações de que dispusesse pudessem recomendar. Se o desejasse, podia assegurar, sem demora, um meio de transporte barato e confortável para qualquer país ou clima, sem necessitar de passaporte ou outra qualquer formalidade; podia enviar um seu empregado ao balcão mais próximo de um banco para se abastecer dos metais preciosos que entendesse conveniente, viajando de seguida para um país estrangeiro, sem conhecer a religião, a língua ou os costumes locais, transportando consigo a sua riqueza sob a forma de moedas, e considerar-se-ia muito ofendido e muito surpreendido caso houvesse o mínimo de interferência nos seus movimentos. Mas, e o mais importante de tudo, considerava esse estado de coisas como sendo normal, certo e permanente, excepto no sentido da introdução de novos aperfeiçoamentos, pelo que considerava qualquer desvio como sendo aberrante, escandaloso e evitável. Os projectos e a política do militarismo e imperialismo, dos monopólios, rivalidades raciais e culturais, restrições e exclusões, que iriam desempenhar o papel de serpente neste paraíso, eram pouco mais do que diversões quotidianas dos jornais, sem que parecessem exercer qualquer influência no curso normal da vida social e económica, cuja internacionalização, na prática, estava quase completa."
John M. Keynes
John Maynard Keynes, As Consequências Económicas da Paz (1919)
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Ascensão e (muito) provável queda do dólar americano
Julgo ter encontrado neste artigo de Robert P. Murphy - editor de um muito frequentado blogue para economistas, e autor de vários livros entre os quais o excelente Lessons for the Young Economist (dirigido à população juvenil do ensino secundário nas versões para aluno e professor) -, uma sucinta mas rica súmula da ascensão do dólar bem como da sua previsível queda. Murphy descreve o fim do padrão barra-ouro decretado por Franklin Roosevelt em 1933/34 (incluindo o episódio do roubo que perpetrou aos americanos quando lhes confiscou o ouro que detinham) e o novo arranjo monetário que lhe sucedeu, o dólar-ouro, saído da conferência de Bretton Woods e da "nova ordem internacional", dominada pelos EUA, que resultou da II Guerra Mundial. A meu ver, consegue proporcionar um relato inteligível a um qualquer leitor interessado sem todavia lhe escapar o essencial do porquê do papel privilegiado que o dólar tem proporcionado aos EUA durante todo este tempo. Termina o artigo a explicar as razões para a sua (muito) provável queda, que, a concretizar-se, antecipa fragorosa. Em suma, razões bastantes para que achasse útil traduzi-lo (eventuais erros da minha inteira responsabilidade).
16 de Maio de 2014
Por Robert P. Murphy
Ainda Não Aconteceu o Crash: Estavam os Economistas da Escola Austríaca
Errados relativamente ao Dólar?
Os críticos do governo dos EUA, com frequência, chamam a atenção para os perigos da moeda fiduciária. Com efeito, desde que Richard Nixon acabou com a ligação do dólar ao ouro (em 1971), muitos proponentes do "dinheiro sólido" alertaram para um crash do dólar. Isto levou os críticos destes "gold bugs" a ridicularizar as previsões aparentemente erradas destes últimos e dos seus excêntricos pontos de vista. Neste artigo irei percorrer algumas das principais questões nesta matéria. Como veremos, os gold bugs poderão vir a acabar por ser os últimos a rir.
Robert P. Murphy
Sob o padrão-ouro clássico, o dólar americano era convertível em ouro à paridade de 20,67 dólares por onça. Quando FDR [Franklin Delano Roosevelt N.T.] tomou posse em 1933, ele terminou com esta estrita ligação do dólar e confiscou o ouro da nação. (O famoso depósito de ouro em Fort Knox foi na realidade construído com a finalidade de armazenar o ouro roubado dos americanos).
quarta-feira, 19 de março de 2014
A Grande Guerra 1914-1918 – Algumas notas e fragmentos (VI)
Retomando o tema da Iª Grande Guerra, publicamos o testemunho de David Stockman. Este texto é apenas uma pequena parte de um ensaio maior (ver título no final) que o autor elaborou e publicou na sua mais recente plataforma de comunicação. Não podemos deixar de recomendar a visita e a leitura de tão rico espaço de reflexão, que conta também com contributos de John Butler, Michael Krieger, Detlev Schlichter e Mike "Mish" Shedlock, entre outros.
Retomam-se as relações já experimentadas (aqui) na tentativa de dirigir a atenção às raízes dos actos da peça que ainda hoje pautam a nossa vida colectiva.
A Grande Guerra e o seu legado, por David Stockman
"O meu propósito aqui é elaborar um esboço do que foi a longa história da Iª Grande Guerra, começando, precisamente, há cem anos. Nesse mesmo ano, a Reserva Federal (FED) abria as suas portas enquanto a carnificina decorria no norte de França, o que acabou por encerrar um período de meio século de liberalismo internacionalista e de dinheiro honesto suportado pelo ouro.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Citação do dia (154)
[O] padrão-ouro não entrou em colapso. Os governos aboliram-no de modo a preparar o caminho para a inflação. Todo o sombrio aparelho de opressão e coerção - polícias, guardas alfandegários, tribunais criminais, prisões, em alguns países até mesmo carrascos - teve que ser accionado para destruir o padrão-ouro. Promessas solenes foram quebradas, leis retroactivas foram promulgadas, disposições constitucionais e declarações de direitos foram desafiadas abertamente. E as hostes de autores servis louvaram o que os governos haviam feito, saudando o alvorecer do milénio da moeda fiduciária.
Ludwig von Mises, in The Theory of Money and Credit
(Edição em língua inglesa de 1952, minha tradução)
sábado, 1 de fevereiro de 2014
A Grande Guerra 1914-1918 – Algumas notas e fragmentos (II)
"Uma análise da história dos conflitos militares dos últimos dois séculos revela, claramente, que muitas guerras com efeitos devastadores para a humanidade poderiam ter sido prevenidas, ou seriam menos nocivas, não fosse a crescente influência dos estados na definição de políticas monetárias, em particular a sua influência e controlo da expansão do crédito e da criação de moeda. De facto, os governos têm escondido o verdadeiro custo destes conflitos dos seus cidadãos, usando procedimentos inflacionários para o seu financiamento. Que, ao abrigo da emergência militar, os tem deixado impunes. Por conseguinte, podemos afirmar com segurança que a inflação alimentou as guerras."
Jesús Huerta de Soto (2009), "Money, Bank Credit and Economic Cycles" (pp. 758, 759)
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
O Grande Recomeço IV
(última parte)
KJ – Há mais provas dessa manipulação?
WM – Através da análise de uma transcrição de uma reunião da FED em Março de 1978, sabemos que a manipulação do preço do ouro foi um dos pontos discutidos. Durante essa reunião, o governador Miller refere que nem foi necessário vender ouro para fazer baixar o preço, bastou fazer uma declaração aludindo à disponibilidade da FED em fazê-lo. E porque o Tesouro dos EUA não está autorizado a vender as sua reservas, a FED decidiu em 1995 estudar a criação e implementação de mecanismos especiais ´gold-swaps` [contratos de futuros ou papel-ouro – nota tradutor] para poder aceder às reservas dos Bancos Centrais ocidentais. Através destes mecanismos, o ouro pode ser cedido em empréstimo à FED para que possa ser vendido pelos bancos de Wall Street, obtendo com isso a supressão do preço. Por causa destes contratos (swap´s) o ouro é, oficialmente, apenas emprestado, pelo que os Bancos Centrais podem manter nos seus balanços esses activos. A FED também informava antecipadamente os Bancos Centrais se esperava uma descida do metal e, desse modo, as reservas destes inundavam o mercado antes dessa descida. O que, como é obvio, acentuava a queda do preço.
Do ponto de vista logístico esta operação era muito fácil de concretizar, uma vez que os cofres em Nova Iorque tinham a maior colecção das reservas de ouro estrangeiro. Desde a década de 30, muitos países europeus escolheram armazenar o ouro que possuíam nos EUA por receio de uma invasão alemã ou soviética.
KJ – O Reino Unido teve algum papel nessas intervenções?
WM – Entre 1999 e 2002, o Reino Unido deu início a uma venda agressiva das suas reservas de ouro, precisamente, quando o preço estava em mínimos de 20 anos. Antes mesmo de dar início a essa venda, o responsável pelo Tesouro Gordon Brown anunciou que o Reino Unido iria colocar no mercado mais de metade do seu ouro numa série de leilões, com a intenção manifesta de diversificar as reservas do Tesouro. A reacção dos mercados foi de choque, porque nunca um governo tinha anunciado aos investidores que iria vender. Gordon Brown estava a seguir a mesma estratégia da FED que assinalei atrás, para induzir uma quebra do preço por via desses avisos. A intenção dessa acção não era a de obter o melhor preço, antes a de manter uma pressão constante para acentuar a baixa no preço. Assim, o Reino Unido vendeu perto de 400 toneladas ao longo de 17 leilões em apenas três anos. Durante este período o mercado estava a encontrar o seu fundo, ou seja, enquanto estabilizava de uma queda prolongada, esses leilões forçaram mais quedas no preço. No meu entender, a decisão de Gordon Brown foi uma resposta a um pedido dos Estados Unidos. Os EUA apoiaram Gordon Brown desde então.
KJ – Como é que essas manipulações ocorrem hoje?
WM – A transição de um mercado presencial para um mercado electrónico e digital abriu novoas possibilidades para controlar os mercados financeiros. O consagrado advogado de Wall Street Jim Rickards apresentou um artigo em 2006 onde se explica como os ´derivativos podem ser usados para influenciar os mercados físicos do petróleo, do cobre ou do ouro`. No seu sucesso de vendas “Currency Wars”, Rickards explica como a proibição da regulação dos derivativos no Commodity Futures Modernization Act (2000) ´abriu a porta para o aumento do tamanho e variedade destes mecanismos que estão, agora, escondidos e fora dos balanços dos maiores bancos, pelo que é quase impossível de acompanhar ou regular`. Estas mudanças permitem manipular facilmente os mercados financeiros, especialmente porque os preços dos metais (como o ouro ou a prata) são determinados pela negociação dos contratos de futuros no mercado global. E porque 99% destas transacções são conduzidas por especuladores que não querem a entrega física desses metais, ficam satisfeitos com os lucros que retiram desses contratos de futuros. Assim, os mercados do ouro, da prata ou de outras matérias-primas são fortemente condicionados pelas transacções desses contratos [a que se chama também de oferta sintética – nota do tradutor].
A quebra de 200 dólares no preço da onça (oz) de ouro nos dias 12 e 15 de Abril de 2013 é um exemplo perfeito e recente desta estratégia. A quebra no preço da prata, após ter alcançado os 50 dólares/oz no dia 1 de Maio de 2011, é outro claríssimo exemplo.
KJ – Por quanto tempo pode continuar esta guerra?
WM – Como Koos tem tornado público com as suas investigações, são vários os indícios de problemas no mercado físico do ouro. Eu ficaria surpreendido que este jogo de papel-ouro [oferta sintética] pudesse continuar por mais dois anos. Este jogo pode ruir ainda em 2014. O incumprimento num contrato de futuros (em ouro ou prata) no COMEX é uma possibilidade real. Aconteceu algo de semelhante no mercado da batata em 1976, quando um contrato de futuros não foi cumprido no NYMEX. Um magnata da batata vendeu muitos contratos que ficaram por cumprir na data em que expiraram, o que resultou em incumprimentos nas entregas físicas dos bens contratados. Como podemos ver, isso já aconteceu. Num cenário desses, os contratos serão dissolvidos através do pagamento em dinheiro e não através da entrega dos bens contratados. E num preço determinado unilateralmente. Julgo que o COMEX vai recorrer a estes acordos e indeminizações e não serão cumpridos os contrados de entrega dos metais contratados. Isso acontecerá em breve. Depois de um acontecimento desses, o preço do ouro será determinado nos mercados asiáticos como o Shangai Gold Exchange, pelo que espero uma subida rápida de 1000 dólares no preço do ouro e a duplicação do preço da prata, literalmente, da noite para o dia. Essa é uma das razões pelas quais o nosso Commodity Discovery Fund investe em empresas de mineração desvalorizadas, mas com largas reservas por explorar de ouro e prata. Terão, seguramente, um grande potencial de valorização quando o cenário que apresentei se concretizar.
Pela apresentação desta quarta parte, fica concluída a
publicação da tradução da entrevista a Willem Middlekoop. Convido os leitores,
numa releitura da entrevista, a colocar em perspectiva toda a informação
histórica disponibilizada e que procurem ver o momento presente à luz desse
enquadramento.
Nos dias que antecederam a publicação e a tradução
desta entrevista alguns acontecimentos tiveram lugar que têm relação com o que,
de substancial, nela se abordou, pelo que deixo aqui a sua referência. Que cada
um dê a importância e o significado que quiser dar-lhes.
Para além da polémica do
repatriamento do ouro alemão que está nos EUA (a polémica quanto ao
atraso nessa operação), é de notar que um grande banco
internacional começou a impor limitações nos movimentos de capital
em Inglaterra (o leitor lembra-se da referência ao artigo de Rogoff e Reinhart
para o FMI?). Por outro lado, a “casa da moeda” austríaca (responsável pela
cunhagem de uma das moedas mais conhecidas para investimento em ouro e prata –
Wiener Philarmoniker) estar a trabalhar 24 sobre 24 horas para responder à
importante subida nas encomendas dos seus produtos.
Terá Willem Middlekoop razão e dois anos são
um luxo que o sistema financeiro internacional não pode pagar?
(edição) - mais um importante facto que importa assinalar quanto à possibilidade de imposto sobre poupanças bancárias na Europa. É esta a União bancária que desejam os políticos europeus?
domingo, 26 de janeiro de 2014
O Grande Recomeço III
Damos continuidade à publicação da entrevista a Willem Middlekoop realizada por Koos Jansen. A terceira e quartas partes vão focar-se na abordagem a um capítulo específico da sua última
obra “The Big Reset” com o título “War on Gold” e que resulta de investigação
que o autor tem vindo a fazer desde 2002.
A Guerra ao Ouro
Koos Jansen – Por que razão os EUA lutam
contra o ouro?
Willem Middlekoop – Os EUA
querem que o sistema-dólar prevaleça, de maneira que têm todo o interesse em
prevenir o abandono do dólar e a aposta
no ouro. Ao venderem ouro em papel [contratos de futuros e não ouro físico
– nota do tradutor], os banqueiros têm tentado manter o controlo do preço do
ouro nas últimas décadas. Esta guerra já tem quase cem anos, mas ganhou impulso
nos anos 60 do séc. XX com a criação da plataforma de ouro de Londres (London Gold Pool). Julgo que, da mesma
maneira que essa plataforma e o seu desígnio de controlar o preço falhou em
1969, assim vai falhar o actual esquema de manipulação dos preços do ouro e da
prata.
KJ – Em que consiste essa guerra?
WM – a sobrevivência do corrente sistema
financeiro mundial depende, justamente, da preferência das pessoas recair sobre
o papel-moeda em vez de recair no ouro. Depois do dólar se ter libertado da
ligação ao ouro em 1971, os banqueiros têm andado a demonetizar o ouro. Um dos argumentos que eles usam para
deter os investimentos em ouro é que estes metais não permitem obter um retorno
directo, seja em juros ou dividendos. Mas os juros e os dividendos são
pagamentos face ao risco, são contrapartidas face à possibilidade de os
devedores não cumprirem as suas obrigações. Ora o ouro não acarreta esse risco.
A guerra ao ouro é, na sua
essência, um esforço para suportar o dólar, mas há mais motivações. De acordo
com alguns estudos, o preço do ouro e as expectativas das pessoas face à
inflação estão fortemente relacionadas. Como sabemos, os bancos centrais
trabalham arduamente para influenciar as expectativas de inflação. Em 1988, um
estudo de Summers e Barsky confirmou a relação entre o preço do ouro e as taxas
de juro, concluindo que um preço mais baixo do ouro conduz a taxas de juro
igualmente mais baixas.
KJ – E quando começou essa guerra?
WM – A primeira evidência de que os EUA
estavam a interferir no mercado do metal pode ser encontrada logo em 1925,
quando a FED falsificou informação relativa às reservas de ouro do Banco de
Inglaterra para influenciar as taxas de juro. Todavia, esta guerra começou, de
um modo mais intenso e organizado, a partir dos anos 60 quando a confiança no
dólar começou a ser posta em causa. Conflitos geopolíticos como a construção do
Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis em Cuba e a escalada da violência o
Vietname conduziram ao aumento considerável dos custos militares dos Estados
Unidos, o que se traduziu em défices orçamentais crescentes.
Um memorando de 1961, com título
“US Foreign Exchange Operations: needs and methods”, descreve o plano para manipular, simultaneamente, o
mercado cambial e o mercado do ouro através de intervenções estruturais,
mantendo e defendendo o dólar e limitando o preço do ouro nos 35 dólares/oz.
Era vital para os EUA gerir o mercado do ouro, caso contrário, outros países
podiam trocar o seu excedente em dólares por ouro, depreciando o dólar e
valorizando o ouro.
KJ – Como era gerido o preço do ouro nos
anos 60?
WM – Durante as reuniões de governadores
dos Bancos Centrais no Bank of
International Settlements [BIS – o Banco Central dos Bancos Centrais – nota
tradutor] em 1961 ficou acordada a criação de uma plataforma de reserva de 270
milhões de dólares em ouro que seria alimentada por oito países ocidentais.
Esta plataforma de Ouro de Londres (London
Gold Pool) era destinada a previnir e a impedir a subida do preço do metal
acima dos 35 dólares/oz, através da venda das reservas oficiais dos respectivos
Bancos Centrais dos países participantes.
A ideia subjacente era, caso os
investidores tentassem canalizar os seus activos para algo seguro como o ouro,
a plataforma ofereceria uma maior quantidade de metal a comercializar no
mercado, assim impedindo a consequente subida do preço. Por exemplo, durante a
Crise dos Míssões de Cuba em 1962, pelo menos 60 milhões de dólares em ouro
foram vendidos entre 22 e 24 de Outubro. O FMI providenciou ouro extra para ser
vendido assim que fosse necessário.
Em 2010, uma série de relatórios
secretos americanos foram tornados públicos pelo Wikileaks. Alguns relatórios de 1968 descrevem o que teve de
ser feito para manter o controlo do preço do ouro. A finalidade era convencer
os investidores de que não era proveitoso apostar na subida do preço. Um dos
relatórios refere os esforços das campanhas de propaganda para convencer o público
que os Bancos Centrais continuavam a ser ´os
mestres do ouro`. Não obstante estes esforços, em Março de 1968 a
plataforma foi suspensa porque a França já não cooperava e o mercado do ouro
esteve fechado durante duas semanas. Noutros mercados [não ocidentais] o preço
do ouro subiu imediatamente 25%. Isto pode acontecer, actualmente, caso o COMEX
falhe nas suas obrigações.
(continua)
(continua)
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
O Grande Recomeço II
Koos Jansen – E a
China apoia essas ideias para uma reforma monetária?
Willem Middlekoop –
Como já referi, o governador do banco central chinês defendeu todo um novo
sistema monetário em 2009. Ele explicou que os interesses dos EUA e dos outros
países deveriam estar alinhados, o que não acontece na presente situação. Zhou
Xiaochuan advogou o desenvolvimento dos SDR numa “moeda de reserva supra-soberana desligada de nações individuais e que
fosse estável no longo prazo.”
De acordo com alguns peritos, o FMI precisa de
mais cinco anos para preparar o sistema monetário internacional para a introdução
dos SDR à escala global. Outros, todavia, questionam-se se teremos o luxo de um
horizonte de cinco anos.
O facto de a China ter deixado de comprar dívida
americana em 2010, estando a aumentar as suas reservas de ouro, diz muita
coisa. Responsáveis chineses indicaram que a China quer atingir, no mais curto espaço de tempo, as 6 mil
toneladas para preparar a transição para a nova fase do sistema monetário. Para
além disso, um recente artigo da Bloomberg
sugere que o Banco Popular da China e investidores privados já acumularam mais
de 4 mil toneladas desde 2008. Os chineses parecem ter receio de que os EUA
surpreendam o mundo com uma revalorização das suas reservas de ouro.
Considere-se também o telegrama que o Wikileaks publicou da embaixada americana em Pequim em 2010. A mensagem enviada
para Washington relata as notícias do Shangai´s
Busines News acerca das consequências de uma desvalorização do dólar e
prossegue: “se usarmos todas as nossas
reservas para adquirir obrigações americanas, então no dia em que a FED
anunciar que dez dólares passam a valer apenas um, ainda que esse novo dólar
esteja ligado ao ouro, seremos surpreendidos e sem reacção.”
KJ –
Consegue explicar a paixão dos chineses pelo ouro?
WM –
Eles sabem, até pela sua própria história, que o ouro tem sido usado uma e
outra vez para reconstruir a confiança quando um sistema de papel-moeda chega
ao seu fim. Como o próprio Koos deve saber, o principal jornal académico do
Comité Central do Partido Comunista publicou um artigo em 2012 que lança alguma
luz sobre a sua estratégia relativa ao ouro e o que pensam relativamente ao seu
papel monetário. O artigo [traduzido em exclusivo por In Gold We Trust]
foi escrito por Sun Zhaoxue, presidente da China
Natural Gold Corporation e da China Gold
Association, onde diz que: “aumentar
as reservas de ouro deve tornar-se o pilar central da estratégia de
desevolvimento do nosso país. O estado precisará de elevar o estatuto do ouro
para se tornar um recurso estratégico como o petróleo e a produção de energia.
Temos de alcançar o nível mais elevado de reservas de ouro no mais curto espaço
de tempo. O investimento individual em ouro é também uma componente importante
na construção das reservas chinesas, por isso devemos encorajar esse
investimento.
De acordo com a minha pesquisa, os chineses estão
na fase final para atingir as 6 mil toneladas e querem, claramente, chegar às
10 mil antes de 2020. Essa quantidade faria com que os chineses estivessem a
par com os EUA e a Europa relativamente à ratio
ouro/PIB. Isso poderia encorajar um apoio mais alargado (dos EUA + EU + China)
para as mudanças que se avizinham, como os SDR do FMI. Isto sem esquecer que a
Rússia também poderia alinhar, já que adquiriu para cima de mil toneladas desde
2008.
KJ – A
China e o Japão têm os mesmos problemas relativos à dívida como têm os países
ocidentais?
WM – De
acordo com John Mauldin, a China ainda é mais dependente da impressão de
dinheiro que os EUA ou o Japão. Apesar das reservas financeiras de 4 mil
biliões, a China confronta-se com um problema considerável de dívida, após o
seu sistema bancário ter acumulado colateral no valor de 14 triliões entre 2008
e 2013. As antigas lideranças do PC chinês ainda se lembram como conseguiram
alcançar o poder e foi, precisamente, por causa dos problemas monetários entre
1937 e 1949. O seu principal objectivo é evitar desacatos sociais generalizados
como aconteceu durante o período de hiperinflação depois da Segunda Guerra
Mundial.
KJ – O
que sabem os chineses acerca da Guerra ao Ouro?
WM – O
mesmo Sun Zhaoxue explicou em 2012 que: “depois
da desintegração do sistema de Bretton Woods nos anos 70, o padrão-ouro que se
usou por quase cem anos colapsou. Sobre a influência da hegemonia do dólar
americano, o efeito estabilizador do ouro foi posto em causa. A argumentação de
que o ouro é inútil espalhou-se, então, pelo globo. Muitas pessoas pensam que o
ouro não é mais a base monetária e que armazenar ouro iria aumentar o custo das
reservas. Por isso é que os bancos centrais começaram a vender as suas reservas
e os preços começaram a baixar. Neste momento, há muitas pessoas a perceber que
essa argumentação contém muitas falácias. E o ouro sofre de estar sob o efeito
de uma cortina de fumo mantida pelos EUA – que tem 74% das reservas oficiais de
ouro – para manter um tecto sobre as outras moedas e garantir a manutenção da
hegemonia do dólar. E também explicou como os EUA estão a desvalorizar a
sua moeda para aliviar alguma da sua dívida: “a elevação do dólar e da libra, e depois do euro, de uma moeda com
circulação num só país para uma moeda global ou regional foi suportada pelas
reservas de ouro. Um dado relevante é que, desde a recente crise financeira, os
EUA ainda que mostrem um défice crescente não venderam nenhum do seu ouro para
aliviar a sua dívida. Num contraste flagrante com a depreciação do dólar
americano, o preço internacional do ouro continuou a aumentar acabando por
ultrapassar os 1900 dólares/oz em 2011, ou seja, a preservação do activo ouro
contrasta claramente com a desvalorização dos activos baseados no crédito.
Naturalmente que quanto mais desvaloriza o dólar, mais aumenta o preço do ouro
e mais evidente é a função das reservas americanas de ouro como defesa face ao
risco no crédito.”
Outra prova do conhecimento chinês da Guerra do Ouro
e da limitação do seu preço está noutra mensagem
que o Wikileaks publicou: “os EUA
e a Europa têm limitado o aumento do preço do ouro. Eles pretendem suprimir a
função do ouro como reserva monetária e não querem que os outros países apostem
na construção das suas próprias reservas de ouro em vez do dólar ou do euro.
Por conseguinte, esta limitação no valor é muito benéfica para os EUA e para o
dólar como reserva monetária internacional. O aumento das reservas de ouro
chinesas vai actuar como modelo e liderará o esforço de outros países no
investimento em ouro. Em conclusão, grandes reservas de ouro serão benéficas na
promoção da internacionalização do renminbi.”
Não esqueçamos que o edíficio Chase Manhattan Plaza pertencente à J.P.
Morgan possuindo os maiores cofres privados do mundo – em frente do edíficio do New
York Federal Reserve Bank – foi comprado por chineses. Isto parece indicar que,
talvez, os EUA e a China estejam a trabalhar em conjunto na preparação de um
novo sistema monetário global e, junto com a Europa, estejam a preparar-se para os SDR do FMI com as suas reservas e o sistema-dólar pode ser
substituído mais facilmente.
A entrevista continua e publicaremos as restantes
partes em breve. Para já, atentemos em algumas ideias importantes:
- são perceptíveis os sinais de que o sistema
monetário actual não é saudável e não responde às necessidades de uma boa parte
dos novos agentes nesse sistema – sejam as economias emergentes ou outros agentes
mais consolidados – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul;
- a China, que enfrenta problemas semelhantes aos
das economias ocidentais (intensa produção monetária, bem como de liquidez/crédito no seu sistema bancário), quer
assumir-se como modelo para as economias emergentes na preparação da transição
para um novo sistema monetário internacional, nomeadamente na reestruturação
das suas reservas;
- essa reestruturação passa por dar lugar central
e estratégico ao ouro (a par do petróleo e da produção energética);
- mesmo nas sedes do actual sistema (FMI, Banco
Mundial e ONU) vão-se acumulando vozes que lembram a necessidade de corrigir os
erros e apontar alternativas para responder aos anseios partilhados por maior
segurança, estabilidade e justiça no sistema monetário e financeiro
internacional.
A definição de uma posição de força e relevância
no xadrez mundial pode fazer-se através da projecção de poder militar – de que
os Estados Unidos são exemplo evidente. Mas alguém duvida que a afirmação dessa
força e dessa relevância também passa pelo posicionamento e influência exercida no
seio de um novo sistema monetário mundial?
Subscrever:
Mensagens (Atom)





