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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Citação do dia (190)

Hoje em dia, o sistema financeiro global é um complexo sistema de redes electrónicas motivadas pela fé. À medida que progridem as bolhas globais, um grande conjunto de dogmas financeiros será exposto por aquilo que é: uma ilusão. E muitos desses dogmas foram usados como simples truques.
A finança global não passa, na sua maior parte, de um labirinto de ´promessas de pagamento`. E o valor dessas promessas depende da confiança e da fé. (...)
A crise nessa confiança acelerou nesta última semana.
Os últimos sete anos mostram-nos uma expansão da dívida nos mercados emergentes, liderada por aquela que deveria ser muito assustadora bolha no crédito na China.(...)
Esta semana vimos indicações do que tem potencial para despoletar essa crise de confiança no sistema bancário na Ásia e nos restantes mercados emergentes. A fé de que as autoridades chinesas (ou as autoridades desses mesmos mercados emergentes) têm a situação sob controlo está, seriamente, posta em causa. (...)
De acordo com a SNL Financial, os bancos chineses ocupam agora quatro dos cinco lugares de topo na lista dos maiores bancos mundiais. Analisando os balanços no final de 2014, os quatro grandes bancos chineses – Banco de Comércio e Indústria da China, Banco de Construção da China, Banco de Agricultura da China e Banco da China – terminaram 2014 com activos na ordem dos 87,59 triliões de yuan ou 13,7 triliões de dólares. Os activos totais destes bancos cresceu 64% em quatro anos. (...)
Na semana que passou ficou visível o desenvolvimento nas grandes rachas do sistema financeiro global. Fiz as contas às descidas dos títulos bolsistas dos dez maiores bancos mundiais: 1) Banco de Comércio e Indústria da China perdeu 6,1%; 2) Banco de Construção da China perdeu 6,9%; 3) Banco de Agricultura da China perdeu 4,9%; 4) HSBC perdeu 6,6%; 5) Banco da China perdeu 6,1%; 6) JP Morgan Chase perdeu 6,2%; 7) BNP Paribas perdeu 4,4%; 8) Mitsubishi UFJ Financial Group perdeu 7,5%; 9) Banco da América perdeu 9,0% e 10) Barclays perdeu 6,4%.(...)
A visão do abrandamento global foi confirmada esta semana.
É sempre pior do que tu pensas.

Doug Noland, "É sempre pior do que tu pensas", 22 de Agosto de 2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Farol no mar revolto

Segundo a tese do iminente rebentar global das bolhas, o Brasil tem estado no topo das minhas preocupações. Lamentavelmente, está a tornar-se a imagem de marca das consequências globais da “Finança Selvagem”, livre de constrangimentos, sob a qual vivemos: fluxos financeiros instáveis, excessos na especulação e no crédito, corrupção e más práticas, desajustamento estrutural, tensões sociais crescentes e instabilidade política.
Esta semana pudemos ver o Brasil publicar um maior do que o esperado défice nas Contas Correntes (2.5 biliões de dólares). A inflação está acima dos 9%, a sua moeda está em apuros e o banco central terá de saldar uma grande quantidade de contratos que envolvem moedas estrangeiras (currency swaps). O maior banco dirigido pelo estado está cada vez mais vulnerável. E a economia brasileira deverá contrair 2% este ano. O índice Bovespa desceu 6% esta semana para um mínimo de quatro meses. E os contratos de risco de crédito (CDS) brasileiros subiram para o nível mais elevado desde Março.
Com a atenção recentemente focada na China e na sua bolsa, ou no fiasco Grego, o Brasil tem voado por debaixo do radar.
Depois de um duro 2014, o Brasil tem sido visto no mercado como um beneficiário dos estímulos chineses e da expectativa da recuperação dos preços das matérias-primas. O rebentamento da bolha no índice e nos títulos chineses está a forçar uma grande revisão na visão optimista mais generalizada. As matérias-primas estão em queda livre e o mercado está a ser forçado a rever em baixa as expectativas para as economias dependentes de matérias-primas e respectivas moedas. Daí que o Brasil tenha de estar no topo da lista, tem de estar no nosso radar.

Doug Noland, "O velho. O mesmo velho", 25 de Julho de 2015.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Citação do dia (178)

"O alcance da Bolha Global do financiamento soberano de hoje projecta uma enorme sombra sobre a Bolha do financiamento hipotecário de 2007. Há muito mais a perder nesta Bolha internacional e muito mais com que nos devemos preocupar. Em vez de crédito de má qualidade (subprime), hoje a Periferia inclui dezenas de milhões de milhões de crédito vulnerável que atravessa vários países e envolve muitos milhões de pessoas. Em vez de hipotecas e dívida corporativa americanas, hoje o Centro inclui crédito de vários Bancos Centrais e a maior Bolha nos activos financeiros que alguma vez vimos.
No Centro do Centro, a histórica euforia nos mercados tem puxado os activos financeiros e a dívida das empresas a extremos que são precários – deteriorando os fundamentos económicos e financeiros globais. Não tenhamos dúvidas, os estímulos concertados dos Bancos Centrais exacerbaram a diferença entre activos financeiros inflacionados e os débeis sinais de crescimento global. Pior, a redistribuição da riqueza, implícita nas políticas que aumentam o tamanho do domínio financeiro global, está a degradar-se e a gerar tensões geopolíticas alarmantes. A Banca Central Global e a ideia da dívida soberana de “risco zero” estão a ficar descredibilizados."

Doug Noland - "Memórias"

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Citação do dia (171)

Os Verões de 2012 e 2014

"Nesta era de inflação monetarista, os Alemães mostram-se como um bastião de discernimento. No seu melhor, as políticas monetárias podem apenas poupar tempo. No seu pior – a realidade, no fundo – permitem bolhas problemáticas que ficam fora de controlo.
Porque haveriam os bancos europeus de tomar parte no risco (alto) de conceder crédito à economia, quando podem fazer lucros seguros e sem risco comprando dívida soberana?
Do mesmo modo, porque haveria um empresário americano de investir em ampliar as suas instalações ou adquirir novo equipamento, quando tanta “riqueza” é criada a comprar as acções da sua própria empresa?
Entretanto, após dois anos de estímulos monetários globais maciços prolongaram-se históricos investimentos na China e por toda a Ásia. O que exacerbou as bolhas, enquanto piorou todo o panorama global na atribuição de preços e investimentos.
Os desequilíbrios globais estão mais acentuados.”

Reflectindo acerca dos Verões de 2012 e 2014" - Doug Noland - 29 de Agosto de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Acção na periferia da periferia

No início de uma semana importante - e seguramente intensa nos bastidores - traduz-se o último artigo de Doug Noland. Nele se articulam alguns dos mais recentes episódios em Portugal relativamente ao sistema bancário e potenciais relações com problemas de carácter mais sistémico, de âmbito nacional ou europeu. Naquilo que parece ser uma revisitação da Grande Crise Financeira de 2007 (para usar a terminologia do BIS). A tradução e a edição do artigo que aqui se apresenta deve ser vista como um convite à leitura integral do mesmo (assim como o artigo de Ben Stein).
Parece tornar-se claro que, a manter-se a actual conjuntura, bastarão incidentes (aparentemente) mais pequenos e insignificantes para a deflagração de uma nova Crise. Que faria, segundo muitos, a de 2007 parecer apenas uma pequena réplica que antecipa fenómenos tectónicos mais abrangentes e intensos.
Doug Noland, "2014 vs. 2007" - 11 de Julho de 2014

"Não pude deixar de relembrar o artigo de Ben Stein no Verão de 2007, enquanto os especialistas estiveram, na última semana, a desvalorizar o facto de Portugal poder ter algum impacto na gigantesca economia dos EUA e nos inflacionados mercados financeiros.(...) Na periferia, as coisas pareciam estar boas.