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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como ensinar História sem recorrer a manuais

Entre 10 e 12 de Fevereiro do corrente mês, morreram três conhecidos jornalistas americanos que estavam envolvidos numa investigação aos acontecimentos de 11 de Setembro: Bob Simon (CBS), 73 anos, num acidente de automóvel; Ned Colt (NBC), 56 anos, de ataque cardíaco; e David Carr (NYT), 58 anos, que sofreu um colapso súbito na redacção do New York Times (a autópsia viria a atribuir a causa de morte a cancro de pulmão e insuficiência cardíaca). Este último, horas antes, havia moderado um painel em que participaram, entre outros, Glenn Greenwald, Laura Poitras e Edward Snowden (por vídeo-conferência), a propósito do CitizenFour, um documentário nomeado para os Óscares de 2015, onde a realizadora Poitras conta a história do whistleblower Snowden. Meras coincidências semelhantes a estas 103? Talvez. Em todo o caso, foram estas circunstâncias que me motivaram a traduzir um recente artigo de Gary North onde se aborda o tema do revisionismo histórico e a estratégia para estimular os alunos a aguçar a sua curiosidade relativamente à História e, em particular, às histórias que se contam sobre ela (bem como as que não se contam...).
17 de Fevereiro de 2015
Por Gary North


O cerne da história revisionista reside nisto: a versão do manual escolar está errada.

Gary North
Ela poderá estar errada por razões meramente técnicas pois é possível que determinados documentos tenham sido suprimidos, perdidos, ignorados. Poderá suceder que um dado acontecimento seja bem mais complexo do que os manuais escolares indicam. Mas, em algumas matérias, nomeadamente as relativas à banca, à guerra e à despesa pública, a história narrada no manual foi deliberadamente escrita por historiadores da corte. Os historiadores da corte suprimiram deliberadamente informação quando esta apontava para origens conspiratórias do acontecimento. É crucial para os historiadores do establishment poder ignorar investigações desse tipo catalogando-as de história conspirativa, como se as conspirações não existissem na história, e como se elas não controlassem os acontecimentos do passado.

Deste modo, o historiador revisionista deve começar com esta pergunta: quais são os aspectos de um acontecimento particular que jamais poderiam ter tido lugar? O que leva à pergunta seguinte: quais foram as perguntas que a guilda dos historiadores se recusou deliberadamente a colocar? Porquê?

Quase todas as guerras na história dos Estados Unidos são elegíveis para uma história revisionista. Já anteriormente afirmei que o que precisamos é de um estudo, em múltiplos volumes, das guerras em que a América interveio. Cada volume deveria analisar uma guerra e responder a três perguntas.
  1. Como é que os Estados Unidos entraram na guerra?
  2. Como é que a guerra foi paga?
  3. Quais foram os resultados sociais e económicos da guerra?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um forte argumento contra a "reindustrialização"

Entre nós, os apelos à "reindustrialização" tiveram em Álvaro Santos Pereira um dos mais estrénuos defensores (foi a sua principal bandeira enquanto ministro). Pelo que por aí se escreve, parece que o (ainda?) líder do PS também é agora um seu grande defensor. Aliás, em bom rigor, será difícil encontrar alguém que, pelo menos publicamente, discorde desse "desígnio" (Telmo Azevedo Fernandes é uma rara excepção). Por mim, confesso, não ser um adepto do credo muito embora por aqui com frequência se combata o que na prática o estado faz para dificultar, quando não impedir, a actividade empresarial. Particularmente a industrial. Bastará recordar, por exemplo, a assassina política energética adoptada, que não mostra sinais de abrandar, pelo bem sucedido combate contra os preços competitivos da energia. Ou os labirínticos e orwellianos processos que os diferentes "licenciamentos" exigem apesar do nevoeiro da propaganda das iterações "simplex" e dos sucessivos programas de "estímulo e incentivo". Tudo isto encimado por uma regulação opressiva e asfixiante. Um combate activo contra o capital produtivo, pois.

No artigo que se segue (tradução e links da minha responsabilidade), Gary North explica, pacientemente, por que o discurso da "reindustrialização", entendida como a tentativa de aumentar a fatia do sector industrial em % do PIB, não apenas não faz sentido como é contrária ao aumento do bem-estar! Há dias, dei conta de uma notícia que destacava que o volume, em toneladas, de conservas exportadas por empresas portuguesas em 2013, tinha igualado um recorde que datava de 1923. Mas o que devia ser destacado é que esse recorde tinha sido igualado com apenas 5,65% do número de fábricas que havia então (400 contra as actuais 23)!

Afinal, não começou na Escócia, mas a conjugação das leis de Moore e de Meltcalf conjugadas uma quiçá surpreendente lei dos rendimentos acelerados e da impressão 3-D vai atingir em cheio o estado-nação porque irá impôr uma descentralização massiva. E esse movimento, na tese de North, é insusceptível de ser impedido. Apesar dos luditas de turno.

Um excelente fim-de-semana!
12 de Setembro de 2014
Por Gary North

Mercados Livres: Bens Mais Baratos, Maior Riqueza, Melhores Empregos

A questão surgiu num dos fóruns sobre o futuro da produção nos Estados Unidos.

Para iniciar a formulação da resposta, atentemos num gráfico da evolução da manufactura em todo o mundo. A sua trajectória não é apenas característica dos Estados Unidos; é também a da Europa Ocidental, do Japão e do mundo como um todo. Como é visível, o contributo da indústria, em termos percentuais, no total da produção económica, diminuiu marcadamente durante os últimos 40 anos. Se o gráfico abrangesse os 40 anos anteriores, observaríamos a persistência de uma inclinação semelhante. Este é um fenómeno mundial e irreversível que tem acompanhado a expansão do crescimento económico mundial ao terceiro mundo e em especial à Ásia.



Há pessoas que se queixam da redução do peso relativo da indústria no produto interno bruto dos Estados Unidos. Isto acontece devido à total falta de familiaridade dessas pessoas com o fenómeno à escala mundial. Elas não compreendem que o crescimento económico acompanha a redução, em termos relativos, do peso da manufactura numa economia nacional.

O CORAÇÃO DE RIQUEZA MODERNA

O coração da riqueza não está na indústria mas sim no conhecimento aplicado para reduzir a importância da manufactura na economia como um todo, e em aumentar a riqueza das massas através dos serviços. Estes serviços podem ser digitais. Como podem ser pessoais. Mas não se baseiam na actividade industrial.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Citação do dia (158)

Agradecendo a CN pela chamada de atenção.
"Os ricos do topo da pirâmide são keynesianos. São devotos do templo de Keynes. (...) O keynesianismo tem as características de uma religião. Tem uma confissão: "A moeda fiat supera as recessões". Tem uma agenda: a salvação através do crescimento económico. Tem uma doutrina da omnisciência: o planeamento central monetário. Tem um clero: os economistas doutorados. Tem um movimento evangélico: o levado a cabo pelo Congresso, pelas universidades e pelos media do mainstream."

domingo, 3 de novembro de 2013

Gary North: O carácter messiânico da NSA

Sempre que acabo de ler um livro ou um ensaio da autoria de Gary North é certo acontecerem-me duas coisas: 1) aprender coisas novas com o singular académico e, 2) ver contrariado o pessimismo que há muito me ameaça. O mesmo voltou a suceder após a leitura de "The Messianic Character of the NSA". Na expectativa que o mesmo possa suceder com os leitores do EI, propus-me traduzi-lo. É um texto um tanto longo, como é habitual em North, mas creio valer a pena lê-lo até ao fim. Se possível, no original.
O estado moderno é messiânico. Apesar de negar a existência de Deus, procura substituí-Lo.

Gary North
O meu sogro, R. J. Rushdoony, costumava dizer que o estado pretende predestinar a humanidade, porque o estado quer tornar-se no deus desta sociedade. Exactamente há meio século atrás neste mesmo mês, surgiu o seu livro: "The Messianic Character of American" [O carácter messiânico da educação americana]. Os fundadores da educação pública nos Estados Unidos acreditavam na realidade que o estabelecimento da escola financiada através dos impostos conseguiria redimir os indivíduos e a ordem social americana. Eles afirmaram isto repetidamente e Rushdoony reuniu as citações e forneceu as notas de rodapé.

A mesma análise pode ser aplicada à comunidade dos serviços de informações. O seu impulso é messiânico.

Também há meio século atrás, estudei com o filósofo e teólogo Cornelius Van Til. Van Til fazia uso de muitos aforismos, e os seus aforismos eram muito mais poderosos que a sua prosa. Um deles dizia o seguinte: "O homem autónomo acredita ser possível conhecer realmente algo apenas quando conhece tudo de forma exaustiva". Num universo em que um dado acontecimento pode concebivelmente afectar tudo o resto, uma pessoa que pretenda compreender algo necessita conhecer todos os potenciais nexos de causalidade envolvidos. Mas estas relações são inerentemente infinitas. Este é o denominado efeito de borboleta. Se o bater de asas de uma borboleta na Califórnia pode provocar um furacão em Miami, então cabe aos serviços meteorológicos de Miami monitorizar cada borboleta.

MONITORIZANDO OS LÍDERES EUROPEUS

Nos últimos dias, uma nova divulgação de informações acumuladas por Edward Snowden revelou que há uma década que a NSA monitoriza as chamadas telefónicas dos líderes da Europa Ocidental. Por que razão fez a NSA isso?

Teve que ver com dois factores: o inerente compromisso burocrático para com a expansão versus o preço da expansão. O preço estabelece-se sempre em termos marginais. Alguém paga algo extra por um pouco mais de outra coisa. A NSA paga um pouco mais, ou talvez muito mais, de modo a acumular mais informações nas suas bases de dados. Há uma lei económica que diz o seguinte: quando o preço diminui, aumenta a procura. O preço da informação, e especialmente o do armazenamento de dados, tem diminuído a um ritmo sem par na história da humanidade. O que irá continuar a acontecer.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Quando as coisas não podem continuar, elas têm uma tendência para parar

Gary North recorda aqui a lei de Herbert Stein a propósito da declaração de falência de Detroit que, suspeito, ainda fará correr muita tinta pelas ondas de choque que irá provocar.

Houvesse alguma vergonha por parte de Obama, e já teria sido emitido um pedido de desculpas por esta vergonhosa comunicação emitida há cerca de nove meses - "I Refused To Let Detroit Go Bankrupt":

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tentando escapar à mentalidade mercantilista

Em On Escaping the Mercantilist Mindset, Gary North, socorrendo-se do inigualável discernimento misesiano, evidencia a existência de uma profunda contradição entre a perspectiva mercantilista dominante ("o que é nacional é bom") e o normal (e "egoísta") comportamento do agente económico efectivamente soberano numa economia de mercado - o consumidor. Crendo constituir um complemento adequado aos temas abordados aqui, aqui e aqui, entendi por útil traduzir o artigo.
Na sua pequena obra-prima, datada de 1944, Burocracy, Ludwig von Mises identificou o agente supremo na economia de mercado: o consumidor.
Os capitalistas, os empreendedores e os agricultores são instrumentais na condução das questões económicos. Eles estão ao leme a dirigir o navio. Mas não é deles a liberdade para traçar o seu rumo. Eles não são soberanos, são apenas timoneiros, obrigados a obedecer incondicionalmente às ordens do capitão. E o capitão é o consumidor.
Mises nunca se desviou desse argumento. Ele mostrou como a  actuação  dos clientes no mercado livre proporciona lucros a alguns capitalistas e prejuízos a outros.
Não são nem os capitalistas, nem os empresários, nem os agricultores que determinam o que deve ser produzido. São os consumidores que o fazem. Os produtores não produzem para o seu próprio consumo mas sim para o mercado. Eles estão empenhados em vender os seus produtos. Se os consumidores não comprarem os bens que lhes são propostos, o empresário não poderá recuperar as despesas em que incorreu. Ele perderá o seu dinheiro. Se ele não se conseguir ajustar aos desejos dos consumidores, irá muito em breve ser removido da sua posição de destaque ao comando do leme. Outros, que melhor fizeram para satisfazer a procura dos consumidores, substituí-lo-ão.
Este é o sistema de causa e efeito no mercado livre. São os consumidores que mandam. E eles são implacáveis​​.
Os verdadeiros patrões no sistema capitalista de economia de mercado são os consumidores. São eles, pelas suas decisões de comprar ou da abstenção de comprar, que decidem quem deverá possuir o capital e gerir as fábricas. Eles determinam o que deve ser produzido e em que quantidade e qualidade. Das suas atitudes resultará o lucro ou o prejuízo para o empreendedor. Eles transformam homens pobres em ricos e homens ricos em pobres. Eles não são patrões fáceis. Estão cheios de caprichos e fantasias, mutáveis e imprevisíveis. Eles não se importam minimamente com os méritos passados. Logo que algo lhes for proposto e que mais lhes agrade, ou que seja mais barato, abandonam os seus antigos fornecedores. Para eles, nada é mais importante que a sua própria satisfação. Eles não se preocupam nem com os interesses dos capitalistas, nem com o destino dos trabalhadores que perdem os seus empregos se os consumidores deixarem de comprar o que antes costumavam comprar.
Esta percepção não é compreendida por muitos. A mentalidade colectivista é uma característica padrão da maioria das pessoas. É preciso um acto de vontade para interiorizar a análise de Mises. Isto é tão verdadeiro entre os que auto-intitulam professos defensores do capitalismo, como o é para os seus críticos.

domingo, 21 de abril de 2013

Os três pilares de um consenso tenebroso

Gary North, que, recorde-se, fez parte do gabinete do congressista Ron Paul, explica de modo sucinto  porque não há razões para supor que uma alteração na cor do estandarte desfraldado no Congresso possa levar a uma mudança nos fundamentos do estado americano do welfare/warfare. Eis aqui explicitados os princípios essenciais por que se bateu (e continua a bater) Ron Paul e explica a solidão a que o status quo o votou.

De referir que Gary North, a par de Tom Woods, é uma das figuras mais influentes de uma importante iniciativa directamente patrocinada por Ron Paul (que está a escrever um livro sobre o tema) desde que deixou o Congresso: "The Ron Paul Curriculum", iniciativa desenvolvida para auxiliar as famílias que optem por educar os seus filhos em suas casas - o designado "homeschooling" ou "ensino doméstico", movimento que observa um muito significativo crescimento nos últimos anos nos EUA. Outra iniciativa directamente ao conteúdo do texto de Gary North é o relativo ao "Institute For Peace and Prosperity", lançado esta semana. A ambos os temas voltarei logo que possa.

A tradução do texto de North é da minha responsabilidade.
RAZÕES PELAS QUAIS OS CONSERVADORES ACEITAM IMPOSTOS ALTOS, O SISTEMA DE RESERVA FEDERAL E A MOEDA FIAT

Recentemente, escrevi um artigo no qual argumentava que existem três pilares políticos do militarismo [warfare] moderno: elevadas taxas de imposto progressivo, um banco central e a abolição do padrão moeda-ouro. Chamei-lhe "O Triunvirato do Militarismo Moderno" [artigo disponível apenas para assinantes].

Desde o dia em que Ron Paul prestou juramento como deputado em 1976, os seus críticos no interior do Congresso foram consistentes. Eles opuseram-se à sua posição quanto às relações externas e à defesa. Ele era contra a expansão do Império Americano. Ele pretendia um sistema estritamente defensivo quanto às despesas militares. Ele não aprovava a constante intromissão do governo americano nas políticas internas das outras nações. Assim, ele foi criticado pelos conservadores dentro do Congresso como sendo suave para com o comunismo, ou por ser ingénuo quanto à necessidade de uma política externa agressiva, ou por ser anti-defesa.

Estes mesmos conservadores consideravam-se a si próprios duros adversários do moderno estado social. Mas o estado social moderno é também suportado pelos três pilares do militarismo moderno, ou seja, altas taxas marginais de imposto, o banco central e a abolição do padrão moeda-ouro. A estrutura de todos os governos modernos favorece a expansão do militarismo e do estado social.

O QUE CONTA É O SENTIDO DOS SEUS VOTOS

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Da situação espanhola ou por que os banqueiros idiotas adoram o keynesianismo

Resolvi traduzir mais um (longo) texto de Gary North - Why Dumb Bankers Love Keynesianism. Não por me  ter decidido dedicar-me à tradução (após uma tentativa, na aparência bem sucedida, a avaliar pelo número de hits directos) mas porque me parece estar a crescer o movimento entre nós dos que defendem a saída da zona euro como forma de resolver os nossos problemas. Não é esta a minha opinião e North, no seu estilo muito particular mas sempre cristalino, também não a sustenta. Creio valer a pena conhecer a sua argumentação, 100% anti-keynesiana, nesta sistemática refutação de um texto de Paul Krugman.
Os banqueiros idiotas adoram os resgates governamentais. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas abominam as consequências económicas negativas de decisões estúpidas. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas adoram a inflação monetária que conduz a lucros bancários. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas adoram governos nacionais suficientemente grandes para salvar os grandes bancos. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas odeiam as corridas aos bancos. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas querem o comando sem terem de arcar com as suas responsabilidades pessoais. O mesmo acontece com os keynesianos.

Paul Krugman é o principal porta-voz do keynesianismo no nosso tempo. Ele vê como sua a função de assegurar que os contribuintes socorram os grandes bancos multinacionais. Quando os contribuintes resistem, ele ridiculariza-os por terem vistas curtas.

Ele dissimula a sua posição de defensor dos interesses dos banqueiros falando em nome dos trabalhadores. Mas os grandes resgates bancários são a consequência inescapável das políticas que preconiza. Ele é o amigo dos banqueiros multinacionais. Tal como sucede com o seu colega de Princeton, Ben Bernanke.

Podemos ver isto no seu recente artigo [link] apelando ao governo alemão, ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu para emprestarem mais dinheiro ao governo espanhol muito embora o governo se recuse a cortar na despesa.

Ele quer que a economia evite o custo de liquidar os empréstimos que vieram do Norte. Que deve haver ainda mais empréstimos ao estado para que possa haver mais pagamentos às pessoas desempregadas, que irão gastar o dinheiro e pôr a economia a "rolar". Em seguida, isto permitirá que os devedores espanhóis satisfaçam o pagamento dos juros aos bancos alemães.

Portanto, uma vez apanhados na armadilha dos maus empréstimos, os banqueiros devem fazer ainda mais maus empréstimos. Por que farão eles isso? Porque o governo alemão, o BCE e o FMI vão continuar a comprar títulos de dívida pública do estado espanhol.

Se isto soa como Bernanke e Paulson, em 2008, é porque foram eles que estabeleceram o padrão.

A Europa está entrando em recessão. Há uma contínua crise fiscal na Grécia, em Portugal e em Espanha, que é enorme.

A Alemanha entrou agora em recessão. A Grã-Bretanha, provavelmente, já lá entrou.

Krugman está consternado com as exigências do FMI, do BCE e dos políticos alemães segundo as quais a redução da despesa dos governos dos PIIGS deve ser uma condição para beneficiarem do auxílio do FMI e da Alemanha. Ele é um keynesiano. Ele odeia a ideia de austeridade, que significa austeridade para as burocracias estatais. Ele quer mais despesa por parte dos governos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Dançando sobre o túmulo do keynesianismo

Num momento notável de insensatez, intentei traduzir o importante texto de Gary North que foi publicado no site do Mises Institute, na 2ª feira, dia 1 de Outubro. O título era, confesso-o, aliciante - Dancing on the Grave of Keynesianism - mas o que se me tornou irresistível foi o seu brilhante conteúdo e a necessidade que senti em contribuir para o divulgar. As minhas desculpas pelas insuficiências na tradução (de minha inteira responsabilidade) pelo que aconselho vivamente a leitura do original.
O colapso da União Soviética em Dezembro de 1991 foi a melhor notícia da minha vida. O monstro morreu. Não foi apenas a URSS que caiu. Toda a mitologia da violência revolucionária como método de regeneração social, promovida desde a Revolução Francesa, caiu com ela. Como escrevi no meu livro de 1968, o marxismo foi uma religião da revolução. E o marxismo morreu institucionalmente no último mês de 1991.

Imagem retirada daqui
No entanto, não podemos mostrar conclusivamente que "o Ocidente" derrotou a União Soviética. O que derrotou a União Soviética foi o planeamento económico socialista. A União Soviética baseava-se no socialismo e o cálculo económico socialista é irracional. Ludwig von Mises, em 1920, descreveu por quê no seu artigo "Cálculo Económico na Comunidade Socialista". Ele mostrou, no plano teórico, exactamente o que há de errado com todo o planeamento socialista. Ele deixou claro por que razões o socialismo nunca poderia competir com o mercado livre. Em consequência de não existirem mercados de bens de capital, os planeadores económicos não conseguem alocar o capital de acordo com as necessidades mais importantes e mais desejadas pelo público.

A argumentação de Mises não foi levada a sério pela comunidade académica. O socialismo era tão popular entre os académicos, em 1920, que eles não responderam a Mises durante mais de 15 anos. Quando finalmente um importante economista, que de facto não era um grande economista mas simplesmente um comunista polaco, elaborou uma resposta a Mises, obteve grande publicidade. O seu nome era Oscar Lange. Ele era um homem sem princípios. Ele ensinou na Universidade de Chicago. Ele não tinha nenhuma teoria do funcionamento da economia. Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, voltou para a Polónia, renunciou à sua cidadania americana e tornou-se num importante burocrata do governo polaco. Ele foi escolhido a dedo por Estaline para ser o primeiro embaixador polaco nos Estados Unidos. Ele era um marxista. Ele era um comunista. Ele era um homem sem princípios. Passou a sua carreira com o dedo no ar, para ver de que lado o vendo soprava. Quanto à sua crítica de Mises, nunca a Polónia adoptou a por si designada resposta organizacional prática a Mises, tal como em nenhuma outra nação da comunidade socialista.

Deste modo, a única supostamente grande refutação académica a Mises foi feita por um homem desprovido de integridade que se passou para o lado do comunismo quando conseguiu uma oferta melhor. E todavia foi anunciado como sendo um economista brilhante porque, supostamente, havia refutado Mises. O mundo académico nunca admitiu o que Lange foi: um comunista sem princípios. Ele nunca admitiu que nenhum país socialista alguma vez tivesse aplicado a sua suposta alternativa ao sistema de  mercado livre. O mundo académico agarrou-se simplesmente, por mais de 50 anos, à sua totalmente hipotética alternativa ao mercado livre para a alocação de capital. O mundo académico não aprenderia a verdade.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A gargalhada que dei já não ma podem tirar!

Hoje mesmo tinha lido mais um belo texto de Gary North - o homem dá a ideia de escrever incessantemente, mesmo quando está a dormir (se é que dorme) - inserido na anunciada conspiração "austríaca" (outra peça aqui) com o propósito de levar Paul Krugman a aceitar um debate com Robert P. Murphy. Nele, a certa altura, escreve: "Keynesianism is incoherent in its original form, as proven by John Maynard Keynes in his classic book, which is totally unreadable, The General Theory of Employment, Interest, and Money (1936). To this original incoherence has been added 70 years of arcane formulas, which only economists even pretend to understand, and not more than about 30% of them really do understand."

Imagem retirada daqui

domingo, 9 de setembro de 2012

O Japão, 20 anos depois

At last, Japan may be about to abandon its disastrous Keynesian consensus, no Telegraph.

O keynesianismo, nas suas várias incarnações, é, acima de tudo, uma construção doutrinária destinada a proporcionar o necessário grau de respeitabilidade académica ao secular intervencionismo estatal nas economias. Tanto assim é que, como o próprio Keynes reconheceu, a aplicação das suas ideias estaria muito facilitada se aplicável sob um regime totalitário:
"The theory of aggregated production, which is the point of the following book, nevertheless can be much easier adapted to the conditions of a totalitarian state [eines totalen Staates] than the theory of production and distribution of a given production put forth under conditions of free competition and a large degree of laissez-faire."
Depois do estouro das bolhas imobiliárias e bolsista, na tentativa de segurar a banca e evitar a "purga", ou seja, as consequências da folia que o banco central japonês pressurosamente alimentou, keynesianos e monetaristas, à vez ou em conjunto, aconselharam o governo a gastar, gastar e gastar, a imprimir (moeda), imprimir e imprimir, e a gastar e imprimir ad infinitum. O resultado foi uma Grande Estagnação, que dura há 20 anos, e uns níveis de endividamento absolutamente monstruosos  (imagem retirada daqui):


Apesar deste exemplo, há quem queira repetir a mesmíssima medicina noutras paragens. E não são poucos os entusiastas por ela.

Vou-me convencendo que Gary North tem toda a razão: o Great Default é inevitável.

(Grato ao Vivendi pela chamada de atenção)

domingo, 12 de agosto de 2012

Banqueiros, economistas, políticos e jornalistas

Neste artigo, publicado no Guardian há umas semanas atrás e assinado pelo economista de persuasão keynesiana, Duncan Weldon (discípulo do hagiográfico Lord Skidelsky), intenta-se desacreditar aqueles que vêm defendendo, em número ainda modesto embora paulatinamente crescente, o retorno, mesmo mitigado, a mecanismos de ligação entre a emissão monetária e o ouro como forma de evitar a manipulação irrestrita das moedas por parte dos bancos centrais sem qualquer espécie de controlo externo (democrático ou qualquer outro fora do inner circle dos banqueiros centrais e da grande banca).

Gary North, lendo enumerados naquele artigo os argumentos usuais do establishment contra aquelas vozes (entre as quais a do ex-presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick) que, num crescendo assinalável, vêm defendendo que a solução dos problemas económicos não reside no activismo de "impressão" de dinheiro digital, vê mais uma oportunidade para os refutar (o que faz aqui). North observa o que, muito raramente é assinalado: foi exactamente no período em que vigorou, de forma generalizada  internacionalmente, o padrão-ouro - nos 100 anos anteriores à eclosão da I Grande Guerra - que se verificou o maior crescimento económico. Na parte final do artigo, que vale a pena ler na íntegra, North adianta uma explicação para os exorcismos públicos, como o levado a cabo pelo Sr. Weldon, contra os heréticos que contestam os supostos benefícios de uma moeda infinitamente "elástica" (o argumento que, historicamente, "justificou" o abandono do padrão-ouro):
"Every political class needs its court prophets. Every banking establishment needs politicians who do their bidding. Young men who are not good in physics or chemistry or engineering see their career opportunities at Oxford and Cambridge. They major in economics. The smart ones become bankers. The less smart ones become economists.

The ones who are not smart enough to major in economics major in politics and become politicians.

The bankers hire the economists to tell the politicians what to think."

The economics graduates who are not good enough to get hired by the big banks go into financial journalism."

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Colectivismo vs libertarianismo

The collectivist begins with the concept of the state as the final authority. Libertarian theory begins with the concept of the individual as the final authority.

In my view of economics, I begin with God as the final authority, but as I have spent the last 45 years attempting to show, the God of the Bible is overwhelmingly the defender of private property rights. This is encapsulated in the commandment: "Thou shalt not steal." I keep contrasting this concept with the assertion of all modern welfare-state economists: "Thou shalt not steal, except by majority vote."

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por que razão os pais não avisam os filhos?

Esta pergunta, aqui formulada por Gary North, a propósito da obsessão por "canudos" inúteis, ainda que caríssimos (mesmo quando aparentam ser "gratuitos"), é realmente brutal.

Só encontro uma explicação para um comportamento genericamente tão passivo, quando não omisso, por parte de muitos dos pais na não orientação dos seus filhos: a fraude, porque é disso que se trata, perpetrada pelos sucessivos "apaixonados" pela educação,  pela "igualdade de oportunidades", pelas "competências", pelas "qualificações", pelas "aprendizagens", etc., há décadas anunciadoras da obtenção do Céu na Terra. Malditos sejam!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mercantilismo verde

Depois de casos complicados como foram os das bancarrotas da Solyndra, da Ener1 e da First Solar onde o discurso "verde", relativo à produção de energia eléctrica, foi seriamente abalado (por confronto com o que se passa, por exemplo, com a revolução do gás de xisto) foi com naturalidade que a administração de Obama recorreu a novas barreiras ao livre comércio através da imposição de barreiras alfandegárias para proteger ainda mais os fabricantes "verdes" agora contra os competidores externos. E eis que as falácias mercantilistas de Colbert são uma vez mais recicladas (a propósito, aconselho ler este belíssimo ensaio de Gary North).

Tal não bastou, porém, a que mais uma empresa previamente alvo da atribuição de generosos subsídios e empréstimos em condições muito especiais pela administração Obama tenha mordido o pó. Hoje foi a vez de mais uma fabricante de painéis solares - a Abound Solar. "Torrado" voltou a ser o dinheiro dos contribuintes. Mas para o Departamento de Energia (DOE) de Obama, chefiado pelo nobelizado Steven Chu, está tudo bem assim. Veja-se esta (descarada) passagem do press release de hoje a propósito deste caso:
This effort has seen many successes as well as a few setbacks, but one thing is clear: America must continue playing to win in the clean energy race. We need not allow our dependence on foreign oil to be followed with a dependence on foreign solar panels and wind turbines. Instead, we can and must fight to ensure that the next generation of solar panels is invented in America by American innovators, built in America by American workers, and sold around the world.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Grande Insanidade

reside em acreditar que um problema de excesso de dívida se resolve contraindo ainda mais dívida. Este boneco, retirado daqui, ilustra, na sua simplicidade, o vórtice destrutivo :


Como aqui escreve Gary North, também creio que vem aí o Grande Incumprimento (Great Default) pois, como ele escreve, "Politicians cannot bring themselves to stop spending money the governments do not have". É por esta razão que tudo será feito para tentar salvar a banca já que dela depende o financiamento da máquina estatal.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os golfinhos selvagens são caçadores e não mendigos

"... mas quando as pessoas lhes dão comida, os golfinhos, como a maior parte dos animais, optam pela solução mais fácil. Aprendem a mendigar como modo de vida, perdem o medo aos humanos e fazem coisas perigosas [para si mesmos e a quem os alimenta]... alimentar golfinhos selvagens perturba os grupos sociais em que vivem o que ameaça a sua capacidade de sobreviver na natureza. Os jovens golfinhos não sobreviverão se as mães competirem com eles pelas dádivas de comida e não os ensinarem a procurar comida por si próprios."

As passagens acima (tradução minha) podem ser encontradas em "Don't Feed Wild Dolphins" sítio a que cheguei através da leitura de When Government Safety Nets Break, de Gary North.

North estabelece uma analogia entre o comportamento dos golfinhos perante uma habituação a "almoços grátis" e as suas consequências para os próprios animais com o que ocorre nos seres humanos que aprendam a (sobre)viver à sombra do Estado social.

Curiosamente, tratando-se de animais, os ecologistas  militantes (e seus compagnons de route) tudo fazem para impedir que se dêem alimentos a bichos selvagens já que discerniram as consequências que daí decorrem. Já a recusa em retirar ilações análogas relativamente aos seres humanos, por sinal muito mais inteligentes que os golfinhos (como se pode ver neste vídeo), é, inexplicavelmente (por irreflexão?), uma atitude muito generalizada. Ora, perante a falência do Estado social, progressiva e inexorável, também os riscos que impendem sobre as legiões de dependentes se vão agravando. Será uma tragédia se não se inverter este caminho pois a "rede de segurança", a breve trecho, não estará lá.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Motins no UK: uma explicação politicamente incorrecta e o direito à auto-defesa

Ricardo Campelo de Magalhães, chama a atenção para um importante artigo de Gary North cujo título - London Riots: What Nobody Dares to Say - diz ao que vem.

North começa por relembrar os gigantescos motins que se verificaram nos EUA, nos meados da década de 60, durante a administração de Lyndon B. Johnson que, também por isso, lançou a "Great Society" como tentativa de resposta à instabilidade social de então e a "amenizar" o impacto social do crescente envolvimento no Vietname. Relembra igualmente os motins em Los Angeles em 1992, a propósito do escândalo Rodney King. Encontra dissemelhanças mas também muitas similitudes com o Reino Unido de hoje. Mas o melhor mesmo será ler o artigo na íntegra. Deixo apenas o trecho final:
Why the riots? The Left's party line never changes: not enough jobs, not enough state welfare. You can read it here. The article says the riots may be coming to the United States. I thoroughly agree.

I have a different analysis regarding the causes. First, there is state-funded education, k-12 (or dropping out). Second, there are minimum wage laws, which hit black teenage males most of all. Third, there is a complete breakdown of families, subsidized by state welfare. Fourth, there is envy. Fifth, there is jealousy. Sixth, the cost of organizing violence is falling steadily. The fun and excitement of violence are tempting to young men with no roots and no fathers at home. When you have a falling price for a forbidden fruit, you get riots. Combine it with racial hatred and a life of envy, and you get riots.

The jealous steal. The envious burn. They're already in a city near you.

There will be an incident. There always is.

There may be a riot. If there is, governments will react. Freedoms will be removed. Voters will cheer.

Violence feeds on itself.

The victims of banditry will take it for a while. They have been guilt-manipulated for 45 years. But the day will come when they will dig in, the way the Indian shop owners did in London. But, in this country, the victims will be armed.

Better to be tried by 12 than carried by six.