A mão extensa e sombria do poder chinês nota-se em muitas das suas iniciativas, desde a sua política expansionista (veja-se a Belt and Road Initiative), até à espionagem industrial, económica e intelectual. Mas também na mãozinha que dá aos seus amigos.
Há sempre mais um degrau para descer. Ao inferno.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Radar
quinta-feira, 8 de março de 2018
Citação do dia (203)
"Ao autorizar que o governo interfira, desumana e implacavelmente, com todas as opiniões que possam existir, estamos a ceder o direito de interpretar o pensamento e a permitir a extracção de conclusões. Para dizê-lo mais directamente, significa abdicar da razão e do raciocínio, que seriam aquilo mesmo que deveria ser a base da oposição ao governo.
Isto é equivalente ao rápido estabelecimento do despotismo."
Benjamin Constant, "On freedom of thought"
sábado, 4 de novembro de 2017
Master Class - Hans-Hermann Hoppe
"Importa escrutinar o pensamento que o politicamente correcto desdenha"
Por razões que não são fáceis de identificar, por vezes, não damos o suficiente destaque às ideias daqueles pensadores que são fundamentais para nós. De certo modo, sinto que isso acontece relativamente a Hans-Hermann Hoppe. Assim, selecciono para a nossa rubrica "Master Class", duas das suas mais recentes intervenções.
A primeira foca-se na determinação consequente dos argumentos e dos passos que deverão estar presentes na consideração de quem problematiza os temas da Liberdade, da Paz e do futuro. Para além disso, Hoppe procede a um esclarecimento e distinção entre os diferentes movimentos e discursos políticos que são, intencionalmente segundo o autor, confundidos com o Libertarianismo. Assim como a distinção cirúrgica e irónica das consequências que resultam de cada um dos principais movimentos nos Estados Unidos e não só (sejam a alt-right ou os diferentes populismos).
A segunda palestra tem uma marca pessoal mais vincada. E é pessoal no sentido em que descreve e enquadra factos vividos na primeira pessoa. Episódios reveladores de que o principal conflito a desenrolar-se nas últimas décadas nas sociedades ocidentais é político, é cultural e tem consequências morais impossíveis de esconder. Evidentes indícios de discriminação (grande chavão para o politicamente correcto, mas apenas face a causas que lhe são queridas), de desvalorização da investigação independente nas academias americanas e mesmo de ostracismo de que Hoppe (e Rothbard) foi alvo.
Uma viagem à condição de quem opta pela independência e radicalidade da sua investigação. Independente, pois não se intimida em buscar as explicações que o poderoso bloco ideológico dominante se esforça por esconder ou atacar. Radical, dado que, pelo escrutínio racional diligente, se buscam as raízes dos problemas e os mais originais rasgos de resposta. Fica aqui a ligação para o fórum que Hoppe e Kinsella dinamizam.
Contra o cânone.
Para nós, esta é a viagem que vale a pena fazer. Mesmo.
Boas reflexões.
Por razões que não são fáceis de identificar, por vezes, não damos o suficiente destaque às ideias daqueles pensadores que são fundamentais para nós. De certo modo, sinto que isso acontece relativamente a Hans-Hermann Hoppe. Assim, selecciono para a nossa rubrica "Master Class", duas das suas mais recentes intervenções.
A primeira foca-se na determinação consequente dos argumentos e dos passos que deverão estar presentes na consideração de quem problematiza os temas da Liberdade, da Paz e do futuro. Para além disso, Hoppe procede a um esclarecimento e distinção entre os diferentes movimentos e discursos políticos que são, intencionalmente segundo o autor, confundidos com o Libertarianismo. Assim como a distinção cirúrgica e irónica das consequências que resultam de cada um dos principais movimentos nos Estados Unidos e não só (sejam a alt-right ou os diferentes populismos).
A segunda palestra tem uma marca pessoal mais vincada. E é pessoal no sentido em que descreve e enquadra factos vividos na primeira pessoa. Episódios reveladores de que o principal conflito a desenrolar-se nas últimas décadas nas sociedades ocidentais é político, é cultural e tem consequências morais impossíveis de esconder. Evidentes indícios de discriminação (grande chavão para o politicamente correcto, mas apenas face a causas que lhe são queridas), de desvalorização da investigação independente nas academias americanas e mesmo de ostracismo de que Hoppe (e Rothbard) foi alvo.
Uma viagem à condição de quem opta pela independência e radicalidade da sua investigação. Independente, pois não se intimida em buscar as explicações que o poderoso bloco ideológico dominante se esforça por esconder ou atacar. Radical, dado que, pelo escrutínio racional diligente, se buscam as raízes dos problemas e os mais originais rasgos de resposta. Fica aqui a ligação para o fórum que Hoppe e Kinsella dinamizam.
Contra o cânone.
Para nós, esta é a viagem que vale a pena fazer. Mesmo.
Boas reflexões.
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Impostos - um cruzamento
Esse princípio - da igualdade de oportunidades - parecia ignorar que as pessoas, sendo diferentes, ao fim de algum tempo teriam entre si novas diferenças, o que exigiria novas interferências de políticas redistributivas que se financiavam nos recursos de alguns cidadãos.
Ora, essa intervenção parecia aceitar que a esses cidadãos não se reconhecesse o respeito pela sua dignidade e da sua propriedade em prol da satisfação daquele segundo princípio.
Nesse caso, não se vê como pode Rawls negar a visão utilitarista das soluções políticas, ou escapar à acusação de que a sua sociedade justa permitiria uma certa escravatura.
É precisamente neste cruzamento, neste dilema que urge dar espaço à discussão destes temas. O facto (mais do que certo, arrisco) de estas referências causarem sorrisos e (até) estupefacção em alguns leitores é, julgo, o justo sinal do cruzamento em que nos encontramos.
Agradecimento a João Cortez (mais uma vez) pela lembrança. A quem sorri, desafio que tente responder à questão que conclui o artigo de Cortez.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Radar
Ainda se hão-de fazer sentir as verdadeiras consequências de uma economia de papel ao longo dos próximos anos. O caso indiano que por aqui temos acompanhado, é exemplar de algumas delas. Se lhes associarmos a desmaterialização monetária em curso (está a começar na Europa, ver aqui) perceberemos a magnitude das mudanças que vêm ao nosso encontro.
Entretanto, um ex-governador do Banco Central Indiano Venugopal Reddy concluiu em recente discurso que, e cito: "o dólar é um activo seguro, mas o ouro é ainda mais seguro. (...) O ouro é uma forma de poupança ou de reserva de valor que compete com a moeda oficial".
A sinceridade fica-lhes tão bem.
Ver notícia aqui. Se algum leitor encontrar o livro branco onde se faz a exposição mais extensa destas ideias e o queira partilhar connosco, deixo aqui, antecipadamente, o nosso agradecimento.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Realidades domesticadas
Um exagero até que...
Por aqui, há algum tempo que acompanhamos os mercados dos metais preciosos. Esse interesse foi sempre acompanhado de uma constatação fundamental: o mercado dos metais preciosos, especialmente os monetários, não pode estar a funcionar livremente. A medição do seu valor em papel-moeda não pode estar a resultar das dinâmicas da oferta e da procura.
O que se entende, pois sendo as verdadeiras constantes da medição de valor - historicamente testadas e comprovadas -, os metais desafiam os ímpetos manipuladores dos curadores de serviço. Pelo que denegrir o único instrumento que pode espelhar, com mais fiabilidade e estabilidade, as preferências económicas é algo que apraz aos mesmos curadores. A bem de manter o jogo da roleta.
Ao longo dos últimos anos, muitos são os casos que se tornaram públicos de bancos e agências de investimento que são acusadas de conluio para manipular os respectivos mercados. Sejam as taxas interbancárias ou os custos associados a certos serviços bancários e financeiros. Destes, vamos tendo notícia nos episódios da narrativa colectiva que os meios de comunicação vão publicando. Mas e aqueles?
Por que razão não são escrutinados os episódios de descarada manipulação dos metais monetários? Se eles representam - para aforradores, empresas ou estados - um referencial de segurança e fiabilidade financeira tão relevante?
Sinal da importância em referir estes casos, sempre foi a tradicional reacção de quem os quer desvalorizar. Em particular quando se lê, ouve e vê descrever o interesse acerca destes casos como exclusivo de pessoas com motivos obscuros, que se divertem a tentar descobrir teorias de conspiração em qualquer acção dos governos, e por aí fora. Aliás, o facto de alguém ter interesse em poupar através dos mesmos metais recebe a mesma reacção.
Talvez desconheçam estes arautos da realidade normalizada que este tópico, como poucos, toca tão fundo nas tensões valorativas entre Liberdade e Igualdade, entre Diferença e Totalitarismo, progresso e estagnação (económica e cultural).
Duvidam os leitores que os comunicadores desta realidade normalizada conhecem o que se passa? Que estão calados ao serviço, isso sim, de causas obscuras?
Oiçam-se os primeiros segundos deste pequeno vídeo que publicamos abaixo. A comunicadora diz: "Já sabemos que isto acontece...". Se já sabem, porque se entretêm a desvalorizar, a esconder, a não oferecer destaque na análise cuidada, crítica e livre este tema? Por que razão recorrer à acusação ou à condescendência?
Deve ser, precisamente, pela importância do tema. Pela necessidade de conter e guiar a Narrativa Oficial.
É quanto baste para o trazer à atenção dos nossos leitores.
Faz-se referência também a um excelente artigo de um conhecedor do mercado dos metais preciosos Bron Suchecki e a uma recolha de materiais acerca do mais recente contributo que o Deutsche Bank (exactamente um dos que foi apanhado este ano a fazer patifarias e que agora faz de informador) forneceu para esta investigação (aqui).
Para não esquecer o já clássico livro de Dimitri Speck, "The Gold Cartel", onde se efectua um estudo estatístico e circunstanciado das manobras de entorse ao mercado de metais preciosos. Pelos suspeitos do costume.
Por aqui, há algum tempo que acompanhamos os mercados dos metais preciosos. Esse interesse foi sempre acompanhado de uma constatação fundamental: o mercado dos metais preciosos, especialmente os monetários, não pode estar a funcionar livremente. A medição do seu valor em papel-moeda não pode estar a resultar das dinâmicas da oferta e da procura.
O que se entende, pois sendo as verdadeiras constantes da medição de valor - historicamente testadas e comprovadas -, os metais desafiam os ímpetos manipuladores dos curadores de serviço. Pelo que denegrir o único instrumento que pode espelhar, com mais fiabilidade e estabilidade, as preferências económicas é algo que apraz aos mesmos curadores. A bem de manter o jogo da roleta.
Ao longo dos últimos anos, muitos são os casos que se tornaram públicos de bancos e agências de investimento que são acusadas de conluio para manipular os respectivos mercados. Sejam as taxas interbancárias ou os custos associados a certos serviços bancários e financeiros. Destes, vamos tendo notícia nos episódios da narrativa colectiva que os meios de comunicação vão publicando. Mas e aqueles?
Por que razão não são escrutinados os episódios de descarada manipulação dos metais monetários? Se eles representam - para aforradores, empresas ou estados - um referencial de segurança e fiabilidade financeira tão relevante?
Sinal da importância em referir estes casos, sempre foi a tradicional reacção de quem os quer desvalorizar. Em particular quando se lê, ouve e vê descrever o interesse acerca destes casos como exclusivo de pessoas com motivos obscuros, que se divertem a tentar descobrir teorias de conspiração em qualquer acção dos governos, e por aí fora. Aliás, o facto de alguém ter interesse em poupar através dos mesmos metais recebe a mesma reacção.
Talvez desconheçam estes arautos da realidade normalizada que este tópico, como poucos, toca tão fundo nas tensões valorativas entre Liberdade e Igualdade, entre Diferença e Totalitarismo, progresso e estagnação (económica e cultural).
Duvidam os leitores que os comunicadores desta realidade normalizada conhecem o que se passa? Que estão calados ao serviço, isso sim, de causas obscuras?
Oiçam-se os primeiros segundos deste pequeno vídeo que publicamos abaixo. A comunicadora diz: "Já sabemos que isto acontece...". Se já sabem, porque se entretêm a desvalorizar, a esconder, a não oferecer destaque na análise cuidada, crítica e livre este tema? Por que razão recorrer à acusação ou à condescendência?
Deve ser, precisamente, pela importância do tema. Pela necessidade de conter e guiar a Narrativa Oficial.
É quanto baste para o trazer à atenção dos nossos leitores.
Faz-se referência também a um excelente artigo de um conhecedor do mercado dos metais preciosos Bron Suchecki e a uma recolha de materiais acerca do mais recente contributo que o Deutsche Bank (exactamente um dos que foi apanhado este ano a fazer patifarias e que agora faz de informador) forneceu para esta investigação (aqui).
Para não esquecer o já clássico livro de Dimitri Speck, "The Gold Cartel", onde se efectua um estudo estatístico e circunstanciado das manobras de entorse ao mercado de metais preciosos. Pelos suspeitos do costume.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Carta aberta de um americano, agente russo, a Vladimir Putin
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| Paul Craig Roberts |
Independentemente do que se pense ou deixe de pensar acerca de Donald Trump, o facto é que nunca antes desta refrega eleitoral, nem mesmo durante os anos da II Guerra Mundial, se verificou uma tão ampla e violenta campanha contra (ou mesmo a favor) um candidato presidencial nos Estados Unidos. Se pensarmos em termos de Ocidente, essa campanha não foi menos virulenta, nem menos enviesada na Europa. Entre nós, não dei conta de um jornal, muito menos de um canal de televisão, que fosse sequer longínquamente neutro na disputa. Não dei conta de um político, de um jornalista que fosse pró-Trump antes de conhecerem os resultados eleitorais, o que, em circunstâncias "normais", seria, até estatisticamente, impossível. Por cá, só dei conta desta expiação. No grande esquema das coisas, a cadeia RT foi - é - a grande excepção. Conhecidas as relações, pelo menos financeiras, com a Rússia de Putin, as acusações à RT, que já vêm desde o seu início, subiram imenso de tom. Tornaram-se até histéricas. Não foi a Rússia de Putin acusada de interferir e mesmo manipular a campanha eleitoral, por exemplo, promovendo ataques informáticos para revelar emails embaraçantemente reveladores? E agora que a media tradicional, foi derrotada fragorosamente pelos novos canais e redes de comunicação, que mais se haviam de lembrar que descobrir websites de "notícias falsas"? De chegar ao ponto de o parlamento europeu acusar a RT de ser um desses canais e "recomendar" intervenções para remediar a irradiação de "notícias falsas"? Paul Craig Roberts ganhou a distinção de ter sido indicado como um dos mais de 200 websites de "mentiras". Resolveu, em conformidade, escrever uma carta a Vladimir Putin cuja tradução me pareceu pertinente. Ei-la:
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Irresistível
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| Aqui |
Irresistível comentar este disparate.
Não porque seja falso, coisa que ainda não sabemos. Mas porque bastaria este senhor considerar a situação de milhares de contribuintes que, pagando, não têm médico de família, ou que aguardam horas nas urgências, meses e anos por consultas, exames e tratamentos para moderar a sua indução.
Não conheço outra corporação que alegue tal conclusão: "daqui a dez anos haverá inundação de médicos" para limitar o acesso à profissão. A analogia com a inundação é só engraçada, mas pouco.
Se ao menos às pessoas se deixasse que estas fizessem livremente as suas escolhas, tal "inundação" não passava de pequeno aguaceiro. Táxis, bancos ou médicos teimam em não perceber o que Mises explicou há muito tempo: estão a meio do caminho. Querem uma coisa e o seu contrário. Querem eficácia do mercado, mas querem manter artificialmente a defesa do seu interesse particular. Querem respeitar os direitos das pessoas, mas forçar as escolhas que estas podem fazer.
E por artificialmente entenda-se à força. Literal ou em letra de Lei.
Sonhadores.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Radar
A propósito dos eventos de hoje que envolvem gangues de motoristas, recupero artigo que publicámos em Setembro do ano passado, destacando especialmente os comentários anexos a esse artigo. A maioria com "direitos" manifestou-se mais uma vez. Pela violência. E depois de ter arrecadado uns milhares de euros dos contribuintes não há muito tempo.
Este tipo de expressão e defesa dos direitos adquiridos dá seguramente bons frutos. A julgar pelo resultado de serem recebidos pelo governo e receberem a promessa de um grupo de trabalho para poder "melhorar a mobilidade nas cidades" (novilíngua de burocratas para dizer que vão fazer contas para dar mais uns estímulos ao sector).
Está bom de ver no que vai dar mais este grupo de trabalho, não está?
Estão uns para os outros.
Vergonhoso.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Cogitações (4)
Finalmente. A Primavera parece ter perdido a vergonha.
Nada como começar mais uma semana com uma corridinha madrugadora e ter por companhia a paleta de cores que só céu limpo e o sol despertador podem dar. Revigorante.
Mas nada disso motivou esta perturbação cogitativa. Antes, foi o facto de ter escolhido um percurso nos arredores de Lisboa para correr e no qual se ouviam - em alto e bom som - as máquinas de manutenção dos jardins municipais às oito horas e trinta minutos da manhã. De um feriado nacional. Dedicado à Liberdade.
Inquietou-me pensar o que se terá passado neste município governado por comunistas para mandar trabalhar os seus funcionários numa linda manhã de feriado de 25 de Abril. Perturbando, por exemplo, os munícipes que a essa hora poderiam prolongar as suas horas de descanso.
Terei de visitar esta mesma zona para a semana, procurando saber se as mesmas forças libertadoras farão manifestação à porta de uma zona comercial conhecida pelas suas promoções no primeiro de Maio.
Este singelo episódio evidencia a extensão da captura efectiva da capacidade de avaliar criticamente a realidade. E, claro, do significado e alcance de conceitos e valores como o da Liberdade. Até mesmo, arrisco, da Igualdade.
Mas divago.
Boa semana.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
A guerra ao cash é uma ameaça à liberdade e é a antecâmara da expropriação
Está em curso uma campanha de desinformação por parte do establishment que visa banir progressivamente a utilização das notas e moedas, começando pelas de mais elevada denominação. A ideia que é vendida ao público é que o dinheiro físico, já só sendo marginalmente necessário, possibilita certas formas de criminalidade - comércio de substâncias proibidas, "lavagem" de dinheiro, actividades terroristas - como ainda permite a subsistência de uma economia paralela de produtos e bens legais (na realidade formada de mercados verdadeiramente livres) e, consequentemente, que as pessoas que dele participam paguem os impostos que são "devidos".
Os media tradicionais papagueiam esta "narrativa" sendo raríssimos os casos que salientam que a eliminação do dinheiro físico - isto é, a sua total digitalização - significaria em primeiro lugar o fim da privacidade pois toda a nossa vida ficaria integralmente exposta nos registos bancários; por outro lado, a possibilidade de expropriação pura e simples das poupanças das pessoas no sistema bancário seria uma tentação irresistível para entidades - banca e estados - que estão falidos ou para lá caminham. O artigo que se segue, da autoria de Simon Black, expõe esta questão de forma entendível para não iniciados e propõe algumas medidas de salvaguarda que cada um poderá seguir.
Esta é uma questão, a meu ver, absolutamente determinante. Tenha medo, caro leitor, e mantenha junto de si o montante em cash que a situação aconselhará a cada um.
17 de Fevereiro de 2016
Por Simon Black
Isto está a começar a tornar-se muito preocupante.
Imagem Sovereign Man
O movimento para a proibição do "cash" ("dinheiro vivo"), e, em particular, das notas de denominação mais elevada como a de 500 euros e a de 100 dólares, está seriamente a ganhar força.
Na Segunda-feira, o presidente do Banco Central Europeu revelou, de forma enfática, estar activamente a ponderar o abandono progressivo da nota de 500 euros.
Ontem [dia 16], um ex-secretário do Tesouro [dos EUA], Larry Summers, publicou um artigo de opinião no Washington Post cujo tema versava sobre o modo de acabar com a nota de 100 dólares.
Economistas proeminentes e bancos juntaram-se ao coro e defenderam o fim do cash nos últimos meses.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Uma maioria com "direitos"
Adquiridos, ao que se vê, à força
Enquanto se continuar a analisar e a discutir este tipo de acontecimentos como fazendo parte da esfera dos direitos laborais, então esta barbárie continuará. Podendo mesmo agravar-se.
Conduzir a discussão para essa esfera é negar o fundamental: esta "manifestação" não é nada mais que uma violação de direitos naturais fundamentais.
O que se lê na peça, e vê pelas imagens nela apresentadas (ligação na foto), é a simples acção de um grupo de criminosos que, pela força, querem impedir outros (uma clara minoria, claro está!) do exercício da sua liberdade. Seja de trabalhar (no caso do taxista alvo da "manifestação") ou de qualquer um de nós poder recorrer ao serviço de uma pessoa ou empresa para, livremente, satisfazer um desejo ou uma necessidade.
Julgo que aqui também se pode identificar, estruturalmente, uma clivagem entre dois mundos. E ocorre-me lembrar o movimento dos Luditas. Que dirão os colectivistas apaixonados pelo empreendedorismo?
Mas, nesta como noutras problemáticas, a maioria impõe a sua força e os seus "direitos".
Será isso um sinónimo de Democracia?
Enquanto se continuar a analisar e a discutir este tipo de acontecimentos como fazendo parte da esfera dos direitos laborais, então esta barbárie continuará. Podendo mesmo agravar-se.
Conduzir a discussão para essa esfera é negar o fundamental: esta "manifestação" não é nada mais que uma violação de direitos naturais fundamentais.
O que se lê na peça, e vê pelas imagens nela apresentadas (ligação na foto), é a simples acção de um grupo de criminosos que, pela força, querem impedir outros (uma clara minoria, claro está!) do exercício da sua liberdade. Seja de trabalhar (no caso do taxista alvo da "manifestação") ou de qualquer um de nós poder recorrer ao serviço de uma pessoa ou empresa para, livremente, satisfazer um desejo ou uma necessidade.
Julgo que aqui também se pode identificar, estruturalmente, uma clivagem entre dois mundos. E ocorre-me lembrar o movimento dos Luditas. Que dirão os colectivistas apaixonados pelo empreendedorismo?
Mas, nesta como noutras problemáticas, a maioria impõe a sua força e os seus "direitos".
Será isso um sinónimo de Democracia?
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| Foto Expresso/Lusa |
quarta-feira, 13 de maio de 2015
A "Guerra ao Terror" como instrumento de erosão da Liberdade
Ficámos hoje a saber, através de provas concludentes fornecidas pela inevitável Wikileaks (pois quem mais?), que também os serviços secretos alemães (à semelhança, entre outros, de britânicos, franceses ou espanhóis) colabor(ar)am activamente com a NSA no processo de recolha maciça de informações relativas a comunicações telefónicas e do tráfego de Internet. Ficamos assim com novos dados para melhor avaliar o alegado estado de choque com que a Sra. Merkel recebeu a notícia de estar a ser escutada pela NSA...
Os estados agem hoje sob o pressuposto de que todos os seus cidadãos são potencialmente suspeitos - no presente, como no futuro. É do combate ao "pré-crime" que se trata, pois. Por isso, deixaram de considerar necessário o aborrecido procedimento do passado que consistia em obter um mandado judicial dirigido a indivíduos sobre os quais houvesse prévias e fundadas razões de suspeita de actividades ilícitas. Espantosa a facilidade com que a constitucionalidade da coisa foi remetida às urtigas por todo o lado. Se a isto aliarmos a intensificação da "guerra ao cash" que, recorde-se, já dura há décadas - o derradeiro reduto da privacidade do indivíduo - que os ocidentais, e em particular os franceses, vêm conduzindo, não é uma chalaça afirmar que, afinal, Orwell seria mesmo um optimista.
Inteiramente expectável, entretanto, o excepcional cuidado com que os media convencionais, para sua eterna vergonha, têm desvalorizado, quando não acarinhado - vide recorte lateral do Público - o avassalador assalto à Liberdade pela via da eliminação da privacidade.
E é aqui que a perversidade da "Guerra ao Terror" se insere ao impor um alegadamente inevitável trade-off entre liberdade e segurança que, com complacência, se foi instalando sem atender ao sábio conselho de Benjamin Franklin: «Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.»
A complacência, para usar um termo suave, com que os países europeus, e em particular a Alemanha, têm demonstrado para com o Tio Sam, sem mostrarem a capacidade de formular políticas autónomas ao serviço dos seus próprios interesses, tornam perfeitamente justificável as palavras certeiras, incisivas mas sempre educadas de Sahra Wagenknecht, líder do partido Die Linke e membro do parlamento (Bundestag), dirigidas a Frau Merkel. Está disponível a legendagem em inglês bastando activá-la. Vídeo de muito recomendável visionamento.
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| Público, edição de de 6 de Maio de 2015 |
Inteiramente expectável, entretanto, o excepcional cuidado com que os media convencionais, para sua eterna vergonha, têm desvalorizado, quando não acarinhado - vide recorte lateral do Público - o avassalador assalto à Liberdade pela via da eliminação da privacidade.
E é aqui que a perversidade da "Guerra ao Terror" se insere ao impor um alegadamente inevitável trade-off entre liberdade e segurança que, com complacência, se foi instalando sem atender ao sábio conselho de Benjamin Franklin: «Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.»
A complacência, para usar um termo suave, com que os países europeus, e em particular a Alemanha, têm demonstrado para com o Tio Sam, sem mostrarem a capacidade de formular políticas autónomas ao serviço dos seus próprios interesses, tornam perfeitamente justificável as palavras certeiras, incisivas mas sempre educadas de Sahra Wagenknecht, líder do partido Die Linke e membro do parlamento (Bundestag), dirigidas a Frau Merkel. Está disponível a legendagem em inglês bastando activá-la. Vídeo de muito recomendável visionamento.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Citação do dia (175)
"Os novos valores que vão surgindo parecem justificar o abandono dos antigos valores e regras. A confiança em si mesmo, o auto-controlo e a independência, por exemplo, são substituídos pela equidade, segurança e cuidados de saúde universais. No entanto, são fáceis de identificar as clivagens entre os velhos valores e os novos.
Os novos valores reflectem uma profunda mudança nas atitudes. De assumir riscos a passar evitá-los de todo. Da produção de riqueza à preocupação exclusiva na sua preservação. Da ausência de interferências do estado (laissez-faire) ao controlo centralizado por parte do estado.
Mas estas diferenças são também expressas num conjunto diferenciado de direitos. Os antigos eram direitos a que cada um pudesse fazer algo por si mesmo. Os últimos são direitos a forçar alguém a fazer algo para mim. Os primeiros exigiam cooperação, estes últimos exigem apenas o medo e, de seguida, a violência."
Bill Bonner, "O refluxo da modernidade" - 22 de Outubro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
Por que é importante a privacidade
Glenn Greenwald estilhaça a usurpação do dito "quem não tem nada a esconder, não teme" para tentar justificar a tolerância, complacência e submissão perante o Estado de Vigilância e, em consequência, a aceitar o fim da privacidade de cada um de nós, o mesmo é dizer, da Liberdade. De caminho não poupa, como Julian Assange, estrelas do firmamento cibernético como Eric Schmidt (ex-CEO e actual Chairman da Google) ou Mark Zuckerberg (CEO da Facebook) de facto coniventes com a ilegal e maciça recolha cega de dados sem que para tal exista mandado judicial ou, sequer, "causa provável".
Um excelente fim-de-semana!
terça-feira, 10 de junho de 2014
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