terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre - parte II

Um modelo regulatório para um padrão-ouro livre



Publica-se aqui a segunda parte da série de artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.
A primeira parte pode ser lida aqui.

"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #43", Julho de 2014

A principal fragilidade que conduziu ao desaparecimento da primeira geração monetária do ouro digital foi a ausência de um modelo regulatório.
As primeiras empresas de ouro digital iniciaram a actividade como empresas regulares sem obterem as licenças necessárias para a prestação de serviços financeiros. Depois de terem crescido o suficiente para chamar a atenção das autoridades, foram impedidas de obter as respectivas licenças a maior parte delas enfrentou disputas legais e fechou.
Nos anos 90, os estados não tinham categorias regulatórias para sistemas digitais de pagamentos com reservas totais, por isso as empresas que fizeram os pedidos de licenciamento viram os seus pedidos negados.

O problema regulatório

De acordo com a visão apresentada na Parte I para o padrão-ouro livre, precisamos de um sistema de transacções de ouro digital, bem como plataformas eficientes de transacção do nosso ouro face às diferentes moedas envolvidas. A definição destas exigências, e os respectivos papéis, constitui-se como o trabalho de definição das instituições financeiras reguladas.
Em vez de pedir aos governos que criem novas regulamentações e enquadramentos legais para os sistemas de ouro digital, consideremos primeiro o contexto existente das instituições reguladas. A maioria dos países tem uma pirâmide de intituições financeiras com um banco central no topo, que se pode apresentar do seguinte modo:

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Radar

No final deste mês ocorrerá um referendo na Suíça acerca das suas reservas de ouro (repatriamento, reservas mínimas de 20% e proibição de vendas de ouro por parte do banco central suíço).
A Holanda procedeu, recentemente e em segredo, ao repatriamento das suas reservas de ouro que estavam em Nova Iorque.
A Holanda e a Alemanha tinham planos preparados para regressar a um padrão-ouro caso o euro caísse em 2012 (aqui e aqui). A preparação ocorria enquanto altos dirigentes diziam que a crise tinha passado... pois! Caso para dizer: cada um vai-se preparando e mantém essa preparação em segredo.
A novela continua. Acredita quem quiser.

Em defesa das sweatshops

Um dos mais persistentes mitos, que perdura até hoje no Ocidente, consiste na vilificação do sistema económico que possibilitou o crescimento sustentado per capita, fenómeno desconhecido na História até às revoluções agrícola e industrial (por comodidade, digamos, antes de 1800).  Mais do que a Marx ou a Dickens, estou convicto que é ao "progressista" complexo ideológico-educativo estatal que cabem as maiores responsabilidades na manutenção desta nefasta porque errada leitura histórica. Perspectiva que transpõem para as sweatshops do século XXI quando estas são, afinal, o passaporte para uma prosperidade que de outro modo seria impossível (como sucedeu na migração para as cidades - e para as fábricas - do século XIX fugindo da miséria e morte prematura). Pouco mais de 10 minutos que creio valerem mesmo a pena (vídeo legendado em português europeu).


quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

A propósito

"Os fundamentos dos mercados acabam por estar comprometidos após tanta intervenção”


Aproveitando o mote da Conferência promovida pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal e a disponibilidade de algumas das pessoas que estiveram presentes, foi possível levar a cabo a entrevista que a seguir se apresenta. Procurou-se, não só marcar o momento importante da chamada pela Liberdade, mas também registar algumas reacções às ideias e argumentos explorados ao longo da Conferência.
Agradeço, em nome da equipa do Espectador Interessado, a disponibilidade de André Campos para partilhar aqui as suas impressões e a ideia de que é intenção do ILvM promover, num futuro próximo, mais iniciativas como esta.

LV – Quais foram os objectivos da conferência organizada pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal no passado dia 1 de Novembro?
André Campos (AC): No fundo, o Instituto Ludwig von Mises Portugal (ILvM) já existe, de forma oficiosa, há cerca de três anos. Contudo, nesse molde, estávamos limitados a pequenas iniciativas esporádicas. Recentemente surgiu um interesse por parte de algumas pessoas, nomeadamente o Guilherme Marques da Fonseca e o Alexandre Mota, além de mim próprio e outros que se juntaram a nós, em oficializar o ILvM e traçar metas mais ambiciosas. Queríamos dar expressão aos ideais do Liberalismo Clássico e da Escola Austríaca da melhor maneira e esta II Conferência do Liberalismo Clássico – Call for Liberty foi o pontapé de partida de um conjunto de iniciativas que o ILvM está a pleanear para 2014/2015.

LV – Do conjunto das intervenções e das ideias apresentadas quer destacar alguma?
AC: Achei que, de uma maneira geral, os temas eram muito interessantes e pertinentes considerando o momento actual. Apreciei todas as intervenções e creio que o importante foi a mensagem subjacente de liberdade, propriedade e paz. Hoje em dia existe uma tendência generalizada para a desresponsabilização pessoal, substituindo-se o papel do indivíduo pelo estado, ou seja, pelo colectivo. Olhamos para o estado como solução para quase tudo e nesse processo perde-se aquele que é, por definição, um dos direitos fundamentais, natural e inalienável, do ser humano: a liberdade. É essa a tendência que iremos tentar contrariar através do nosso trabalho no ILvM.
Posto isto, e para referir alguém em particular, confesso que fiquei muito agradado com a excelente intervenção do José Bento da Silva no painel acerca do Impacto das Finanças Públicas nas empresas. Não o conhecia bem antes desta conferência, ao contrário de todos os outros palestrantes, e achei que, juntamente com o André Azevedo Alves, tiveram intervenções muito interessantes.
Quanto às ideias apresentadas, creio que o desmascarar das falácias Keynesianas é sempre fulcral. Há tanta gente que ainda adere às vetustas ideias – precisamente os ensinamentos de Keynes - que contribuíram para o estado de sítio que se vive nas economias desenvolvidas e no sector financeiro actualmente. Por outro lado, foi também muito bom que se pudesse introduzir o tema da “Guerra contra as drogas” por parte do meu companheiro Guilherme Marques da Fonseca. É uma daquelas questões que remetem muito para a liberdade individual e uma discussão séria nesse sentido é sempre algo a que não podemos virar a cara.

LV – Daniel Lacalle traçou um cenário muito pormenorizado da realidade económica e financeira mundial, dada a sua experiência como gestor de fundos de risco. Acompanha a descrição feita quanto à subida nos mercados bolsistas e consequentes volatilidades nas paridades monetárias?
AC: Antes de mais devo adiantar que não sou analista financeiro ou gestor de fundos, sou apenas uma pessoa interessada na matéria e com ligações ao ramo através de outras funções. Dito isto, creio que os mercados bolsistas ainda têm espaço para subir no curto/médio prazo, mas estou bastante preocupado com o longo prazo.

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Em defesa de um padrão monetário livre

O dinheiro num mercado livre



Inicia-se hoje a publicação de um conjunto que artigos que Ken Griffith tem vindo a publicar no jornal do Gold Standard Institute. Os diferentes artigos que iremos publicar são dedicados à análise das potencialidades, das dificuldades e soluções para a construção de um novo padrão monetário. A novidade central nesta reflexão, ancorada na experiência e no passado recentes, é a ideia de que esse padrão pode ser implementado pela iniciativa livre dos cidadãos, sem necessidade da sua imposição por parte do estado. Importa sublinhar, especialmente nesta primeira parte, que esta reflexão assenta num conhecimento das necessidades monetárias do mercado, bem como na análise de tentativas recentes para a implementação de um padrão monetário livre.
A tradução e a edição dos artigos é da minha responsabilidade e foi autorizada pelo próprio autor.


"Em defesa do padrão-ouro livre” – Ken Griffith, "The Gold Standard Institute Journal #42", Junho de 2014

Nasci em 1971, três meses depois de Richard Nixon ter emitido uma lei que obrigava ao abandono da ligação entre o dólar e o ouro. Durante toda a minha vida, ouvi defensores do ouro e economistas austríacos lamentarem-se do desaparecimento do padrão-ouro, bem como o clamor de um regresso a ele. O propósito deste artigo é indagar se um novo padrão-ouro pode ser constituído através da iniciativa e acção privadas. A esta meta darei o nome de “padrão-ouro livre”.

Após anos de estudo e reflexão acerca destas matérias, cheguei à conclusão de que o padrão-ouro imposto por um estado e gerido por um banco central não resolveria o problema que enfrentamos relativamente à moeda que usamos. Políticos e dinheiro honesto são como azeite e água – não se misturam. Os políticos e os governadores dos bancos centrais são exímios na desvalorização da moeda, caso os deixemos controlá-la. Não há nenhuma nação que, tendo monopolizado a produção de moeda, esteja a salvo dessa tentação.
Julgo que o único modo de o mundo voltar a ter um verdadeiro padrão-ouro será se ele for alcançado através do livre mercado, sem intervenção estatal.

A primeira tentativa – a era do ouro digital

O leitor talvez não saiba, mas existiu um breve período (1996 até 2008) em que existiu um sistema monetário fundado no ouro. Liderado pela empresa e-gold.com, a “economia do ouro” através da internet cresceu ao ponto de representar 80 toneladas de ouro/ano de transacções entre utilizadores. No seu ponto alto, existiam sete entidades digitais emissoras e uma rede internacional de agentes e dois milhões de titulares de contas. O ouro digital era a forma mais rápida e barata de mover dinheiro à volta do mundo. O ouro mudava de mãos – como meio de pagamento – numa razão de 78 transacções por utilizador/ano.

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

No pasa nada! Que são vinte anos, afinal?


O Tribunal e Contas da UE (European Court of Auditors) recusou apor a sua assinatura no relatório da execução orçamental de 2013 apresentada pela burocracia de Bruxelas. Há vinte anos consecutivos(!) que tal sucede sem que nada de relevante aconteça para além de palavras pias e vagas promessas de introdução de mais e melhores controlos burocracia por parte da Comissão Europeia. Coisa que parece não incomodar as consciências profissionais dos profissionais da "Europa". Nada parece assim ter mudado de substantivo desde este apontamento sugerido pela leitura do livro de Marta Andreasen que, à semelhança do que antes dela tinham feito Bernard Connolly e Paul van Buitenen, demonstra à evidência que o que se passa sob as monstruosas construções burocráticas só é (levemente?) identificado pela acção dos whistleblowers, quase invariavelmente à custa de fortíssimas penalizações pessoais. A eles devemos o (pouco) que sabemos.

Radar

"Acumulam-se os relatos de investigações feitas aos maiores bancos do mundo. Das taxas interbancárias à negociação de futuros monetários, não deixando de parte as intervenções ilegais no mercado dos metais preciosos (aqui e aqui). Os verdadeiros negócios que estas "empresas" fazem devem ser de tal magnitude que permitem fazer face às multas como se de um simples custo de operação se tratasse.
Seguramente, desconhecemos muito do que se passa.
Fazer perguntas incómodas? Manter espírito crítico face à "realidade depurada"? "Isso é para amantes de teorias da conspiração".
Claro.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Citação do dia (177)

«No processo político há um "triângulo de ferro" formado pela interacção de três grupos de pessoas. Há os que perseguem interesses especiais, que procuram obter favores e privilégios por parte do estado à custa dos consumidores, concorrentes e contribuintes; há os políticos fornecedores de favores e privilégios atribuíveis pelo estado em troca de financiamentos às campanhas eleitorais e votos; e há os gestores burocráticos do sistema regulatório, intervencionista e redistributivo, que estão constantemente à procura de formas e meios de expandir a sua autoridade e aumentar os seus orçamentos como vias para a obtenção de mais poder e oportunidades de promoção e de salários mais elevados.»
Richard M. Ebeling

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

Metafísica monetária e financeira

"Estar nos pináculos do jornalismo económico é estar ao nível do mar"

A conferência que a seguir se apresenta é constituída por duas partes. Ela começa pela apresentação da realidade quantificada, aquela que é medida e aquela que é possível projectar a curto-prazo.
A segunda parte (passados uns bons 20 minutos) é uma análise qualitativa, levada a cabo com frontalidade e ironia, da realidade que os "mandarins financeiros" forçam a existir. A análise inicia-se pela definição da substância das taxas de juro e o seu papel. Seja num sistema capitalista ou no verdadeiro "Truman Show" em que vivemos, no qual imperam o padrão-doutor e a distorcida visão metafísica de se poder ter algo a partir de nada.
A primeira parte da conferência é levada a cabo por Marc Seidner para a apresentação do que é. A segunda e substancial parte é conduzida por James Grant, na tentativa de identificar que consequências resultam da deturpação daquilo que é. Um profundo exercício de clarificação metafísica, desenvolvido com conhecimento, simplicidade, realismo e boa-disposição.

Votos de um excelente fim-de-semana.