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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Possibilidades

Manhãs clarividentes

Existem manhãs televisivas interessantes. Onde se pode aprender um pouco ou relembrar informações importantes que, à custa de tanta análise desportiva social perversa (ou o que por cá passa por seus substitutos), já esquecemos.
Imaginar que as televisões generalistas podiam investir alguns minutos de boa disposição e informação crítica é esforço inglório?

Não parece. Vejamos. Pela Irlanda:

Aqui

quinta-feira, 23 de junho de 2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Enquadramentos


Fonte

Nos comentários ao nosso último Radar, o leitor António Cristóvão parece advertir-nos para a massagem aos números que resulta da manipulação de percepções de que somos alvo diariamente. 
E a cada ano que começa surgem sempre uns artigos para manipular orientar quem ainda consegue poupar alguma da riqueza que produz. Como se verá a preocupação é legítima e relevante.

Assim, para evitar o melhor possível a entorse perceptiva (a dissonância cognitiva, como está em voga dizer-se), apresenta-se uma tabela que perspectiva o preço do ouro nas várias moedas nos últimos quinze anos. 
Mais uma vez se convida a considerar estes dados, não numa óptica estrita de investimento, mas na perspectiva da consolidação de um pilar da poupança individual, considerando o longo-prazo.

Nada de lirismos, portanto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ritmo (actualização)

Mas será possível?

Intensificam-se as referências e o interesse por parte dos meios de comunicação convencionais sobre o tema. Se considerarmos os mais recentes desenvolvimentos na Alemanha, a subida (nada despicienda) do preço do ouro durante este mês e a muito aguardada reunião do BCE de amanhã, então estamos autorizados a concluir que algo se passa. Mas o que será?
O que será que, a médio prazo, terão estes factos a ver com reconfiguração dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s), FMI, China e o renminbi?
E em Davos já se fazem acordos - entre China e Suíça - que parecem confirmar as relações que por aqui indiciámos.
Ritmo.



Fonte: The Telegraph 21 de Janeiro de 2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Outro mundo

Estranho mundo aquele. Por aquele mundo não quero identificar em particular o espaço geográfico, mas a motivação que leva o cidadão comum a adquirir ouro. Agora pense nisto: de acordo com Koos Jansen, uma loja em Pequim tem um volume de vendas que equivale a 600 quilos de ouro por dia.
Que sabe aquela gente bárbara? Perguntarão alguns. Eu espanto-me. É, claramente, uma outra maneira de ver o mundo.

Pequim, 3 de Janeiro de 2015

Pequim, 3 de Janeiro de 2015

sábado, 1 de novembro de 2014

Instrutivo

A propósito de uma solicitação de um leitor surgida na caixa de comentários do post anterior e da velha ladainha segundo a qual, não sendo possível extrair "rendimento" da posse de ouro físico, a constituição de poupanças materializadas em metal amarelo constituiria uma aplicação sempre especulativa. 


Gráfico da Gold-Eagle, via EPJ

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Radar

Esta semana a Royal Mint lançou um novo serviço de venda pela internet de ouro a peso (bullion) para investimento e poupança. Como diz o responsável da Royal Mint à peça da BBC, "queremos ajudar a expandir o mercado do ouro na sua forma mais acessível". Para além da compra e entrega física do metal, existe a possibilidade de os clientes abrirem uma conta e alugarem um cofre, com vista à guarda segura ou à futura transacção dos metais. São muito curiosos os recentes desenvolvimentos no mercado dos metais preciosos, especialmente quando a "gestão" do seu preço se acentua com o aproximar do final do ano.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Com a companhia das nuvens

E para lá de volatilidades forçadas

No seguimento do ciclo de entrevistas que Lars Schall iniciou com Ambrose Evans-Pritchard (e que prosseguiu com John Butler, CEO da Amphora Capital - ver aqui), em nome da Matterhorn Asset Management, seleccionámos outras duas entrevistas: a Alasdair Macleod (da GoldMoney) e a Jan Skoyles (recentemente nomeada CEO da The Real Asset Company).

No caso da entrevista a Alasdair, destaque-se, não apenas o detalhe de terem sido impedidos de filmar em frente do Banco de Inglaterra (depois dos vídeos de Maloney, talvez tenham considerado que a sua imagem não poderia piorar mais), mas a apresentação mais equilibrada da actual situação estratégica dos metais preciosos, da competição exercida pela China e Rússia face ao papel de LBMA como praça para a determinação dos preços dos metais estratégicos, bem como as três principais razões por que faz todo o sentido manter uma parte dos recursos de cada um em ouro ou prata. Não deixando de tentar clarificar a situação do ouro alemão que não é repatriado dos Estados Unidos para Francoforte.

Quanto à entrevista com Jan Skoyles, sublinhe-se o projecto que esta jovem CEO se prepara para lançar de uma plataforma para cripto-moedas respaldadas em reservas de ouro (através da tecnologia que a bitcoin possui como meio de pagamento). E também o programa Get Real, onde Jan discute as diferentes dinâmicas, possibilidades e desafios no mercado de recursos e bens tangíveis - sejam os metais preciosos, o vinho, whisky, a arte ou o gás natural (aqui).

O Verão pode ter acabado, mas nem todos receiam o inverno.




terça-feira, 5 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

A educação para a prudência

No pequeno vídeo de hoje, a atenção está centrada na educação das gerações mais jovens relativamente ao tema da poupança e da criação de uma reserva de valor. Que atravessa, e vence, o teste do tempo.
O episódio alude ao processo de educação do filho do próprio autor, mas centra-se nos esforços prévios para traduzir um conjunto de ideias relevantes. E se esses esforços se revelam esclarecedores! Que, neste caso, ainda ganham mais clareza através das respostas inteligentes e realistas do seu filho.
O autor mantém um canal (aqui) onde vai publicando material de profundo alcance pedagógico. Sejam os aspectos históricos, económicos ou meramente estatísticos da relação entre o ouro e o petróleo ou das diferentes formas de investir e poupar. Mas há mais, muito mais. Fica a sugestão para que se percorram os arquivos, verificando o alcance do acervo disponível.

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Metais Preciosos - o comentário pessimista


Comparação e percepção

Após um início de ano promissor, o preço dos metais preciosos procedeu a uma correcção e, neste momento, demonstra não ter direcção definida. A aparente falta de vitalidade no mercado para elevar o preço num movimento mais sustentado, foi inspirador para quem tem o trabalho de denegrir os metais, seja como investimento ou como reserva de valor.
Dado o contexto que temos estabelecido para os metais aqui no Espectador Interessado (seja para a produção, seja para a procura - aqui, aqui e aqui), e sabendo que dificilmente a China pode continuar a comprar ouro ao ritmo do ano passado ou das primeiras semanas deste 2014, alguns comentários têm sido avançados para orientar, para moldar a percepção do investidor ou aforrador comum para longe da hipótese dos metais, forçando a crença de que os problemas no sistema financeiro estão ultrapassados e que as pessoas podem continuar a esperar “prosperidade” deste sistema.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A sustentabilidade das pensões: a experiência chilena

Depois de três anos de "austeridade draconiana" e de sucessivos "cortes selvagens" (não obstante um défice sem receitas extraordinárias de mais de 5% do PIB em 2013), eis-nos perante um novo passo na inevitável e sucessiva redefinição do "contrato intergeracional" por via do alargamento da orwelliana "Contribuição Extraordinária de Solidariedade" agora também dirigida às pensões entre 1000 e 1350 euros mensais. Quanto tempo até que ocorra o próximo passo? Provavelmente logo que a força da realidade imponha tornar "ordinário" o "extraordinário" e o "temporário" em "permanente" e o calendário eleitoral assim o permita.

Mas não será verdade que o "quadro macroeconómico" está a melhorar? Afinal, não estão as taxas de juro das obrigações do Tesouro em mínimos de 4 anos, o que certamente denota o regresso da "confiança dos mercados"? Não mostra o Governo sinais de que chegou o tempo de gastar investir em ainda mais betão e aço (com 59 projectos todos eles prioritários)? Acaso não é o próprio Governo que agora entusiasmadamente pondera aumentar o salário mínimo e, consequentemente, "promover" o desemprego? Não temos, enfim, um "excedente" nas contas externas? Não acenam as previsões económicas "números encorajadores"?

A esperança em repor a funcionar, através do "ajustamento", uma espécie de máquina de movimento perpétuo - o famoso "crescimento" - que voltaria a garantir o retorno ao remanso da tranquilidade próspera (e aos défices também eles perpétuos) é, pedindo emprestado um aforismo brasileiro, conversa para boi dormir. Não, caro leitor, não estou a admitir que gostaria de ter subscrito um certo manifesto que por aí andou. Estou apenas a reafirmar que um menor grau de despautério financeiro por parte do Estado não constitui reforma alguma digna desse nome, nem nada tem a ver com "austeridade" real - a que resultaria de uma entidade viver de acordo com as suas possibilidades.

O verdadeiro e único caminho para o real regresso à prosperidade passa por permitir mais liberdade, isto é, mais mercado. Mais de 30 anos após a reforma do sistema previdencial no Chile é tempo de se perceber que há outros caminhos para garantir a sua sustentabilidade e premiar o aforro (sacrifício do consumo presente). Foi essa a motivação que me levou a traduzir o artigo de Juan Ramón Rallo que se segue.
4 de Abril de 2014
Por Juan Ramón Rallo

Chile: trabalhadores transformados em capitalistas

É sempre um prazer contar em Espanha com a presença de José Piñera, o artífice da mais revolucionária reforma no sistema de pensões de reforma a que o mundo assistiu no século XX: a privatização e capitalização do sistema previdencial chileno em 1981. Neste sentido, Piñera é o anti-Bismarck do século XX, o economista reformista que desmantelou a fraude piramidal que o Chanceler de Ferro implantou na Prússia para, como confessara ao jornalista William Harbutt Dawson, "subornar as classes trabalhadoras, ou, se preferir, persuadi-las de que o Estado é uma instituição social que existe para se preocupar com os interesses delas e o seu bem-estar".

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Austrália: a "nova" Suíça?

Com o título que encima este post, Simon Black, via ZH, assina o artigo que abaixo traduzo. A motivação residiu, evidentemente, na fortíssima inquietação por que passam todos aqueles que procuram, de um modo ou de outro, proteger as suas poupanças. Mesmo se tal não for o caso do leitor, creio que Simon Black nos permite ficar a conhecer um pouco mais do que se vai passando no mundo ocidental.
A Suíça é o local que tradicionalmente se mantinha acima de todos os restantes quanto à reputação da sua estabilidade financeira.

Porquê? Porque a moeda era bem gerida, o sistema bancário era sólido, e o país tinha uma longa tradição em bem tratar o capital.

Ao longo dos últimos anos, no entanto, essas vantagens desapareceram.

A Suíça, voluntariamente, renunciou ao sigilo bancário e muitos dos bancos suíços estão sofrendo agora uma hemorragia de fundos.

E, pior, o governo suíço destruiu a sua reputação de respeito pelo capital quando ligou a cotação do franco suíço ao euro, em 2011, para deter a rápida ascensão do franco.

O principal banqueiro do banco central do país na época, Philipp Hildebrand, afirmou que iria comprar moeda estrangeira em "quantidades ilimitadas" para defender essa ligação [ou seja, impedir uma valorização do franco face ao euro].

Isto não é algo que um administrador responsável por uma moeda possa alguma vez dizer. A paridade cambial não era nada mais que uma forma do controlo de capitais... e na realidade isso prejudicou fortemente quem quer que tivesse confiado as suas poupanças ao sistema suíço.

Desde então, a necessidade do mercado em encontrar um refúgio financeiro seguro tornou-se cada vez mais desesperada. Basta olhar para Chipre para perceber por quê.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A responsabilidade das famílias e o despautério estatal

Poupança das famílias no nível mais alto desde 2003. Acontecimento para muitos inexplicável - não seriam estes tempos que exigiriam que, pelo contrário, se consumissem as poupanças antes constituídas? - as famílias fazem, pelo contrário, o que se esperaria que fizessem - tentam proteger-se da enorme incerteza futura.

O Estado, pelo contrário, não. Ao mesmo tempo que eleva o confisco a níveis que muitos nunca pensariam possíveis, mesmo com receitas extraordinárias, ano após ano os défices do orçamento persistem a níveis insustentáveis e a dívida, em consequência, não cessa de aumentar com as consequências conhecidas.

Clicar para ver melhor

O gráfico acima, disponibilizado pelo excelente blogger Álvaro dos Santos Pereira (para quando o seu regresso à actividade?), retrata a evolução da poupança bruta do país nos últimos 50 anos, em percentagem do PIB. Essencialmente, retrata o comportamento consolidado das poupanças das famílias, das empresas e do Estado (este último com uma "poupança negativa" nos últimos 38 anos!). O gráfico fala por si. Ele é o resultado de uma combinação explosiva: o crescimento exponencial do Estado social e concomitante percepção das famílias de que os seus riscos (de protecção na doença e na velhice) teriam diminuído e a disponibilização de crédito barato e abundante, em particular nos últimos 15 anos, resultado da manipulação das taxas de juro levadas a cabo pelos bancos centrais, que veio introduzir uma cultura generalizada de endividamento. A realidade chegou, entretanto, não crendo que já tenhamos visto o pior. A evolução da taxa de poupança das famílias parece-me ser indicadora que essa é também a opinião de muitos. Os riscos que o Estado-providência anunciava ter vindo eliminar aí estão, afinal. Temo que se venham a materializar em termos brutais para a grande maioria.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Steve Forbes apela ao regresso ao padrão-ouro

A política monetária levada a cabo pela generalidade dos bancos centrais tem visado, sistematicamente, sustentar o preço dos activos e o aparecimento cíclico de cada vez maiores bolhas especulativas. Para o efeito, têm fixado administrativamente as taxas de juro a níveis próximos de zero (política conhecida pela sigla ZIRP) daí decorrendo a efectiva destruição da poupança e dos aforradores, tudo isto levando a uma gigantesca redistribuição da riqueza em favor dos tubarões protegidos pelas promessas de bailouts.

Vai, felizmente, crescendo a voz dos que se opõem a esta insanidade cleptocrática. Steve Forbes é um nome de peso que se junta à causa daqueles que defendem o retorno a um regime monetário fundado no padrão-ouro - Gold Can Save Us From Disaster.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Por quê 15 meses de atraso?

Seria tão difícil perceber assim que a tendência de saída em massa dos Certificados de Aforro, que há muito sucedia (desde que Teixeira dos Santos ludibriou os seus subscritores), só poderia acentuar-se? Estado melhora remuneração dos certificados de aforro.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Revisitando os "bonecos" de Medina Carreira

ou, como sinteticamente Ramiro Marques escrevia há umas semanas atrás, «[o]u damos cabo do estado social ou ele dá cabo de nós». Foram estes os reflexos que me ocorreram após a leitura do texto de George Bragues, "Portugal’s Plight - The Role of Social Democracy", artigo integrante do mais recente número da revista The Independent Review.

Com efeitoé inevitável recordar a (infelizmente falhada) evangelização de Henrique Medina Carreira sublinhando que os nossos problemas actuais não são exclusivamente decorrentes da nossa adesão ao euro e consequente perda do instrumento de política monetária. O gráfico seguinte, representativo da evolução da taxa de crescimento do PIB nos últimos 100 anos (média móvel de 10 anos) é indicador seguro disso mesmo a partir de 1974/1975:


À parte os keynesianos, será impossível não encontrar uma correlação (inversa) entre esta evolução do crescimento económico e o peso das despesas do Estado no PIB onde, em 35 anos, passámos de 20%   para 50 % do PIB (a França precisou de 77 anos para idêntica evolução).


Este facto conjugado e agravado pelos sucessivos (37) défices do orçamento do Estado após 1973, vindos de um período de excedentes orçamentais (apesar das três frentes de guerra em simultâneo),


de que resultou uma dívida pública acumulada que, em percentagem do PIB, já ultrapassou os níveis da bancarrota de 1892:


Para que possamos voltar a crescer, é necessário que se possa reiniciar um processo de acumulação de capital que, por sua vez, depende da inversão da desastrosa tendência da taxa de poupança


o que impõe - é absolutamente vital - que consigamos sair de um ciclo de défices públicos para um de fortes superavits. A poupança privada, também por essa via, retomará (já está a suceder) patamares superiores.

Leitura complementar: Nenhuma economia consegue financiar o Estado Social.
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Nota: os dois últimos gráficos são retirados do blogue Desmitos; os anteriores, do ensaio referido no texto.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Vícios públicos e privadas virtudes (2)

Poupança dos portugueses sobe em Setembro pelo quinto mês consecutivo.

Os portugueses estão a proceder ao ajustamento necessário na sua via privada. Fazem-no normalmente, sem necessidade de qualquer coerção ou obrigatoriedade de assistir a uma oração de sapiência do sr. Presidente da República.

Entretanto, do lado do Estado, "oficial"  e "paralelo", o que até aqui temos visto é o ajustamento feito à custa do contribuinte, ou seja, de um devastador aumento de impostos. Esperar-se-ia, entretanto, que pelo menos o tema da redução do número de deputados (e respectiva entourage) fosse debatida. Recorde-se que não é necessária qualquer revisão constitucional para que o seu número possa passar dos actuais 230 para 180.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Semântica da poupança

Temos vindo a ser bombardeados por um corrupio de sucessivas iniciativas destinadas a promover o controlo da despesa pública através da identificação de oportunidades de poupança.

Assim, ouvimos dizer que, por exemplo, a eliminação dos governos civis significou (irá significar) a poupança de X milhões de euros ou que a extinção das Direcções Regionais de Educação irá permitir poupar Y milhões de euros. Como raramente os jornais, que se limitam a irradiar as notícias governamentais, fazem o seu trabalho de casa (esclarecer pormenores e ambiguidades e sistemático fact-checking), ficam sempre algumas dúvidas sobre o real significado destas poupanças e quando é que elas irão ocorrer.

Por outro lado, ouvimos também anunciar poupanças relativamente a despesas que iriam ocorrer no futuro caso até lá não agíssemos para as evitar. Caricaturando, imaginem que durante uma reunião familiar o pai anuncia que, por motivos de aperto orçamental, para o ano não irá trocar o BMW por um modelo novo, pelo que a família irá “poupar” Z milhares de euros.

Poupar hoje é gastar menos que ontem sendo certo que, naturalmente, tal implica não incorrer em novas despesas amanhã sem que previamente outras tenham sido eliminadas. Qualquer outro entendimento da palavra “poupar” levaria a admitir que poderíamos caminhar de “poupança” em “poupança” e, paradoxalmente, gastando sempre mais e mais. Foi assim, afinal, que chegámos onde chegámos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Krugman: em defesa do roubo inflacionário

Preto no branco, em The Fed to the Rescue?:
Actually, there’s a very good case for allowing inflation to rise above 3 percent, to 4 or even 6 percent, for several years. Don’t take it from me — take it from Greg Mankiw and Ken Rogoff. Indeed, it’s arguable that inflation, both actual and expected, is the main thing the Fed should deliver, if it can.
Ou seja: roubar (muito) a todos aqueles que, não possuindo activos físicos ou acções, só dispõem dos seus salários, pensões e, eventualmente de poupanças anteriormente constituídas em activos financeiros que serão desfeitas na fogueira inflacionista.