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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Greenwald: Obama, drones, propaganda e relativismo
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| Glenn Greenwald |
Admito que o tema do artigo de Glenn Greenwald, que proponho na ocasião aos leitores do EI, possa ter aspectos delicados e me leve a incorrer num risco de (des)entendimentos que não são de todos os meus com os leitores. Apesar de por várias ocasiões ter manifestado o mais vivo repúdio (por exemplo, aqui) da componente da "guerra ao terror" por recurso a drones para executar as "listas de morte" (normalmente sem danos directos para os seus promotores, razão pelo crescente recurso que fazem deles para além de evitar as "boots on the ground"), não ignoro que as "nossas" mortes não são "iguais" às dos outros. Claro que não são. A proximidade familiar, comunitária, empresarial, clubística, regional, nacional, linguística, cultural, etc., são determinantes dessa desigualdade. Nada há de mal nisso, pelo contrário. Coisa diferente, porém, é tratar diferente o que é igual e, sem mais, disso fazer alarde ainda que pela via sinuosa da redefinição semântica ou pelo olímpico desprezo pelos obscenos danos "colaterais" tratando milhares de vítimas inocentes não com desdém mas com a borracha da memória instantânea. Haverá diferença, afinal, para os Untermenschen? Não vejo onde. É sobre isto que escreve Greenwald
24 de Abril de 2015
Por Glenn Greenwald
Em todos os anos que levo de escrita sobre as mortes provocadas pelos drones de Obama, foi ontem [23-04-2015] que aconteceu, de longe, a discussão crítica mais alargada nos círculos do jornalismo convencional. Esse facto sobre os drones, desde há muito suprimido mas crucial, foi na realidade anunciado no título principal na primeira página do The New York Times de ontem:
"Capa" do New York Times, versão online, de 23-04-2015
A razão para a anormalmente intensa cobertura, largamente crítica, das mortes de ontem provocadas pelos drones é óbvia: as vítimas deste ataque eram ocidentais e não-muçulmanas e, portanto, foram vistas como realmente humanas.
O advogado paquistanês Shahzad Akbar, que representa 150 vítimas de drones americanos e a quem foi por duas vezes negada entrada nos EUA para falar sobre elas, disse ao meu colega do Intercept Ryan Devereaux como dois dos seus clientes, duas crianças, provavelmente reagiriam ao pedido de "desculpas" de Obama de ontem:
"Hoje, se Nabila ou Zubair ou muitas das vítimas civis estiverem a ver na TV o presidente a mostrar-se tão pesaroso relativamente à morte de um ocidental, que mensagem estará ele a veicular?" A resposta, segundo ele, é: "Vós não tendes importância, sois filhos de um Deus menor, e só expressarei pesar aquando da morte de um ocidental."
terça-feira, 17 de março de 2015
Quando já não se acredita nas suas próprias mentiras
Por razões que o comum dos americanos não merece conhecer, Barack Obama decidiu há dias anunciar (mais) uma situação de "emergência nacional". Trata-se agora do "extraordinário risco" que a situação política na Venezuela colocaria à segurança dos EUA. Como seria de esperar, Nicolás Maduro não enjeitou a ocasião para tornar a imputar aos inimigos externos a culpa pelas enormes dificuldades por que passa o país que desgraçadamente (des)governa - Maduro, com o petróleo venezuelano, fez jus a Friedman quanto este afirmava que caso se entregasse a gestão do deserto do Sahara ao governo federal, em cinco anos sobreviria uma escassez de areia...
Perante um pedido de comentário à reacção de Maduro às novas sanções impostas por Obama no decorrer de uma conferência de imprensa no passado dia 11, a porta-voz da secretaria de Estado, Jen Psaki, lendo uma declaração pré-preparada sobre o tema, refere a certa altura sem se rir:
Perante um pedido de comentário à reacção de Maduro às novas sanções impostas por Obama no decorrer de uma conferência de imprensa no passado dia 11, a porta-voz da secretaria de Estado, Jen Psaki, lendo uma declaração pré-preparada sobre o tema, refere a certa altura sem se rir:
«No que constitui uma política de longa data, os Estados Unidos não apoiam transições políticas concretizadas por meios não constitucionais. As transições políticas devem ser constitucionais, democráticas, pacíficas e legais.»
O leitor que faça a sua própria avaliação e, nomeadamente, que atente na linguagem corporal da porta-voz perante a incredibilidade que tais declarações suscitaram na assistência:
Mike Krieger, que conta a história, assinala o curioso facto de a ele lhe parecer que, ao longo da sua vida, a política externa dos Estados Unidos não tem visado outra coisa que não seja a iniciação de transições políticas concretizadas por meios não constitucionais. Não vejo como não o acompanhar nessa observação, especialmente válida para a América Latina.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Pat Buchanan: A Ucrânia Precisa de Paz, Não de Bombas
Com especial incidência desde o 11 de Setembro de 2001, que oficialmente iniciou uma aparentemente perpétua "guerra contra o terrorismo", que assistimos à eclosão de guerras sobre guerras marcadas pelo protagonismo da superpotência vencedora da Guerra Fria. De uma forma unilateral, de forma mais aberta ou velada, é como se os EUA se tivessem outorgado a si próprios o papel de um global Robocop (na expressão de Pepe Escobar) que, na esteira do messianismo wilsoniano, tem por missão "resolver" qualquer situação em qualquer parte do mundo que necessite ser "resolvida". Para o efeito, um dos instrumentos preferenciais tem sido o recurso aos bombardeamentos "humanitários" (que, se não estou em erro, foram inaugurados por Bill Clinton nos Balcãs) sendo notórios os "sucessos" que têm sido conseguidos: do Afeganistão ao Iraque, da Síria ao Sudão e à Somália, da Líbia ao Iémen, etc. E tudo parece conjugar-se para mais um envolvimento noutra aventura militar, agora na Ucrânia, muito embora isso não esconda a relutância da "Europa". Mas não foi Victoria Nuland quem, famosamente, exclamou "fuck the EU!" há um ano atrás nas vésperas de Maidan? Pat Buchanan, um paleoconservador antigo candidato à presidência dos EUA, tem sido uma das figuras da intelectualidade americana que tem ousado colocar perguntas pertinentes na tentativa de apelar à razão. Em mais um excelente artigo, apela ao bom senso. E à paz.
3 de Fevereiro de 2015
Por Patrick J. Buchanan
Entre os presidentes do período da Guerra Fria, de Truman a Bush I, havia uma regra não escrita: não desafiar Moscovo na sua esfera de influência na Europa Central e Oriental.
Nas crises de Berlim de 1948 e 1961, na Revolução Húngara de 1956 e na invasão do Pacto de Varsóvia de Praga em 1968, as forças americanas na Europa permaneceram nos seus quartéis. Víamos o Elba como a linha vermelha de Moscovo, e eles viam-no como a nossa. Apesar de Reagan ter enviado armas para os rebeldes anti-comunistas em Angola, Nicarágua e Afeganistão, para os heróicos polacos de Gdansk só enviou copiógrafos.
Patrick J. Buchanan
Essa cautela e prudência da Guerra Fria poderá ter terminado.
Isto porque o presidente Obama está a ser instigado pelo Congresso e pelos intervencionistas liberais [no contexto norte-americano, “progressistas”, de esquerda – NT] no seu partido para enviar armamento letal para Kiev, em guerra civil com rebeldes pró-russos em Donetsk e Luhansk. Esta guerra já custou 5000 vidas, entre soldados, rebeldes e civis. O cessar-fogo de Setembro em Minsk foi rasgado. Os rebeldes, recentemente, conquistaram cerca de mais 300 quilómetros quadrados, e dirigiram fogo de artilharia contra Mariupol, um porto do Mar Negro entre Donetsk e Luhansk e a Crimeia.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
O estado da Nação: Problemas? Onde?!
O "estado da Nação", segundo um Obama agora com uma agenda "liberal" que, note-se bem, anunciou "o fim da crise financeira".
É certo que há por aí uns bota-abaixistas que assinalam coisas como esta...
... mas esses esquecem-se que há sempre esta "infalível solução" (via ZH) ...
É certo que há por aí uns bota-abaixistas que assinalam coisas como esta...
... mas esses esquecem-se que há sempre esta "infalível solução" (via ZH) ...
Isto para já não falar dos estrepitosos "sucessos" na frente externa onde a doutrina dos "bombardeamentos humanitários", iniciada por Bill Clinton nos Balcãs, continua a ser o joker de serviço (para qualquer serviço): Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia, Iémen, Ucrânia, etc. No interim, interna e externamente, "spy on them all"!
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A fraude da discriminação de género no trabalho
Um dos filões, aparentemente inesgotável, que vem alimentando o intervencionismo estatal é o de uma espécie de meta-guerra perpétua à discriminação onde têm cabido as “causas fracturantes” (muito caras à esquerda caviar e às franjas chiques dos partidos do poder) e, muito em especial, a vastíssima discriminação pelo sexo de género. O recurso ao vocábulário bélico não é em vão. Usando por aferidor o Google, até aqui têm sido pouco mais que esporádicas entre nós as referências à “guerra contra as mulheres”; mas talvez não esteja enganado em antever uma próxima vaga de fundo no Rectângulo. É que do outro lado do Atlântico uma busca por “war on women” devolveu-me 29,8 milhões de resultados. E este resultado não é alheio – é mesmo um dos temas que está a dar nos dias de hoje na América - o apadrinhamento que tem recebido do inquilino da Casa Branca.
O Prof. Mark Perry – que aborda regularmente este tema - há um par de semanas que se vem dedicando a desmontar com denodo uma suposta discriminação salarial de género contra a qual Obama se insurge e pretende combater (o seu post de ontem é particularmente revelador). Tal como Perry, também Thomas Sowell acusa Obama de fraude estatística nesta "guerra". Daí o título do seu artigo de ontem – Statistical Frauds. A mim, confesso, interessa-me bem mais a componente lógica da sua argumentação resumida no convite com que termina o seu artigo e que me motivou a publicar uma sua tradução de minha exclusiva responsabilidade.
15 de Abril de 2014
Por Thomas Sowell
Fraudes estatísticasA "guerra contra as mulheres" é um slogan político que, na realidade, é uma guerra contra o senso comum.
É a uma fraude estatística que Barack Obama e outros políticos recorrem quando afirmam que as mulheres ganham apenas 77% do que os homens auferem - e que isso se deve à discriminação.
Tratar-se-ia certamente de discriminação se as mulheres fizessem o mesmo trabalho que os homens, durante o mesmo número de horas, com a mesma formação e experiência, e se fossem também iguais nas restantes coisas. Porém, ao longo das últimas décadas, estudos sucessivos têm repetidamente mostrado que não são iguais nessas coisas.
Thomas Sowell
A repetição constante da estatística dos "77%" não altera essa realidade. Apenas tira partido da ignorância de muitas pessoas - algo em que Barack Obama tem sido muito bom em muitos outros temas.
E se se comparassem as mulheres e os homens que são iguais em todas as características relevantes?
Em primeiro lugar, isso raramente é possível porque as estatísticas necessárias nem sempre estão disponíveis para todo o leque de actividades profissionais e para a gama completa de diferenças entre os padrões das mulheres e dos homens no mercado de trabalho.
domingo, 23 de março de 2014
Apesar de Obama, uma revolução energética nos EUA
O extraordinário recrudescimento na exploração de gás natural e petróleo nos EUA, tornado possível pelo desenvolvimento do fracking (fracturação hidráulica) e da perfuração horizontal, vem ocorrendo em terrenos na posse de privados e dos estados federados. Ao invés, nos terrenos federais, o que se tem verificado é a redução dos níveis de produção. E, ironia das ironias, tudo isto sem prejuízo de, em simultâneo, se ter verificado uma acentuada redução nas emissões de dióxido de carbono um poluente alimento das plantas. Obama reclama para si créditos por estes resultados (entre os quais as novas centenas de milhar de empregos) pretendendo com isso fazer passar a ideia falsa que as "novas renováveis" tenham tido algum impacto significativo nesta evolução. Uma dúzia de minutos fascinantes. (Via Carpe Diem)
sexta-feira, 7 de março de 2014
Juiz Napolitano: O monstro Putin
De há muito que o Andrew Napolitano é uma presença assídua neste blogue quer através de clips do saudoso programa televisivo da Fox, Freedom Watch, quer pelos seus artigos e livros que publica regularmente. Antigo juiz do equivalente a um tribunal da Relação, fervoroso defensor do espírito e letra da Constituição americana e dos Pais Fundadores, Napolitano faz valer as suas qualidades de jurisconsulto na veemente defesa da Liberdade. Rigoroso e eloquente, mas sempre didáctico, Napolitano explica no artigo que se segue (minha tradução) porque não devem os EUA imiscuir-se num conflito onde nada têm a defender que lhes seja, sequer remotamente, vital ainda que o comportamento imperial do governo do ex-KGB seja, como é, abjecto. Para o efeito, irá também convocar o 6º presidente dos EUA, John Quincy Adams. Tomara que Woodrow Wilson tivesse seguido os conselhos que aquele proferiu ao invés de ter adoptado a "progressiva" e catastrófica doutrina segundo a qual os EUA têm a missão (divina?) de "tornar o mundo seguro para a democracia". As centenas de milhões de mortos que ocorreram no século XX têm aí a sua raiz. Por essa razão, importa retomar em breve a série de posts relativos à mãe de todas as catástrofes a que o século passado assistiu. O que faremos nos próximos dias.
6 de Março de 2014
Por Andrew P. Napolitano
O monstro Putin (Monster Putin)
O que sucede quando o governo dos Estados Unidos participa, de modo significativo, no derrube de governos estrangeiros em nome da difusão da democracia? Esse comportamento resulta geralmente em consequências não-intencionais e, com frequência, resulta em desastres.
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003, inicialmente para procurar armas de destruição maciça que, sabemo-lo agora, o governo Bush sabia não existirem, e promover a mudança de regime, os EUA conseguiram mudar profundamente a governação iraquiana. Mas, nesse processo, perdemos a vida de 4,500 soldados norte-americanos, sofremos 45 mil feridos, pedimos emprestados e gastámos - e não pagámos - mais de 2 milhões de milhões de dólares, causando a morte a 650 mil iraquianos e o desalojamento a 2,5 milhões, e abrimos o caminho no Iraque ao nosso inimigo público - a Al-Qaeda. A Al-Qaeda não estava no Iraque antes da nossa invasão. Hoje, ela controla um terço do país tornado instável.
Andrew P. Napolitano
Em 2010, o presidente Barack Obama decidiu que já não gostava do ditador favorito da América no Médio Oriente, o presidente Hosni Mubarak do Egipto, muito embora ele e os seus quatro antecessores imediatos tenha dado ao governo Mubarak, anualmente, cerca de 4 mil milhões de dólares. Foi assim que os nossos agentes fomentaram a revolução nas ruas, enquanto Obama sugeria abertamente que chegara a hora de Mubarak deixar o poder. Em seguida, as ansiadas e prometidas eleições livres tiveram lugar, e o inimigo declarado do Ocidente e um islâmico fanático, Mohammed Morsi, tornou-se no primeiro presidente eleito pelo povo na história do Egipto. Depois, os EUA decidiram que não o queriam na cadeira do poder independentemente da legalidade e da legitimidade moral da sua eleição, levando assim a administração Obama a incentivar um golpe militar.
sábado, 1 de março de 2014
Fim à austeridade?
Os leitores habituais do Espectador Interessado ter-se-ão dado conta do progressivo afastamento do ruído do dia-a-dia, próprio do "combate de blogues", para privilegiar um olhar mais sereno embora nem por isso menos incisivo e, quiçá, até mesmo mais "radical" sobre os temas que são alvo da atenção dos seus autores.
De facto, usando para aferição o número de posts (não) publicados, temos estado muito alheados dos "debates" (?) sobre uma suposta "espiral recessiva" e uma não menos suposta "recuperação redentora" (que, num momento de arrebatamento, chegou mesmo a ser apelidada de "milagre") decorrente da acção patriótica do governo de turno. Do mesmo modo, o interesse que manifestámos em exercícios de exegese económica ao ritmo da divulgação das mais variadas estatísticas, tem sido bastante diminuto. E não apenas porque, parafraseando Ronald Coase, os dados estatísticos, se sujeitos a suficiente tortura, acabarão por confessar tudo (e um par de botas). Por aqui, preferimos cingirmo-nos à aritmética elementar aliada ao bom senso. E, aqui chegados, é fácil concluir, à semelhança aliás do verificado nas situações de pré-bancarrota de 1978-1979 e de 1983-1985, que o "ajustamento" da economia portuguesa foi conseguido quase integralmente à custa do sector privado da economia, continuando o Estado estruturalmente tão rotundo quanto o era em Abril de 2011. Sem receitas extraordinárias, o défice do orçamento continuaria acima dos 5% do PIB e isto depois de uma punção fiscal de que não há memória, nem plano (ou vontade) para a aliviar.
É então a austeridade inevitável? A resposta a esta pergunta depende do que entendamos por "austeridade". Constituirá "austeridade" ter um défice orçamental superior a 5% do PIB? Constituirá austeridade a situação de "risco" de inclusão nas contas públicas de outras rubricas que sempre lá deveriam ter estado? Há uns meses atrás, João Cortez proporcionou-nos uma boa tradução de um excelente texto de Franz Hollenbeck intitulado "As três formas de austeridade" que aconselharia agora a (re)ler. Na 5ª feira, dia 27 de Fevereiro, Mark Thornton, a propósito da nova proposta de orçamento de Obama onde este proclama a necessidade de pôr "fim à austeridade", volta ao tema que continua a ser alvo de basta mistificação. A "actualidade estrutural" do texto de Thornton compeliu-me a traduzi-lo. (Todos os erros que possam decorrer da tradução são da minha responsabilidade, bem assim como das notas introduzidas.)
O presidente Barack Obama divulgou recentemente a sua proposta de orçamento na qual apela ao "fim da austeridade". Esta é uma declaração surpreendente por parte de um presidente sob cuja administração a despesa pública federal atingiu a maior percentagem de sempre no PIB e em que a dívida pública aumentou mais do que no conjunto de todos os presidentes que o precederam. O que entenderá ele por austeridade?
Há manifestações pelo mundo fora contra a austeridade quase todos os dias. Ela é condenada por constituir um veneno em tempos económicos difíceis, enquanto outros a tomam pelo elixir contra as depressões económicas.
Mark Thornton
A rejeição da austeridade pelo presidente representa a visão keynesiana, que rejeita completamente a austeridade em favor da abordagem às recessões conhecida por "pedir emprestado e gastar" - a de fazer crescer a procura agregada. O que ele na realidade está a rejeitar são as reduções infinitesimais na taxa de crescimento da despesa e os obstáculos políticos a novos programas de despesa.
Embora os níveis de despesa nos orçamentos entre 2009 e 2012 tenham permanecido relativamente constantes, eles foram ainda assim 15% superiores ao de 2008 e 75% mais elevados que os verificados na década anterior. Este salto na despesa nestes quatro anos foi financiado com um aumento de 5 milhões de milhões de dólares da dívida pública. Austeridade, aqui? Nenhuma!
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Os horrores do capitalismo: lendas e narrativas II
Ao terminar este post, após ter publicado uma série de gráficos auto-explicativos, tinha deixado uma pergunta um tanto provocatória ao Papa Francisco: que mistério teria sucedido na China dos finais da década de 1970 em diante? Agora, via Carpe Diem, o excelente blog do Prof. Mark Perry, surgiu a oportunidade para fazer um zoom sobre o período de 1970 a 2006, relativamente à evolução da taxa mundial de pobreza na sua mais dura expressão (pobreza "extrema"): e "proporcionar" uma explicação:
Um decréscimo de 80% em menos de 40 anos! À custa de quê? Da globalização, isto é, do extraordinário acréscimo do comércio internacional e da libertação (pelo menos em parte) do potencial da iniciativa privada em praticamente todo o Extremo Oriente, com a China à cabeça, para além da mais ocidental Índia (neste caso, com muito menos entusiasmo e de forma intermitente).
Contraste-se agora este EXTRAORDINÁRIO facto com as seguintes afirmações do Papa Francisco e de Barack Obama:
Excerto da Evangelii Gaudium, publicada em 24-11-2013, segundo versões presentes no site do Vaticano. O papa usa a pejorativa expressão "trickle-down" (meu realce), na versão inglesa:
EN - (...) [S]ome people continue to defend trickle-down theories which assume that economic growth, encouraged by a free market, will inevitably succeed in bringing about greater justice and inclusiveness in the world. This opinion, which has never been confirmed by the facts, expresses a crude and naïve trust in the goodness of those wielding economic power and in the sacralized workings of the prevailing economic system.»
PT - (..) [A]lguns defendem ainda as teorias da «recaída favorável» [?] que pressupõem que todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante.
Excerto do discurso proferido por Barack Obama, em 6-12-2013, em Kansas, onde a mesma expressão "trickle down" (agora sem hífen) surge por três vezes, cuja doutrina tinha sido "pré-anunciada" dois dias antes (minha tradução):
EN - (...) [T]here is a certain crowd in Washington who, for the last few decades, have said, let’s respond to this economic challenge with the same old tune. “The market will take care of everything,” they tell us. If we just cut more regulations and cut more taxes -- especially for the wealthy -- our economy will grow stronger. Sure, they say, there will be winners and losers. But if the winners do really well, then jobs and prosperity will eventually trickle down to everybody else. And, they argue, even if prosperity doesn’t trickle down, well, that’s the price of liberty.
Convido o leitor a retirar as suas próprias ilações, nomeadamente a assinalável coincidência.PT - Há uma certa multidão em Washington que, nas últimas décadas, tem afirmado: respondamos a este desafio económico com a mesma velha música. "O mercado irá cuidar de tudo", dizem-nos. Se nos limitarmos a aumentar a desregulamentação e a baixar mais impostos - especialmente para os ricos - a nossa economia tornar-se-á mais forte. Claro que, dizem eles, haverá vencedores e perdedores. Mas se os vencedores prosperarem, os empregos e a prosperidade acabarão de seguida por chegar a todos os outros. E, argumentam, mesmo que a prosperidade não se propague, bem, esse é o preço da liberdade.
sábado, 4 de janeiro de 2014
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