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domingo, 18 de agosto de 2013

A situação no Egipto: da Primavera ao Inverno Árabe

Eric Margolis, jornalista, comentador e também autor de vários livros sobre o Islão, o Médio Oriente ou o conflito Indo-Paquistanês sobre Caxemira,  assina o artigo Storm on the Nile ("Tempestade no Nilo") que, a meu ver, enquadra e explica de forma sucinta mas correcta (bem diferente da "narrativa" que os media de "referência" proporcionam) os trágicos acontecimentos que estão a ocorrer no Egipto, a responsabilidade das sucessivas administrações norte-americanas e, em particular, da actual e das suas tergiversações. Profetiza também o que me parece ser muito provável: o regresso ao mubarakismo onde o principal intérprete será agora o general al-Sissi.

A tradução do artigo de Eric Margolis é da minha responsabilidade. O título do post também foi roubado ao autor.

ACTUALIZAÇÃO: Advogado diz que Mubarak deve ser libertado esta semana
As Forças Armadas do Egipto, financiadas pelos EUA, entraram em guerra contra o povo do Egipto. A Primavera Árabe transformou-se no Inverno Árabe.

Até ao momento, o exército e a polícia de segurança conseguiram brilhantes vitórias no campo de batalha contra homens desarmados, mulheres e crianças, matando e ferindo milhares que exigiam um retorno ao governo democrático.

Os mais recentes protestos, levados a cabo no Cairo por apoiantes do governo eleito de Morsi, foram dispersados por tiros e enormes buldózeres blindados semelhantes aos veículos gigantes usados por Israel para esmagar as barricadas e os manifestantes palestinianos. Todos os egípcios que se opõem à ditadura de Sissi são agora, oficialmente, "terroristas".

Os generais do Egipto e os apoiantes da direita dura mubarakista já abandonaram qualquer pretensão de que existe um governo civil e dependem agora das baionetas e dos tanques. Os homens que detêm as armas fazem as regras.

Este é o terceiro governo árabe, resultante de eleições razoavelmente justas, a ser derrubado ou sitiado, como em Gaza, por regimes militares apoiados pelo Ocidente. Ao contrário do que sucedeu na Argélia, onde o primeiro governo eleito foi esmagado, os islamistas do Egipto não têm armas e é improvável que sejam capazes de organizar uma resistência interna séria para além de algumas alfinetadas no Alto Egipto e no Sinai.

A sangrenta contra-revolução mubarakista, financiada pela Arábia Saudita e por outras monarquias do Golfo, colocou os Estados Unidos, o patrono do Egipto, numa séria embrulhada. Washington foi forçada a denunciar o golpe e a repressão estatal em curso como "deplorável", nas palavras do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

No entanto, semanas antes, o evidentemente confuso Kerry tinha elogiado o golpe que derrubou o primeiro governo democraticamente eleito do Egipto falando da "restauração da democracia". Ele recusou-se a classificar o putsch militar como um golpe de estado, pois isso significaria cortar os 1,3 mil milhões de dólares anuais em pagamentos dos Estados Unidos às forças armadas do Egipto, um importante aliado dos EUA. O presidente Obama limitou-se a evitar toda esta questão.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pat Buchanan: Depois de 58 mil mortos, saímos do Vietname. Quantos americanos mataram os vietnamitas desde que partimos?

É com esta simples pergunta, que roubei para título do post, que termina mais um lúcido artigo de Patrick J. Buchanan - To Stop al-Qaeda, Stop Bombing & Occupying Muslim Lands. A tradução é minha.

ACTUALIZAÇÃO: afinal, parece que a ameaça global terrorista se circunscreve ao Iémen.
Aparentemente, a ameaça é séria e específica.

Os Estados Unidos ordenaram o fecho de 22 missões diplomáticas e emitiram um alerta mundial para os cidadãos norte-americanos em viagem.

A ameaça vem da Al-Qaeda na Península Arábica (a AQPA), o ramo mais letal da organização terrorista.

"Depois de Benghazi", disse o senador Lindsey Graham (Republicano, da Carolina do Sul), "esses elementos da Al-Qaeda estão realmente 'sob esteróides' e pensam que nós estamos mais fracos e que eles estão mais fortes. (...)

"Eles querem expulsar o Ocidente do Médio Oriente e tomar o poder nesses países muçulmanos e criar uma entidade religiosa à imagem da Al-Qaeda (...) e, se nós alguma vez mordermos o isco e tentarmos voltar para casa e transformar a América numa fortaleza, haverá outros 11 de Setembro."

Na momento em que esta coluna for publicada, a América poderá já ter sido atingida. E no entanto, não será já tempo de colocar a Al-Qaeda em perspectiva e examinar se a nossa política no Médio Oriente está a criar mais terroristas do que aqueles que estamos a matar?

Em 2010, a América perdeu 15 cidadãos devido ao terrorismo. Treze deles morreram no Afeganistão. O pior ataque resultou no assassinato de seis americanos numa missão médica cristã na província de Badakhshan.

E no entanto, em 2010, nem uma morte aqui na América resultou de terrorismo.

Naquele ano, porém, 780 mil americanos morreram de doenças cardíacas, 575 mil de cancro, 138 mil de doenças respiratórias, 120 mil em acidentes (35 mil em acidentes de automóvel), 69 mil de diabetes, 40 mil induzidas por drogas, 38 mil por suicídio, 32 mil por doenças do fígado, 25 mil por mortes induzidas pelo álcool, 16 mil por homicídio e 8 mil pelo HIV/SIDA.

Será o terrorismo o assassino que mais devemos temer, nele investindo a parte de leão dos nossos recursos de combate?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Interesses vitais vs ideais democráticos

Para os que elevam o regime democrático como a descoberta do Santo Graal e, portanto, do "Fim da História", os recentes acontecimentos no Egipto (como antes com a Autoridade Palestina ou ainda com a catástrofe da Argélia de 1991, para já não falar dos resultados "incorrectos" de vários referendos no processo de "construção europeia") são perturbadores.Neste texto Patrick J. Buchanan proporciona uma viagem ao devir histórico dos EUA para concluir que não cabe aos EUA a defesa e a promoção universal do "democratismo". Pelo contrário, finda que foi a Guerra Fria (há 20 anos) e não havendo interesse vital dos EUA a preservar, defende caber aos países Árabes a resolução dos seus próprios problemas - no Egipto como na Síria, no Iraque como no Líbano.

No seu texto, Buchanan evoca a "Boa Guerra" de 1941-1945 como exemplo de uma intervenção americana implícita e moralmente justificável fora do seu território. Todavia não escrutina as consequências não-intencionais do voluntarismo wilsoniano, entre as quais, nomeadamente, a ascensão dos comunistas ao poder na Rússia, ou a "ferida aberta" pelo Tratado de Versalhes A tradução do texto é minha.
"Compreensivelmente, a Irmandade Muçulmana está enfurecida.

Depois de ter ganho a presidência do Egipto em eleições livres e justas após o derrube de Hosni Mubarak, o presidente Mohammed Morsi foi deposto por um golpe militar e colocado sob prisão domiciliária.

Os líderes da Irmandade, sem que tenham sido condenados por quaisquer crimes, estão a ser circunscritos em redis.

Eles jogaram pelas regras da América. Agora, com a bênção da América, estão a ser presos pelos amigos da América nas forças armadas egípcias.

Não que esta seja a primeira traição percebida. Quando o Hamas venceu as eleições livres exigidas por George W. Bush, a América recusou-se a reconhecer a sua legitimidade e conspirou para a queda violenta do Hamas em Gaza.

Quando os islamitas ganharam a primeira volta das eleições argelinas em 1991, o regime, com a bênção de Bush I, cancelou a segunda volta, o que levou a uma guerra de guerrilha que custou entre 100 e 200 mil mortos.

Se os muçulmanos passaram entretanto a crer que os americanos pregadores pela democracia não passam de charlatães e hipócritas, não terão eles alguma razão?

A política externa dos EUA pareceu em tempos fazer sentido. Nós púnhamos os interesses vitais à frente da ideologia "democratista". Éramos por aqueles que eram por nós. Nós não gastávamos tempo a inspeccionar as credenciais morais daqueles que ficavam do lado da América. Nós jogávamos com as cartas que nos calhavam em sorte neste mundo.

O general Washington dançou quando soube que Luís XVI, um descendente do Rei Sol, apoiaria a causa da América contra a nossa mãe pátria [o Reino Unido].

Em 1917, Woodrow Wilson conduziu-nos à guerra "para tornar o mundo seguro para a democracia" enquanto potência associada de cinco impérios - o britânico, o francês, o italiano, o russo e o japonês. No fim da guerra, Wilson assinou tratados que levaram à pilhagem das terras e colónias dos três impérios derrotados, em benefício dos impérios vitoriosos.

sábado, 29 de setembro de 2012

Da Primavera Árabe ao Inverno Ocidental

O Juíz Andrew Napolitano assina um artigo na Reason sob o título The Arab Spring Becomes a Western Winter (tradução minha):
Está o Médio Oriente árabe pronto para a democracia? Sabemos como os dois últimos presidentes americanos responderam a esta pergunta.

O objectivo declarado e revisto por trás das invasões do Afeganistão e do Iraque pelo presidente George W. Bush foi o da construção de uma nova ordem mundial, impondo a democracia a populações que lhe eram inteiramente estranhas. O propósito original anunciado para invadir o Afeganistão era destruir as pessoas que forneceram abrigo aos agressores do 11/9, e o propósito original anunciado para invadir o Iraque foi o de nos livrarmos de um governo que possuía e poderia usar armas de destruição maciça.

Mas quando soubemos que o apoio efectivo para os ataques do 11/9 veio de pessoas protegidas pelos nossos supostos amigos na Arábia Saudita, e quando soubemos que as únicas armas de destruição maciça na posse do Iraque eram as que os EUA venderam a Saddam Hussein, em meados dos anos 1980, que ele já não possuía, a administração Bush mudou a retórica, mas não a violência ou o seu custo.

Uma vez que o termo dessas guerras surgiu após a instalação de regimes fantoches em ambos os países, e atendendo a que esses regimes reivindicam agora legitimidade porque foram eleitos pelo povo que foi autorizado a votar, temo-nos recordado que a democracia é mais do que o resultado de uma maioria de votos. É o respeito pelo primado do direito e do reconhecimento dos direitos inalienáveis ​​do indivíduo. Não é a tortura, as execuções extra-judiciais, ou a violação sancionada pelo governo e a supressão legal de mulheres e meninas; não é o ódio e a perseguição racial, religiosa e étnica; e não é a lei da força das turbas nas ruas.

Quando o Egipto estava num turbilhão há um ano atrás, o presidente Obama empurrou Hosni Mubarak para fora da cadeira. Ele era a marionete americana de longa data e o homem-forte egípcio que se chamava a si mesmo de presidente, mas que nunca foi realmente eleito. A sua queda foi seguida por uma ditadura militar de curta duração, a que se seguiu a eleição popular de radicais islâmicos para o governo. Eles odeiam o Ocidente, os EUA e Israel.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Primavera Árabe complica-se para os EUA

Pat Buchanan, na sequência do cerco às embaixadas americanas e do assassínio do embaixador americano na Líbia, pergunta: Time To Come Home? A tradução é de minha responsabilidade.
Não terá passado já suficientemente tempo para fazer uma análise custo-benefício do nosso envolvimento no Médio e Próximo Oriente?

Contando apenas este breve século, foi lá que travámos as duas mais longas guerras de nossa história, que colocámos a nossa autoridade moral por trás de uma "Primavera Árabe"que derrubou aliados na Tunísia, no Egipto e no Iémen, e que fornecemos o poder aéreo que salvou Benghazi e derrubou Muammar Khadafi.

Contudo, esta semana, as embaixadas dos EUA estiveram sob cerco na Tunísia, no Egipto e no Iémen, e diplomatas norte-americanos foram massacrados em Benghazi.

O custo das nossas duas guerras é de 6.500 mortos, 40.000 feridos e 2.000 milhões de dólares que foram empilhados sobre uma dívida nacional que é de 16 milhões de milhões de dólares, maior do que toda a economia dos EUA. E o que é que, em nome de Deus, temos nós para mostrar em troca?

Enfrentamos o ódio pandémico sobre o nosso país de Marrocos ao Paquistão. A visão de bandeiras americanas a serem rasgadas em pedaços e queimadas por turbas tornou-se tão comum por lá que quase parece que nos acostumámos a ela.

Quais são as raízes deste ódio árabe e islâmico?

Osama bin Laden, na sua declaração de guerra contra nós, deu três razões para o seu casus belli.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Será al-Zahawri, afinal, também um defensor da liberdade?

Suponho que dependa do contexto... pois é certamente embaraçoso, como já foi (e é) na Líbia, estar do mesmo lado da barricada do ocupado pelo líder da al-Qaeda na Síria, como confirmou hoje a BBC. Enfim. Não está (ainda) disponível o vídeo. Mas não deverá ser muito diferente daquele divulgado pelo Guardian, em Julho último e agora reproduzo (legendas em inglês):

A verdade não pode resumir-se àquilo que se vê ou lê

Via LRC, estive a ler o relatório do responsável pelo Chefe da Missão de Observação que a Liga Árabe enviou à Síria no período entre 24 de Dezembro de 2011 a 18 de Janeiro de 2012 e devo dizer, secundando Daniel McAdams,  que também não recordo que os jornais e as televisões tenham feito eco de pelo menos algumas das suas mais relevantes constatações (pontos 26 a 29 na página 4 do relatório). Isto em muito reforçou a minha suspeita de existência de "assimetria informativa" relativamente aos acontecimentos do último ano na Síria. Como se escreve aqui, "[h]iding behind the rubric - "we are not able to verify these statistics" - the lack of integrity in reporting by the Western mainstream media has been starkly apparent since the onset of events in Syria. A decade after the Iraq war, it would seem that no lessons from 2003 - from the demonization of Saddam Hussein and his purported weapons of mass destruction - have been learnt".

Não que os al-Assad e o partido Baath, que impuseram aos sírios um estado de emergência permanente desde 1963(!), mereçam qualquer tipo de simpatia. Porém, há que ter atenção, como há dias o Público noticiava, que Bashar al-Assad tem também (ainda?) muitos adeptos (como se viu aquando da chegada do ministro russo dos Negócios Estrangeiros a Damasco, russos que têm particulares interesses estratégicos na Síria, nomeadamente uma grande base naval militar, a base de Tartus). As razões dos que pretendem fazer cair o regime sírio podem ser - e sê-lo-ão certamente - as mais diversas, tal como as consequências da sua queda. Recordem-se as palavras de Camille Otrakji, um blogger nascido em Damasco, citado pelo New York Times:
«Why do you think there aren’t millions in the street demonstrating against Bashar? It’s not because they’re afraid of the security forces. It’s because they’re afraid of what would replace Assad.»
É mais ou menos a mesmo ideia que Patrick J. Buchanan evocava quando perguntava: Quando os ditadores caem, quem se levanta?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A suprema hipocrisia do imperialismo

"America doesn't have friends, America only has interests" - Henry Kissinger
«(...) Por inúmeras razões estratégicas e históricas, nenhum governo americano interveio militarmente em países como a Argélia, Jordânia, Iémen em defesa dos direitos humanos. Na Arábia Saudita, um aliado de longa data dos EUA, os homossexuais, os apóstatas e traficantes de drogas podem ser condenados à morte, às vezes por decapitação. Em casos extremos, o corpo do condenado é crucificado em público. E no entanto, o mesmo governo dos EUA que proporciona um apoio inabalável ao reino saudita liderou, nos bastidores, uma intervenção na Líbia para impedir um suposto massacre em Benghazi. No vizinho Egipto, entretanto, o governo dos EUA, durante 29 anos, incensou o ex-presidente Hosni Mubarak com elogios, apesar do seu recurso generalizado à tortura e à repressão sistemática de presos políticos. Washington também continua a apoiar e armar o regime no Bahrein que, deliberadamente, mata manifestantes desarmados e oprime seu povo.

Promover os direitos humanos na Líbia ao mesmo tempo que se apoia algumas das tiranias mais abomináveis ​​do mundo pode reflectir as preferências geopolíticas da América, mas mais não faz que parodiar o discurso da defesa dos direitos humanos revelando uma discrepância enorme entre o que a América pretende estar a fazer e o que realmente faz. Por mais que Obama e os seus defensores pretendam pavonear-se promovendo o seu triunfo sobre Muammar Kadhafi, os povos do Médio Oriente e em todo o mundo estão bem conscientes dessa discrepância. Tais políticas não só são abomináveis, mas também prejudiciais a longo prazo para os os interesses dos Estados Unidos (...)»

Of Qaddafi and Kim Kardashian, por Malou Innocent (tradução minha)

domingo, 25 de setembro de 2011

Primaveras árabes

A Primavera é, especialmente para aqueles atreitos a alergias, uma estação do ano perigosa. Há uns quinze dias atrás, chamava a atenção para o nosso total desconhecimento sobre a homónima Árabe. Esta notícia, creio, dá uma ideia para onde caminha a da Líbia (grato à Helena Matos pela chamada de atenção).

Forças de segurança iemenitas voltam a disparar contra manifestantes. Um exemplo de uma Primavera, digamos, invernosa (talvez afectada pelas alterações climáticas (ex-aquecimento global)).

Para terminar, uma Primavera de género: Rei da Arábia Saudita anuncia direito de voto às mulheres.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pat Buchanan sobre Israel

Aconselho a leitura integral de Is the Window Closing on Israel?
[T]oday Israel is more isolated than she has ever been, and the prospects are bleak that she can break out of this isolation.

Hamas rules Gaza. Hezbollah rules Lebanon. The Turks have turned hostile. The Palestinian Authority has given up on Barack Obama and is demanding a state from the Security Council and U.N. General Assembly. Israel’s partner in Egypt, Hosni Mubarak, is gone. The Israeli embassy in Cairo has been sacked. Mobs in Amman have sought to do the same.

George W. Bush was persuaded by neocons that an invasion of Iraq would start the dominoes of Arab tyranny falling and usher in an era of pro-Western democracies in the region.

Not quite. The Arab Spring that followed the U.S. invasion by a decade is bringing down the despots but also unleashing the demons of ethnonationalism and Islamic fundamentalism that are anti-American and anti-Zionist.

Israel’s great patron, America, is in retreat from the region, with her army in Iraq home by year’s end and her autocratic allies down in Egypt and Tunisia and tottering in Bahrain and Yemen.

By 2050, Palestinians west of the Jordan will outnumber Israelis two to one. Syria, Jordan and Egypt, which had 40 million people at the time of the Six-Day War, will have 170 million. Militarily, Israel remains dominant, but neither time nor demography seems to be on her side.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A queda de Khadafi e o futuro da Líbia

Algumas questões importantes sobre o futuro da Líbia, por Brian  Beyer:
If Gaddafi is captured, will the NATO enforced no-fly-zone cease?

If Gaddafi is captured, will he be given a fair trial and brought to justice, or will he be executed and disposed of in the sea so as to “honor Muslim tradition?”

As the prospect of sectarian strife and civil war still looms large in a post Gaddafi world, will American and NATO forces continue to be involved?

Will boots of any sort be deployed on the ground?

How do we, the westerners, win this “intervention?”

Who will get all of the Gaddafi loot and frozen assets?

Just who is the Libyan Transnational Council?

Why is the TNC already being recognized as Libya’s rightful representative, despite the lack of the idolized democratic process?

How connected and intertwined is the TNC with the Gaddafi regime, especially considering many members defected?

Are the defectors mere opportunists, fearful of an Iraq style scenario, or did they reform their ways once they realized Gaddafi brutality?

Has the Libyan security apparatus already been handpicked and groomed by Western forces, full of former Gaddafi loyalists?

Will the United Arab Emirates really employ a force of ten thousand troops in Tripoli to prevent the “revolution” from collapsing?

Who makes up the ragtag collective of rebels?

Al-Qaeda, as some say?

Islamists?

Secularists?

Freedom loving youth?

Will Libya quickly turn towards Iraq chaos?

Will the Libyan people actually achieve a freedom agenda?

Or will it all be a farce like in Egypt?

Leitura complementar: Will the Collapse of the Syrian Government Result in the Rise of a Iran-Iraq Power Block?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

No Iémen também não vai mal, não senhor

US makes a drone attack a day in Yemen, nas duas últimas semanas.
Abdullah Luqman, the deputy governor of Abyan, said he is worried that the US is treating Abyan like a board game, where it continues playing, not worrying if the deaths are terrorists or civilians. "These are the lives of innocent people being killed. At least 130 people have been killed in the last two week by US drones." Mr Luqman said.

Tudo a correr pelo melhor no Iraque

Como o gráfico abaixo bem ilusta:

Clicar para ver melhor
Via Antiwar

Wikileaks: Petróleo, Khadafi e guerra "humanitária"

Apesar das fúrias anti-Wikileaks de alguns  (por exemplo, aqui e mais recentemente aqui)  e da mortandade, próxima do Apocalipse, que se abateu sobre os exércitos e  espiões americanos, o fim do papel das embaixadas e do pessoal diplomático (sem ou com aspas) e, genericamente, das agruras da política externa americana traduzidas aliás na extraordinariamente moderada intervenção em cinco - apenas cinco - guerras em simultâneo, convém ir ouvindo opiniões diversas. Por exemplo, os recentemente divulgados telegramas sobre a indústria petrolífera ocidental e um tal de Khadafi que me parecem muito curiosos:

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Síria e a dinastia corrupta dos Assad

Esta semana, o presidente sírio, Bashar al-Assad, resolveu levantar o estado de emergência vigente no país, ininterruptamente, desde 1963(!) tentando dessa forma libertar alguma da pressão política acumulada e diminuir a vontade de participação nas manifestações anunciadas para hoje. As notícias que vão chegando, evidenciam, pelo contrário, que se terá atingido antes um pico de confrontação entre manifestantes e as forças policiais de que terão resultado dezenas de vítimas das quais 25 mortos, elevando-se assim para 220 o número de vítimas mortais desde que os protestos começaram há seis semanas atrás, segundo o Guardian.

Como os casos da Tunísia, Egipto, Líbia, Jordânia, Barhein e Yémen têm abundantemente mostrado, se é verdade que a revolta contra o status quo mobiliza vários sectores dos respectivos países entre os quais forças democráticas, não há garantia alguma que dos novos "equilíbrios" políticos subsequentes resultem necessariamente regimes mais benignos que os derrubados.

«Why do you think there aren’t millions in the street demonstrating against Bashar? It’s not because they’re afraid of the security forces. It’s because they’re afraid of what would replace Assad.» 

domingo, 27 de março de 2011

Estou a aguardar pela próxima zona de exclusão aérea

Aviso: o video tem imagens de sangue explícitas a partir do 1'56''. O upload ocorreu ontem e o título que lhe atribuíram foi: SYRIA DEMONSTRATION - BASHAR ASAD ARMY AND IRANIANS SHOOT US, UNITED STATES PLEASE

quarta-feira, 23 de março de 2011

Síria: 48 anos em estado de emergência

A polícia continua a raptar pessoas em plena rua como o clip abaixo demonstra filmado ontem mesmo. Entretanto, continuam relatos de pessoas mortas aquando de manifestações contra o regime.

terça-feira, 22 de março de 2011

Chegou a vez do Iémen

Imagem retirada daqui
Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no poder (12 dos quais como presidente do Iémen do Norte) tem sido um considerado pelos Estados Unidos como um aliado vital contra a crescente presença da Al-Quaeda no país. Porém, a repressão brutal, que já causou largas dezenas de mortos, que tem exercido sobre os manifestantes que há semanas pedem a sua saída no poder tem levado à deserção crescente de importantes figuras do regime que agora se colocam ao lado dos insurgentes.

O ministro dos negócios estrangeiros francês, Alain Juppé, disse ontem em Bruxelas que a saída de Saleh é agora "inevitável".