sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Citação do dia (192)

“O Mundo atingiu um estado paradoxal, no qual as nações credoras estão mais preocupadas com o destino do dólar do que as próprias autoridades americanas.
Assim, a evolução do papel do dólar como moeda de referência tem dado espaço a previsões muito pessimistas baseadas em teoria económica sólida. Não deve considerar-se uma surpresa que um número crescente de pessoas que tem activos em dólares, agora queira diversificar, parcialmente, esses activos para o ouro – o refúgio tradicional para a inflação ou para a adversidade política.”

Oleg V. Mozhaiskov, Vice Pres. do Banco Central Russo – Conferência LBMA, Junho 2004.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O próximo passo


Há intensas discussões (indícios aqui) por detrás das cortinas quanto ao calendário do que o BCE vai fazer. Não quanto à substância do que vai fazer. Quanto a isso não há novidade. É apenas uma continuação.
Os aforradores que se cuidem, pois as taxas podem baixar mais. É que o homem na imagem parece ter fósforos que nunca mais acabam.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Inovação e Criatividade

Através de meios com História

Na breve entrevista que hoje publicamos, os responsáveis pela fusão e reestruturação da empresa GoldMoney (que integrou a BitGold) dão a conhecer uma parte do seu modelo de negócio. A dimensão da sua base de clientes tem crescido a um passo consistente desde o lançamento em bolsa em Maio passado e um dos objectivos aqui evidenciados é: "o sistema e o mercado bancário tem muita fricção, nós queremos acabar com essa fricção no modo como as pessoas trocam valor a uma escala global".
Promissor.
Como já perguntei uma vez: que tal colocar-se, a si próprio, no padrão ouro?

Anterior entrevista com detalhes relevantes do projecto: aqui.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Citação do dia (191)

É necessário contemplar, aqui, dois aspectos fundamentais.
Primeiro, politicamente toda a situação parece má. A declaração do Presidente da República tem de ser entendida no contexto da actual situação europeia, porque essas declarações são um rude alerta para o status quo político fazer tudo ao seu alcance para prevenir mudanças políticas substanciais na Europa.
A zona euro é uma construção pobre do ponto de vista institucional e a insistência no aprofundamento deste projecto, nas presentes circunstâncias globais, conduzirá ao desaparecimento do euro e, talvez, da própria União Europeia.
Em segundo lugar, Portugal tem um enorme encargo com a dívida soberana, que só é sustentável no contexto de apoio estrito por parte do Banco Central Europeu e das suas operações de compra indirecta de dívida. Este é um país que teve um défice superior a 7% em 2014, com um nível de dívida pública superior a 120% do PIB, uma dívida externa superior a 200% do PIB e uma dívida total (pública e privada) de 370%. Numa recessão, estes números irão crescer. Para que a dívida de Portugal pudesse ser sustentável, no actual contexto institucional e mantendo o mesmo paradigma económico, a austeridade teria de reduzir o défice e o PIB teria de crescer, por várias décadas, acima das taxas dos títulos da dívida pública, mantendo-se, claro, o apoio implícito do BCE.
Olhando para o futuro, o potencial de sustentabilidade da dívida diminui substancialmente. E, assim, poderemos ter outra “Grécia” entre mãos. (...)
O que se passa agora em Portugal, torna a Grécia um caso menos especial e é um sinal do que ainda pode acontecer de mau pelo continente. E isto é um risco para a sustentabilidade da dívida em toda a periferia.

sábado, 10 de outubro de 2015

Regulação desregulada

A regulação financeira é o salvo-conduto para o desastre

Na entrevista que hoje publicamos, Robert Johnson analisa com John Kay a natureza e os resultados dos edifícios regulatórios erguidos nas últimas décadas em torno dos sectores bancário e financeiro.
Para um leigo, estas regras parecem ter produzido um monstro de dimensões ainda desconhecidas. Para Robert e John, a dimensão do problema é mais clara. E, na sua opinião, para que fosse possível uma regulação mais ligeira e mais eficiente, importava assinalar diferenças quanto aos pressupostos de ambos os sectores - bancário e financeiro. Compreender os estímulos impregnados no sistema híbrido de hoje e perspectivar os respectivos axiomas aos olhos do que sabemos hoje é fundamental.
É isso que buscam fazer, Robert Johnson e John Kay ao longo de pouco mais de vinte e seis minutos.

Votos de um excelente fim-de-semana. Não obstante, o recente cinzento deste sábado.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Nevoeiro do deleite

Fonte

A novela política está a começar. A promoção da ansiedade no presente, que resulta da intriga e jogo políticos, terá como desfecho uma solução apresentada e aceite como necessária. Como fundamental para salvar o país da instabilidade, dando continuidade a uma narrativa que suporta a mais disparatada tentativa alquímica de desatar o nó do presente. Político e económico.

A imagem (ver nota) que dá início a este comentário ilustra bem que direcção seguimos para concretizar a inflação de sucesso a nível europeu. Que teima em não chegar. Nem o sucesso nem a inflação! E Portugal também está à mesa a jogar. Muito exposto às consequências negativas de tais políticas.
Depois de ler e reler os números, alguém aceita que teremos pela frente um futuro de "esperança e sucesso"? A sério?
Há alguém que defenda a loucura desta política monetária e financeira, esperando corrigir os males feitos? A sério?
Que farão os próximos a sentar-se na cadeira do "poder" quando este foguetão queimar todo o seu combustível? Alguém responde?

Do outro lado do Atlântico, pouco falta para que se retome a loucura das políticas monetárias expansionistas. Hipótese que, dado o adiamento relativo às taxas de juro e às "coincidências" a vermelho no gráfico abaixo, parece muito credível.


Os cérebros procuram, avidamente, a velocidade de cruzeiro. No meio do nevoeiro...


Nota: o artigo que enquadra o primeiro gráfico (e está acessível na ligação) é, julgo, de leitura obrigatória para acender um farol contra o nevoeiro.

sábado, 3 de outubro de 2015

Respaldo e reparação

Dedicação

Partilho com os leitores, uma recente descoberta musical. Para além do mérito musical que facilmente se reconhece, a experiência tem, do meu ponto de vista, uma dimensão imaterial importante. Como pano de fundo para os trabalhos e os dias do presente.

Votos de um excelente fim-de-semana.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Radar

Iniciou-se o programa, há muito prometido, de Tom Woods e Robert Murphy de análise crítica ao pensamento económico de Krugman. O sítio chama-se Contra Krugman. O programa terá emissões semanais e acompanhará as expressões públicas de Paul Krugman, tanto escritas como televisivas.
Embora os autores procurem acompanhar criticamente a coluna de Krugman no NYTimes, o que pretendem desmontar são as falácias que o pensamento único em economia - de que Krugman é grande exemplo - dirige aos problemas políticos e económicos.
Não é destinado a especialistas. Pelo contrário, com humor todos podemos reconhecer os vícios do pensamento de Krugman e, por extensão, do pensamento dos mestres do Politicamente Correcto.
Imperdível.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Democrático: o processo e o resultado

Foto: Reuters

Sem euforias, importa registar a importante vitória no referendo de ontem na Catalunha. E, não obstante as análises que se possam fazer do ponto de vista das contabilidades políticas e institucionais, é claro que a vitória que tem o sentimento de identidade e independência na sua base é inegável. E isso é de monta.
É um sinal promissor, especialmente porque foram várias as técnicas de condicionamento dos resultados. Fosse por parte do governo central espanhol, fosse pela elite dos tecnocratas europeus.
Ameaças de vária ordem visaram disciplinar esta vontade de mudança: fosse o congelamento de depósitos dos catalães pelo Banco Central espanhol, fossem as declarações e a conduta dúbia de instituições europeias. Ou a ameaça por parte do ministro dos negócios estrangeiros de que, caso o sim ganhasse, os catalães perderiam a nacionalidade espanhola.
Esta última é o exemplo de como, perante uma necessidade de mudança, quem tem medo de perder o poder o exerce de forma gratuita, neste caso mostrando como trunfo de negociação, como algo irrecusável e inquestionável, aquilo mesmo que importa questionar.
Nem a suspeita (entretanto negada) de que o Banco de Espanha teria retirado o ouro da Catalunha na última semana, chegou para perturbar a mente dos votantes.
Nada neste processo parece ter perturbado os democratas de causas nobres, sempre prontos a manifestar a sua indignação perante uma violação das liberdades democráticas.
A esses mestres do politicamente correcto importa perguntar: esta vontade, eleitoralmente confirmada, de secessão é democrática?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pelo espelho retrovisor

Certos cenários não passam de cantigas de embalar

Julgando olhar para a frente, os demiurgos que comandam e controlam o sistema parecem ver apenas o reflexo do espelho retrovisor. Os próximos metros que temos pela frente, na estrada sinistra que percorremos, revelam-se muito difíceis.
Esta breve entrevista a Kyle Bass demonstra que não estamos plenamente conscientes do que há ainda para corrigir nos mercados emergentes, preciosos auxiliares da bolha financeira e exportadores de bens que por cá compramos.
Até quando conseguiremos ouvir ou ler as previsões de "crescimento moderado" ou "consolidação da situação macroeconómica", que os demiurgos não se cansam de projectar para a Europa ou para os EUA, sem resposta crítica?
Terá sido a decisão de Yellen um primeiro sinal do falhanço da Narrativa?