sábado, 1 de Novembro de 2014

Instrutivo

A propósito de uma solicitação de um leitor surgida na caixa de comentários do post anterior e da velha ladainha segundo a qual, não sendo possível extrair "rendimento" da posse de ouro físico, a constituição de poupanças materializadas em metal amarelo constituiria uma aplicação sempre especulativa. 


Gráfico da Gold-Eagle, via EPJ

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Radar

Alan Greenspan, em entrevista no WSJ: "Nunca experimentámos nada de semelhante a isto [a política monetária da Fed desde Bernanke e Yellen], pelo que não vou agora, sentado aqui, dizer qual irá ser o resultado" e, mais à frente, "[p]enso que a pressão efectiva irá ocorrer não por iniciativa da Reserva Federal mas pelos próprios mercados". Pelo meio vai aconselhando o ouro como um bom veículo de investimento nos tempos que correm. Sinais...

Do arrependimento


quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Citação do dia (176)

Israel M. Kirzner
«Essa foi a ocasião ... do meu primeiro encontro com Ludwig von Mises, e está profundamente gravada na minha memória ... A substância da sua frase inicial de abertura da sessão naquela noite [foi a seguinte]: "O mercado", começou Mises, é um processo". Vindo eu de uma licenciatura em Economia muito deficiente (e no essencial de recorte keynesiano) a afirmação de Mises, recordo-me, deixou-me completamente perplexo. Eu havia pensado o mercado enquanto um lugar, uma arena para concretizar trocas, uma ideia abstracta atinente às transacções relativas às trocas voluntárias. Eu não consegui perceber qual poderia ser o significado da observação de que o mercado era um processo". Hoje, em retrospectiva, considero que toda a minha formação posterior e investigação na teoria económica, tanto antes como depois de obter o meu doutoramento sob a orientação de Mises, consistiu em aprender a apreciar o que Mises quis dizer com aquela afirmação.»
Israel Kirzner
Via Richard Eberling (minha tradução)

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Os tremendos custos não visíveis da regulação estatal

Ontem, referia-me aqui às consequências directas e mensuráveis - e por isso percepcionáveis - de recentes "medidas" governamentais. Foi o "perigo" dessa percepção que explica que o ministro "artesão", "batalhador" e "persistente" sentisse a necessidade de rapidamente vir a terreiro para tentar baralhar os incautos ao afirmar que "[não haver] razões para assustar as pessoas com aumentos que não estão previstos, a partir da fiscalidade verde".

Sucede que, as mais das vezes, as "medidas" governamentais produzem impactos que não são nem imediatamente visíveis, nem facilmente mensuráveis e, por conseguinte, com efeitos dificilmente percepcionados pelo comum das pessoas. É este o caso de TODA a actividade regulatória estatal, provenha ela da administração pública ou de "autoridades" supostamente independentes, altruístas e omniscientes. Entre nós, a secular arrogância do estado centralista e a ausência de uma pressão da opinião pública efectiva vai permitindo que aquele não sinta necessidade de quantificar e divulgar publicamente os impactos financeiros das "medidas" que vai coleccionando a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. Noutras longitudes não é assim, ilustrando a imagem abaixo a enorme relevância dos custos da regulação estatal (no caso, referentes à actividade industrial nos EUA em 2012). Entretanto, por cá há quem recorra - julgo que com sucesso - ao colorido do vernáculo para tentar tornar visível aquilo que se esconde propositadamente do escrutínio público.



Actualização: ver aqui.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Uma mentira sustentada mas insustentável

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Consumada a "reforma da fiscalidade verde", já se conhecem quais serão os seus impactos: mais 350 milhões de euros de impostos e regulamentações várias que irão onerar o custo da gasolina e do gasóleo em +6,5 e +5,1 cêntimos por litro, respectivamente. Enquanto ajuda à competitividade das empresas, não está nada mal, não senhor! De resto, Jorge de Vasconcelos, o mesmo que se demitiu de presidente da ERSE quando não obteve do governo de então o acréscimo nas tarifas eléctricas que defendia ser devido pelos consumidores, agora na pele de presidente da Comissão que reviu a "fiscalidade verde" acha que a coisa, na parcela "Fundo de Carbono", "é quase imperceptível" face às oscilações dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Moreira da Silva - o "ministro do CO2" na feliz expressão de Mira Amaral - o verdadeiro mentor de tudo isto, nunca escondeu aliás ao que vinha e qual era o objectivo que tinha em mente: "alterar comportamentos" de modo a "conferir padrões de consumo e produção "mais sustentáveis". No fundo, no fundo - como à superfície... - apenas uma variante na busca de um "homem novo" que erige como valor absoluto o "respeito" pela Mãe Natureza e o combate ao aquecimento global às "alterações climáticas".

O estimável Público rejubila, como de resto a generalidade dos nossos media convencionais, tanto mais que o estadista "artesão" acaba de arrancar uma "vitória" em Bruxelas (cf. imagem de notícia do jornal de ontem) que resultou da sua indomável persistência: uma intenção declarada, não vinculativa, de aumentar as interligações da rede eléctrica pan-europeia (com a qual o estadista sonha para "escoar" o excesso de produção eólica de que padecemos e cujos efeitos - défice tarifário combinado com contínuos aumentos nas tarifas de electricidade-, ao contrário do propagandeado, continuam a aumentar).

Portanto, caros leitores, é fácil prever o que ocorrerá no próximo mês de Janeiro: 1) caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis actuais por mais uns meses, os preços dos combustíveis irão, grosso modo, regressar aos valores que se observavam antes da recente e acentuada descida da cotação do crude ou, 2) logo que o preço do crude recupere para os nos patamares anteriores, podemos antever as manchetes da nossa imprensa: "os preços da gasolina e do gasóleo atingem valore recorde entre nós!". A culpa, está bem de ver, será do mercado e dos tenebrosos especuladores.

Adenda 1: o descaramento não tem mesmo limites.

Adenda 2: é verdade que cerca de 1/3 do aumento projectado nos combustíveis decorre de novo acréscimo na designada "Contribuição Rodoviária" cuja receita é consignada à Estradas de Portugal. Mas não o é menos, na "filosofia" do ministro do CO2, que seja um imposto "verde" já que naturalmente desencoraja a utilização de veículos nas estradas ao torná-la mais dispendiosa.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Citação do dia (175)

"Os novos valores que vão surgindo parecem justificar o abandono dos antigos valores e regras. A confiança em si mesmo, o auto-controlo e a independência, por exemplo, são substituídos pela equidade, segurança e cuidados de saúde universais. No entanto, são fáceis de identificar as clivagens entre os velhos valores e os novos.
Os novos valores reflectem uma profunda mudança nas atitudes. De assumir riscos a passar evitá-los de todo. Da produção de riqueza à preocupação exclusiva na sua preservação. Da ausência de interferências do estado (laissez-faire) ao controlo centralizado por parte do estado.
Mas estas diferenças são também expressas num conjunto diferenciado de direitos. Os antigos eram direitos a que cada um pudesse fazer algo por si mesmo. Os últimos são direitos a forçar alguém a fazer algo para mim. Os primeiros exigiam cooperação, estes últimos exigem apenas o medo e, de seguida, a violência."

Bill Bonner, "O refluxo da modernidade" - 22 de Outubro de 2014

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Economistas que nos envergonham embaraçam

A lei da procura é a mais fundamental das leis de todo o corpo da teoria económica: se tudo o resto se mantiver constante (a necessária condição ceteris paribus), um aumento que se verifique no preço de um bem ou serviço terá como consequência uma diminuição da sua quantidade procurada pelas pessoas. Recordo-me, ainda de joelhos esfolados, ouvir o meu avô materno, pequeno agricultor de sequeiro e desconhecedor do alfabeto, referir-se-lhe frequentemente, saber de experiência feito. Mas há quem teime, entre os que ominosamente se reclamam de economistas, que há um caso específico em que esta lei não se observa e, por conseguinte, a invalida, tese que o governo, pela voz do ministro Mota Soares, subscreve (apesar da troika). Walter Williams, no artigo que hoje seleccionei (minha tradução), volta a explicar por que razão essa alegada excepção é um rematado disparate gerador de desemprego entre os menos qualificados. Uma pergunta: já repararam no recente "mobiliário" com que muitas lojas da McDonald's foram recentemente dotadas? (Via LRC)
Por Walter Williams
20 de Outubro de 2014

Economistas que nos embaraçam
(Embarrassing Economists)

Com o objectivo de transmitir uma certa perspectiva, vou pedir ao leitor que faça algumas conjecturas quanto ao comportamento humano antes de explicar o meu embaraço perante alguns dos meus colegas economistas.

Walter E. Williams
Suponha o leitor que os preços das jóias de senhoras aumentaram 100%. O que preveria que iria acontecer às vendas? E se o aumento de preços fosse de 25% ou 50%? A minha suposição é que uma pessoa comum iria prever que as vendas cairiam.

Emitiria a mesma previsão acerca das vendas de automóveis se os seus preços aumentassem 100% ou 25% ou 50%? Suponha o leitor que é o presidente executivo da General Motors e o seu director de vendas lhe diz que a empresa poderia aumentar as vendas de automóveis através do anúncio de um aumento de preços de 100% ou 50%. Eu imagino que despediria o director de vendas invocando quer insanidade como incompetência.

Tentemos mais um exemplo. Qual seria a sua previsão, caro leitor, quanto às vendas de habitações se os seus preços subissem 50%? Supondo que iria prever uma queda nas vendas. Nesta altura, dirá: "Ok, Williams, já me está fazer perder a paciência com essas questões óbvias. Onde é que pretende chegar?"

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

O lado mau

Bytes

A leitura deste último artigo de Doug Noland, de que aqui se publicam algumas passagens, é muito recomendada. Pleno de realismo não deixa, porém, de causar inquietação. Isto porque ao discurso e à discussão pública falta considerar as consequências do que já se fez e se continua a fazer - política e economicamente. E esse raciocinar pela metade está a ter sucesso. O entorpecimento é generalizado. Mas, não tenhamos dúvidas, as "soluções mágicas" estão traçadas e serão apresentadas num brilhante (e trágico) encadeamento. O guião está escrito, aguarda apenas o momento da sua encenação.
O lado mau de “fazer tudo o que for preciso” - Doug Noland - 17 de Outubro de 2014

"Alguém que não esteja realmente preocupado não percebe o que se está a passar.

Considero todo o cenário surreal. E, quanto mais as pessoas agem como se nada se passasse, mais preocupado fico. Por estranho que pareça, estes dias lembram-me a minha perplexidade quando estudava o período que conduziu à crise bolsista de 1929. Como é que foi possível não ver o que estava para vir? Como pôde toda a gente permanecer optimista – “num topo contínuo” – face àquilo que, posteriormente, era tão óbvio e perturbador: uma deterioração do mercado e das perspectivas da economia global.