sexta-feira, 18 de Abril de 2014

A arte de governar com medo




Reveladores são os sinais de quem procura fazer-se forte a partir de uma posição moral cada vez mais fraca.
Valha-nos a ironia.


quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Planeamento central ou a exuberância de uma adivinha

Imagem daqui

Quando nos perguntamos em que circunstâncias económicas nos encontramos, como podem ser entendidas as políticas impostas ou, simplesmente, para onde caminhamos, hesitamos em aceitar as respostas que gravitam no nosso espaço político e comunicacional. Por isso é útil ouvir os verdadeiros protagonistas, sempre que eles facilitam o acesso aos seus momentos de sinceridade. Ainda que tenhamos de usar de cautela face a ela, aproveitemos o que há de revelador nas palavras e nos discursos.
A seguir apresentam-se partes de um discurso de Richard W. Fischer, que é governador do Banco da Reserva Federal de Dallas (rede de bancos que compõem a FED – nt), numa cerimónia em Hong Kong no início deste mês. Dêmos, então, espaço aos excertos que traduzi, a que acrescentei alguns sublinhados e pequenas observações.

Planeamento central”, discurso de Richard W. Fischer perante a Sociedade Ásia - delegação de Hong Kong

“Quando a FED compra obrigações do Tesouro americanas ou outros produtos financeiros complexos como MBS (Mortgage-Backed Securities), pagamos por isso injectando moeda na economia, com a expectativa de que essa liquidez seja usada pelos bancos e outros investidores para financiar investimentos que criem emprego, a compra de casas e outras actividades económicas expansivas. Até agora, muita dessa liquidez injectada na economia tem estado a ser retida em vez de ser gasta no grau desejado.

A fraude da discriminação de género no trabalho

Um dos filões, aparentemente inesgotável, que vem alimentando o intervencionismo estatal é o de uma espécie de meta-guerra perpétua à discriminação onde têm cabido as “causas fracturantes” (muito caras à esquerda caviar e às franjas chiques dos partidos do poder) e, muito em especial, a vastíssima discriminação pelo sexo de género. O recurso ao vocábulário bélico não é em vão. Usando por aferidor o Google, até aqui têm sido pouco mais que esporádicas entre nós as referências à “guerra contra as mulheres”; mas talvez não esteja enganado em antever uma próxima vaga de fundo no Rectângulo. É que do outro lado do Atlântico uma busca por “war on women” devolveu-me 29,8 milhões de resultados. E este resultado não é alheio – é mesmo um dos temas que está a dar nos dias de hoje na América - o apadrinhamento que tem recebido do inquilino da Casa Branca.

O Prof. Mark Perry – que aborda regularmente este tema - há um par de semanas que se vem dedicando a desmontar com denodo uma suposta discriminação salarial de género contra a qual Obama se insurge e pretende combater (o seu post de ontem é particularmente revelador). Tal como Perry, também Thomas Sowell acusa Obama de fraude estatística nesta "guerra". Daí o título do seu artigo de ontem – Statistical Frauds. A mim, confesso, interessa-me bem mais a componente lógica da sua argumentação resumida no convite com que termina o seu artigo e que me motivou a publicar uma sua tradução de minha exclusiva responsabilidade.
15 de Abril de 2014
Por Thomas Sowell

Fraudes estatísticas

A "guerra contra as mulheres" é um slogan político que, na realidade, é uma guerra contra o senso comum.

É a uma fraude estatística que Barack Obama e outros políticos recorrem quando afirmam que as mulheres ganham apenas 77% do que os homens auferem - e que isso se deve à discriminação.

Thomas Sowell
Tratar-se-ia certamente de discriminação se as mulheres fizessem o mesmo trabalho que os homens, durante o mesmo número de horas, com a mesma formação e experiência, e se fossem também iguais nas restantes coisas. Porém, ao longo das últimas décadas, estudos sucessivos têm repetidamente mostrado que não são iguais nessas coisas.

A repetição constante da estatística dos "77%" não altera essa realidade. Apenas tira partido da ignorância de muitas pessoas - algo em que Barack Obama tem sido muito bom em muitos outros temas.

E se se comparassem as mulheres e os homens que são iguais em todas as características relevantes?

Em primeiro lugar, isso raramente é possível porque as estatísticas necessárias nem sempre estão disponíveis para todo o leque de actividades profissionais e para a gama completa de diferenças entre os padrões das mulheres e dos homens no mercado de trabalho.

sábado, 12 de Abril de 2014

Suplantados

Os pessimistas Ocidentais pelos entusiastas Asiáticos

Nos meios de comunicação convencionais ocidentais não há referência aos extraordinários números e dinâmicas relativas ao mercado do ouro físico na Ásia. Não há notícia daquela suplantação entusiástica. A procura pelo dinheiro verdadeiro e sólido para os lados do oriente parece não interessar às centrais de informação na Europa ou nos EUA. Isto não pode ser um acaso. Se tivermos em consideração o que a seguir se apresenta, mais óbvio esse facto se torna. Não pode ser por acaso.
No final apresenta-se uma pequena entrevista para demonstrar como é possível compreender o que se passa na Índia e na China, no que diz respeito à moeda, ao ouro, à economia e à política. Convido os leitores a considerem o que poderá ser diferente, aqui no ocidente, face aos tópicos abordados nessa entrevista.
Nas últimas semanas têm-se tornado públicas análises dos números do mercado dos metais preciosos na Ásia. Para podermos compreender um pouco do que se está a passar, consideremos os seguintes dados:


sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Livremo-nos de Bismarck de uma vez por todas

Em complemento ao aqui já abordado, José Piñera, agora num vídeo de pouco mais de 15 minutos, explica porquê.
"A minha ideia [da criação do estado providência] era a de subornar as classes trabalhadoras, ou, se preferir, persuadi-las de que o Estado é uma instituição social que existe para se preocupar com os interesses delas e o seu bem-estar."
Otto von Bismarck

terça-feira, 8 de Abril de 2014

A sustentabilidade das pensões: a experiência chilena

Depois de três anos de "austeridade draconiana" e de sucessivos "cortes selvagens" (não obstante um défice sem receitas extraordinárias de mais de 5% do PIB em 2013), eis-nos perante um novo passo na inevitável e sucessiva redefinição do "contrato intergeracional" por via do alargamento da orwelliana "Contribuição Extraordinária de Solidariedade" agora também dirigida às pensões entre 1000 e 1350 euros mensais. Quanto tempo até que ocorra o próximo passo? Provavelmente logo que a força da realidade imponha tornar "ordinário" o "extraordinário" e o "temporário" em "permanente" e o calendário eleitoral assim o permita.

Mas não será verdade que o "quadro macroeconómico" está a melhorar? Afinal, não estão as taxas de juro das obrigações do Tesouro em mínimos de 4 anos, o que certamente denota o regresso da "confiança dos mercados"? Não mostra o Governo sinais de que chegou o tempo de gastar investir em ainda mais betão e aço (com 59 projectos todos eles prioritários)? Acaso não é o próprio Governo que agora entusiasmadamente pondera aumentar o salário mínimo e, consequentemente, "promover" o desemprego? Não temos, enfim, um "excedente" nas contas externas? Não acenam as previsões económicas "números encorajadores"?

A esperança em repor a funcionar, através do "ajustamento", uma espécie de máquina de movimento perpétuo - o famoso "crescimento" - que voltaria a garantir o retorno ao remanso da tranquilidade próspera (e aos défices também eles perpétuos) é, pedindo emprestado um aforismo brasileiro, conversa para boi dormir. Não, caro leitor, não estou a admitir que gostaria de ter subscrito um certo manifesto que por aí andou. Estou apenas a reafirmar que um menor grau de despautério financeiro por parte do Estado não constitui reforma alguma digna desse nome, nem nada tem a ver com "austeridade" real - a que resultaria de uma entidade viver de acordo com as suas possibilidades.

O verdadeiro e único caminho para o real regresso à prosperidade passa por permitir mais liberdade, isto é, mais mercado. Mais de 30 anos após a reforma do sistema previdencial no Chile é tempo de se perceber que há outros caminhos para garantir a sua sustentabilidade e premiar o aforro (sacrifício do consumo presente). Foi essa a motivação que me levou a traduzir o artigo de Juan Ramón Rallo que se segue.
4 de Abril de 2014
Por Juan Ramón Rallo

Chile: trabalhadores transformados em capitalistas

É sempre um prazer contar em Espanha com a presença de José Piñera, o artífice da mais revolucionária reforma no sistema de pensões de reforma a que o mundo assistiu no século XX: a privatização e capitalização do sistema previdencial chileno em 1981. Neste sentido, Piñera é o anti-Bismarck do século XX, o economista reformista que desmantelou a fraude piramidal que o Chanceler de Ferro implantou na Prússia para, como confessara ao jornalista William Harbutt Dawson, "subornar as classes trabalhadoras, ou, se preferir, persuadi-las de que o Estado é uma instituição social que existe para se preocupar com os interesses delas e o seu bem-estar".

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Quem vê de fora

O que será que vê?
Por cá ouve-se dizer que há “sinais encorajadores”, que existe a possibilidade “de uma saída limpa” do programa de ajustamento, mas não se chega à contemplação e discussão dos fundamentos dessa crença. Simultaneamente emergem indicações provocadoras de que há mais ajustamento para fazer. Não é arriscado alargar esta descrição ao espaço europeu. Em Itália, em Espanha ou França estas mensagens mistas devem fazer parte do tecido comunicacional. Elas permitem vislumbrar uma espécie de infecção que alastra inexoravelmente. Uma trama que se adensa constantemente. Como veremos nos trechos seguintes, as relações endogâmicas entre partes da economia (banca) e o estado são cada vez mais intensas, sendo que um lado da mesa “está a acumular todas as fichas”. Ainda se proclama o modelo de estado social, sublinhando a sua vocação redistributiva, como paradigma moral, mas o que esse modelo mostra é, cada vez mais (não poderia ser de outra forma), uma preferência que choca, seguramente, os seus mais intensos defensores. Consideremos, em primeiro lugar:
Os reais factores de melhoria” por Pater Tenebrarum

“Registou-se um importante aumento na compra de dívida soberana por parte dos bancos ao nível dos diferentes estados europeus. O truque parece funcionar como a seguir se elenca (considere-se o caso da Itália):
a) Os bancos compram propriedades que pertencem ao estado (instalações militares obsoletas, edifícios de escritórios, entre outras), pagando com títulos (bonds) do próprio estado.

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Complicada Teia

Depois de ter lido um comentário de um dos nossos leitores relativamente à administração americana (e aos seus erros), recuperei duas entrevistas realizadas por Bill Moyers. Uma a David Stockman e outra a Mike Lofgren. Muito frontais e incisivas, as entrevistas cruzam vários tópicos, mas concentram-se nos seguintes:
- o que é o capitalismo-para-amigos (crony capitalism) e as suas consequências;
- as ligações entre as administrações americanas e as esferas da finança mundial - as mesmas caras e os mesmos nomes;
- as políticas públicas como instrumentos para a repressão financeira (e não o apregoado esforço redistributivo) e o desenvolvimento de uma economia corporativa;
- o estado profundo (deep state), as obscuras funções e razões de estado;
- o financiamento barato e acessível a alguns agentes e as consequências para o sistema económico;

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Esvaziando o mito da deflação

A uma mentira que mil vezes se repete só resta contrapor, com uma frequência equivalente, o seu rebatimento. Assim, face a múltiplas notícias que dão conta do papão deflacionista (por exemplo, Vítor Constâncio terá ainda ontem afirmado que (meu realce) “[e]speramos [no BCE] que o valor baixo de Março seja corrigido para um registo mais elevado em Abril”), volto a insistir no combate ao endeusamento da inflação como fenómeno essencialmente benévolo (se contido num valor "baixo") acompanhado do esconjurar da autêntica peste negra que a deflação representaria. Têm sido múltiplos os meus posts sobre o tema. Mas julgo ser preciso insistir. Primeiro, evocando Mises:
"O mais importante a recordar é que a inflação não é um acto de Deus, que a inflação não é uma catástrofe dos elementos ou uma doença que surge como uma praga. A inflação é uma política."
Depois, procurando contribuir para a desmistificação do fenómeno deflacionário pela via de uma tradução, da minha responsabilidade (notas do texto original substituídas por links), de um texto de Chris Casey ontem publicado cujo título roubei para encimar o presente post.
2 de Abril de 2014
Por Chris Casey
Esvaziando o mito da deflação

O temor da deflação funciona como a justificação teórica para todas as acções inflacionistas levadas a cabo pela Reserva Federal e pelos bancos centrais em todo o mundo. É por isso que a Reserva Federal tem por objectivo uma taxa de inflação de preços de 2% e não de 0%. Em larga medida, esta é a razão que levou a Reserva Federal a mais do que quadruplicar a base monetária de Agosto de 2008 até hoje. E é, de forma notável, um enorme mito, pois não há nada de intrinsecamente perigoso ou prejudicial na deflação.

A deflação é temida não apenas pelos seguidores de Milton Friedman (os designados monetaristas ou membros da Escola de Chicago), mas também pelos economistas keynesianos. Um dos mais destacados keynesianos, Paul Krugman, num artigo do New York Times de 2010 intitulado "Por que é a deflação uma coisa má", apontou a deflação como a causa da contracção da procura agregada uma vez que "quando as pessoas têm a expectativa de que os preços vão baixar, elas tornam-se menos propensas a consumir, e, em especial, menos dispostas a contrair empréstimos".

Presumivelmente, ele acredita que este diferimento na despesa durará para todo o sempre. Mas sabemos por experiência própria que, mesmo em presença de uma descida de preços, os indivíduos e as empresas acabarão por, num dado momento, vir a comprar o bem ou serviço em questão. Não é possível renunciar eternamente ao consumo. Vemos isto suceder todos os dias na indústria da informática / electrónica: o valor da utilização de um iPhone ao longo dos próximos seis meses é superior ao da poupança que resultaria do adiar da sua compra.

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Vislumbra-se o Guião

Por vezes as provas de que convivemos numa realidade encenada tornam-se visíveis. Como pequenas parcelas de produção artística que se tornam públicas contra a vontade dos seus autores. Por mim, esforços que mostrem os movimentos e cadências dessa peça são esforços louváveis.
Os escassos minutos que se seguem são de uma clareza incontornável (ambos daqui). No primeiro destes pequenos vídeos podemos constatar a admissão dos ensaios gerais a que a imprensa se submete, dando conta do que o poder quer que as pessoas saibam.
No segundo caso, chama-se a atenção para uma manobra de manipulação que deixaria Estaline e Hitler, seguramente, invejosos - envolver Hollywood na promoção do programa Obamacare. Os publicitários chamam-lhe "product placement" quando um programa mostra produtos de marcas que o patrocinam. Será esse o caso? Ou o patrocínio é intelectual e moral?
Chamo a atenção para a docilidade, para o beneplácito de dois apresentadores de televisão que mais parecem bonecos. Atente-se, igualmente, na sobranceria da conselheira de Obama, na narrativa de quem padece (como uma mãe?) com outro que sofre. Aterrador.
Não devemos esquecer, o que conta é a peça.

domingo, 30 de Março de 2014

Citação do dia (159)

"O único objectivo da prática política é o de manter a população alarmada (e, portanto, clamando para que a conduzam à segurança), ameaçando-a com uma interminável série de papões, todos eles imaginários."
H. L. Mencken

sexta-feira, 28 de Março de 2014

A Morte da Moeda

Tenho trazido à consideração dos leitores a temática da reformulação do sistema monetário internacional. Assinalei também alguns dos contornos que este tema possui (aqui e aqui). Publica-se agora a tradução da entrevista realizada por Koos Jansen a James Rickards a propósito da publicação do seu livro - "The Death of Money" (lançamento internacional a 3 de Abril e sem tradução portuguesa prevista) - que tem, como pano de fundo, a situação difícil do sistema monetário e financeiro internacional e as possibilidades da sua evolução, articulando com precisão o papel das grandes potências económicas (presentes e futuras), a função disciplinadora do ouro e alguns dos argumentos da Escola Austríaca de economia.
A tradução é da minha responsabilidade, bem como algumas observações ou sublinhados.

Willem Middelkoop, Koos Jansen e James Rickards


James Rickards e "A morte do dinheiro" - 14 de Março de 2013

Koos Jansen – Considera que haverá um colapso do sistema monetário global, acompanhado de caos social e problemas nos bancos face ao que os políticos não estão a fazer ou farão tarde demais?
James Rickards – O meu livro mais recente – The Death of Money – é, justamente, acerca da morte do dólar. Um colapso monetário global e o colapso do dólar são uma e a mesma coisa. O dólar é a chave do actual sistema, ora se o mundo deixar de ter confiança nessa chave, então, o sistema como o conhecemos entra em derrocada.
Se ocorrerão distúrbios a acompanhar esse colapso? Bem, penso que eles já estão a acontecer. Veja-se a Ucrânia, a Crimeia. A China está a enviar navios para o largo das ilhas que disputa com o Japão. Podemos ver também tensões e conflitos associados à primavera árabe por causa disso. É inegável que há sinais preocupantes em diversas regiões. Considero que os políticos vão continuar a prosseguir políticas erradas, não julgo que façam as reformas e ajustes necessários: o desemprego continua alto, o crescimento continua anémico e o perigo de deflação está à espreita. Estes fenómenos potenciam a instabilidade social, as disparidades no rendimento e riqueza. Assistiremos ao agudizar destes problemas durante o definhar do sistema.
Os bancos centrais e os governos já disseram que os maiores bancos e instituições finaceiras não podem cair. Isto impedirá, igualmente, que as correcções aconteçam. Quais são as consequências que conhecemos dessas decisões? Bom, isso convida a práticas irresponsáveis e a posturas parasitárias por parte dos banqueiros. Isso permite que eles cresçam e que destabilizem o sistema. Julgo que não veremos, para já, falências de grandes bancos, no entanto, quando o colapso acontecer alguns deles vão cair. É a própria política dos grandes demais para cair que conduz ao agravamento das disfunções no sistema e isso levará ao colapso.