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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os políticos e burocratas preferem as vítimas invisíveis

No que constitui um outro excelente artigo, o Prof. Walter Williams evoca a filosofia libertária iniciada com John Locke ("Quem é o dono de si mesmo?") e o célebre ensaio de Frédéric Bastiat ("O que se vê e o que não de vê") para evidenciar as consequências reais das acções/omissões e do tipo de incentivos que a interferência do estado inevitavelmente introduz nos diferentes mercados. Neste artigo, Williams debruça-se sobre o tema da introdução de novos fármacos.

Adenda: a tradução é da minha responsabilidade bem como a introdução de links e realces no texto.
10 de Junho de 2014
Por Walter E. Williams

Quem é o seu dono?

Walter E. Williams
Darcy Olsen, presidente do Instituto Goldwater com sede no Arizona, e Richard Garr, presidente da Neuralstem, uma empresa de biotecnologia, escreveram "O Direito a Tentar drogas experimentais" no USA Today (2014/05/28). Eles observaram que "este ano, mais de 5.000 americanos irão perder a batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), comummente conhecida como doença de Lou Gehrig". Até há pouco tempo, não havia medicamentos no mercado que melhorassem significativamente as vidas dos pacientes com ELA. Mas há agora um em ensaios clínicos - que se mantém bem promissor - que a Food and Drug Administration [equivalente, na área do medicamento, ao Infarmed português – N.T.] não aprovou. O tempo médio que demora a obter a aprovação de uma droga pela FDA é de 10 anos. Esse é um tempo que os doentes terminais não têm.

Os legisladores no Colorado, Louisiana e Missouri aprovaram recentemente legislação conhecida por "Direito a Tentar", e os eleitores do Arizona irão pronunciar-se sobre esta matéria em Novembro próximo. A iniciativa "Direito a Tentar" foi concebida pelo Instituto Goldwater. Ela proporcionaria aos doentes terminais o acesso a drogas experimentais que tivessem observado os ensaios básicos de segurança. Sob a supervisão de um médico, seria dada a oportunidade às pessoas de testar drogas experimentais promissoras antes de elas obterem a aprovação final da FDA.

sábado, 22 de junho de 2013

Eis os economistas que explicaram cada uma das crises no último século (não, Krugman não é um deles)

Pierre-Guy Veer assina Meet the Economists Who Have Explained Every Crisis Of the Last Century (No, Krugman Isn't One Of Them), um despretensioso mas a meu ver bem elegante e conciso artigo sobre a interpretação "austríaca" da crise que que se iniciou em 2008 (e que ainda persiste) bem como as crises precedentes dos últimos cem anos. O foco de atenção dirige-se, naturalmente, para o sistema monetário fiat em que vivemos, manipulado a bel-prazer por governos e bancos centrais, bem como para o vigente sistema bancário de reservas fraccionárias.

Uma das críticas recorrentes aos economistas do mainstream é que eles estão permanentemente a "errar as previsões" (e não é só Vítor Gaspar, ou o FMI...). Claro que erram, mas não porque não saibam fazer contas. Essa é uma crítica que passa muito longe do alvo. O que na realidade se passa é que os "erros" são inevitáveis pois é impossível subsumir os milhões de milhões de decisões que todos os dias são tomadas pelas pessoas, seja no plano individual seja nos diferentes planos de interacção humana (família, emprego, amigos, vizinhança, etc.), e que a única coisa certa é que elas serão diferentes das do dia seguinte (ad infinitum). Por definição, o ser humano é imprevisível. As pessoas não são pedras. Nem, felizmente, robots. Por isso, todos aqueles que reclamam o estatuto de ciência para a disciplina de Economia, tendo a Física por referência - onde, aí sim, os fenómenos se podem prever - estão destinados a um inapelável e rotundo fracasso. Isso não significa que não possa haver, como há, a identificação de padrões que possibilitem maiores ou menores graus de previsibilidade. (Peter Schiff, um "austríaco" com um excelente registo preditivo, faz aqui o que é a meu ver um excelente exercício. A conclusão a que chega, que subscrevo, leva-o a aconselhar os seus leitores a "pôr o cinto" - a turbulência que aí vem vai ser muito severa.)

A tradução é da minha responsabilidade como é minha a autoria do roubo do título do post.
Muitas pessoas ainda acreditam que o lamaçal económico em que estamos atolados era imprevisível ou, então, causada pela desregulamentação massiva - apesar do facto de que a actividade estatal nunca ter realmente diminuído. São falsas ambas as afirmações. Cada uma das crises económicas dos últimos 100 anos era previsível (por vezes também prevista) foi causada pela intervenção estatal na economia.

Ludwig von Mises
Na verdade, parece que algumas pessoas, em 2013, começaram a compreendê-lo. O Dr. Emanuele Canegrati, economista sénior junto do Parlamento italiano, foi mesmo ao ponto de dizer que Ludwig von Mises, o já falecido economista americano natural da Áustria, e a sua Escola Austríaca de economia tinham razão quando defendiam a sua teoria sobre os ciclos económicos e a inflação.

Que teoria é essa? Apesar do que os keynesianos como Paul Krugman afirmam, a escola austríaca de economia não é um culto. É uma ciência séria que se baseia na praxeologia, ou seja, no estudo da acção humana e da escolha. Ao contrário dos átomos ou dos animais em laboratórios, é quase impossível estudar as acções dos seres humanos num ambiente experimental, uma vez que é quase impossível observar condições ceteris paribus (mantendo tudo o resto constante). Consequentemente, a praxeologia só pode analisar os efeitos, não as motivações, do comportamento humano. Não obstante, ela vai bem longe na explicação das teorias da Escola Austríaca.