Mostrar mensagens com a etiqueta Petróleo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Petróleo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de abril de 2016

Novos indisciplinados?


Muita tinta se tem dedicado à condução da realidade económica global. Isso é particularmente evidente na contenção e reorientação dos movimentos do preço do petróleo. 
Como em outros tempos, o número de intervenientes no jogo global a este respeito aumentou com o recente descongelamento do Irão. Se a isso juntarmos uma encruzilhada muito congestionada na Ásia emergente, então o desenrolar da peça fica mais congestionado. De mais difícil antecipação.
E o Irão a reorganizar as dinâmicas das alianças dos seus inimigos, juntando do outro lado da mesa um estranho grupo - Venezuela, EUA e Arábia Saudita (só para citar alguns). 
Delicioso. E pedagógico.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Radar

Sem nenhuma relação com o Entrudo e as partidas que por estas alturas se pregam, a realidade mostra-nos a sua dinâmica. Especialmente, a natureza da sua dinâmica.
À consideração dos nossos leitores:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Dinâmicas do mercado petrolífero

A transversalidade das causas do presente mercado

Nos dezassete minutos do vídeo que aqui se propõe, Marin Katusa (Chief Energy Investment Strategist na Casey Reasearch) articula as causas e as presentes dinâmicas no mercado petrolífero. Não estranhemos que a política do "Grande Jogo" esteja a operar como uma das mais relevantes causas para as alterações de preço para tão importante recurso.
Relativamente ao futuro, não obstante os discursos de entorse perceptiva que as eleições sempre intensificam, nos próximos dois anos assistiremos, segundo Katusa, a modificações relevantes no panorama e estrutura do mercado petrolífero. Especialmente aquela que resultou do crescimento da produção americana através do "fracking". E, claro, levando em consideração também as recentes intenções asiáticas (BRICS e AIIB).
Mais uma dimensão em que o ritmo está a aumentar. Mas a caminho de quê?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Como lidar com os génios da lâmpada iranianos?

Com a recusa do Reza Khan em adoptar um estatuto de país "neutral" colaborante para com os Aliados durante a II Guerra Mundial, britânicos e soviéticos invadiram o Irão em Agosto de 1941. A ideia era tomar o controlo do que ficou conhecido como o "Corredor Persa", servido pela linha de caminho-de-ferro trans-iraniana, ligando o Golfo Pérsico ao Mar Cáspio. O xá foi obrigado a abdicar em favor do seu filho Mohammad Reza Pahlavi cuja atitude foi bem mais colaborante (declararia guerra à Alemanha em Setembro de 1943). Ficava assim assegurada uma rota para o fornecimento de petróleo à Grã-Bretanha e para o abastecimento, especialmente de armas, à União Soviética. A interferência estrangeira no país, incessante pelo menos desde o início do século XX, ajudou a propagar os sentimentos nacionalistas, em particular, a percepção de uma grande injustiça na partilha dos lucros da exploração do seu principal recurso natural - o petróleo - dominada por interesses britânicos na então designada Companhia Anglo-Iraniana do Petróleo. Os britânicos recusaram ceder uma partilha a 50%-50% (como então acontecia no reino saudita) e, em Março de 1951, as duas câmaras do congresso iraniano decretaram a nacionalização do sector. No mês seguinte, o muito popular Mohammad Mossadegh, que tinha tido um importante papel naquela decisão no parlamento, foi eleito primeiro-ministro e empossado pelo xá. Os britânicos, entretanto, vendo os seus interesses afectados viriam a pedir ajuda aos "primos", que não se fizeram rogados. As autoridades americanas, onde então pontificavam os dois irmãos Dulles (John Foster, secretário de Estado e Allen, director da CIA) sob Eisenhower, meteram mãos à obra (após um primeiro sucesso na Guatemala) e, em seguida a uma primeira tentativa falhada, à segunda dar-se-ia o sucesso da "Operação AJAX", como a própria CIA iria reconhecer em documentos desclassificados em 2013. Pela sua "intermediação", os EUA reservaram para as suas petrolíferas 40% da "nova" Companhia Nacional Iraniana dos Petróleos, restando 40% para as britânicas (a BP nasceria nesta altura) e 20% para outras companhias europeias. Mossadegh tinha sido por sua vez sido deposto num golpe (Agosto de 1953) e detido em prisão domiciilária até ao fim dos seus dias. Os britânicos aperceberam-se tarde demais que teriam feito melhor em ter aceitado o que lhes tinha sido proposto inicialmente. Seguiram-se 26 anos tirânicos de "modernização dirigida" (com a segurança possibilitada pela selvática SAVAK) segundo, assim  se alegava, os padrões ocidentais. Quando, na sequência da Revolução Islâmica de 1979, o xá foge do país, ninguém o quer receber de bom grado, nem sequer os EUA. Em paralelo, decorria a crise dos reféns americanos (que, provavelmente, ditou o desfecho da disputa ente Jimmy Carter e Ronald Reagan negando ao primeiro o segundo mandato). Em 1980, o Iraque invade o Irão assim se iniciando uma longa carnificina que duraria oito anos. Os americanos intervieram abertamente ao lado de Saddam Hussein ao longo de toda a guerra. Esta terminaria em Agosto de 1988, inconclusiva. Em Julho desse mesmo ano, o navio americano Vincennes derrubou (acidentalmente, crê-se) com um míssil um avião civil iraniano tendo daí resultado a morte dos seus 290 ocupantes. George H. Bush declararia na altura: "Eu nunca pedirei desculpa pelos Estados Unidos. Nunca. Não quero saber dos factos para nada."

Já vai longa a introdução, mas pareceu-me relevante dar algum contexto histórico prévio, porventura menos conhecido por alguns leitores, ao artigo de Eric Margolis cuja leitura vos proponho hoje. Um artigo cujo conteúdo se afasta em muito da narrativa incessantemente "martelada" pelos media convencionais.
11 de Abril de 2015
Por Eric Margolis


O acordo alcançado em Lausanne, na Suíça, pelo Irão e cinco potências lideradas pelos EUA, aparenta dizer respeito à capacidade nuclear.

Eric Margolis
Na verdade, o tema real em questão não foi o das armas nucleares, que o Irão não possui, mas antes o potencial poder geopolítico do Irão.

O Irão, um país de 80,8 milhões de habitantes, foi, como o génio da história, fechado numa lâmpada pelas sanções impostas por uma coligação liderada pelos EUA desde a revolução islâmica de 1979, que depôs o corrupto regime monárquico de Reza Pahlavi. O Xá tinha sido devidamente instruído para ser o guardião dos EUA no Golfo.

Mais de uma dúzia de tentativas americanas para derrubar o governo islâmico em Teerão redundaram num fracasso. Washington recorreu à sabotagem e à guerra económica, tentou estrangular as principais exportações do Irão, petróleo e gás, desestabilizar o seu sistema bancário, e impedir as importações do que quer que fosse, de máquinas a vitaminas.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Energia: o que devemos temer é o "pico estatal", não o "pico do petróleo"

Inicio com este post a "penitência" a que me impus aqui. A oportunidade surgiu ao ter-me deparado com o artigo de Robert Murphy que me propus partilhar hoje com os leitores (minha tradução). Trata-se, uma vez mais, de desmistificar o sucessivamente anunciado, e sempre adiado, "esgotamento" dos combustíveis fósseis o que, recorde-se, constitui um dos pilares da argumentação em favor das energias "renováveis" e da urgência da sua adopção. Ora, atravessamos precisamente à escala mundial mais um período em que os recursos petrolíferos, medidos pelas quantidades produzidas e pelas reservas conhecidas, não apenas não diminuem como não cessam de aumentar. E a revolução do shale não saiu ainda sequer dos EUA (nem o Irão a disponibilizar ao mercado todo o seu potencial)! A mente humana é um instrumento extraordinário de criação de riqueza e recursos, esses sim inesgotáveis. Assim os governantes não a cerceiem totalmente pela continuação da espiral  aparentemente insaciável do esbulho fiscal e regulatório. Uma última nota para a informação que o Engº Henrique Gomes disponibilizou recentemente: o défice tarifário, projectado para 5.080 milhões € pela ERSE para 2015, já vai em 5.400 milhões.

ACTUALIZAÇÃO: A talhe de foice.
8 de Abril de 2015
Por Robert P. Murphy


Robert P. Murphy
Independentemente da existência de várias versões da teoria do "pico do petróleo", durante décadas esta acumulou hossanas porque se revelou correcta no caso dos EUA. Especificamente, o geofísico M. King Hubbert publicou uma teoria da exploração dos campos petrolíferos em 1956 onde se previa que a produção total de petróleo nos EUA fosse atingir o seu "pico" cerca de 1971 (o mais tardar), declinando a partir daí. Hubbert previu também que o mundo assistiria a um declínio na produção total de petróleo por volta de 2006. Hubbert estava errado relativamente ao mundo. Mas, durante algum tempo, parecia ter acertado em cheio quanto aos EUA. Porém, o desenvolvimento dos recursos em formações xistosas (shale), e a expansão na utilização do "fracking" e da perfuração horizontal nos Estados Unidos nos últimos anos, mostram que o "pico do petróleo" já nem sequer se aplica à que chegou a ser a sua história de sucesso.

O gráfico abaixo é o mais recente da Administração de Informação de Energia (EIA) que mostra a história da produção mensal decrude dos EUA:



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quem irá dominar o mercado do petróleo?

Tem-se escrito profusamente nestes últimos meses acerca das razões que explicam o porquê da vertiginosa queda nas cotações do petróleo nos últimos meses. Abundam, em particular, interpretações conspiratórias ligadas à geopolítica e a estratégias predadoras tendentes a expulsar do mercado os produtores economicamente menos eficientes. Eu talvez esteja enganado mas, pelo menos desta vez, creio que os factores predominantes conjunturais remetem para a actuação das tão desprezadas leis da procura e da oferta. É também essa a opinião de Daniel Yergin, uma das maiores autoridades mundiais em matéria energética, no artigo que publicou recentemente no New York Times e que me propus traduzir. É ainda com um certo gozo, partilhado com Jeffrey Tucker e postumamente com Julian Simon que contemplo mais uma vez em perspectiva as análises das publicações de "referência" como a que se ilustra na imagem seguinte:

23 de Janeiro de 2015
Por Daniel Yergin


Uma mudança histórica de papéis está no cerne do clamor e agitação à volta do colapso dos preços do petróleo, que caíram bruscamente 50% desde Setembro. Durante décadas, a Arábia Saudita, apoiada pelos emiratos do Golfo Pérsico, foi descrita como o “swing producer” [produtor que tem o poder de balancear o mercado - NT]. Com a sua imensa capacidade de produção, ela podia aumentar ou reduzir a sua produção para ajudar o mercado global a ajustar-se aos períodos de escassez ou de sobreprodução.

Mas em 27 de Novembro, na reunião da OPEP em Viena, a Arábia Saudita demitiu-se efectivamente desse papel e a OPEP remeteu toda a responsabilidade pelos preços do petróleo ao mercado, que o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Naimi, previu que "estabilizaria por si a seu tempo". A decisão da OPEP foi quase unânime. A Venezuela e o Irão, cujas economias passam por grandes dificuldades, pressionaram para a introdução de cortes de produção, mas sem sucesso.

Posteriormente, o Irão acusou a Arábia Saudita de levar a cabo uma "guerra do petróleo" e fazer parte de uma "conspiração" contra aquele país. Ao deixar os preços do petróleo ao cuidado do mercado, a Arábia Saudita e os emiratos também passaram a responsabilidade swing producer de facto para um país que não o esperava – os Estados Unidos. Espera-se que esta atitude se mantenha com a subida ao trono do novo rei da Arábia Saudita, Salman, após a morte na sexta-feira do rei Abdullah. E isso significa que as alterações na produção americana terão agora também, em conjunto com as dos produtores do Golfo Pérsico, uma grande influência sobre os preços globais do petróleo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pico quantos? (versão 2014)

Passaram menos de duas semanas sobre a publicação deste artigo (registo necessário) no Wall Street Journal, e é espantoso o trajecto seguido pelas cotações do petróleo desde então. Veremos até quando e onde irão os tenebrosos especuladores na sua ganância no seu perturbador altruísmo... Para além de outras importantes questões - no domínio da geopolítica mundial e do eventual rebentar da provável "bolha", alimentada por cortesia da Fed através do "milagre" do crédito abundante e barato, em boa parte (que parte?) responsável pelo espectacular ressurgimento dos EUA como produtor de petróleo -, a minha intenção com a tradução deste artigo queda-se no revisitar do recorrente tema do esgotamento "iminente" do petróleo, para o voltar a negar pela n-ésima vez (o "paradoxo da finitude"). A oportunidade surge também com a confirmação entre nós de um novo aumento de preços nas tarifas da electricidade para 2015. Este, conforme se tornou vincado de 2009 para cá, tem uma componente visível e uma outra "invisível" (défice tarifário, leia-se, novos aumentos futuros nas tarifas) que ultrapassará os 5 mil milhões de euros no ano que vem! No edifício argumentativo dos promotores das irremediavelmente intermitentes, e por isso não confiáveis, "novas renováveis", faz parte uma suposta inevitabilidade: a de que os preços da energia de origem fóssil iriam subir muito. Daí que achem irrelevante, quando não impertinente ou "marialva" (Moreira da Silva dixit), discutir esta coisa dos aberrantes sobrecustos que a sua sobre-adopção impõe e que, no cair do pano, até mesmo dos submarinos surgem "contrapartidas".

The Wall Street Journal
4 de Dezembro de 2014

O "pico do petróleo" desmistificado uma vez mais ainda

Foi há 216 anos que Thomas Malthus criou a ideia de que o apetite do homem pelos recursos naturais iria ultrapassar a capacidade da natureza em fornecê-los. Desde então que ocorrem alertas regulares segundo os quais o mundo estaria a assistir ao esgotamento da soja, do hélio, do chocolate, do tungsténio, etc., e que o crescimento da população se teria tornado insustentável. Os alarmes provocam um pânico político ou social durante algum tempo, até que vêm a revelar-se errados.

O mais recente embate com a realidade é o fim da obsessão com o "pico do petróleo" que durante anos levou pessoas sérias a proclamar que estávamos a entrar numa era de permanente escassez de combustíveis fósseis. Não foi isso que se verificou.

Imagem do Wall Street Journal
Esta é uma lição central a retirar da dramática queda no preço do petróleo neste ano, que chegou aos 69,49 dólares no barril do Brent de quinta-feira vindo de um máximo em Junho de 112,12 dólares. Ainda recentemente, nos inícios de Novembro, quando o petróleo oscilava em torno dos 80 dólares, funcionários da OPEP advertiram que iriam intervir para "segurar" o preço nos 70 dólares. Mas as autoridades sauditas recusaram-se visivelmente a anuir num corte na produção na reunião da semana passada da OPEP, e o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, deixou bem claro que se sentiria confortável com preços mais baixos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Energia - um prémio histórico

Nos meios de comunicação convencionais, os conflitos de que vamos tendo conhecimento são compreendidos, grosso modo, através do sublinhado dos aspectos culturais ou religiosos (ou ambos) neles presentes. No entanto, importa ter presente que as sublevações e conflitos da Ucrânia ao Iraque e à Síria, passando pelo Egipto e a Líbia, não podem ser completamente compreendidos sem ter em conta as suas raízes na tentativa de garantir acesso à energia, garantindo a sua produção, valorização e transporte. Julgo que ganharíamos muito na análise do tempo presente incluindo as variáveis correctas, neste caso a energia, especialmente, o petróleo (mesmo se outras fontes, presentemente, são variáveis relevantes do GNL ao atómico). Com realismo e enquadramento histórico estabelecido.
A série produzida pela PBS que aqui se recomenda conta com a presença de muitos dos grandes agentes que escreveram a história e a diplomacia energética do século XX e estão, também, a escrever a de hoje. São oito os episódios desta série que se baseia no livro de Daniel Yergin "The Prize". Seleccionaram-se os episódios três e cinco, mas toda a série é muito rica em informação acerca da história mundial do petróleo e da energia. Bem como das consequências - igualmente mundiais - da diplomacia levada a cabo em seu nome.
Do conhecimento da história pessoal de Gulbenkian, de Teagle, das suas diligências no mundo do petróleo, da criação de uma "ponte aérea" (Aramco) para o transporte de ouro em pagamento do petróleo exportado da Arábia Saudita, o papel da URSS, os irmãos Nobel.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O inimigo do meu inimigo tornou-se inimigo do meu amigo

A incapacidade de reconhecer os erros cometidos e assumir as respectivas responsabilidades é uma característica excessivamente comum nos políticos para reduzir estas declarações de Tony Blair a um mero caso do foro psiquiátrico. A mentira das "armas de destruição maciça" não foi no essencial diferente - à excepção, talvez, da sua escala - dos "incidentes" do Golfo de Tonkin, da explosão a bordo do USS Maine no porto de Havana ou do bombardeamento do Fort Sumter entre inúmeros outros exemplos. Mas a História ensina-nos que os Impérios não são eternos e, a meu ver, os acontecimentos recentes no Iraque são já extremamente parecidos com a última fase da guerra do Vietname (que começou com os franceses, recorde-se). Por muitas "linhas vermelhas" que se tracem (em caso de conveniência, já se vê). E não é que não tenha havido avisos prévios do que aí viria (um bom exemplo de avivar de memória pode ser lido aqui).

Com tradução de minha responsabilidade (tal como as imagem e os links introduzidos), o texto abaixo de Eric Margolis fornece uma narrativa que, infelizmente sem surpresa, não encontro eco nem nos media nem na blogosfera portuguesa. Também aqui as pistas para o que está a suceder no Médio Oriente remontam aos tempos da I Guerra Mundial e às maquinações imperiais das "Grandes Potências".
14 de Junho de 2014
Por Eric Margolis

Iraque: o caos todo-poderoso

Eric Margolis
O falecido Saddam Hussein tinha realmente razão quando previu que a invasão americana do Iraque se iria tornar na "mãe de todas as batalhas". Onze anos depois, a batalha continua.

Nesta semana, assistimos ao colapso de duas divisões do exército governamental do Iraque, 30 mil homens correndo como galinhas diante do avanço implacável dos combatentes do ISIS - Estado islâmico do Iraque e do Levante (Síria). O mesmo exército fantoche que foi treinado e equipado durante uma década pelos EUA pela soma de 14 mil milhões de dólares. Um mau augúrio para aquilo que aguarda o exército e a polícia do Afeganistão, também eles criados pelos EUA.

Recordam-se de quando o presidente George W. Bush se vangloriava da "missão cumprida"? Não foi o malévolo Saddam Hussein linchado pelos aliados xiitas dos EUA? Não foi a temida Al-Qaeda derrotada e o seu líder, Osama bin Laden, assassinado? Recordam-se de todo aquele palrar proveniente de Washington para "drenar o pântano" no Iraque?

Logo que os EUA derrubam um desafiante ao seu domínio no Médio Oriente - aquilo que chamo de American Raj - há outro que se ergue. O mais recente: o ISIS, uma feroz força jihadista que agora controla grandes parcelas da Síria e do Iraque.

domingo, 23 de março de 2014

Apesar de Obama, uma revolução energética nos EUA

O extraordinário recrudescimento na exploração de gás natural e petróleo nos EUA, tornado possível pelo desenvolvimento do fracking (fracturação hidráulica) e da perfuração horizontal, vem ocorrendo em terrenos na posse de privados e dos estados federados. Ao invés, nos terrenos federais, o que se tem verificado é a redução dos níveis de produção. E, ironia das ironias, tudo isto sem prejuízo de, em simultâneo, se ter verificado uma acentuada redução nas emissões de dióxido de carbono um poluente alimento das plantas. Obama reclama para si créditos por estes resultados (entre os quais as novas centenas de milhar de empregos) pretendendo com isso fazer passar a ideia falsa que as "novas renováveis" tenham tido algum impacto significativo nesta evolução. Uma dúzia de minutos fascinantes. (Via Carpe Diem)

quinta-feira, 14 de março de 2013

De como a queima de combustíveis fósseis está tornando o planeta mais verde

Literalmente, segundo a opinião de Matt Ridley, o surpreendente "Optimista Racional", que se refere ao crescimento da mancha verde na Terra (reflorestação incluída) contrariando assim o que muitos vêm propagando (e que eu próprio acreditava piamente).


Via ReasonTv

domingo, 21 de outubro de 2012

Sintetizando petróleo a partir da atmosfera


Mas atenção! Não há notícia - pelo menos por enquanto - da invalidação (falsificação popperiana) da Segunda Lei da Termodinâmica. Pelo contrário, suspeito que a energia despendida para sintetizar o petróleo seja bem superior à que vem a ser obtida com este processo (admitindo que ele existe realmente). A BBC, sempre pressurosa neste género de coisas, dá-nos umas imagens:

Get Adobe Flash player

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Uma notícia e sua ilustração

A notícia, veiculada pela Lusa, é que vão ser construídas 7 (sete) novas centrais de produção eléctrica, a fuel, em Angola. A fotografia que o Sol escolheu para a ilustrar é esta:


Será que foi descoberta uma tecnologia revolucionária de produção de fuel eólico ou será de eólicas alimentadas a fuel que se estará a falar? Pouco provável, em qualquer caso. Talvez se pretenda, apenas, iludir o leitor.

domingo, 12 de agosto de 2012

A tecnologia da fracturação hidráulica

conjugada com a da perfuração horizontal, torna hoje possível chegar às formações de xisto a uma profundidade média de cerca de 2500 metros e explorar as jazidas de gás e petróleo que há muito se sabia lá existirem (mas que não constituíam reservas provadas enquanto não foi desenvolvido o conjunto de tecnologias necessárias). A animação que se segue, da responsabilidade da Marathon Oil, procura ilustrar como decorre o processo.


(Via Carpe Diem)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pico quantos? (3)

No seguimento de Pico quantos e Pico quantos (2), via Carpe Diem, de onde retirei o gráfico abaixo, soube que a Energy Information Administration, uma agência governamental americana, actualizou as suas estimativas de reservas provadas de petróleo e gás natural nos EUA por referência a 2010. Mais 12,8% e 11,9%, respectivamente. Significa isto que nunca quanto agora foram tão elevados os montantes de reservas provadas, ou seja: apesar do crescente consumo, as reservas não cessam de aumentar!


Os alarmistas de profissão não compreendem por que razão as suas profecias teimam em não se concretizar e isto porque desconhecem os mecanismos básicos de funcionamento dos mercados e do mecanismo dos preços assim como - e este é o seu principal pecado - subestimam a capacidade daquele que Julian Simon designou como o Derradeiro Recurso: o Homem.

É certo que um pouco por todo o lado, cegos pelas ruinosas mas politicamente correctas doutrinas "verdes", os próprios governos sabotam, ou pelo menos, atrasam a exploração dos combustíveis fósseis como a pergunta que James Delingpole fazia não há muito tempo ilustrava: Por que razão não celebramos as boas notícias?

Mas o vento está a mudar. O caos financeiro em que se encontram a generalidade dos estados europeus está progressivamente a impor o abandono dos tão megalómanos quanto ineficazes e ruinosos investimentos em fontes de energia intermitentes. Vai chegar a vez do gás de xisto também à Europa, por muito que isso custe a Vladimir Putin que hoje nos tem bem agarrados por onde mais pode doer.

Mas, como o blogue Terrorismo Climático bem ilustra, na tradução que nos proporciona deste artigo, será da China que virá, a prazo, o maior change game logo que disponha do domínio das novas tecnologias necessárias para exploração das enormes reservas que dispõe de shale gas. Também estou convencido do mesmo.

sábado, 16 de junho de 2012

Pico quantos? (2)

A figura abaixo representa a evolução das reservas provadas de petróleo nos últimos 20 anos à escala mundial (cf. dados disponibilizados pela BP). Se de 2001 para 1991 o acréscimo foi de 22,7%, já de 2011 relativamente a 2001 ele foi de 30,4%. Particularmente interessante é também a perda da importância relativa do Médio Oriente nestes 20 anos: de 64% para 48,1% da produção mundial, essencialmente em contrapartida do continente sul-americano.


Por diversas vezes tendo por aqui afirmado que não há nenhuma razão para, ao contrário do que veiculam os alarmistas, pensar que o esgotamento do petróleo (como aliás de qualquer outro recurso natural) esteja iminente. Mas mesmo que se verifique uma escassez relativa de um dado recurso natural, e com isso se verifique um aumento do seu preço, o mercado (o resultado da interacção humana) tratará de encontrar uma solução (normalmente pelo desenvolvimento de novas e/ou mais eficientes tecnologias). Nesta linha de pensamento, poder-se-ia dizer que a evolução recente dos preços do petróleo traduz exactamente essa escassez relativa (apesar dos volumes absolutos acima graficados). Mas será mesmo assim?

Num mundo que, especialmente nos últimos 40 anos, se habituou a viver em regime de inflação permanente (ainda que "moderada" nos últimos 15/20 anos), será talvez melhor usar um outro padrão para aferir da evolução dos preços reais do petróleo. É o que se faz no gráfico seguinte (retirado daqui):


Reparem como a leitura dos preços actuais do barril de petróleo (WTI) é radicalmente diferente. Afinal, relativamente ao ouro, os preços actuais, reais, são sensivelmente idênticos aos que se verificavam nas vésperas do 1º "choque" petrolífero!

Assim sendo, e por muito que custe aos alarmistas de profissão, quer no volume conhecido de reservas provadas, quer no preço real - indicador fundamental do mercado para informar os seus participantes da "escassez" - o petróleo não dá mostras de se esgotar. Temos pena.

domingo, 10 de junho de 2012

A nova realidade energética na América

Daniel Yergin, autor do famosíssimo The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power, escreve hoje no New York Times: America’s New Energy Reality. Uma nova realidade que tem muito pouco a ver com o despesismo distributivo (e rentista) de subsídios da administração de Obama (como antes de Bush) e muito mais com o funcionamento do mercado (quando o mecanismo da formação dos preços ainda não foi completamente distorcido pelos governos).





A evolução dos discursos de Obama nos seus discursos ao Congresso, apesar da liderança retórica, limita-se a ir a reboque da realidade, não a liderá-la.
24-02-2009 (16 menções a 'energy' e uma a 'clean energy'; 2 a 'oil' e 0 a 'natural gas'):

«We have known for decades that our survival depends on finding new sources of energy. Yet we import more oil today than ever before (...) We know the country that harnesses the power of clean, renewable energy will lead the 21st century (...)  [T]o truly transform our economy, protect our security, and save our planet from the ravages of climate change, we need to ultimately make clean, renewable energy the profitable kind of energy»

27-01-2010 (15 referências a 'energy' e 10 a 'clean energy'; 2 a 'oil' e 0 a 'natural gas')

«[T]o create more of these clean energy jobs, we need more production, more efficiency, more incentives (...) Even if you doubt the evidence [on climate change], providing incentives for energy efficiency and clean energy are the right thing to do for our future, because the nation that leads the clean energy economy will be the nation that leads the global economy.»

24-01-2012 (24 referências a 'energy', 10 a 'clean energy', 11 a 'oil' e 5 a 'natural gas')

«[N]owhere is the promise of innovation greater than in American-made energy. Over the last three years, we’ve opened millions of new acres for oil and gas exploration (...) This country needs an all-out, all-of-the-above strategy that develops every available source of American energy (...)»
E, cereja no bolo, atente-se neste gráfico (retirado daqui):

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pico quantos?

De acordo com os dados da Energy Information Association (EIA), foi a seguinte a evolução da produção de petróleo de 1973 aos dias de hoje. Em Janeiro último, foi mesmo batido o recorde de produção mensal correspondente a 75,580 milhões de barris por dia (via Carpe Diem):

Clicar para ver melhor
Julian Simon continua assim a ganhar apostas, mesmo que postumamente. Apesar da violenta barragem alarmista por parte dos profissionais do anúncio do desastre iminente do esgotamento dos recursos naturais, os combustíveis fósseis, muito em particular, teimam em não se esgotar.

É verdade que há políticos como Obama mas também,  entre outros, David Cameron e Julia Gillard, que teimam em tudo fazer para evitar que, nas áreas sob sua jurisdição directa, novas prospecções sejam levadas a cabo. Chega-se ao ponto de proibir, por exemplo, a prospecção de gás e petróleo no offshore, em toda a costa leste e oeste dos EUA, como aqui se documenta (apesar de Obama oferecer a Dilma Roussef os seus préstimos para o desenvolvimento da actividade ao largo da costa do Brasil...). Mas, pelo menos por enquanto, nem todas as terras são propriedade de estados governados por tolos. E é fácil ver o que acontece quando ao mercado não é retirada a oportunidade de funcionar.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Antecipando a celebração do Dia da Terra

no próximo Domingo, o Prof. Mark Perry preparou os gráficos que se seguem para ilustrar o quão têm os americanos que agradecer à Mãe Natureza por lhes ter proporcionado tão abundantes e baratas fontes de energia. Quer na produção, onde o contributo da energia e solar é absolutamente notável,


 quer no consumo:


quarta-feira, 28 de março de 2012

Julian Simon reemerge em Moçambique e em África

Boom time for Mozambique, once the basket case of Africa, no Guardian. Um excerto (realce meu):
A construction boom is under way here, concrete proof of the economic revolution in Mozambique. Growth hit 7.1% last year, accelerating to 8.1% in the final quarter. The country, riven by civil war for 15 years, is poised to become the world's biggest coal exporter within the next decade, while the recent discovery of two massive gas fields in its waters has turned the region into an energy hotspot, promising a £250bn bonanza.

The national currency was the best performing in the world against the dollar [!]. Investment is pouring in on an unprecedented scale; as if to prove that history has a sense of irony, Portuguese feeling Europe's economic pain are flocking back to the former colony, scenting better prospects than at home. Increasingly this is the rule, not the exception in Africa, which has boasted six of the world's 10 fastest-growing economies in the past decade. The first oil discovery in Kenya was confirmed on Monday, while the British firm BG Group announced that one of its gas fields off the Tanzanian coast was bigger than expected and could lead to billions of pounds of investment.