terça-feira, 30 de Setembro de 2014

5 minutos de sanidade contra 100 anos de bombardeamentos

Uma brilhante intervenção de George Calloway na Câmara dos Comuns, em 26-09-2014, protestando contra a participação do Reino Unido em mais uma campanha de bombardeamentos no Médio Oriente, agora em pretexto da luta contra uma criatura - o "Estado Islâmico" - criada e alimentada nos bombardeamentos precedentes. O absurdo de mais esta insanidade está também magistralmente enunciada aqui


Via LRC

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

A Grande Guerra 1914-1918 - O Lusitania (um bom pretexto e um alvo fácil)

Não tencionava incluir o caso Lusitania na série de posts que vimos publicando sobre a I Guerra Mundial. Todavia, é-me difícil não dar conta que a campanha de bombardeamentos aéreos agora em curso contra o “Estado Islâmico” tenha ocorrido após a divulgação sucessiva, em quatro vídeos distintos, de outras tantas decapitações. Primeiro, de dois cidadãos americanos; posteriormente, de um súbdito britânico seguido de, há dias apenas, de um cidadão francês. Creio impossível não notar a coincidência do envolvimento das três nacionalidades notáveis na geopolítica da região após a queda do império Otomano. Em conclusão: o que Obama e Cameron não conseguiram há um ano, tornou-se agora possível devido à divulgação de uns vídeos no YouTube. A "linha vermelha" estava, afinal, no efeito de choque causado pelo visionamento de decapitações. A encenação revela-se, mais uma vez, fundamental para fazer vingar um pretexto adequado.

Após o início da I Guerra Mundial, talvez não tenha havido acontecimento singular mais relevante para o que viria a ser o seu desfecho do que o torpedeamento por um submarino alemão do paquete transatlântico Lusitania, ocorrido em 7 de Maio de 1915, de que resultaram 1153 mortos (128 dos quais de nacionalidade norte-americana). E muito embora só a 6 de Abril de 1917 os Estados Unidos tenham declarado guerra às Potências Centrais, é inegável a importância daquele evento no processo de decisão que levaria a essa decisão e, com ela, a sorte da guerra[1]. Sublinhe-se, não obstante, que o presidente Woodrow Wilson, que procurava a sua reeleição em 1916, fez essa campanha eleitoral sob o slogan "He kept us out of war" (“Ele manteve-nos fora da guerra” – N.T.) o que indubitavelmente traduz o sentimento, de facto largamente maioritário na opinião pública americana à época, contra o envolvimento dos EUA na terrível guerra que decorria no teatro europeu.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

Radar

Este programa de rádio é uma viagem obrigatória aos centros nevrálgicos da decisão e regulação financeira. Para compreender como são as relações entre os reguladores e agentes bancários e financeiros em pouco mais de uma hora. É uma análise feita nos EUA, à FED e, neste caso, ao Goldman Sachs. As dúvidas avolumam-se quanto à qualidade do papel dos reguladores, à transparência de todo o sistema financeiro. Atente-se na descrição do que significa, para a FED e nas palavras de um alto quadro da instituição, credibilidade. Ou no caso apresentado acerca do Goldman Sachs e Santander. Alguém se lembra do comportamento recente do nosso Banco de Portugal?

Presente Virtual

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Citação do dia (173)

"O crescimento da bolsa de ouro de Xangai (SGE) para se tornar a maior plataforma de transacção física de Ouro do mundo, fornece provas convincentes de que o futuro para o ouro é estritamente físico.
Acompanhando a mudança dos mercados do Ocidente para Oriente, a expansão de fortes plataformas de transacção de ouro na Ásia trará uma melhoria nas condições de descoberta dos preços, da liquidez, da transparência e eficiência do próprio mercado; estas melhorias transformarão a paisagem do mercado global do ouro.
Como elemento importante que é a China assumirá, com justiça, o seu lugar no mercado mundial do ouro."

Aram Shishmanian, (CEO World Gold Council) após a abertura da negociação internacional na SGEI

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Radar

Esta semana a Royal Mint lançou um novo serviço de venda pela internet de ouro a peso (bullion) para investimento e poupança. Como diz o responsável da Royal Mint à peça da BBC, "queremos ajudar a expandir o mercado do ouro na sua forma mais acessível". Para além da compra e entrega física do metal, existe a possibilidade de os clientes abrirem uma conta e alugarem um cofre, com vista à guarda segura ou à futura transacção dos metais. São muito curiosos os recentes desenvolvimentos no mercado dos metais preciosos, especialmente quando a "gestão" do seu preço se acentua com o aproximar do final do ano.

domingo, 21 de Setembro de 2014

Citação do dia (172)

"Os governantes não gostam de admitir que o seu poder está limitado por outras leis que não as da física e da biologia. Eles nunca atribuem os seus fracassos e frustrações à violação das leis económicas."
Ludwig von Mises

Leonard Cohen - Almost Like the Blues

Por ocasião do 80º aniversário do extraordinário poeta e cantor, que hoje se celebra, deixo uma belíssima faixa do seu novo álbum de originais que irá ser divulgado no próximo dia 23.

Votos de um excelente domingo.


Letra

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Um forte argumento contra a "reindustrialização"

Entre nós, os apelos à "reindustrialização" tiveram em Álvaro Santos Pereira um dos mais estrénuos defensores (foi a sua principal bandeira enquanto ministro). Pelo que por aí se escreve, parece que o (ainda?) líder do PS também é agora um seu grande defensor. Aliás, em bom rigor, será difícil encontrar alguém que, pelo menos publicamente, discorde desse "desígnio" (Telmo Azevedo Fernandes é uma rara excepção). Por mim, confesso, não ser um adepto do credo muito embora por aqui com frequência se combata o que na prática o estado faz para dificultar, quando não impedir, a actividade empresarial. Particularmente a industrial. Bastará recordar, por exemplo, a assassina política energética adoptada, que não mostra sinais de abrandar, pelo bem sucedido combate contra os preços competitivos da energia. Ou os labirínticos e orwellianos processos que os diferentes "licenciamentos" exigem apesar do nevoeiro da propaganda das iterações "simplex" e dos sucessivos programas de "estímulo e incentivo". Tudo isto encimado por uma regulação opressiva e asfixiante. Um combate activo contra o capital produtivo, pois.

No artigo que se segue (tradução e links da minha responsabilidade), Gary North explica, pacientemente, por que o discurso da "reindustrialização", entendida como a tentativa de aumentar a fatia do sector industrial em % do PIB, não apenas não faz sentido como é contrária ao aumento do bem-estar! Há dias, dei conta de uma notícia que destacava que o volume, em toneladas, de conservas exportadas por empresas portuguesas em 2013, tinha igualado um recorde que datava de 1923. Mas o que devia ser destacado é que esse recorde tinha sido igualado com apenas 5,65% do número de fábricas que havia então (400 contra as actuais 23)!

Afinal, não começou na Escócia, mas a conjugação das leis de Moore e de Meltcalf conjugadas uma quiçá surpreendente lei dos rendimentos acelerados e da impressão 3-D vai atingir em cheio o estado-nação porque irá impôr uma descentralização massiva. E esse movimento, na tese de North, é insusceptível de ser impedido. Apesar dos luditas de turno.

Um excelente fim-de-semana!
12 de Setembro de 2014
Por Gary North

Mercados Livres: Bens Mais Baratos, Maior Riqueza, Melhores Empregos

A questão surgiu num dos fóruns sobre o futuro da produção nos Estados Unidos.

Para iniciar a formulação da resposta, atentemos num gráfico da evolução da manufactura em todo o mundo. A sua trajectória não é apenas característica dos Estados Unidos; é também a da Europa Ocidental, do Japão e do mundo como um todo. Como é visível, o contributo da indústria, em termos percentuais, no total da produção económica, diminuiu marcadamente durante os últimos 40 anos. Se o gráfico abrangesse os 40 anos anteriores, observaríamos a persistência de uma inclinação semelhante. Este é um fenómeno mundial e irreversível que tem acompanhado a expansão do crescimento económico mundial ao terceiro mundo e em especial à Ásia.



Há pessoas que se queixam da redução do peso relativo da indústria no produto interno bruto dos Estados Unidos. Isto acontece devido à total falta de familiaridade dessas pessoas com o fenómeno à escala mundial. Elas não compreendem que o crescimento económico acompanha a redução, em termos relativos, do peso da manufactura numa economia nacional.

O CORAÇÃO DE RIQUEZA MODERNA

O coração da riqueza não está na indústria mas sim no conhecimento aplicado para reduzir a importância da manufactura na economia como um todo, e em aumentar a riqueza das massas através dos serviços. Estes serviços podem ser digitais. Como podem ser pessoais. Mas não se baseiam na actividade industrial.

Radar

Parece que grandes investidores em Inglaterra estão a antecipar que algumas coisas podem acontecer. Ou a entender o que pode - objectivamente - ser uma reserva de valor que atravessa, como poucas, os diferentes tempos históricos. A notícia do Telegraph chama a atenção para a procura de barras de "estilo mafioso", mas também para a duplicação de vendas de moedas de ouro, especialmente as Krugerrands.