Mostrar mensagens com a etiqueta Afeganistão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Afeganistão. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
domingo, 2 de novembro de 2014
A quarta derrota britânica no Afeganistão
Depois da extraordinária herança deixada no Iraque, os Estados Unidos e os seus aliados, obtido um novo "sucesso" politico-militar no Afeganistão, encetam mais uma retirada de tropas, concluída que está, supostamente, a "missão" que justificou o seu envio. Como em outras ocasiões, deixam por lá um contingente de "conselheiros" e "instrutores" para auxiliar a integral assumpção das responsabilidades de segurança pelo exército (?) local. Deixam também uma florescente indústria do ópio (e heroína), droga com presença assídua nas guerras asiáticas em que as potências imperiais ocidentais participaram desde o século XIX até aos dias de hoje. É este o tema do artigo de Eric Margolis que me propus partilhar traduzindo-o. Margolis usa o seu profundo conhecimento no "terreno" da região cruzando-o com o sempre instrutivo e necessário enquadramento da história contemporânea da região.
Por Eric Margolis1 de Novembro de 2014
Ninguém ousa classificá-la como uma derrota
Os últimos soldados britânicos saíram do Afeganistão na semana passada por via aérea, assim marcando o triste fim da quarta invasão falhada do Afeganistão pela Grã-Bretanha. Foram acompanhados pelo último destacamento de fuzileiros navais dos EUA que estava sediado em Helmand.
Eric Margolis
Muito tem feito o Afeganistão por merecer o epíteto de "cemitério de impérios"!
Para ser mais rigoroso, esta honra pertence às tribos pashtuns das montanhas do Afeganistão, que não dobram os seus joelhos perante ninguém e se orgulham do seu espírito guerreiro.
No meu livro, "War at the Top of the World" ["Guerra no Topo do Mundo" - NT], escrevi que os pashtuns eram "os homens mais valentes ao cimo da Terra". Mais tarde, acrescentaria os ferozes tchetchenos àquela fraternidade ilustre.
Os velhos imperialistas desapareceram, mas a ocupação do Afeganistão continua. O novo regime de Cabul, recém-instalado por Washington para substituir o anterior aliado e pouco cooperante Hamid Karzai, apressou-se a assinar um "acordo" que permite aos Estados Unidos manter cerca de 10 mil militares no Afeganistão por mais uns anos. Os seus membros não terão de observar as leis afegãs.
Todavia, há muito mais coisas neste arranjo. As tropas de combate dos EUA, diplomaticamente rotuladas de "instrutores" ou de "forças anti-terroristas", não são suficientemente numerosas para controlar todo o Afeganistão. A sua missão é a de defender o governo fantoche de Cabul do seu próprio povo e a crucialmente importante base aérea americana de Bagram.
domingo, 5 de outubro de 2014
Manifestações em Hong Kong: um caso isolado ou algo de muito mais importante?
Uma leitura interpretativa dos acontecimentos que têm vindo a ocorrer em Hong Kong por parte de Eric Margolis, um jornalista e escritor ferozmente independente e cuja solidez das suas análises se funda numa longa experiência adquirida in situ conjugada com um sólido conhecimento da história dos povos. São estas as razões da frequente presença por aqui sempre que se abordam temas entre o meridiano ocidental do Médio Oriente e o mais a oriente na China. A tradução é, como habitualmente, da minha responsabilidade.
3 de Outubro de 2014
Por Eric Margolis
Hong Kong Está a Ferver – Mas, até Ver, Suavemente
Hong Kong Boiling – But Gently, So Far
Hong Kong vive sob uma fervura suave. No momento em que escrevo, dezenas de milhares de estudantes continuam a manifestar-se de forma polida, exigindo que o chefe do governo nomeado por Pequim, CY Leung, se demita e seja substituído por recurso a eleições livres.
A política poucas vezes faz deflectir a obsessão maníaca de Hong Kong com os negócios e a finança, mas a onda de descontentamento da juventude representa para a China um dos seus maiores desafios de origem popular desde a revolta de Tiananmen em 1989 - que a China insiste nunca ter acontecido.
Eric Margolis
Até agora, o Partido Comunista da China e o seu novo chefe, o “falcão” Xi Jinping, têm-se contido sem recorrer a medidas de repressão dura para travar as manifestações pacíficas. Agora, todavia, os líderes dos protestos ameaçam apoderar-se de edifícios governamentais, a menos que Pequim desista dos planos para escolher o novo governo de Hong Kong em 2017. Este é um desafio directo à autoridade nacional de Pequim.
Considerando que o regime de Pequim é impiedoso no esmagamento dos protestos dos uigures muçulmanos na estratégica província de Xinjiang, a mais a ocidente da China, as exigências de Hong Kong no sentido de conseguir uma verdadeira autonomia e auto-governo surgem num momento particularmente difícil para o Partido Comunista, que está a festejar o seu 65 º aniversário da tomada de poder.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Eric Margolis: Síria - o objectivo último é o Irão
Eric Margolis, escreve que o "Buldózer americano está pronto para começar a rolar" e crê haver fortes razões para supor que o objectivo último é o Irão como aliás Wesley Clark publicamente já tinha deixado nas entrelinhas. A tradução é da minha autoria.
Importante (e inteligente) desenvolvimento de última hora: Rússia pede à Síria para entregar arsenal químico para evitar ataque dos EUA.
Importante (e inteligente) desenvolvimento de última hora: Rússia pede à Síria para entregar arsenal químico para evitar ataque dos EUA.
"Recordando os massacres e destruição durante a guerra da independência da Grécia durante a década de 1820 do Império Otomano, Victor Hugo escreveu na altura: "Os turcos passaram por aqui. Está tudo está em ruínas e todo o mundo está de luto".
Hoje, as nações em ruínas e sob luto são o Iraque, o Sudão, o Afeganistão e, em menor grau, a Líbia, todos desmembrados ou divididos pela força do poderoso Império americano ["American Raj"].
A Síria é claramente o alvo seguinte do buldózer imperial americano. Após dois anos de uma brutal rebelião, armada e financiada pelos EUA e seus aliados regionais, a Síria enfrenta agora a devastação.
A campanha de ataques aéreos e de mísseis irá esmagar a força aérea síria, os tanques, a artilharia e as comunicações. Israel está preparado para esquadrinhar as ruínas da Síria.
Pura comédia negra. Roubando desavergonhadamente a propaganda da administração Bush, a Casa Branca de Obama tem vindo de facto a advertir que as armas químicas sírias (a maioria das suas matérias-primas proveniente da Europa) representam uma ameaça terrível para os Estados Unidos. A Síria adquiriu armas químicas para enfrentar o grande arsenal de armas nucleares de Israel, originalmente fornecidas pela França.
Não actuar equivalerá a um outro apaziguamento à la Munique, adverte Obama. Mas o Congresso dos EUA não podia agir porque ainda estava de férias de Verão.
O presidente Obama até concedeu que não havia urgência em agir. O importante era, segundo declarou, que a "credibilidade" dos Estados Unidos estava em jogo. Os políticos invocam a credibilidade como uma desculpa depois de terem cometido um enorme erro - em especial, as insensatas "linhas vermelhas" de Obama na Síria que encurralaram o presidente num beco [numa box] criado por ele mesmo.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Pat Buchanan: Depois de 58 mil mortos, saímos do Vietname. Quantos americanos mataram os vietnamitas desde que partimos?
É com esta simples pergunta, que roubei para título do post, que termina mais um lúcido artigo de Patrick J. Buchanan - To Stop al-Qaeda, Stop Bombing & Occupying Muslim Lands. A tradução é minha.
ACTUALIZAÇÃO: afinal, parece que a ameaça global terrorista se circunscreve ao Iémen.
Aparentemente, a ameaça é séria e específica.Os Estados Unidos ordenaram o fecho de 22 missões diplomáticas e emitiram um alerta mundial para os cidadãos norte-americanos em viagem.A ameaça vem da Al-Qaeda na Península Arábica (a AQPA), o ramo mais letal da organização terrorista."Depois de Benghazi", disse o senador Lindsey Graham (Republicano, da Carolina do Sul), "esses elementos da Al-Qaeda estão realmente 'sob esteróides' e pensam que nós estamos mais fracos e que eles estão mais fortes. (...)"Eles querem expulsar o Ocidente do Médio Oriente e tomar o poder nesses países muçulmanos e criar uma entidade religiosa à imagem da Al-Qaeda (...) e, se nós alguma vez mordermos o isco e tentarmos voltar para casa e transformar a América numa fortaleza, haverá outros 11 de Setembro."Na momento em que esta coluna for publicada, a América poderá já ter sido atingida. E no entanto, não será já tempo de colocar a Al-Qaeda em perspectiva e examinar se a nossa política no Médio Oriente está a criar mais terroristas do que aqueles que estamos a matar?Em 2010, a América perdeu 15 cidadãos devido ao terrorismo. Treze deles morreram no Afeganistão. O pior ataque resultou no assassinato de seis americanos numa missão médica cristã na província de Badakhshan.E no entanto, em 2010, nem uma morte aqui na América resultou de terrorismo.Naquele ano, porém, 780 mil americanos morreram de doenças cardíacas, 575 mil de cancro, 138 mil de doenças respiratórias, 120 mil em acidentes (35 mil em acidentes de automóvel), 69 mil de diabetes, 40 mil induzidas por drogas, 38 mil por suicídio, 32 mil por doenças do fígado, 25 mil por mortes induzidas pelo álcool, 16 mil por homicídio e 8 mil pelo HIV/SIDA.Será o terrorismo o assassino que mais devemos temer, nele investindo a parte de leão dos nossos recursos de combate?
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Blowback e o império benevolente
O vídeo abaixo, de Agosto de 2011, é mais uma prova da presciência de Ron Paul. É útil recordá-lo após o recente e trágico assassinato do embaixador americano na Líbia.
A sua premonição, ou melhor, o apelo que faz ao senso comum deveria servir de encorajamento a seguir as suas palavras, na declaração que fez divulgar ontem, dia 17 de Setembro, que procurei traduzir ainda que de forma algo apressada:
O ataque ao consulado dos EUA na Líbia e o assassinato do embaixador americano e de vários dos seus assistentes é um outro trágico exemplo de como a nossa política externa intervencionista enfraquece a nossa segurança nacional. Quanto mais os EUA tentam controlar o resto do mundo, seja pela promoção da democracia, seja ajudando governos estrangeiros ou através de bombas, mais acontecimentos ficam fora de controle e resultam no caos, em consequências não-intencionais e em mais tiros pela culatra [blowback].
Infelizmente, o que vimos na Líbia na semana passada, não é nada de novo.
Na década de 1980, no Afeganistão, os EUA apoiaram os radicais islâmicos nos seus esforços para expulsar os invasores militares soviéticos. Estes radicais tornaram-se no que é conhecido como sendo a Al-Qaeda, e os nossos aliados de uma circunstância viraram-se contra nós de forma espectacular em 11 de Setembro de 2001.
O Iraque não tinha uma significativa presença Al-Qaeda antes da invasão dos EUA em 2003, mas a nossa ocupação desse país e a tentativa de o refazer à nossa imagem provocou uma reacção em massa que abriu a porta à Al-Qaeda, causou a morte de milhares de soldados norte-americanos, um país destruído e uma instabilidade que não mostra sinais de diminuir.
Na Líbia, trabalhámos com, entre outros, os rebeldes do Grupo de Combate da Líbia (LIFG), que incluia elementos estrangeiros da Al-Qaeda. Tem sido apontado que os radicais afiliados da Al-Qaeda que combatemos no Iraque foram alguns dos mesmos grupos com quem trabalhámos para derrubar Khadafi na Líbia. No ano passado, numa entrevista à televisão, previ que o resultado do bombardeamento da NATO na Líbia seria provavelmente um aumento da presença da Al-Qaeda no país. Disse, na altura, que poderíamos estar a entregar à Al-Qaeda um outro prémio.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Como sair do Afeganistão?
Esta é a pergunta que William S. Lind formula num artigo na American Conservative. Creio que a seguinte passagem se virá a revelar, a seu tempo, presciente:
«The most that can now be attained in Afghanistan is a quiet defeat. That was what we got in Iraq, and it would look much the same in Afghanistan. An Afghan government, probably a coalition, would last for a while after we got out. We would leave on what we could claim was our own timetable, more or less. Afghanistan would not be a real state, just as Iraq is not a real state; in both cases, most of the security forces give their loyalty to entities other than the government. But by the time both disintegrate, the American public’s attention will have moved on to other things. That is how quiet defeat works.»
domingo, 25 de março de 2012
A guerra interminável
Entrevistado por Bill Moyers, Andrew J. Bacevich, a quem já me referi em "Perseguindo a paz perpétua através da perpétua guerra" a propósito do seu esplêndido Washington Rules, explana a tese segundo a qual as recentes administrações americanas enveredaram pela guerra permanente - literalmente, sem fim - ainda que, com Obama, tenha entrado em vigor o recurso, crescente, à "Opção C"1: o recurso ao assassinato selectivo, à escala mundial, sem qualquer escrutínio público ou autorização prévia por parte do Congresso, se necessário for mesmo sobre cidadãos americanos, recorrendo aos drones e às special ops, mandando às urtigas quaisquer considerações pelo respeito pela soberania dos países onde essas operações possam ocorrer. Uma interessantíssima entrevista quando os tambores de guerra voltam a rufar relativamente ao Irão.
1Na análise de Bacevich, o "Plano A", sob a administração Bush, consistiu na aplicação da doutrina do "Shock and Awe" no Iraque. Quando esta falhou, seguiu-se o "Plano B" - "The Surge" - que já apenas pretendia limitar os efeitos da temível insurgência no Iraque. Posteriormente, já sob Obama, foi também aplicado no Afeganistão, com o "sucesso" conhecido.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Ver o Afeganistão pelo retrovisor
Philip Giraldi escreve, em Afghanistan in the Rear View Mirror:
I supported the initial US intervention in Afghanistan because it was a terrorist haven from which we were attacked and I was, in fact, one of the first CIA officers to arrive in the country after the Taliban fell. We should have then stabilized the situation insofar as possible, installed a puppet, and left. No one will be able to straighten out Afghanistan but the Afghans, if it can be done at all. And that is their problem because, after all, it is their country. The recent killings demonstrate that it is not a question of leaving Afghanistan in 2013, or 2014, or even 2020 as some generals would prefer. We should have left a long time ago and spared the thousands of killed in action US and Allied troops as well as the tens of thousands of Afghans who have died in a war that is not only the longest in US history but also completely pointless and unwinnable.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



