Por cá, os curadores de serviço, plenos de soberba e preocupações altruístas, estão determinados em baixar os encargos das famílias com a habitação. E apresentam algumas das suas brilhantes ideias - reduções de impostos e estímulos -, que nada mais são que distorções do mercado e, não há como negar, mais esforço contributivo a prazo.
E estas ideias são apresentadas como grandes contributos para a melhoria das condições de vida das populações. Pois...
Mas não há quem lembre que tal mal - o aumento dos custos com a habitação para as já apertadas famílias - resulta, de entre outras causas, de anos e anos de políticas de incentivo à construção, ao crédito para aquisição e investimento em imobiliário?? Ao que se podem juntar o aumento de procura externa, digamos, pelo aumento da procura turística ou até os programas de atribuição de vistos especiais a quem "invista" (ui, ui) em imobiliário. Tudo isto são distorções do mercado e os curadores sempre evitaram considerar as consequências não intencionadas. Agora apresentam-se como paladinos do altruísmo e vão ajudar as famílias... com mais distorções.
Que bonito círculo.
Noutro sector e a outro nível - o europeu - as inteligências (que convivem muito mal com a crítica e com a liberdade de pensamento, diga-se) que definem as políticas monetárias e financeiras da União Europeia estão a pensar resolver o problema da dívida soberana e do balanço da banca europeia. Como? Criando uma plataforma de obrigações (Euro Bond) com duas grandes categorias (sénior e júnior). Porém, a venda dessas obrigações seria feita com porções conjuntas dessas obrigações (júnior, que rima com junk, misturada com a sénior e mais segura). Onde já vimos isto? Onde?
Na crise de 2008! A solução nada mais é do que um Credit Default Obligation (CDO). O sonho de qualquer malabarista, pois há quem vá ganhar com a manobra, não esqueçamos.
Mas e o resto da sociedade? As famílias? As pessoas?
O que oferecerão estas inteligências a seguir? O que farão para restaurar os estragos que eles mesmos provocam?
Esta gente não aprende.
O pior, é que nós também não. Certo?
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Cogitações (9)
domingo, 16 de outubro de 2016
Alívio ou "o folgar das costas"
Depois de Centeno ter sido avisado pela agência de rateio que a situação fiscal era confortável (e por isso se manteria a avaliação de Portugal), nota-se um ligeiro suavizar da percepção da doença de que padecemos.
Essa suavização não é genuína, não nos enganemos.
É apenas a condição para que o BCE se mantenha "a pagar a festa". E como é preciso manter os espíritos alegres e plenos de esperança, impõe-se a manutenção da parada.
Aliás, o nosso governo fará a sua parte e dará cumprimento à "expansão económica" (note-se as aspas) pela força de... impostos. Por outro lado, não obstante as pressões alemãs, o investimento público avançará em sectores que revelem bom retorno. Político, bem entendido. Mas tudo se fará pela folga que o BCE garante. Como de resto mostra a segunda imagem.
Há alguma margem, comparando com as congéneres, para o BCE continuar a intervir.
Até quando?
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Citação do dia (191)
É necessário contemplar, aqui, dois aspectos fundamentais.
Primeiro, politicamente toda a situação parece má. A declaração do Presidente da República tem de ser entendida no contexto da actual situação europeia, porque essas declarações são um rude alerta para o status quo político fazer tudo ao seu alcance para prevenir mudanças políticas substanciais na Europa.
A zona euro é uma construção pobre do ponto de vista institucional e a insistência no aprofundamento deste projecto, nas presentes circunstâncias globais, conduzirá ao desaparecimento do euro e, talvez, da própria União Europeia.
Em segundo lugar, Portugal tem um enorme encargo com a dívida soberana, que só é sustentável no contexto de apoio estrito por parte do Banco Central Europeu e das suas operações de compra indirecta de dívida. Este é um país que teve um défice superior a 7% em 2014, com um nível de dívida pública superior a 120% do PIB, uma dívida externa superior a 200% do PIB e uma dívida total (pública e privada) de 370%. Numa recessão, estes números irão crescer. Para que a dívida de Portugal pudesse ser sustentável, no actual contexto institucional e mantendo o mesmo paradigma económico, a austeridade teria de reduzir o défice e o PIB teria de crescer, por várias décadas, acima das taxas dos títulos da dívida pública, mantendo-se, claro, o apoio implícito do BCE.
Olhando para o futuro, o potencial de sustentabilidade da dívida diminui substancialmente. E, assim, poderemos ter outra “Grécia” entre mãos. (...)
O que se passa agora em Portugal, torna a Grécia um caso menos especial e é um sinal do que ainda pode acontecer de mau pelo continente. E isto é um risco para a sustentabilidade da dívida em toda a periferia.
Edward Harrison, "A confusão em que Portugal está mergulhado"
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Young Guns of Gold
A mesa redonda deste mês conta com elenco um pouco diferente. Esta edição realizou-se com Ronald Stoeferle (Incrementum AG) e Jordan Eliseo (ABC Bullion), Bron Suchecki (da australiana Perth Mint) e Mark O´Byrne (da irlandesa GoldCore).
Os temas abordados são complementados pela apresentação gráfica de alguns dados estatísticos. O interesse e a originalidade, esses, são garantidos. Alguns desses temas são:
Os temas abordados são complementados pela apresentação gráfica de alguns dados estatísticos. O interesse e a originalidade, esses, são garantidos. Alguns desses temas são:
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Etiquetas: Bancos Centrais, Bron Suchecki, Cantinho do Ouro, China, Dívida Soberana, ECB, Euro, Investimento, Jordan Eliseo, Mark O´Byrne, Mercado do Ouro, Moedas, Ouro, Quantitative Easing, Ronald Stoeferle, Taxas de juro
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Como ensinar História sem recorrer a manuais
Entre 10 e 12 de Fevereiro do corrente mês, morreram três conhecidos jornalistas americanos que estavam envolvidos numa investigação aos acontecimentos de 11 de Setembro: Bob Simon (CBS), 73 anos, num acidente de automóvel; Ned Colt (NBC), 56 anos, de ataque cardíaco; e David Carr (NYT), 58 anos, que sofreu um colapso súbito na redacção do New York Times (a autópsia viria a atribuir a causa de morte a cancro de pulmão e insuficiência cardíaca). Este último, horas antes, havia moderado um painel em que participaram, entre outros, Glenn Greenwald, Laura Poitras e Edward Snowden (por vídeo-conferência), a propósito do CitizenFour, um documentário nomeado para os Óscares de 2015, onde a realizadora Poitras conta a história do whistleblower Snowden. Meras coincidências semelhantes a estas 103? Talvez. Em todo o caso, foram estas circunstâncias que me motivaram a traduzir um recente artigo de Gary North onde se aborda o tema do revisionismo histórico e a estratégia para estimular os alunos a aguçar a sua curiosidade relativamente à História e, em particular, às histórias que se contam sobre ela (bem como as que não se contam...).
17 de Fevereiro de 2015
Por Gary North
O cerne da história revisionista reside nisto: a versão do manual escolar está errada.
Ela poderá estar errada por razões meramente técnicas pois é possível que determinados documentos tenham sido suprimidos, perdidos, ignorados. Poderá suceder que um dado acontecimento seja bem mais complexo do que os manuais escolares indicam. Mas, em algumas matérias, nomeadamente as relativas à banca, à guerra e à despesa pública, a história narrada no manual foi deliberadamente escrita por historiadores da corte. Os historiadores da corte suprimiram deliberadamente informação quando esta apontava para origens conspiratórias do acontecimento. É crucial para os historiadores do establishment poder ignorar investigações desse tipo catalogando-as de história conspirativa, como se as conspirações não existissem na história, e como se elas não controlassem os acontecimentos do passado.
Gary North
Deste modo, o historiador revisionista deve começar com esta pergunta: quais são os aspectos de um acontecimento particular que jamais poderiam ter tido lugar? O que leva à pergunta seguinte: quais foram as perguntas que a guilda dos historiadores se recusou deliberadamente a colocar? Porquê?
Quase todas as guerras na história dos Estados Unidos são elegíveis para uma história revisionista. Já anteriormente afirmei que o que precisamos é de um estudo, em múltiplos volumes, das guerras em que a América interveio. Cada volume deveria analisar uma guerra e responder a três perguntas.
- Como é que os Estados Unidos entraram na guerra?
- Como é que a guerra foi paga?
- Quais foram os resultados sociais e económicos da guerra?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Espírito do tempo
Não será despropositada a referência à manchete de que os gregos estão a comprar ouro enquanto podem. Basta que nos perguntemos o que a imagem pode conter de paralelo com a situação grega. Será apenas o tamanho do problema? Ou um Mal do tempo presente?
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Radar
Incapazes de um mínimo de bom senso, os suspeitos do costume iniciam mais uma dose de entorse perceptivo. E vamos assistir ao mesmo por cá. De ambos os lados da barricada eleitoral. Acompanhados, como não podia deixar de ser, pelos expeditos e concordantes comentadores económicos. Reforçando a inevitabilidade de mais intervencionismo.
Só título (tradução minha): "Por que razão o investimento público é mesmo um almoço grátis", demonstra a desfaçatez destes donos da verdade económica.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Citação do dia (171)
Os Verões de 2012 e 2014
"Nesta era de inflação monetarista, os Alemães mostram-se como um bastião de discernimento. No seu melhor, as políticas monetárias podem apenas poupar tempo. No seu pior – a realidade, no fundo – permitem bolhas problemáticas que ficam fora de controlo.
Porque haveriam os bancos europeus de tomar parte no risco (alto) de conceder crédito à economia, quando podem fazer lucros seguros e sem risco comprando dívida soberana?
Do mesmo modo, porque haveria um empresário americano de investir em ampliar as suas instalações ou adquirir novo equipamento, quando tanta “riqueza” é criada a comprar as acções da sua própria empresa?
Entretanto, após dois anos de estímulos monetários globais maciços prolongaram-se históricos investimentos na China e por toda a Ásia. O que exacerbou as bolhas, enquanto piorou todo o panorama global na atribuição de preços e investimentos.
Os desequilíbrios globais estão mais acentuados.”
“Reflectindo acerca dos Verões de 2012 e 2014" - Doug Noland - 29 de Agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
Estilhaços e realidade
Aceder à realidade
Os nossos leitores já devem conhecer Ambrose Evans-Pritchard e os seus artigos. Seja pelas citações que dele se fazem no blog ZeroHedge ou, directamente, porque conhecem a sua coluna no The Daily Telegraph. O editor de Negócios deu uma entrevista muito esclarecedora acerca das encruzilhadas em que nos encontramos – todos, países desenvolvidos e emergentes, norte e sul – nos planos político e económico. De seguida apresentam-se algumas passagens dessa entrevista. Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura integral da mesma.
A tradução e a edição destes parágrafos são da minha responsabilidade. Espero que possam ser uma ajuda para podermos reconstruir adequadamente os pedaços estilhaçados da nossa pobre realidade. Aquela que está para lá do nevoeiro pestilento a que nos conduzem políticos, comentadores e selectos especialistas.
Os nossos leitores já devem conhecer Ambrose Evans-Pritchard e os seus artigos. Seja pelas citações que dele se fazem no blog ZeroHedge ou, directamente, porque conhecem a sua coluna no The Daily Telegraph. O editor de Negócios deu uma entrevista muito esclarecedora acerca das encruzilhadas em que nos encontramos – todos, países desenvolvidos e emergentes, norte e sul – nos planos político e económico. De seguida apresentam-se algumas passagens dessa entrevista. Não posso deixar de recomendar vivamente a leitura integral da mesma.
A tradução e a edição destes parágrafos são da minha responsabilidade. Espero que possam ser uma ajuda para podermos reconstruir adequadamente os pedaços estilhaçados da nossa pobre realidade. Aquela que está para lá do nevoeiro pestilento a que nos conduzem políticos, comentadores e selectos especialistas.
"(…)
Ambrose: Todo o sistema económico e financeiro está mais alavancado do que estava em 2008, quando as instituições como o FMI ou BIS disseram que era realmente perigoso. E nós estamos a ver os sinais dessa efervescência quando as taxas dos maus (junk) créditos baixam a níveis históricos, ou seja, os investidores estão a assumir risco sem fazerem perguntas.
Nós já vimos esta volatilidade antes, por isso aquelas instituições começam a defender que estamos, basicamente, a caminhar para uma crise de proporções gigantescas. (...) A Europa precisa de um programa QE [injecção de liquidez por parte do BCE - nt] semelhante ao americano e numa larga escala. Apesar das objecções alemãs – o BCE tem de assumir isso rapidamente. (...)
Draghi quer, desesperadamente, iniciar um programa QE. Ele deseja um euro muito mais fraco só que, sendo presidente do BCE, ele não o controla. São os alemães, em última instância que o controlam. Eventualmente, o euro irá baixar de valor, mas é necessário explicar a situação com mais detalhe. Os rácios de dívida dos países do sul da Europa estão a aumentar muito, mesmo com toda a austeridade – veja-se a Itália [ incluo aqui o caso português que, como sabemos, viu a dívida pública aumentar de 132,4% do PIB para 134% no final do primeiro semestre deste ano - nt]. Isto é um círculo vicioso.
Por outras palavras, esse rácio está a subir, em larga medida, por causa das políticas de austeridade. É uma mistura explosiva: inflação nula e recessão.
David: A razão pela qual não se fala em reestruturação ou reescalonamento da dívida nesses casos é que os países perderam autonomia quando passaram a fazer parte da União Monetária?
Ambrose: De facto, os países perderam o controlo e a soberania. Já não têm banco central, não têm uma moeda e não controlam a política macroeconómica. A dificuldade está agora no facto de que, não tendo soberania monetária, os países podem mesmo falir, pois não podem imprimir moeda para evitar essa falência. (...) É apenas quando se entra para a União Monetária que os assuntos da falência, da reestruturação da dívida passam a fazer parte da discussão com os parceiros dessa União. É aí que a Itália se encontra agora.
sábado, 24 de maio de 2014
Young Guns of Gold - a reunião de Maio (actualizado)
Após ausência registada no mês de Abril, voltou a reunir-se a equipa de comentadores de inspiração austríaca. E são tantos os temas a exigir uma análise divergente - truly contrarian. A edição deste mês realizou-se apenas com Ronald Stoeferle (Incrementum AG) e Jordan Eliseo (ABC Bullion), que ultrapassaram pequenos problemas técnicos com humor e boa-disposição.
Este mês os temas abordados são muito diversos, mas relevantes. Alguns desses temas são:
Este mês os temas abordados são muito diversos, mas relevantes. Alguns desses temas são:
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Etiquetas: Bancos Centrais, Ben Bernanke, Cantinho do Ouro, China, Dívida Soberana, ECB, Investimento, Jordan Eliseo, Mercado do Ouro, Ouro, Periferia Europeia, Prata, Quantitative Easing, Ronald Stoeferle, Taxas de juro
sábado, 10 de maio de 2014
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