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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Delícias de uma noite de Verão

"As guerras e as dívidas dos estados sempre estiveram ligados"

O pequeno vídeo que partilhamos hoje ilustra a história dos mecanismos de que os estados dispõem para fazer a guerra. No caso, o vídeo apresenta, com detalhe, as ideias, os mecanismos e as estratégias que o Reino Unido colocou em prática para empurrar (ludibriar até) os cépticos a fazer parte do esforço de guerra, através da emissão de obrigações e da sua subscrição, relativamente à primeira guerra.

Note-se o modo como o governo geriu o processo de falência do compromisso em 1932, das manobras junto da imprensa para iludir a realidade e a qualidade do "produto tóxico" que o estado estava a oferecer ao mercado e aos investidores.
Veja-se também o período em que pôde durar tal mascarada - o empréstimo foi pago em 2015.
Atente-se no papel intenso da propaganda (até nos restaurantes de fazia campanha para a conversão das condições do empréstimo) e - atenção - o apelo ao patriotismo. Alguém nota semelhanças?

Estas mentes brilhantes - são tantas e por tanto tempo - não hesitam em socorrer-se da manipulação e da mentira para fazer as pessoas e os mercados a participar destas trapaças.
Por que razão tal estratégias serão necessárias?




Importa pensar que mecanismos se foram desenvolvendo para fazer face aos compromissos posteriores (da Iª Grande Guerra em diante). Desconfio que serão ainda mais subtis e suportados por manobras de manipulação mais insidiosas. Desconfio, sim.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O futuro finalmente comunicado pelo Consenso

Ainda num ritmo algo intermitente, publicamos a tradução de parte de uma entrevista levada a cabo por David McAlvany a Richard Duncan. Seleccionaram-se estes parágrafos, pois considerou-se que eles permitem vislumbrar com clareza o que devem estar, seguramente, a pensar fazer os curadores e especialistas do Consenso económico e político.

Por aqui sempre procurámos evidenciar o tamanho das mangas dos mágicos de serviço, assim como a ausência de limites da sua imaginação. As linhas que aqui traduzimos, porém, revelam que o Consenso já equaciona abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de justificar o injustificável, já equaciona deixar de criar ilusões e distracções. Estas linhas mostram o que sempre esteve por detrás de uma filosofia da economia e da política dos últimos cinquenta anos: um logro; um negócio para obter algo a troco de nada.

O entrevistado afirma, com todas as palavras, que o passado deve ser esquecido e que, não podendo a tradição servir de guia na compreensão da presente situação económica e política, se deve fazer tábua rasa do pensamento e da investigação passada para se poder escolher livremente novas soluções para os novos problemas...



“O Creditismo substituiu o Capitalismo” – Richard Duncan em entrevista concedida a David McAlvany a 27 de Julho de 2016

“David McAlvany (DM) – Na sua opinião, a mudança nas políticas dos bancos centrais para controlar as taxas de juro a estes níveis indefinidamente, não causará mudanças na natureza dos mercados financeiros?

Richard Duncan (RD) – Sim, julgo que causarão mudanças fundamentais e completas porque, se considerarmos os últimos cem anos, os bancos centrais – se existissem – não se preocupavam em manipular os preços dos activos. Mas em termos da economia global, e das implicações económicas globais, o mundo nunca gozou das condições que agora enfrentamos: níveis globais de dívida altíssimos, uma economia com excesso de capacidade (tanto nas indústrias, como nos mercados de trabalho). Na Índia, por exemplo, é possível encontrar 300 milhões de pessoas que trabalham por cinco dólares por dia. Por isso temos um excesso de capacidade de mão-de-obra, o que significa a ausência de pressões inflacionistas.