Ao contrário das catástrofes de origem natural (que os eco-teócratas continuam a insistir na sua associação à actividade humana apesar das evidências), a catástrofe de 24 de Abril passado no Bangladesh, ocorrida com o desabamento de um prédio de oito andares onde estavam instaladas cinco fábricas têxteis, poderia - e deveria - ter sido evitada. Ninguém, suponho, disputará esta asserção. Já quanto ao que deve ser feito para melhor prevenir a perda de milhares de vidas, as opiniões dividem-se. E muito. No seu artigo More Dangerous than the Factory Building Collapse, George Reisman afasta as considerações de ordem emocional e ideológica para deixar fluir o raciocínio económico, preocupando-se assim com acções, causas e consequências, com "o que se vê e o que não se vê" (Bastiat). Como o provérbio refere, "O Inferno está cheio de boas intenções". A tradução do artigo é da minha responsabilidade.
O recente desmoronamento no Bangladesh de um edifício onde estavam instaladas fábricas têxteis e que resultou na morte, até ao momento [link], de mais de 1100 pessoas das que lá trabalhavam, fez brotar uma onda internacional de indignação não apenas contra o proprietário do edifício, mas também contra diferentes cadeias de lojas nos Estados Unidos e na Europa, muitos delas de renome, que venderam roupa produzida naquele prédio. Exige-se-lhes que assumam a responsabilidade pelas condições de trabalho nas fábricas que as abastecem e que deixem de trabalhar com fábricas que não ofereçam condições humanas e seguras nem paguem salários justos.
Tais exigências assentam na crença segundo a qual, na ausência de intervenção governamental, a lógica do lucro dos empresários ou capitalistas levá-los-ia a pagar salários de subsistência a trabalhadores obrigados a trabalhar um número intolerável de horas em condições sub-humanas. E mais: que os lucros alegadamente assim extorquidos aos trabalhadores estão à disposição dos capitalistas sob uma espécie de saco azul como se, pelo menos numa parte mais ou menos substancial, pudessem ser devolvidos aos trabalhadores de quem foram levados), ou utilizados em benefício desses trabalhadores, sem nenhum efeito negativo para além de privar os capitalistas de alguns dos seus lucros imorais. É geralmente dado como certo que a razão pela qual o tipo de condições prevalecentes no Bangladesh e no resto do Terceiro Mundo, não existe nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, se deve ao advento da legislação laboral e social e que o que é necessário é estender tal legislação aos países onde ela ainda não vigora.
George Reisman



