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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Delícias de uma noite de Verão

"As guerras e as dívidas dos estados sempre estiveram ligados"

O pequeno vídeo que partilhamos hoje ilustra a história dos mecanismos de que os estados dispõem para fazer a guerra. No caso, o vídeo apresenta, com detalhe, as ideias, os mecanismos e as estratégias que o Reino Unido colocou em prática para empurrar (ludibriar até) os cépticos a fazer parte do esforço de guerra, através da emissão de obrigações e da sua subscrição, relativamente à primeira guerra.

Note-se o modo como o governo geriu o processo de falência do compromisso em 1932, das manobras junto da imprensa para iludir a realidade e a qualidade do "produto tóxico" que o estado estava a oferecer ao mercado e aos investidores.
Veja-se também o período em que pôde durar tal mascarada - o empréstimo foi pago em 2015.
Atente-se no papel intenso da propaganda (até nos restaurantes de fazia campanha para a conversão das condições do empréstimo) e - atenção - o apelo ao patriotismo. Alguém nota semelhanças?

Estas mentes brilhantes - são tantas e por tanto tempo - não hesitam em socorrer-se da manipulação e da mentira para fazer as pessoas e os mercados a participar destas trapaças.
Por que razão tal estratégias serão necessárias?




Importa pensar que mecanismos se foram desenvolvendo para fazer face aos compromissos posteriores (da Iª Grande Guerra em diante). Desconfio que serão ainda mais subtis e suportados por manobras de manipulação mais insidiosas. Desconfio, sim.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Citação do Dia (200)

"Estes não são tempos normais. As taxas de juro das obrigações alemãs estão tão baixas que até as maturidades a 30 anos, com taxa de 1,14%, traduzem-se em rendimentos reais negativos.

Retornos livres de risco, de facto."



James Grant, "Almost Daily Grant´s", 30 de Agosto de 2017

Tradução e itálicos da nossa responsabilidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vacas voadoras e deleitosas prisões

Humildade e bom senso

No meio da tempestade de activismos políticos, monetários e financeiros, são cada vez mais refrescantes as escassas hipóteses de pensar a realidade com consciência dos limites humanos, com conhecimento histórico e técnico. O bom senso parece ter desaparecido definitivamente da paisagem e do discurso - social e político. Partilhamos, por isso, uma palestra muito informal de James Grant. A frontalidade e a humildade de Grant parecem de outro tempo.

São tempos de vacas voadoras, de uma presidência sufocante, do excepcionalismo na consideração dos problemas (veja-se CGD), de piadas de mau gosto (as empresas gozarem de uma conta-corrente com o estado é considerado um avanço civilizacional e fruto de uma mente brilhante socialista). São tempos em que acumulamos ataques à liberdade de propriedade e pensamento (quando o estado exige que um hotel não discrimine os clientes que quer servir).
Há quem acredite na bondade desta tolerância forçada? Neste paternalismo sem vergonha?

Nas esferas mais elevadas do poder (na Europa e nos EUA), as discussões para concertar activismos devem estar ao rubro, pois nada está a funcionar como há muito pretendem os curadores. São vários os títulos de dívida a taxas de juro negativas (8 a 10 triliões, consoante as fontes) e as dúvidas crescem quanto à saúde da economia mundial, mas os curadores ainda exercem o seu papel inchados de credibilidade auto-atribuída.

Que contexto para a conversa com Grant!

Resta-nos o humor e o bom senso.
Rindo e pensando.






sexta-feira, 15 de maio de 2015

Citação do dia (186)

“Na análise de casos históricos e presentes de excessivo endividamento, notamos algumas tendências transversais que importa sublinhar:

- em primeiro lugar, quando todas as grandes economias enfrentam um elevado crescimento da sua dívida, nenhuma delas pode ser um motor para o crescimento económico mundial; esta condição está tão presente agora como estava nos anos de 1920-1930;

- em segundo lugar, as desvalorizações monetárias resultam enquanto os países tentam estimular o crescimento à custa uns dos outros; os países são forçados a fazer isso, porque a política monetária é, na verdade, ineficaz;

- em terceiro lugar, estas desvalorizações providenciam um estímulo à actividade económica, mas os benefícios são transitórios, porque os outros países estão do lado que perde e vão retaliar; no fim, cada uma das partes acaba por ficar numa pior condição e este processo é perturbador para os mercados;

- em quarto lugar, as economias historicamente mais avançadas só puderam curar o seu endividamento através de um período de significativo aumento da poupança e da austeridade; e historicamente a austeridade começa por uma das seguintes causas: quando é auto-imposta, por exigências externas ou por circunstâncias imprevistas. ”

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Teimosas anamorfoses

"As deformações são insustentáveis", David Stockman

Da entrevista que aqui propomos, destaco a desmontagem, frontal e simples, da relação entre a criação de dívida e o aumento da riqueza (medida pelo PIB). Stockman expõe a realidade das consequências das políticas dos defensores da visão de comando e controlo da economia ao nível mundial, mas dando particular destaque à China.
Outra ideia muito importante é que a política vai revelar-se, segundo Stockman, muito mais volátil e explosiva do que as dinâmicas dos mercados. A história pode repetir-se e não serão os números a deixar marcas importantes. Os resultados políticos da crise só muito discretamente se estão a fazer sentir.

A entrevista cruza os seguintes tópicos:
- a iniciativa de auditar a FED e o jogo político nos EUA - Elizabeth Warren, a referência moral dos liberais e progressistas contra os males dos mercados, considera "que não se deve submeter a FED à intromissão dos políticos";
- as bolhas que fervilham em torno das zonas de exploração petrolíferas nos EUA - crédito à habitação e aquisição de automóveis - graças à repressão financeira promovida pelos bancos centrais;
- os resultados das políticas monetárias e financeiras da FED e as suas ressurgências históricas (eterno retorno?);
- o papel, a natureza e o futuro dos bancos centrais;
- a Zona Euro, mercado e dívidas soberanas;
- o Japão e os balanços bancários, especialmente na Europa;
- as deformações insustentáveis que os socialistas de todas as cores impõem por esse mundo fora - desde 2008 que a China aumentou a riqueza em cinco triliões, mas aumentou a dívida em 28 triliões;
- o momento no mercado do petróleo - exemplo do que está para vir noutras dimensões dos mercados?;
- a Grécia e as estratégias para adiar o inevitável;
- a política, sempre a política.

Uma hora de análise desassombrada da narrativa oficial acerca do que está a refazer-se. Por entre as linhas do palimpsesto. Numa tensão intensa e crescente.
Que seja de bom proveito.