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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Realismo e Ironia

"Se alguém pensa que a história terá um desfecho feliz, anda distraído."

No "Truman Show" em que vivemos, a luta pela manutenção de uma narrativa controlada está ao rubro. Seja pelo impressionante esforço injector das autoridades monetárias europeias, seja pelas sedentas máquinas partidárias.
No primeiro caso, o esforço de liquidez do BCE parece estar a produzir os seus efeitos na descida dos preços da dívida, o que faz folgar a corda que - não esqueçamos - trazemos ao pescoço. Mas os resultados substanciais esperados tardam em aparecer.
No que diz respeito às encenações políticas, o esforço está centrado na tentativa de manutenção das entorses perceptivas e, consequentemente, da redução dos cenários alternativos que ponham - verdadeiramente - em causa o que importa. Talvez exemplo maior desse esforço possam ser o ruído em torno das candidaturas presidenciais. Ou, numa tão curiosa mistura das duas dimensões económica e política, o caso da TAP.
Esse ruído é, não esqueçamos, a banda sonora da narrativa oficial.
Aqueles que têm a ousadia de ser independentes de uma encenação desta natureza têm a tarefa dificultada. Com o intuito de mostrar como se pode exercer essa independência, trago à consideração dos leitores uma pequena entrevista a Rick Rule (Sprott Global). Esta entrevista está direccionada a obter a reacção de um investidor às mais recentes manobras na economia de comando e controlo em que vivemos. Se o mote da entrevista é a mais recente reunião da Reserva Federal (FOMC) face à situação interna nos EUA, facilmente podemos extrapolar a análise nela levada a cabo para a "realidade" global.
Uma análise feita de realismo. De quem investe e cria valor e não tem ilusões acerca do que está em jogo.
É isto a que chamam os "génios indígenas" chamam de empreendedor? Será?
Mesmo?


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pico quantos? (versão 2014)

Passaram menos de duas semanas sobre a publicação deste artigo (registo necessário) no Wall Street Journal, e é espantoso o trajecto seguido pelas cotações do petróleo desde então. Veremos até quando e onde irão os tenebrosos especuladores na sua ganância no seu perturbador altruísmo... Para além de outras importantes questões - no domínio da geopolítica mundial e do eventual rebentar da provável "bolha", alimentada por cortesia da Fed através do "milagre" do crédito abundante e barato, em boa parte (que parte?) responsável pelo espectacular ressurgimento dos EUA como produtor de petróleo -, a minha intenção com a tradução deste artigo queda-se no revisitar do recorrente tema do esgotamento "iminente" do petróleo, para o voltar a negar pela n-ésima vez (o "paradoxo da finitude"). A oportunidade surge também com a confirmação entre nós de um novo aumento de preços nas tarifas da electricidade para 2015. Este, conforme se tornou vincado de 2009 para cá, tem uma componente visível e uma outra "invisível" (défice tarifário, leia-se, novos aumentos futuros nas tarifas) que ultrapassará os 5 mil milhões de euros no ano que vem! No edifício argumentativo dos promotores das irremediavelmente intermitentes, e por isso não confiáveis, "novas renováveis", faz parte uma suposta inevitabilidade: a de que os preços da energia de origem fóssil iriam subir muito. Daí que achem irrelevante, quando não impertinente ou "marialva" (Moreira da Silva dixit), discutir esta coisa dos aberrantes sobrecustos que a sua sobre-adopção impõe e que, no cair do pano, até mesmo dos submarinos surgem "contrapartidas".

The Wall Street Journal
4 de Dezembro de 2014

O "pico do petróleo" desmistificado uma vez mais ainda

Foi há 216 anos que Thomas Malthus criou a ideia de que o apetite do homem pelos recursos naturais iria ultrapassar a capacidade da natureza em fornecê-los. Desde então que ocorrem alertas regulares segundo os quais o mundo estaria a assistir ao esgotamento da soja, do hélio, do chocolate, do tungsténio, etc., e que o crescimento da população se teria tornado insustentável. Os alarmes provocam um pânico político ou social durante algum tempo, até que vêm a revelar-se errados.

O mais recente embate com a realidade é o fim da obsessão com o "pico do petróleo" que durante anos levou pessoas sérias a proclamar que estávamos a entrar numa era de permanente escassez de combustíveis fósseis. Não foi isso que se verificou.

Imagem do Wall Street Journal
Esta é uma lição central a retirar da dramática queda no preço do petróleo neste ano, que chegou aos 69,49 dólares no barril do Brent de quinta-feira vindo de um máximo em Junho de 112,12 dólares. Ainda recentemente, nos inícios de Novembro, quando o petróleo oscilava em torno dos 80 dólares, funcionários da OPEP advertiram que iriam intervir para "segurar" o preço nos 70 dólares. Mas as autoridades sauditas recusaram-se visivelmente a anuir num corte na produção na reunião da semana passada da OPEP, e o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, deixou bem claro que se sentiria confortável com preços mais baixos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tens-te escapado mas já te apanho


Nestes dois últimos anos temos vindo a assistir, e não creio que o fenómeno se extinga tão cedo, a um ritmo avassalador de encerramentos de estabelecimentos comerciais que nunca conhecemos na nossa contemporaneidade. Creio que terá havido uma excepção notável: as lojas de compra e venda de ouro que se multiplicaram um pouco por todo o lado com uma rapidez assinalável que vieram proporcionar liquidez a quem dela necessitava e, portanto, prestando um serviço socialmente útil.

Adivinhem lá para onde se dirige a manifesta preocupação governamental? Para com estas últimas, pois então! Então houve quem se atrevesse a agir "à margem de lei"? Sem regulação "adequada"? Sem carimbos, licenças, atestados e certificados conformes à actividade em causa? Ah, ultraliberais de pacotilha!

domingo, 4 de novembro de 2012

Citação do dia (91)

‎"Innovators and creative geniuses cannot be reared in schools. They are precisely the men who defy what the school has taught them."
Ludwig von Mises

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carta de um empresário americano aos seus trabalhadores

Progressivamente, o facebook vem ganhando terreno no hiperespaço cibernético. Foi por lá que encontrei uma carta dirigida por um empresário aos seus trabalhadores que creio ser útil divulgar num espaço mais "ordenado" como pretende ser este blogue. Apesar do seu contexto ser nitidamente norte-americano, muito do conteúdo é, a meu ver, totalmente aplicável à realidade portuguesa. Para quem já leu "Atlas Shrugged" ("A revolta de Atlas"), nela encontrará similitudes com a personagem John Galt. A tradução é de minha responsabilidade.
A todos os meus valiosos colaboradores:

Tem havido alguns rumores por todo o escritório quanto ao futuro da empresa e, mais especificamente, quanto aos vossos empregos. Como sabem, a economia mudou para pior e apresenta muitos desafios. Porém, a boa notícia é esta: a economia não constitui uma ameaça para o vosso emprego.

O que ameaça o vosso emprego, no entanto, é a mudança do panorama político neste país. Claro que, como vosso empregador, estou proibido de vos dizer em quem devem votar - é contra a lei discriminar com base na filiação política, raça, credo, religião, etc.

Por favor votem em quem acharem que melhor servirá os vossos interesses. No entanto, deixem-me dizer-vos alguns pequenos pormenores que de facto podem ajudar-vos a decidir o que é do vosso interesse. Primeiro, embora seja fácil vociferar retórica que lança empregadores contra empregados, têm que entender que por cada empresário, há uma história por trás.

Essa história é frequentemente negligenciada e ofuscada pelo que vêem e ouvem. É evidente que me vêem estacionar lá fora o meu Mercedes. Viram a minha mansão no ano passado, pela festa de Natal. Tenho a certeza de que todos esses ícones vistosos de luxo vos evocam algumas considerações idealizadas sobre a minha vida. Porém, o que não vêem é a história por trás.

Eu comecei esta empresa há 12 anos. Naquela época, morava num apartamento, tipo estúdio, de 30 metros quadrados, e lá continuei durante 3 anos. Todo aquele espaço foi transformado num escritório para que eu pudesse levar por adiante, com uma dedicação a 100%, a construção de uma empresa que, por sinal, acabaria por vos empregar.

A minha dieta consistia em massas de macarrão ["Ramen Pride"] porque cada dólar que gastava ia para esta empresa. Eu conduzia um Toyota Corolla enferrujado e com uma transmissão defeituosa. Não tinha tempo para namorar. Com frequência, ficava em casa nos fins-de-semana enquanto os meus amigos saíam para beber um copo ou para ir a uma festa. Na verdade, eu tinha casado com a minha empresa - trabalho árduo, disciplina e sacrifício.

Enquanto isso, os meus amigos arranjavam emprego. Eles trabalhavam 40 horas por semana e ganhavam uns modestos 50.000 dólares por ano e gastavam cada cêntimo ganho. Eles conduziam carros vistosos e viviam em casas caras e usavam roupas de marcas de luxo. Em vez de ir comprar roupa da última moda, a mim bastava-me adquirir peças de vestuário que não parecessem dos anos 70.

Os meus amigos refinanciaram as suas hipotecas e viveram uma vida de luxo. Eu, no entanto, não o fiz. Eu despendi o meu tempo, o meu dinheiro e a minha vida num negócio - com a visão que, eventualmente, um dia, também eu iria poder ter recursos para poder usufruir desses luxos o que, supostamente, sucederia então aos meus amigos.

Assim, quando vocês chegam fisicamente ao escritório às 9 horas da manhã, dão mentalmente conta da passagem do meio-dia e depois saem às 5 da tarde, eu não. Para mim, não há nenhum botão de "desligar". Quando vocês saem do escritório, fizeram o que tinham a fazer e têm um fim-de-semana só para vós. Eu, infelizmente, não tenho essa liberdade. Eu como, **** e respiro esta empresa a cada minuto do dia. Não há descanso. Não há fim-de-semana. Não há happy hour. Esta empresa está ligada a mim, todos os dias,  como se fosse um bebé com um dia de idade.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Do ruído sobre a TSU e afins mais uma sugestão

Vai por aí um ruído muito pouco esclarecedor acerca do efeito líquido, isto é, da soma dos efeitos "positivos" e "negativos" das alterações anunciadas relativamente à redistribuição da carga contributiva para o sistema de segurança social entre empregadores e empregados.

O governo assevera que o efeito será positivo no seu cômputo geral, uma vez que contribuirá para criar emprego. Outros, pelo contrário, calcularam-no como negativo, exactamente pela razão inversa. Uns e outros recorreram a "modelos" para justificar a "bondade" ou a "maldade" da anunciada medida.

Ora, a meu ver, não é preciso deter nenhum Phd para afirmar, a priori, acompanhando  Paulo Azevedo, que é impossível antecipar ("medir") qual vai ser o efeito real à escala da economia portuguesa. Os "modelos" usados nas simulações limitam-se a produzir resultados que são função dos pressupostos usados na sua construção, pelo que a sua utilidade é diminuta senão mesmo inútil.

Uma única coisa me parece certa: as empresas exportadoras, ao ganharem mais graus de liberdade (menor carga fiscal), retirarão daí uma maior competitividade na sua actuação nos mercados externos (diminuição dos custos unitários do trabalho - CUT). Já quanto às empresas que dependem hoje estritamente do mercado interno, parece-me muito mais difícil antecipar qual será o efeito líquido no emprego perante mais uma violente contracção da procura. Será ao nível de cada empresa que a decisão de agir se produzirá.

Reforçar a liquidez para fazer face às pressões existentes sobre a tesouraria? Baixar os preços para tentar contrariar a menor procura? Despedir (mais) pessoal porque as margens já hoje estão esmagadas? Aproveitar para compensar/aumentar os ordenados aos colaboradores mais valiosos? Tirar partido de um novo salário mínimo mais baixo e, assim, empregar mais pessoas? Reorientar a empresa, ainda que parcialmente, para o mercado externo? Estas são algumas das inúmeras respostas possíveis. É um mero acto de fé dizer que o emprego irá subir no sector não-transaccionável ou, pelo menos, que a sua queda será estancada.  Concordo, com Vítor Bento, quando este  afirma que "[e]stamos condenados a reduzir a despesa interna". A questão está em identificar sobre que parcelas da despesa deverá incidir a redução e, aí, sublinhe-se que o governo, para além dos corte nos salários e pensões, tem feito muitíssimo pouco nesta matéria.

O que o governo irá promover com o actual "desenho" da medida da TSU é o favorecimento, em termos relativos, do sector exportador que, por sinal, e sem medidas desta natureza (que procuram simular os efeitos de uma desvalorização cambial), tem vindo a mostrar, mais do que uma resiliência notável, uma capacidade de crescimento que muitos não acreditariam possível sem "estímulos" governamentais e/ou cambiais (apelos para o abandono do euro e o regresso ao escudo).

Escrevi, por várias vezes, em várias caixas de comentários, que o Ministério da Economia devia ser extinto. Com isto queria significar que mais do que fazer, do que "estimular"/"orientar", onde o governo poderia realmente ajudar seria a desfazer e a "desincentivar". Desfazer o edifício burocrático-regulatório que cerceia a actividade económica, que a dificulta de todas as formas para além do limite do imaginável e, assim, impede o seu desenvolvimento ao mesmo tempo a que apela (?) ao empreendedorismo e à assunção de riscos! Desincentivar, no sentido de retirar subsídios, monetários e em espécie, que distorcem a economia pela destruição do mecanismo dos preços de mercado privilegiando uns à custa de todos.

Enquanto o governo e as agências "independentes" centrarem as suas grandes preocupações, cedendo à endémica e generalizada cegueira anti-capitalista dos media e dos fazedores de opinião encartados (os tudólogos/"talking heads"), nas promoções do Pingo Doce, na suposta necessidade de "equilíbrar" contratos livremente rubricados entre as partes ou na sobreposição da importância da sinalética sobre a existência das próprias empresas e dos empregos que elas proporcionam, não iremos longe. Começar por desfazer a ASAE seria um bom começo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Citação do dia (71)

Também a propósito disto.
"The statist philosophy considers the entrepreneur a useless idler who skims the cream from industry without performing any corresponding economic service. The nationalization of business it is said merely abolishes the unjustified privileges of parasitic drones. A salaried public servant does the job previously assigned to the businessman much more efficiently and much more cheaply. The expropriation of private ownership is especially urgent in the field of public utilities."

Ludwig von Mises, The Agony of the Welfare State, 1953

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mercado vs estatismo dirigista

Olhando para o gráfico abaixo (retirado daqui e construído a partir de dados do governo federal dos EUA), será importante ter presente que os EUA nunca ratificaram o protocolo de Kyoto e que a presidência de Obama apenas ocorre a 20 de Janeiro de 2009.

Clicar na imagem para ver melhor
Acrescente-se que, em 2011, do total de energia consumida nos EUA (dados federais), 1,2% proveio de origem eólica enquanto a solar representou 0,1%. Fácil é concluir, congelada que está a energia nuclear, que esta notável evolução, especialmente em 2011 (e prosseguindo já este ano) decorre, essencialmente, da revolução que o gás de xisto veio provocar, substituindo o carvão como fonte principal geradora de energia. 

Em que é que a administração Obama contribuiu para esta alteração estrutural? Praticamente, nada. N-A-D-A!! (Veja-se, por exemplo aqui, o contraste entre as diferentes fontes de produção de energia e os subsídios federais diferenciados à sua produção).

Empreendedorismo, tecnologia e não intromissão estatal no mecanismo dos preços. É o que basta. A alternativa é bem conhecida: são as rendas (sempre "excessivas", por definição), os subsídios a esmo e a corrupção generalizada. Em suma: distribuição de benefícios privados à custa do dinheiro seja dos contribuintes seja dos consumidores (John Stossel coligiu aqui uma lista de casos esclarecedores do mito da energia verde, exemplo do dirigismo militante).

sábado, 19 de maio de 2012

As Novas Oportunidades e a bolha educativa

ACTUALIZAÇÃO: link para o programa 60 Minutes abaixo referido.
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A divulgação do estudo de avaliação do impacto na empregabilidade e na remuneração do programa Novas Oportunidades não terá trazido grandes novidades para quem não tenha sido inoculado (para todo o sempre?) com uma visão romantizada da bondade da acção do Estado. Ontem, pretendendo lutar contra este mal, pedia emprestadas as palavras de Don Boudreaux para voltar a fazer notar que intenções e resultados são coisas diferentes (como diz o adágio, «de boas intenções está o Inferno cheio, e o Céu de boas obras» ou, parafraseando James Madison, se os homens não são anjos, não há razão alguma para pensar que as organizações o sejam, por altruistas que se enunciem os seus fins).

Foram gastos 1800 milhões de euros no programa. Na prática, em pedaços de papel, em "canudos" de custo unitário efectivo estratosférico. Só os ingénuos se terão surpreendido. Aos crentes, claro, nada os abalará, pelo que não vale a pena  tentar rebatê-los quando se adiantam "argumentos" contra a "falta de competência" da equipa que realizou o estudo, como aqui faz o sociólogo Luís Capucha, anterior director da Agência Nacional para a Qualificação.

Há coisa de um ano atrás, o multimilionário Peter Thiel anunciava os 24 vencedores de um programa (entre mais de 400 candidatos), por si lançado no Outono de 2010, segundo o qual estava disposto a atribuir uma verba de 100 mil dólares a quem ousasse sair da universidade - tornando-se num(a) dropout - para prosseguir uma "aventura" pelo empreendedorismo desde que a tempo inteiro. Procurava assim sinalizar o que entende como tremendo erro: a ideia que se generalizou que a obtenção de um futuro melhor para cada jovem passa, quase necessariamente, pela obtenção de um grau académico universitário. Nos EUA em particular, os diferentes subsídios e incentivos atribuídos pelo governo federal, de acesso a crédito bancário para  financiar a frequência universitária, levaram já à formação de uma bolha monstruosa de um milhão de milhões de dólares (1 trillion). Não é assim de estranhar que se verifique um fenómeno crescente de incumprimento dos graduados que não conseguem empregos (quando conseguem) com uma remuneração suficiente que lhes permitam pagar as dívidas contraídas.

Amanhã à meia-noite, na CBS, no programa 60 Minutes, será abordada esta iniciativa de Peter Thiel e a ideia de que a bolha universitária será, provavelmente, a próxima a rebentar (depois da do imobiliário). No vídeo seguinte, entreve-se o conteúdo do programa (via CD):


Em Portugal, como em outros países, essa bolha também existe. Não sabemos quantificar é o tamanho dela, pois o ensino superior público, apesar das propinas, é quase "gratuito". Os números verdadeiros estão algures "enterrados" na dívida pública.
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Leitura complementar: Educação estatal e empreendorismo; Robert Reich to New College Grads: "You're F*cked"

domingo, 1 de abril de 2012

Uma anti-distopia

No DN, Alberto Gonçalves assina hoje (1 de) Abril em Portugal. Um excerto (meu realce):
«Após impor a redução drástica na quantidade de freguesias e de municípios, o Governo recusou patrocinar o desleixo das autarquias que sobraram. Confrontado com as súplicas para que o Estado central patrocinasse dois mil milhões de euros das dívidas do poder local à banca, cerca de um sexto da dívida total, Pedro Passos Coelho parafraseou o que, com liberdade poética, um jornal disse que Gerald Ford disse à falida câmara de Nova Iorque em 1975: vão morrer longe.

Apesar da reacção furiosa da ANMP e de Miguel Relvas, que depois de demitido por razões familiares passou a assinar um comentário regular na TVI muito crítico para com os seus ex-colegas, a decisão não surpreendeu ninguém, vinda de um Executivo que privilegia a opção pelos cortes na despesa em lugar do saque aos contribuintes. Aqui e ali, sucedem-se as medidas de contenção, traduzidas na abolição de centenas de institutos públicos e similares, nas privatizações da RTP, da CP e da TAP, na partilha da Vespa de Pedro Mota Soares por parte de sete ministros e nos "cortes" no funcionalismo e nas nomeações.

Talvez o "corte" mais polémico, a extinção do Ministério da Economia vem permitindo a redução do défice sem perturbar a recuperação da actividade económica e da confiança dos consumidores. Desde que se viram entregues a si próprias, as pequenas, médias e grandes empresas sobreviventes depressa adquiriram uma inédita capacidade de se desenrascar no mercado interno e, frequentemente, no externo. Graças a estes progressos e a uma revisão a sério do código laboral, o desemprego continua a cair a pique. Álvaro Santos Pereira, que entretanto regressou ao Canadá, foi dos raros portugueses a emigrar no primeiro trimestre do ano.»

Curioso, não é?

terça-feira, 13 de março de 2012

Deixem-nos trabalhar!

Não é demais sublinhar o bom desempenho do sector exportador aqui evidenciado pelo INE e, entre outros, sublinhado por Camilo Lourenço em "Magníficas exportações", apesar do entorno adverso, do não recurso à "bengala" das desvalorizações "competitivas", do estapafúrdio aumento da energia e apesar da protecção conferida pelos governos aos sectores protegidos da concorrência exactamente à custa do sector exportador e dos consumidores em geral. Em suma: é o sector privado que, contra ventos e marés, de alguma forma aguenta a economia e que grita: «deixem-nos trabalhar!».

quinta-feira, 1 de março de 2012

O eterno sorriso de Julian Simon (2)

Peter Diamantis: "I’m not saying we don’t have our set of problems; we surely do. But ultimately, we knock them down."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Henrique Neto: um empresário que pensa o que diz

independentemente de quem detém o Poder. Um homem livre, portanto. "Talvez os políticos sejam piegas, mas não os portugueses e muito menos os empresários que têm sobrevivido", disse.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Inovação e empreendorismo

não são sinónimos. Tal como a Xerox foi incapaz de desenvolver um "modelo de negócio" para a interface gráfica computacional que inventou, também a Kodak, ao fim de 130 anos de vida, sucumbiu no mundo digital apesar de ter sido a primeira empresa no mundo a fabricar uma alternativa à tradicional máquina fotográfica de película.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A propósito do acordo na concertação social (2)

As reacções dos diferentes representantes patronais que aqui se descrevem, ilustram bem a razão de ser de uma das críticas de fundo dirigidas ao acordo hoje formalmente subscrito: um fato, de tamanho único, útil em alguns casos, pouco mais que inútil noutros.

Ora, a economia de um país não é um todo homogéneo onde, por hipótese, se possa substituir trabalhadores da construção civil por outros agrícolas, da construção civil, do ensino, etc. Cada sector da economia tem as suas características e necessidades específicas e, em cada sector, o mesmo se passa nos seus diferentes sub-sectores e ainda, dentro destes, cada empresa tem as suas. Portanto, sentar à volta de uma mesa um conjunto de dinossauros, exactamente como se fazia há trinta anos atrás quando o mundo mudou radicalmente várias vezes, esperando que daí resultem soluções de fundo para os nossos problemas estruturais parece-me não passar de uma quimera. Não digo que o acordo obtido seja completamente inútil, mas creio que a sua importância, aparte o show-off mediático, é diminuta (para além de restarem ainda muitas dúvidas quando à sua efectiva consagração na lei).

Eugénio dos Santos, presidente da Colunex, resume assim o seu juízo quanto ao acordo (meu realce):
"As mudanças têm de ser de fundo e coordenadas. É poder contratar e despedir quando for necessário, ou aumentar e diminuir vencimentos quando posso. Se não puder retroceder, nunca vou aumentar."
Lapidar, diria.

sábado, 26 de novembro de 2011

O boom de empregos não-verdes

é o título deste artigo do Wall Street Journal, de hoje, onde se aborda a inutilidade, obscenamente dispendiosa, com que os governos pretendem dirigir, antecipando, o curso da Tecnologia e da Economia e, naturalmente, da História, exercitando aquela máxima de que os "homens de estado" tanto reclamam: "a sobreposição da Política aos mercados". Um excerto:
So President Obama was right all along. Domestic energy production really is a path to prosperity and new job creation. His mistake was predicting that those new jobs would be "green," when the real employment boom is taking place in oil and gas.
(...)
The ironies here are richer than the shale deposits in North Dakota's Bakken formation. While Washington has tried to force-feed renewable energy with tens of billions in special subsidies, oil and gas production has boomed thanks to private investment. And while renewable technology breakthroughs never seem to arrive, horizontal drilling and hydraulic fracturing have revolutionized oil and gas extraction—with no Energy Department loan guarantees needed.
(...)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Empreendorismo e tecnologia vs regulação

O que os estatistas de estirpes várias não entendem - ou recusam entender - é o carácter dinâmico das economias decorrente da acção combinada entre a acção dos empreendedores e as oportunidades que as evoluções tecnológicas proporcionam. Esse dinamismo será tanto mais acentuado quanto menor for a influência dos governos e agências estatais. Repare-se neste gráfico que evidencia os extraordinários progressos na eficiência energética nas máquinas de lavar roupa e pratos em 20 anos. Imaginem o gigantismo dos subsídios não concedidos que teriam sido necessários para conseguir obter o mesmo efeito, por exemplo, nas reduções de CO2!

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