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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os horrores do capitalismo: lendas e narrativas II

Ao terminar este post, após ter publicado uma série de gráficos auto-explicativos, tinha deixado uma pergunta um tanto provocatória ao Papa Francisco: que mistério teria sucedido na China dos finais da década de 1970 em diante? Agora, via Carpe Diem, o excelente blog do Prof. Mark Perry, surgiu a oportunidade para fazer um zoom sobre o período de 1970 a 2006, relativamente à evolução da taxa mundial de pobreza na sua mais dura expressão (pobreza "extrema"): e "proporcionar" uma explicação:


Um decréscimo de 80% em menos de 40 anos! À custa de quê? Da globalização, isto é, do extraordinário acréscimo do comércio internacional e da libertação (pelo menos em parte) do potencial da iniciativa privada em praticamente todo o Extremo Oriente, com a China à cabeça, para além da mais ocidental Índia (neste caso, com muito menos entusiasmo e de forma intermitente).

Contraste-se agora este EXTRAORDINÁRIO facto com as seguintes afirmações do Papa Francisco e de Barack Obama:

Excerto da Evangelii Gaudium, publicada em 24-11-2013, segundo versões presentes no site do Vaticano. O papa usa a pejorativa expressão "trickle-down" (meu realce), na versão inglesa:
EN - (...) [S]ome people continue to defend trickle-down theories which assume that economic growth, encouraged by a free market, will inevitably succeed in bringing about greater justice and inclusiveness in the world. This opinion, which has never been confirmed by the facts, expresses a crude and naïve trust in the goodness of those wielding economic power and in the sacralized workings of the prevailing economic system.»

PT - (..) [A]lguns defendem ainda as teorias da «recaída favorável» [?] que pressupõem que todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante.
Excerto do discurso proferido por Barack Obama, em 6-12-2013, em Kansas, onde a mesma expressão "trickle down" (agora sem hífen) surge por três vezes, cuja doutrina tinha sido "pré-anunciada" dois dias antes (minha tradução):
EN - (...) [T]here is a certain crowd in Washington who, for the last few decades, have said, let’s respond to this economic challenge with the same old tune. “The market will take care of everything,” they tell us. If we just cut more regulations and cut more taxes -- especially for the wealthy -- our economy will grow stronger. Sure, they say, there will be winners and losers. But if the winners do really well, then jobs and prosperity will eventually trickle down to everybody else. And, they argue, even if prosperity doesn’t trickle down, well, that’s the price of liberty.
PT - Há uma certa multidão em Washington que, nas últimas décadas, tem afirmado: respondamos a este desafio económico com a mesma velha música. "O mercado irá cuidar de tudo", dizem-nos. Se nos limitarmos a aumentar a desregulamentação e a baixar mais impostos - especialmente para os ricos - a nossa economia tornar-se-á mais forte. Claro que, dizem eles, haverá vencedores e perdedores. Mas se os vencedores prosperarem, os empregos e a prosperidade acabarão de seguida por chegar a todos os outros. E, argumentam, mesmo que a prosperidade não se propague, bem, esse é o preço da liberdade.
Convido o leitor a retirar as suas próprias ilações, nomeadamente a assinalável coincidência.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Os horrores do capitalismo: lendas e narrativas

Como João Miguel Tavares (JMT) observava na semana passada, referindo-se ao esfuziante entusiasmo com que a esquerda, nomeadamente  a doméstica (Francisco Louçã incluído), saudou a recente exortação apostólica do papa Francisco, não foi agora que o papado procedeu à divulgação urbi et orbi da designada "doutrina social da Igreja", como se ilustra neste breve excerto1 da Rerum Novarum (RN), divulgada em 1891:
"[O]s trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários."

Leão XIII, encíclica Rerum Novarum "Sobre a condição dos operários"
É certo que um trecho como este poderá ser invocado para, à direita, rechaçar as críticas (como por exemplo, a que veementemente se faz aqui) que têm sido dirigidas ao papa Francisco, entre as quais aquela que dei conta, no sentido em que o actual papa não terá feito outra coisa senão voltar a repetir o que a Igreja há muito postulou como sua doutrina. Bem, mas não irei entrar na exegese das encíclicas e exortações papais tarefa para a qual não tenho qualquer tipo de competência nem, para ser franco, apetência. Interessa-me mais perceber por que razão o trecho acima está decalcado na narrativa standard que há décadas se constituiu como "a narrativa oficial" dos supostos horrores da industrialização. Ora vejam (traduzido daqui) o seguinte texto, constante do livro de História com que Bryan Caplan se defrontou quando estudava no liceu:
"A Condição do Operário. O desenvolvimento do sistema industrial provocou um tal abismo entre empregadores e empregados que os primeiros deixaram de ter um interesse pessoal no bem-estar dos últimos. Como a concorrência entre fabricantes era aguda e a oferta de trabalho aumentava continuamente por via da imigração estrangeira, eles puderam impor condições de trabalho intoleráveis aos trabalhadores. Horários de trabalho entre 13 a 15 horas diárias, seis dias por semana, enquanto os salários eram tão baixos que, após o pânico de 1837, uma família só conseguia subsistir se todos os seus membros trabalhassem. Daí que o trabalho infantil fosse comum. As fábricas eram normalmente insalubres, mal iluminadas, sem que fosse fornecida uma qualquer protecção no trabalho com máquinas perigosas. A segurança era desconhecida; os trabalhadores eram despedidos sempre que a doença ou a idade prejudicasse a sua eficiência. Como nem a sociedade nem o governo se preocupavam com estas condições, os trabalhadores foram forçados a organizar-se para se protegerem a si próprios."

Ray Billington, American History Before 1877 (1988)
Esta autêntica descrição do inferno na Terra supõe,, implicitamente um contraste com a vida "natural" que os ex-camponeses desfrutavam na antecedente era pré-industrial. Uma vida que seria fraternamente comunitária, em que as pessoas não estavam "alienadas" do seu trabalho, onde as criancinhas brincavam alegremente, entre prados e riachos, em contacto directo com a natureza, sempre vigiados de perto pelos pais na sua labuta diária, assim desfrutando de uma vida saudável e segura - um autêntico paraíso na Terra que o capitalismo veio destruir talvez para todo o sempre (caso as "boas almas" não consigam destruir a lógica da "ganância" estribada no "lucro fácil" ou na "usura").

E todavia... atente-se nos três gráficos seguintes (retirados daqui) que representam a evolução do PIB per capita mundial a partir de estatísticas coligidas separadamente por dois economistas, Brad De Long e Angus Maddison, que constituem, especialmente o segundo, a fonte de referência relativa às estatísticas do crescimento económico:

I - Desde 10000 a.C. até 2003 d.C. (Maddison apenas estimou valores para a nossa era)

Repare-se na anormalidade que se verifica na parte direita do gráfico. O que raio se terá passado para a provocar? 

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II - De 1600 até 2003

Fazendo um "zoom" sobre a figura anterior, observamos que é à volta de 1800 que se inicia algo de revolucionário - um crescimento sustentado do PIB per capita mundial. Agora, não apenas a população total crescia como o produto médio per capita também subia! Tal possibilitava que o nível de vida médio aumentasse sustentadamente pela primeira vez na História! Ou seja, a "armadilha/maldição malthusiana" era finalmente superada.

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III - De 1820 a 2003

Com uma nova ampliação, e agora desagregando por grandes regiões do planeta, o panorama é o seguinte, ressaltando, entre outras, uma observação notável: o recente comportamento da "Ásia".

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Tal sugere uma investigação sobre o comportamento particular da variável em estudo relativamente à China. É o que proporciona o gráfico seguinte.

IV - Evolução do PIB per capita na Europa Ocidental na China (de 1000 a 2003 a.C.)

Gráfico retirado daqui
O que terá acontecido na China nos finais da década de 70 do séc. XX? Para o Papa Francisco deverá ser um Mistério!!
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1Este texto é (bastante) diferente daquele citado por JMT. Por não ter sido capaz de localizar a fonte da versão citada por JMT, preferi adoptar a tradução que consta no site do Vaticano.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A difícil relação do Papa Francisco com a Economia

está bem ilustrada nas palavras que se seguem do juiz Andrew Napolitano, em tradução minha, publicadas no Washington Times de ontem com o título Pope Francis should be saving souls, not pocketbooks ("O Papa Francisco devia estar a salvar as almas, não as carteiras"). Napolitano, um assumido membro da igreja católica romana, que lamenta em particular os caminhos que esta tomou no pós-Vaticano II, é duro mas piedoso para com Francisco. Por isso, vai rezar por ele.

Não sendo eu religioso (embora tenha há muito abandonado um implícito activismo ateísta), não posso evidentemente negar a matriz judaico-cristã da civilização ocidental que nos marca e a importância, a que devemos reverência, em justa medida, da Tradição. Não há, ou não creio que haja, qualquer contradição no reconhecimento deste facto e na simultânea defesa vigorosa da livre interacção entre as pessoas. É este o aspecto que mais me interessa neste artigo (como também já sucedera aqui). Regressarei em breve ao tema a propósito de um excerto da encíclica Rerum Novarum, de 1891, que João Miguel Tavares esta semana recordava.
Qual é o problema mais grave no mundo de hoje? Será que é a guerra, a fome, o genocídio, a violência sectária, o assassinato, a matança de bebés no útero? Qualquer uma destas respostas seria considerada racional. Quando recentemente fizeram esta pergunta ao papa Francisco, ele respondeu: "O desemprego dos jovens".

Andrew P. Napolitano
É evidente que o desemprego entre os jovens é um problema sério. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, atingiu os 25%. Estas são pessoas que já não frequentam a escola a tempo inteiro e ainda não têm 30 anos de idade. É um problema para eles e para as suas famílias, para as suas comunidades e para os estados sociais que os estão sustentando. Será este, todavia, o pior problema no mundo? Será um problema da Igreja Católica Romana? Será algo para o qual o papa tem competência para comentar ou resolver?

Os comentários do papa ao desemprego dos jovens foram recentemente retirados do site do Vaticano. Mal isso sucedeu, logo o Santo Padre fez publicar a sua primeira exortação apostólica - uma doutrina papal formal, por oposição aos agora famosos comentários feitos de improviso na parte de trás de um avião mas porém feitos on-the-record -.

A sua exortação diz respeito à economia e revela uma ignorância perturbadora. Digo isso com respeito e deferência. Digo isso também como um católico romano tradicionalista que lamenta a diluição pós-Vaticano II de tradições sagradas, do enfraquecimento do ensinamento moral e da trivialização das práticas litúrgicas. Digo igualmente isto, porém, como um firme crente de que o Papa Francisco é o Vigário de Cristo na Terra e, como tal, personifica a autoridade magisterial da Igreja. Ele é moral e juridicamente capaz de falar ex cathedra - isto é, de modo infalível - mas apenas após exame e depuração dos ensinamentos tradicionais da Igreja e somente em matérias que afectem a fé e a moral.

Graças a Deus, por assim dizer, que a sua autoridade de magistério está limitada à fé e à moral, porque em matéria de economia, ele anda bem longe do alvo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Gramsci, o papa Francisco, jesuítas e proselitismo

Patrick J. Buchanan, uma presença frequente neste blogue, ainda que não pelos seus pontos de vista sobre economia (bem pelo contrário), não é um optimista. Explana longamente esse pessimismo informado, por exemplo, em Death of the West (2002) como no recente Suicide of a Superpower (2012). Como explica em artigo publicado na semana passada, Papal Neutrality in the Culture War, o papado de Francisco em nada contribuiu para moderar o seu pessimismo. Creio compreender o seu ponto de vista partilhando muitas das suas perplexidades perante a actuação do papa Francisco. A tradução que se segue é da minha responsabilidade.
Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

"O papa Francisco não quer guerreiros culturais; ele não quer ideólogos", disse o bispo Blase Cupich, de Spokane, Washington:

"O núncio disse que o Santo Padre pretende bispos com sensibilidade pastoral, pastores que conheçam o odor das ovelhas."

O bispo Cupich estava a veicular as instruções que o núncio papal havia trazido de Roma para guiar os bispos dos EUA no processo de escolha de um novo líder.

Eles escolheram o arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, detentor de um mestrado em assistência social, para suceder ao arcebispo Timothy Dolan que Laurie Goodstein, do New York Times, descreve assim [link]:
"Um loquaz evangelista, confortável em frente a uma câmara, que liderou os bispos no confronto de grande notoriedade contra a administração Obama quanto a uma disposição na legislação sobre cuidados de saúde que exige à maioria dos empregadores que tenha um seguro que cubra [a despesa com] os anticoncepcionais dos seus empregados."
Essa legislação exige igualmente aos empregadores a cobertura das drogas indutoras do aborto bem como das esterilizações.

Eis aqui mais uma confirmação que Sua Santidade procura mover a Igreja Católica para uma postura de não-beligerância, se não mesmo de neutralidade, na guerra cultural em curso pela alma do Ocidente.

Há um pequeno problema com a neutralidade. Como Trotsky observou, "Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você". Para a igreja, a sua auto-exclusão da guerra cultural não visa pôr termo a essa guerra, significa perdê-la.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mitos persistentes - A Igreja Católica inimiga da Ciência (legendado)

A excelente sugestão de um leitor, convido-vos a conhecer melhor o papel da Igreja Católica na construção da civilização ocidental. Este é o primeiro de 12 vídeos que Thomas Woods, o prolixo autor de, entre outros, O Que a Civilização Ocidental Deve à Igreja Católica (livro traduzido em português europeu, de onde derivaram os vídeos) e The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (Studies in Ethics and Economics). Historiador e economista da Escola Austríaca, Thomas Woods é também um mestre na arte de comunicar pelo que foi um prazer percorrer os vídeos (que não conhecia).


A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Introdução - Parte I | Parte II | Parte III

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Equívocos, também papais

Segundo leio, Bento XVI, lamentou na sua homilia de hoje que o mundo de hoje esteja ainda "muito marcado por focos de tensão e confronto causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecer de uma mentalidade egoísta e individualista, que se exprime também por um capitalismo financeiro sem regras".

Duas breves notas:

1) Como compaginar o reforço da prevalência de uma "mentalidade egoísta e individualista" quando o Estado absorve uma cada vez maior parcela da riqueza gerada para - assim é propagandeado pelos seus defensores -, "promover a solidariedade" através da sempre crescente subida de impostos, em ordem a precisamente atenuar a desigualdade de rendimentos? Não ocorrerá que esteja precisamente na engenharia social de uma "solidariedade" imposta, e necessariamente da sua despersonalização e burocratização, que promove precisamente comportamentos inversos aos que os "humanitários" pretendiam perseguir? Não reside aí, afinal, a real fonte da sanha persecutória contra Isabel Jonet?

2) Como é possível continuar a sustentar a suposta existência de um "capitalismo financeiro sem regras" quando são os Estados, porque não lhes convém, que não permitem que os bancos entrem em falência em resultado da má gestão de que foram alvo (ou das fraudes que lá ocorreram) tal como acontece a qualquer empresa que não seja de "regime"? Porque havemos de continuar a aceitar que seja sempre o contribuinte a suportar os custos de resgatar zombies como, entre muitos, o banco franco-belga Dexia (o terceiro resgate vem a caminho), as Cajas espanholas, o BPN ou agora o Banif?

Nada disto tem a ver com o capitalismo. É antes o seu contrário.

domingo, 13 de novembro de 2011

D. José Policarpo e os "mercados em quem ninguém manda"

O activismo do Cardeal Patriarca contra o "neoliberalismo" reinante tem vindo a ser notável, constituindo o pequeno video abaixo uma prova desse apostolado. Ressalvando embora o meu ateísmo, não tenho memória de tal intensidade interventiva no pretérito consulado socratino.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tirar o cavalo da chuva

é o título do artigo de Vasco Pulido Valente, hoje, no Público. Destaco o seguinte trecho:
Que querem eles - Seguro, Cavaco e Policarpo? Amolecer o duríssimo coração de Passos Coelho e Vítor Gaspar? Salvar o povo português de um destino imerecido e horrendo? Não parece. Eles querem, na essência, e para usar um imperdoável plebeísmo, tirar o cavalo da chuva.

António José Seguro quer demonstrar que "não se rende" ao PSD e CDS e que, sem prejudicar o seu notório sentido de responsabilidade (imprescindível para voltar ao poder), continua de esquerda. Entretanto, as propostas para amaciar o Orçamento sossegam o partido e, com sorte, se as coisas correrem mal, talvez lhe arranjem um lugarzinho na coligação. Numa coligação PSD-PS-CDS era onde Cavaco gostava de os ver aos três, sob o alto patrocínio dele e sem sarilhos (principalmente na rua) que o perturbassem até ao fim do mandato. A isto chama ele "equidade". E a Igreja concorda, porque a reforma ou o conflito a põem num dos sítios onde ela sempre odiou estar. Mais precisamente, de um lado ou do outro. Passos Coelho que fique com o odium. Estes três santinhos ficarão com as rezas.
Subscrevo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Igreja australiana e o aquecimento global

O arcebispo católico de Sydney, George Pell, questionou a moralidade dos custos e benefícios da imposição de pesados ​​encargos financeiros com o intuito de limitar as alterações climáticas, durante uma palestra em Londres, Algumas passagens:
"Whatever our political masters might decide at this high tide of Western indebtedness," Cardinal Pell said, "they are increasingly unlikely, because of popular pressure, to impose new financial burdens on their populations in the hope of curbing the rise of global temperatures (...)

"In 1135, the water flow in the Danube was so low that people could cross it on foot. Somewhat earlier, the Rhine had suffered the same fate. Around the middle of the Little Ice Age, the year 1540 was the warmest and driest for the millennium in central Europe. Once again, the Rhine dried up.

"We can only imagine the excitement such events would provoke today.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

À atenção do Papa Bento XVI (2)

De um excelente texto de Phil Lawler, intitulado Spare us from Vatican economic analysts, que merece ser lido na íntegra, destaco as seguintes passagens (via Tom Woods):
[P]erhaps the Vatican might learn a few lessons from economic analysts. Just for instance:
  • that government does not create anything, and therefore does not have funds unless it obtains those funds from ordinary people: taxpayers;
  • that the world’s financial system is currently endangered because of the soaring level of government debt;
  • that regulatory agencies have an abysmal record of failure in protecting the public from market fluctuations, speculative bubbles, and even outright fraud—and it is only reasonable to expect that a worldwide authority would reproduce those failures on a global scale;
  • that government interventions in the markets invariably produce unintended consequences, many of them deleterious;
  • that government regulation invariably furnishes opportunities for powerful corporations to manipulate the market for their own purposes, to the detriment of the general welfare.
Oh, yes, and most important of all:
  • When an obscure Vatican agency [Pontifical Council for Justice and Peace] issues a statement that contains 50% solid Catholic social teaching, and 50% flaky leftist theory, the world’s media will ignore the distinctively Catholic content—what the Church should say, what the world should learn—and concentrate exclusively on the leftist theory. So for the great mass of ordinary readers, who will never read the full document, but only scan the headlines, the important message will be lost. What will register, instead, is that the Vatican has not learned its lessons about economic affairs and political realities.

À atenção do Papa Bento XVI

A propósito desta notícia, recomenda-se que Sua Santidade promova, com carácter de urgência, a leitura serena e atenta por parte dos seus conselheiros económicos de "The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (Studies in Ethics and Economics)", por Thomas Woods Jr.

É que o problema não é haver regulação e banco central a menos. É exactamente o contrário, como o mesmo Thomas Woods aqui explica, de forma sintética. O que segue é um excerto desse seu último texto (meus realces):
«(...) In the United States we have 115 agencies that regulate the financial sector, and the Securities and Exchange Commission never had a bigger budget or staff than under George W. Bush. There has been a threefold (inflation-adjusted) increase in funding for financial regulation since 1980. For reasons I’ve explained in my 2011 book Rollback, the repeal in 1999 of one provision of Glass-Steagall had zero to do with the financial crisis. Europe has never operated under Glass-Steagall-style restrictions and is none the worse for it. There is no repealed regulation that would have prevented the crisis consuming the world right now.

The banking industry is by far the least laissez-faire sector of the U.S. economy; it is a cartel arrangement overseen by the Federal Reserve and shot through with monopoly privilege, bailout protection, and moral hazard.

O globalismo económico defendido pelo Vaticano

a avaliar por esta notícia, é extremamente perigoso. Uma eventual existência de um Governo Mundial e, por conseguinte, de um único Banco Central, seria receita certa para o totalitarismo à escala planetária.

A ser verdade o que a Reuters divulga, penso que o Vaticano devia começar rapidamente a familiarizar-se com a Escola Austríaca.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Vaticano: contra o Keynesianismo, pró-Austríacos

Via o imprescindível Lew Rockwell, fiquei a saber que o responsável pelas finanças do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, está muito preocupado com a consequência das políticas keynesianas seguidas de um e outro lado do Atlântico. Tedeschi, responsável pelo Instituto das Obras Religiosas, chama a atenção para a  "nacionalização" da dívida privada nos EUA e a "privatização" da dívida pública na União Europeia. Em qualquer dos casos: «They destroy savings, which is an essential resource to create the base for bank credit; they promote speculation on real estate and securities, create illusory artificial values rather than scaling them down; they push consumption to more risky debt; they alter the market with artificial values and thus lead to belief that the very markets do not know how to correct themselves». Tedeschi, pedagogicamente, chega a aconselhar a leitura do livro - no que o autor deste blogue vivamente o acompanha -, lançado em 2009, e cuja capa replico na imagem à direita, "Where Keynes Went Wrong: And Why World Governments keep creating Inflation, Bubbles and Busts," pelo economista e filósofo americano Hunter Lewis, para desfeitear o argumentário keynesiano propiciador de cada vez maior intervenção do Estado na Economia e, por essa via, na vida dos cidadãos, sem qualquer benefício tangível. Bem pelo contrário.