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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Energia: o que devemos temer é o "pico estatal", não o "pico do petróleo"

Inicio com este post a "penitência" a que me impus aqui. A oportunidade surgiu ao ter-me deparado com o artigo de Robert Murphy que me propus partilhar hoje com os leitores (minha tradução). Trata-se, uma vez mais, de desmistificar o sucessivamente anunciado, e sempre adiado, "esgotamento" dos combustíveis fósseis o que, recorde-se, constitui um dos pilares da argumentação em favor das energias "renováveis" e da urgência da sua adopção. Ora, atravessamos precisamente à escala mundial mais um período em que os recursos petrolíferos, medidos pelas quantidades produzidas e pelas reservas conhecidas, não apenas não diminuem como não cessam de aumentar. E a revolução do shale não saiu ainda sequer dos EUA (nem o Irão a disponibilizar ao mercado todo o seu potencial)! A mente humana é um instrumento extraordinário de criação de riqueza e recursos, esses sim inesgotáveis. Assim os governantes não a cerceiem totalmente pela continuação da espiral  aparentemente insaciável do esbulho fiscal e regulatório. Uma última nota para a informação que o Engº Henrique Gomes disponibilizou recentemente: o défice tarifário, projectado para 5.080 milhões € pela ERSE para 2015, já vai em 5.400 milhões.

ACTUALIZAÇÃO: A talhe de foice.
8 de Abril de 2015
Por Robert P. Murphy


Robert P. Murphy
Independentemente da existência de várias versões da teoria do "pico do petróleo", durante décadas esta acumulou hossanas porque se revelou correcta no caso dos EUA. Especificamente, o geofísico M. King Hubbert publicou uma teoria da exploração dos campos petrolíferos em 1956 onde se previa que a produção total de petróleo nos EUA fosse atingir o seu "pico" cerca de 1971 (o mais tardar), declinando a partir daí. Hubbert previu também que o mundo assistiria a um declínio na produção total de petróleo por volta de 2006. Hubbert estava errado relativamente ao mundo. Mas, durante algum tempo, parecia ter acertado em cheio quanto aos EUA. Porém, o desenvolvimento dos recursos em formações xistosas (shale), e a expansão na utilização do "fracking" e da perfuração horizontal nos Estados Unidos nos últimos anos, mostram que o "pico do petróleo" já nem sequer se aplica à que chegou a ser a sua história de sucesso.

O gráfico abaixo é o mais recente da Administração de Informação de Energia (EIA) que mostra a história da produção mensal decrude dos EUA:



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quem irá dominar o mercado do petróleo?

Tem-se escrito profusamente nestes últimos meses acerca das razões que explicam o porquê da vertiginosa queda nas cotações do petróleo nos últimos meses. Abundam, em particular, interpretações conspiratórias ligadas à geopolítica e a estratégias predadoras tendentes a expulsar do mercado os produtores economicamente menos eficientes. Eu talvez esteja enganado mas, pelo menos desta vez, creio que os factores predominantes conjunturais remetem para a actuação das tão desprezadas leis da procura e da oferta. É também essa a opinião de Daniel Yergin, uma das maiores autoridades mundiais em matéria energética, no artigo que publicou recentemente no New York Times e que me propus traduzir. É ainda com um certo gozo, partilhado com Jeffrey Tucker e postumamente com Julian Simon que contemplo mais uma vez em perspectiva as análises das publicações de "referência" como a que se ilustra na imagem seguinte:

23 de Janeiro de 2015
Por Daniel Yergin


Uma mudança histórica de papéis está no cerne do clamor e agitação à volta do colapso dos preços do petróleo, que caíram bruscamente 50% desde Setembro. Durante décadas, a Arábia Saudita, apoiada pelos emiratos do Golfo Pérsico, foi descrita como o “swing producer” [produtor que tem o poder de balancear o mercado - NT]. Com a sua imensa capacidade de produção, ela podia aumentar ou reduzir a sua produção para ajudar o mercado global a ajustar-se aos períodos de escassez ou de sobreprodução.

Mas em 27 de Novembro, na reunião da OPEP em Viena, a Arábia Saudita demitiu-se efectivamente desse papel e a OPEP remeteu toda a responsabilidade pelos preços do petróleo ao mercado, que o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Naimi, previu que "estabilizaria por si a seu tempo". A decisão da OPEP foi quase unânime. A Venezuela e o Irão, cujas economias passam por grandes dificuldades, pressionaram para a introdução de cortes de produção, mas sem sucesso.

Posteriormente, o Irão acusou a Arábia Saudita de levar a cabo uma "guerra do petróleo" e fazer parte de uma "conspiração" contra aquele país. Ao deixar os preços do petróleo ao cuidado do mercado, a Arábia Saudita e os emiratos também passaram a responsabilidade swing producer de facto para um país que não o esperava – os Estados Unidos. Espera-se que esta atitude se mantenha com a subida ao trono do novo rei da Arábia Saudita, Salman, após a morte na sexta-feira do rei Abdullah. E isso significa que as alterações na produção americana terão agora também, em conjunto com as dos produtores do Golfo Pérsico, uma grande influência sobre os preços globais do petróleo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O insustentável "peak oil" ou ¿Por qué no si callan?


Encerrou o icónico website The Oil Drum, cuja missão tinha o propósito de "educar" o mundo para o "inevitável" (mas estranhamente sempre adiado) "peak oil" e, consequentemente, a emergência de uma economia assente em energia de origem não-fóssil. A razão, segundo os seus próprios editores (minha tradução) - "deve-se à escassez de novos conteúdos causada por um número cada vez menor de contributos. Apesar dos nossos melhores esforços para preencher essa lacuna, não temos sido capazes de melhorar significativamente o fluxo de artigos de alta qualidade". Requiescat in pace, pois (ao menos por uma década, caramba!).

Compreende-se. A fenomenal revolução do gás de xisto ainda em crescimento acelerado (e só) nos EUA, a par de uma também extraordinária recuperação dos níveis de produção de petróleo, ao mesmo tempo que se assiste a uma diminuição nas emissões de dióxido de carbono quer em termos per capita (para valores de 1964), quer - pasme-se! - em termos absolutos (para valores de há vinte anos atrás), constituem um conjunto de "paradoxos" que os teorizadores do "peak oil", acenando com os horrores do "day after", não conseguiram resistir.

É certo que os apóstolos do Apocalipse climático (a.k.a. "aquecimento global"/"alterações climáticas") tudo têm tentado (e continuam a tentar) para acelerar a "Transição". Recorde-se a célebre frase do candidato Obama, em Janeiro de 2008: "De acordo com o meu sistema de um sistema de comércio e limitação de emissões, os preços de electricidade iriam necessariamente disparar". Mas convenhamos que há medida que o tempo passa - e já passaram 17 anos sem que se verifique o aquecimento profetizado pelos alarmistas - é cada vez mais difícil não enfrentar a realidade. De resto, a sucessão de escândalos envolvidos na distribuição de subsídios e empréstimos a projectos na área da energia e nos empregos "verdes" é verdadeiramente avassaladora.

Mas por que não ouviram Julian Simon? Melhor: por que não ouviram Frédéric Bastiat? Parafraseando o Rei Juan Carlos numa sua oportuna intervenção, ¿Por qué no si callan?

domingo, 19 de agosto de 2012

A recorrente vitória de Julian Simon

50 anos após a publicação, pelo Clube de Roma, do deplorável, alarmista e totalmente errado The Limits to Growth, Steven Horowitz assina Julian Simon Wins Again, But Will Anyone Learn? (tradução minha):
Talvez tenha dado conta desta história da AP, sobre a "surpreendente" redução nas emissões de CO2, que regressaram aos níveis de 1992. Uma explicação para esta diminuição está no número de centrais americanas produtoras de electricidade que migraram do carvão para o gás natural. Este último reduz drasticamente as emissões de CO2. O que explica então esta mudança?

Bem, para os economistas, não é surpresa: foram os preços relativos.

O gás natural tornou-se significativamente mais barato, levando a que mais centrais levassem a cabo a reconversão. Uma razão para que o gás seja mais barato, é evidente, está na tecnologia da fracturação [fracking]. Deste modo, os nossos amigos ambientalistas têm aqui um pequeno dilema: a oposição ao fracking significa oposição (ao mais barato) gás natural, o que significa oposição à substituição das poluidoras centrais alimentadas a carvão, grandes produtoras de CO2. Uma vez mais, os sinais emitidos pelos lucros levam os empresários a encontrar substitutos para os caros e poluidores processos e, por essa via, ao desenvolvimento de novas tecnologias que criam recursos utilizáveis e valiosos onde eles não existiam anteriormente. Isto conduz à redução de  preços desse substituto, o que conduz à substituição da tecnologia antiga e poluidora.

Julian Simon, aceite uma vénia.

Se ler a reportagem da AP, encontrará o ambientalista do costume, relutante e vacilante, afirmando que "esta não é realmente uma solução" e observando a  "ironia" do gás natural reduzir as emissões de CO2. Não é ironia, pessoal! Pensar que se trata de ironia apenas se deve à recusa em ouvir o que os economistas e pessoas como Julian vêm dizendo há décadas: os mercados solucionam estes problemas melhor do que os decretos governamentais.

De notar igualmente a surpresa pelo facto de que as centrais eléctricas se tenham convertido tão rapidamente do carvão para o gás. Isto não é surpresa para ninguém com um conhecimento básico da economia. Os sinais emitidos pelos lucros são poderosos e as pessoas respondem às mudanças de preços relativos. Isso faz parte da cadeira de Introdução à Economia logo na sua 2ª semana. As mesmas pessoas que estão surpreendidas por isto também foram surpreendidas pela rápida reconversão após a Segunda Guerra Mundial. A surpresa neste caso é apenas uma palavra rebuscada para "ignorância".

A prova dos argumentos de Julian Simon e de outros talvez nunca tenha sido mais evidente do que a transmitida nesta história, mas os verdadeiros dogmáticos não são aqueles de nós que são cépticos não da ciência das alterações climáticas mas da acompanhante ciência social e política, os dogmáticos são os que continuam a negar o poder dos processos de mercado, mesmo quando a evidência está bem à sua frente.

É pedir muito para que exemplos como este possam levar a um repensar do seu dogma? Provavelmente.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pico quantos? (3)

No seguimento de Pico quantos e Pico quantos (2), via Carpe Diem, de onde retirei o gráfico abaixo, soube que a Energy Information Administration, uma agência governamental americana, actualizou as suas estimativas de reservas provadas de petróleo e gás natural nos EUA por referência a 2010. Mais 12,8% e 11,9%, respectivamente. Significa isto que nunca quanto agora foram tão elevados os montantes de reservas provadas, ou seja: apesar do crescente consumo, as reservas não cessam de aumentar!


Os alarmistas de profissão não compreendem por que razão as suas profecias teimam em não se concretizar e isto porque desconhecem os mecanismos básicos de funcionamento dos mercados e do mecanismo dos preços assim como - e este é o seu principal pecado - subestimam a capacidade daquele que Julian Simon designou como o Derradeiro Recurso: o Homem.

É certo que um pouco por todo o lado, cegos pelas ruinosas mas politicamente correctas doutrinas "verdes", os próprios governos sabotam, ou pelo menos, atrasam a exploração dos combustíveis fósseis como a pergunta que James Delingpole fazia não há muito tempo ilustrava: Por que razão não celebramos as boas notícias?

Mas o vento está a mudar. O caos financeiro em que se encontram a generalidade dos estados europeus está progressivamente a impor o abandono dos tão megalómanos quanto ineficazes e ruinosos investimentos em fontes de energia intermitentes. Vai chegar a vez do gás de xisto também à Europa, por muito que isso custe a Vladimir Putin que hoje nos tem bem agarrados por onde mais pode doer.

Mas, como o blogue Terrorismo Climático bem ilustra, na tradução que nos proporciona deste artigo, será da China que virá, a prazo, o maior change game logo que disponha do domínio das novas tecnologias necessárias para exploração das enormes reservas que dispõe de shale gas. Também estou convencido do mesmo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Nada de novo, na frente ocidental

Não será injusto considerar o economista Thomas Malthus (1766-1834) como o pai dos alarmistas ambientais de profissão. Segundo ele, verificar-se-ia uma impossibilidade de uma melhoria sustentável dos níveis de vida pois o crescimento da população, ao tender a prosseguir segundo uma progressão muito mais rápida que os recursos necessários à sua manutenção (“geométrica” vs “aritmética”), nomeadamente os alimentares. Desde modo, sem intervenção exterior (do Estado, pois quem mais?), para refrear o crescimento populacional, o futuro da humanidade seria lúgubre. No essencial, esta tese manter-se-ia até hoje, através das vozes e dos escritos de personalidades como os também economistas Keynes ou Irving Fisher, defensores explícitos de práticas eugénicas, ou do biólogo Paul Ehrlich, autor do famigerado The Population Bomb, que acha que a população da Terra se devia reduzir dos actuais 7 para 2 mil milhões de habitantes, para além de mais um conjunto de ideias (como estas) que, mais propriamente, se deveriam caracterizar de nazis. Este é o primeiro e principal pilar dos catastrofistas: a (suposta) sobrepopulação da Terra que estará a provocar a destruição da Mãe-Natureza – “A Terra tem um cancro e o cancro é o Homem”.

Intricado naquele está o segundo pilar: a retórica da exaustão dos recursos naturais e, particularmente, das fontes energéticas de origem fóssil. O Clube de Roma prestou um “serviço” inestimável a esta doutrina com a publicação, em 1972, de The Limits to growth. Embora ao longo dos anos o grande economista Julian Simon tenha sistematicamente derrotado, logica e empiricamente, as teses catastrofistas, a verdade é que, como bem sabemos, o anúncio da catástrofe iminente permite audiências maiores (seja a peste suína, a gripe das aves, o ano 2000, o aquecimento global, etc., etc.). É certo que se têm verificado ultimamente actos de contrição (o mais notável, talvez,tenha sido o de James Lovelock) dos quais importa referir o reconhecimento, ainda que a contragosto, de George Monbiot, colunista do The Guardian, que o peak-oil não só ainda não aconteceu nem se antevê quando venha a acontecer: “We were wrong on peak oil. There's enough to fry us all”. Nada de novo, na frente ocidental.

Enquanto aguardamos pela chegada dos exércitos da defesa da biodiversidade, deixo um vídeo em que, com bom humor, e muito saber, Julian Simon explica por que razão o intelecto humano é o Derradeiro Recurso. (Os cornos de diabo que Simon ostenta têm uma razão de ser que é explicada ao minuto 7).

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pico quantos?

De acordo com os dados da Energy Information Association (EIA), foi a seguinte a evolução da produção de petróleo de 1973 aos dias de hoje. Em Janeiro último, foi mesmo batido o recorde de produção mensal correspondente a 75,580 milhões de barris por dia (via Carpe Diem):

Clicar para ver melhor
Julian Simon continua assim a ganhar apostas, mesmo que postumamente. Apesar da violenta barragem alarmista por parte dos profissionais do anúncio do desastre iminente do esgotamento dos recursos naturais, os combustíveis fósseis, muito em particular, teimam em não se esgotar.

É verdade que há políticos como Obama mas também,  entre outros, David Cameron e Julia Gillard, que teimam em tudo fazer para evitar que, nas áreas sob sua jurisdição directa, novas prospecções sejam levadas a cabo. Chega-se ao ponto de proibir, por exemplo, a prospecção de gás e petróleo no offshore, em toda a costa leste e oeste dos EUA, como aqui se documenta (apesar de Obama oferecer a Dilma Roussef os seus préstimos para o desenvolvimento da actividade ao largo da costa do Brasil...). Mas, pelo menos por enquanto, nem todas as terras são propriedade de estados governados por tolos. E é fácil ver o que acontece quando ao mercado não é retirada a oportunidade de funcionar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Julian Simon reemerge em Moçambique e em África

Boom time for Mozambique, once the basket case of Africa, no Guardian. Um excerto (realce meu):
A construction boom is under way here, concrete proof of the economic revolution in Mozambique. Growth hit 7.1% last year, accelerating to 8.1% in the final quarter. The country, riven by civil war for 15 years, is poised to become the world's biggest coal exporter within the next decade, while the recent discovery of two massive gas fields in its waters has turned the region into an energy hotspot, promising a £250bn bonanza.

The national currency was the best performing in the world against the dollar [!]. Investment is pouring in on an unprecedented scale; as if to prove that history has a sense of irony, Portuguese feeling Europe's economic pain are flocking back to the former colony, scenting better prospects than at home. Increasingly this is the rule, not the exception in Africa, which has boasted six of the world's 10 fastest-growing economies in the past decade. The first oil discovery in Kenya was confirmed on Monday, while the British firm BG Group announced that one of its gas fields off the Tanzanian coast was bigger than expected and could lead to billions of pounds of investment.

terça-feira, 27 de março de 2012

Um mistério que se adensa para os alarmistas de profissão

Mark Perry, editor do Carpe Diem, proporciona-nos excelentes gráficos (isto é, informativos). A figura abaixo denota a evolução recente do número de perfurações em busca de gás (a azul) e de petróleo (a vermelho:


Notável que num espaço de pouco mais de dois anos se tenha invertido a proporção (de 1/3 e 2/3). Mais notável ainda que essa inversão tenha ocorrido sem que - vejam só! - tenha havido qualquer programa federal de "estímulo" à pesquisa e extracção de petróleo. Não! A explicação reside, tão e só e apenas, na evolução dos preços relativos entre os dois produtos. E é este o mecanismo que explica alguns aparentes paradoxos que os alarmistas neo-malthusianos são incapazes de compreender (ou se recusam a compreender).

Vejam, por exemplo, este outro boneco retirado daqui, a propósito do patético papagueio que Obama vem fazendo (até mais ou menos um mês e meio atrás quando o preço da gasolina começou a interferir nas suas possibilidades de reeleição...). Segundo Obama, porque os EUA apenas possuem actualmente 2% do total de reservas mundiais, a resolução (?) do problema energético dos EUA, a médio e longo prazo, não poderá estar no petróleo. Num primeiro instante, poderá parecer um argumento válido. Mas depois, olhando para este boneco...


Então os EUA tinham em 2010 o mesmo volume de reservas de petróleo (reservas conhecidas por extrair) das existentes em 1944 e, nesse período, a produção foi de 8 vezes o total dessas reservas então conhecidas? A conclusão que podemos retirar a posteriori é que, afinal, as "reservas" de 1944 eram efectivamente mais de nove vezes maiores. O primeiro gráfico, ao evidenciar com clareza o efeito da evolução dos preços relativos, dá uma pista sobre o que irá suceder proximamente. Se a ela aliarmos o efeito da (r)evolução tecnológica, os resultados podem ser portentosos - já estão a sê-lo - tanto que Obama, hipocritamente, tenta agora chamar a si os méritos do fantástico recrudescimento  da extracção de petróleo e muito especialmente do gás natural quando, na realidade, tudo ocorreu apesar das suas políticas que tudo fizeram para dificultar essa extracção ao mesmo tempo que, de forma insane e economicamente criminosa, promovia as sucessivas Solyndras, Volt e& Cia admiravelmente aqui retratadas.

Julian Simon lives

sábado, 24 de março de 2012

O derradeiro recurso: a mente humana

Via Prêmio Odebrecht Brasil (obrigado, Graça):
A primeira casa totalmente feita com garrafas plásticas está sendo atualmente construída na Nigéria. As garrafas são colocadas junto com lama e cimento, criando um material mais forte que o bloco de concreto. A casa é à prova de balas, de fogo, resistente a terremotos e ainda capaz de manter uma temperatura interior confortável de 17ºC o ano inteiro. Para se tornar ainda mais sustentável, a estrutura feita com garrafas plásticas ainda terá um sistema alimentado por energia solar, fazendo com que a energia se torne autônoma.


quinta-feira, 1 de março de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O eterno sorriso de Julian Simon

ou, de um modo mais combativo, como ideias feitas são, frequentemente, ideias parvas, em particular quanto se referem ao pretenso "esgotamento" de recursos naturais. Vem isto a propósito deste artigo (via Carpe Diem) onde se volta a evocar o princípio segundo o qual "Peak oil is peak idiocy", desta vez com a forte e continuada inversão da tendência decrescente de extracção de petróleo na província de Alberta no Canadá.

Mas, porque a evidência empírica tanta vez nos engana (as denominadas não-evidências) vale a pena explicitar uma vez mais o raciocínio económico daquele princípio. Explorando os links acima, fui dar com este post ("Peak idiocy"), de Mike Munger (aka Mungowitz), que o explica de forma cristalina (realces meus):
«Of all the idiotic things that people believe, the whole "peak oil" thing has to be right up there. It is literally impossible for us to run out of oil. We have never run out of anything, and we never will.

If we did start to use up the oil we have...(though, counting shale oil, we still haven't used even 10% of the total KNOWN reserves on earth, and there are lots of places we haven't looked)...but suppose we were on our way to using it up. Three things would happen.

1. Prices would rise, causing people to cut back on use. More fuel effcient cars, better insulation on houses, etc. Quantity demanded goes down.

2. Prices would rise, causing people to look for more. And they would find more oil, and more ways to get at it. Quantity supplied goes up.

3. Prices of oil would rise, making the search for substitutes more profitable. At that point (though not now!) alternative fuels and energy sources would be economical, and would not require gubmint subsidies, because they would pay for themselves. The supply curve for substitutes shifts downward and to the right.

This is econ 101. Even Paul ("I sold my soul to become a wanker") Krugman would credit this scenario.»

domingo, 11 de dezembro de 2011

Gigantesca descoberta de gás de xisto na China

Via MacLeans.Ca (tradução e realces meus):
A China - o maior consumidor mundial de energia - descobriu grandes quantidades de gás de xisto [shale gas] na sua província de Sichuan, de acordo com o Financial Times. Com esta descoberta, espera-se que a indústria chinesa de energia vá dotar o país de uma fonte de combustível "barata e abundante" para algo como os próximos 300 anos, de acordo com as estimativas e o padrão de consumo actual. Este tipo de gás não convencional é extraído de formações xistosas utilizando água altamente pressurizada e produtos químicos, técnica conhecida como "fracking" que se tem vindo a tornar cada vez mais popular, revolucionando os mercados por todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, hoje o maior produtor mundial de gás de xisto.
Nota: vejo frequentemente confundido aquilo que necessita ser destrinçado. Refiro-me à confusão, às vezes premeditada, que se estabelece entre "reservas" e "recursos" falando de produtos minerais. Por "reservas" de uma dada fonte energética dever-se-á entender o volume existente dessa fonte energética num país, isto é, o volume já provado e cuja extracção é actualmente economicamente viável; já por "recursos" energéticos de um país se deve entender o total do potencial energético de um país, aqui se incluindo, por exemplo, depósitos de hidrocarbonetos de que se sabe a existência mas que não podem ainda ser consideradas reservas por, por exemplo, não existir tecnologia, por enquanto, tecnologia que permita extraí-los a preços economicamente sustentáveis. É assim que se explica o aparente paradoxo que, brevemente, aqui expus e que vem permitindo, desde Malthus, que o Apocalipse anunciado do "esgotamento de recursos" esteja sempre a ser adiado.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A mente humana como recurso inesgotável

é a tese de Julian Simon na sua famosa obra "The Ultimate Resource". É essa extraordinária capacidade que nos tem proporcionado novas ideias, novas tecnologias, novos e maiores mercados que, no seu conjunto, têm tornado possível o julgado impossível e melhorado os níveis gerais de vida no mundo (à excepção, talvez, dos países totalitários). E tal como Simon sempre antecipou nas suas famosas apostas (primeira e  a proposta segunda) com o alarmista  neo-malthusiano Paul Ehrlich, não se verificou nenhuma das tenebrosas teses dos "iminentes esgotamento de recursos" materiais (ver, por exemplo, Julian Simon continua a vencer mesmo postumamente).

E todavia, o discurso do "iminente" desastre continua presente nos jornais, nas televisões e nos políticos e constitui um dos "pilares" justificativos do recurso às novas renováveis. Ou seja, mesmo que (supostamente) não houvesse problema com a "progressiva carbonização" da atmosfera seria a (supostamente) "iminente" e "inevitável" exaustão de recursos naturais que justificaria a massiva intervenção estatal - à custa dos contribuintes, claro - nas novas energias renováveis. E como, por exemplo, o declínio na exploração de combustíveis fósseis nos EUA seria "inevitável" (a partir do suposto "peak oil"), para quê manter a ilusão por mais alguns anos autorizando novas perfurações e novas áreas de prospecção? Tem sido essa a posição, em particular, das duas últimas administrações americanas que tudo têm feito para dificultar, e mesmo impedir, a exploração de novas jazidas de hidrocarbonetos (quando expulsa as plataformas de pesquisa petrolífera do Golfo do México e depois as vai aplaudir quando operam ao largo da costa brasileira).

E eis senão quando... se multiplicam as notícias de novas descobertas de combustíveis fósseis que a evolução tecnológica, tornou entretanto economicamente viáveis e não dependentes de subsídios estatais. E é assim que são divulgados estudos após estudos que apontam para que os EUA voltem a liderar a produção mundial de combustíveis fósseis e consigam aproximar-se senão mesmo atingir a autosuficiência energética?

É também neste sentido que um novo estudo, agora da responsabilidade do Institute of Energy Research, e já  divulgado já este mês (clicar na imagem para o obter) volta a apontar. Como Thomas J. Pyle escreve na introdução:
Yet even with steadily increasing rates of economic and population growth, as well as increasing energy consumption, the United States today possesses greater recoverable supplies of oil, natural gas and coal than at any point in its recorded history. How can that be? Have vast new sources of hydrocarbon fuels magically materialized beneath our feet over the past 100 years? Or is it possible that, despite what you’ve read, heard and have been told, our continent has always had a lot more energy available to it than some would have us believe?
E é isto que se vai lendo e ouvindo um pouco por todo o mundo. Obama a impedir a construção de um novo pipeline (Keystone XL) entre o Canadá e o Texas (para a exploração de enormes jazidas de areias betuminosas); e novas e importantes descobertas de gás e petróleo, agora também em Moçambique. Entretanto os chineses e indianos constroem centrais eléctricas a carvão todas as semanas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desafiando os limites estabelecidos

[N]atural resources are not finite in any meaningful economic sense, mind-boggling though this assertion may be. The stocks of them are not fixed but rather are expanding through human ingenuity.»



Julian Simon (página 24 do livro figurado), via Café Hayek

«Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. While some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.»(Texto que acompanhou o celebérrimo anúncio televisionado, Think Different, da Apple, em 1997, pouco tempo depois do regresso de Steve Jobs à companhia que co-fundou.)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Notícias manifestamente exageradas sobre uma morte sucessivamente anunciada

New Technologies Redraw the World’s Energy Picture, nem mais nem menos que no New York Times! Reservas em águas profundas (deepwater reserves), areias petrolíferas (oil sands), shale, Alto Árctico. O grande Julian Simon, mesmo postumamente, strikes back, once again! Alguns excertos (realces meus):
(...) From the high Arctic waters north of Norway to a shale field in Argentine Patagonia, from the oil sands of western Canada to deepwater oil prospects off the shores of Angola, giant new oil and gas fields are being mined, steamed and drilled with new technologies. Some of the reserves have been known to exist for decades but were inaccessible either economically or technologically.

Put together, these fuels should bring hundreds of billions of barrels of recoverable reserves to market in coming decades and shift geopolitical and economic calculations around the world. The new drilling boom is expected to diversify global sources away from the Middle East, just as the growth in consumption of fuels shifts from the United States and Europe to China, India and the rest of the developing world(...)

“The unconventional boom will guarantee that the competition is strong for years to come,” Mr. Burkhard said. “If oil costs $200 a barrel, that would provide more headroom for electric vehicles. But if oil is at $90, alternative, renewable energy will need to compete better on an economic basis.”(...)

Renewable energy will rise as a percentage of energy used, to 15 percent from 10 percent, but that will not provide for the growing demand.

“The fossil fuel age will be extended for decades,” said Ivan Sandrea, president of the Energy Intelligence Group, a research publisher. “Unconventional oil and gas are at the beginning of a technological cycle that can last 60 years. They are really in their infancy.”

sábado, 15 de outubro de 2011

O mercado a funcionar (6)

Via Carpe Diem, um excerto:

Not considered a big oil state until recently, North Dakota went from the ninth-biggest producer in 2006 to fourth in 2009, where it currently stands. This boom is thanks to advances in drilling and hydraulic fracturing techniques and a rise in oil prices that made it more profitable for companies to tap into the vast reserves trapped in the Bakken and Three Forks shale formations.
Clicar para ver melhor
Mais uma vez, os mercados, se os deixarem em paz, proporcionam-nos duas lições que nos permitem esgrimir argumentos contra os catastrofistas ignorantes e estatistas militantes, algo que o grande Julian Simon dedicou boa parte da sua vida:

1ª lição - Por maior desespero que isso cause aos neo-malthusianos, a mente humana, se não for  aprisionada, continuará a proporcionar algo que é a "chave" da destruição desta subespécie de mitos catastrofistas: a teconologia evolui. O que era impossível ontem, é possível hoje. O que era caríssimo há dez anos, é hoje comum.

2ª lição - Os preços, se não forem manipulados pelos governos, estão permanentemente a dar sinais aos vários actores no mercado. Se o preço de um dado bem sobe de forma sustentada no tempo, tal será interpretado por empreendedores no mercado como uma oportunidade de retirar partido de preços de venda interessantes o que, por sua vez, tenderá a aumentar a oferta desse bem. A prazo, esse preço reduzir-se-á para valores "normais" e, porventura em combinação com a introdução de novas tecnologias, poderá mesmo acabar por atingir um preço mais baixo que o existente no início do "ciclo".

Simplificando um pouco, são estas duas razões combinadas que, caso após caso, confirmam e reconfirmam o grande  Julian Simon e infirmam sistematicamente activistas ignorantes.
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Nota: li no Expresso de hoje, publicação por sinal cada vez mais deprimentemente inútil, que Manuel Pinho e Vieira da Silva não deram andamento (supostamente pela aplicação do ignóbil princípio da precaução...), durante anos, ao projecto de prospecção e exploração de gás natural por parte de operadores privados (e a suas expensas) ao largo da costa algarvia. O actual governo terá entretanto já dado luz verde ao projecto (estima-se que haja gás comercialmente explorável durante 10 anos) decorrendo a ultimação das minutas dos contratos. Isto é mais um dos milhares de episódios em que os governos "verdejantes" se outorgam o direito de distinguir entre projectos privados "maus" e projectos privados "bons". Raramente, nestes últimos, se tratam de verdadeiramente privados - eles estão, quase sempre, contaminados de dinheiros públicos, de tráfico de influências, de troca de favores. Numa palavra: de corrupção. Entretanto, estoira-se o dinheiro público em projectos economicamente irracionais e proíbem-se projectos exclusivamente de iniciativa privada esses sim promotores de riqueza (pela sua motivação económica e não política). Que corja!

Também publicado no Estado Sentido.

sábado, 17 de setembro de 2011

Julian Simon continua a vencer mesmo postumamente

Na sequência do estudo relativo ao potencial de produção de gás e petróleo nos EUA e correspondentes impactos económicos, divulgado no dia 7 de Setembro, que aqui abordei, dei hoje conta que foi publicado na 5ª feira, dia 15 de Setembro, um outro estudo elaborado pelo National Petroleum Council, uma organização formada por um conjunto de membros da indústria, das universidades, do governo e de outras instituições patrocinada pela Secretaria de Energia vem anunciar que os avanços tecnológicos (e, acrescento eu, o aumento do preço do petróleo) permitem agora tirar partido de vastas formações de combustíveis fósseis.

Como escreve Michael Giberson, "Nada de novo sob o sol. A tendência da humanidade, de muitos séculos, de conseguir embaratecer os recursos energéticos, continua em direcção a um futuro indefinido". Julian Simon continua a marcar pontos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sustentabilidade: a captura de uma palavra (1)

Thomas Malthus (1766-1834) foi um académico inglês que ficou conhecido pelo seus trabalhos em economia política e, especialmente, no âmbito da demografia. Segundo Malthus, a não se estabelecer um controlo sobre o acréscimo da população mundial, a catástrofe seria inevitável. Como o próprio escreveu em “Um Ensaio sobre o Princípio de População
“The power of population is so superior to the power of the earth to produce subsistence for man, that premature death must in some shape or other visit the human race (…) But should they fail in this war of extermination, sickly seasons, epidemics, pestilence, and plague advance in terrific array, and sweep off their thousands and tens of thousands. Should success be still incomplete, gigantic inevitable famine stalks in the rear, and with one mighty blow levels the population with the food of the world".
Embora as terríveis profecias de Malthus não se tenham concretizado, a atracção alarmista pelas iminentes catástrofes, essa, ficou. O próprio Keynes, em “The Economic Consequences of Peace”, retoma o tema sensivelmente onde Malthus o deixou. Mas irá ser a partir das décadas de 60 e 70 do século passado que o neo-malthusianismo viria a emergir sob as roupagens da defesa do meio ambiente. O biólogo Paul Ehrlich (incansável anunciador de catástrofes nunca concretizadas) com o seu livro “Population Bomb” (1968) ou o Clube de Roma que editou “The Limits to Growth” (1972), foram dos principais amplificadores da ideia que a Mãe Natureza estava em perigo já não tanto pelo medo – sucessivamente refutado – da falta de comida mas pela próxima escassez e mesmo desaparecimento de recursos naturais (não “renováveis”). Houve quem se lhes opusesse, como Julian Simon, mas o não-alarmismo não “vende”, mesmo quando se prova verdadeiro.

O hype neo-malthusiano, ultrapassado o episódio do “Nuclear? Não, obrigado”, virou-se depois (sensivelmente desde a "Cimeira da Terra" em 1992) para o anunciado fenómeno do aquecimento global (ultrapassado um temporalmente limitado receio de arrefecimento global) e, uma vez mais, para a iminente catástrofe que se abaterá sobre todos nós (“mesmo que comecemos agora, já não iremos conseguir evitar todos os seus terríveis malefícios”) caso mantenhamos um comportamento de crescente carbonização da atmosfera.

(Continua)

sábado, 30 de julho de 2011

À atenção dos ambientalistas neo-malthusianos

Tendo lido isto, confesso que com alguma surpresa, no blogue Cousas Liberaes, recordei-me deste artigo de George Reisman (excerto abaixo) que explica não haver qualquer razão para alarmismos, nas próximas centenas de milhões de anos, quanto à exaustão dos recursos naturais na Terra. Julian Simon já tinha explicado isso há muito tempo aos eco-alarmistas do "género" Paul Ehrlich.
Disponível, à borla, aqui.
The supply of economically usable natural resources is always only a small fraction of the overall supply of natural resources provided by nature. With the exception of natural gas, even now, after more than two centuries of rapid economic progress, the total of the supply of minerals mined by man each year amounts to substantially less than 25 cubic miles. This is a rate that could be sustained for the next 100 million years before it amounted to something approaching 1 percent of the supply represented by the earth. (These estimates follow from such facts as that the total annual global production of oil, iron, coal, and aluminum can be respectively fitted into spaces of 1.15, 0.14, 0.5, and 0.04 cubic miles, based on the number of units produced and the quantity that fits into one cubic meter. Natural gas production amounts to more than 600 cubic miles, but reduces to 1.1 cubic miles when liquefied.) Along the same lines, the entire supply of energy produced by the human race in a year is still far less than that generated by a single hurricane.

In view of such facts, it should not be surprising that the supply of economically usable natural resources is not something that is fixed and given and that man's economic activities deplete. To the contrary, it is not only a very small fraction of the supply of natural resources provided by nature but a fraction that is capable of substantial enlargement for a considerable time to come. Mining operations could be carried on at 100 times their present scale for a million years and still claim less than 1 percent of the earth.