Tem-se escrito profusamente nestes últimos meses acerca das razões que explicam o porquê da vertiginosa queda nas cotações do petróleo nos últimos meses. Abundam, em particular, interpretações conspiratórias ligadas à geopolítica e a estratégias predadoras tendentes a expulsar do mercado os produtores economicamente menos eficientes. Eu talvez esteja enganado mas, pelo menos desta vez, creio que os factores predominantes conjunturais remetem para a actuação das tão desprezadas leis da procura e da oferta. É também essa a opinião de Daniel Yergin, uma das maiores autoridades mundiais em matéria energética, no artigo que publicou recentemente no New York Times e que me propus traduzir. É ainda com um certo gozo, partilhado com Jeffrey Tucker e postumamente com Julian Simon que contemplo mais uma vez em perspectiva as análises das publicações de "referência" como a que se ilustra na imagem seguinte:
23 de Janeiro de 2015
Por Daniel Yergin
Uma mudança histórica de papéis está no cerne do clamor e agitação à volta do colapso dos preços do petróleo, que caíram bruscamente 50% desde Setembro. Durante décadas, a Arábia Saudita, apoiada pelos emiratos do Golfo Pérsico, foi descrita como o “swing producer” [produtor que tem o poder de balancear o mercado - NT]. Com a sua imensa capacidade de produção, ela podia aumentar ou reduzir a sua produção para ajudar o mercado global a ajustar-se aos períodos de escassez ou de sobreprodução.
Mas em 27 de Novembro, na reunião da OPEP em Viena, a Arábia Saudita demitiu-se efectivamente desse papel e a OPEP remeteu toda a responsabilidade pelos preços do petróleo ao mercado, que o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Naimi, previu que "estabilizaria por si a seu tempo". A decisão da OPEP foi quase unânime. A Venezuela e o Irão, cujas economias passam por grandes dificuldades, pressionaram para a introdução de cortes de produção, mas sem sucesso.
Posteriormente, o Irão acusou a Arábia Saudita de levar a cabo uma "guerra do petróleo" e fazer parte de uma "conspiração" contra aquele país. Ao deixar os preços do petróleo ao cuidado do mercado, a Arábia Saudita e os emiratos também passaram a responsabilidade swing producer de facto para um país que não o esperava – os Estados Unidos. Espera-se que esta atitude se mantenha com a subida ao trono do novo rei da Arábia Saudita, Salman, após a morte na sexta-feira do rei Abdullah. E isso significa que as alterações na produção americana terão agora também, em conjunto com as dos produtores do Golfo Pérsico, uma grande influência sobre os preços globais do petróleo.

