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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
A versão contemporânea da guilhotina humanitária
Rui Ramos está preocupado com o alheamento ("humanitário", claro) que antevê por parte do mundo ocidental com o fim da Pax Americana, que a expulsão dos terroristas (ele preferirá "rebeldes") de Alepo-Leste seria um seu indício, agora que Donald Trump protesta a sua vontade de acabar com a já antiga política de "mudança de regime", entretanto abertamente prosseguida com inaudita veemência no século XXI.
Pois desde a década de 1990 que o poder imperial não tem tentado fazer outra coisa. Desde os Balcãs e o Cáucaso na década de 1990, para onde caminharam os então excedentários "combatentes da liberdade" no Afeganistão, que logo aí se exercitaram no corte de cabeças, até ao paroxismo após o 11 de Setembro. Com o retomar da guerra no Afeganistão, agora contra os Talibã, e desencadeada que foi – na base de uma mentira convenientemente fabricada – a desastrosa (ou criminosa?) guerra no Iraque, os antigos “combatentes da liberdade” retomaram o seu estatuto de terroristas, até que tornaram à condição de “combatentes da liberdade” quando deram jeito. Primeiro na Líbia para ajudar ao derrube de Kadhafi e depois na Síria para alimentar convenientemente a farsa de uma “guerra civil”.
No ínterim, sob a inspiração teórica do cientista político Gene Sharp, decorreu toda uma longa campanha de “golpes suaves” que se iniciou em 2000 com o derrube de Slobodan Milošević pela actuação da Otpor (‘Resistência’, em sérvio). Aí foi criado o template e o conjunto de formadores para os activistas das revoluções coloridas (Geórgia, Ucrânia, Quirquistão, Birmânia) com a prestimosa ajuda de numerosas NGO, entre as quais a generosamente financiada OSI de George Soros. Este template, com a ajuda das novas tecnologias, esteve depois presente nas “primaveras árabes” com os resultados que se conhecem, e onde gigantes tecnológicos como a Google, o Facebook e o Twitter cumpriram papéis relevantes (no caso desta última, chegou ao ponto de ajustar as horas de manutenção da plataforma!).
Estamos assim, quinze anos volvidos sobre a “guerra ao terror”, com sete (7) países a serem bombardeados com regularidade – Afeganistão, Paquistão, Iraque, Síria, Líbia, Iémen e Somália. Só no Afeganistão e no Iraque estima-se que o custo das intervenções militares seja da ordem dos seis milhões de milhões de dólares (um ‘6’ seguido de doze zeros). As vítimas contam-se pelas dezenas de milhões, entre mortos, feridos e deslocados. Os países atingidos viram as suas infra-estruturas quase totalmente destruídas, o que significa longas décadas de reconstrução. E o que têm os intervencionistas e os supostamente afligidos por questões humanitárias para mostrar? Que Saddam Hussein e Kadhafi estão mortos?
É disto que Rui Ramos já está nostálgico? Do não alheamento ocidental?
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Desafios Reflexivos
A propósito de amores abstractos
Gostava de trazer à consideração dos nossos leitores um artigo publicado por Daniela Silva n´O Insurgente (aqui). É, julgo, uma importante e oportuna reflexão levada a cabo acerca do ambiente moral em que vivemos.
É importante, pois foca a sua atenção no impulso e orientação do discurso e da acção – nas vertentes política, económica, social e cultural - para o global e para o abstracto. Identifico esta orientação como a tentativa de concretização de uma fuga e de um apagamento.
Gostava de trazer à consideração dos nossos leitores um artigo publicado por Daniela Silva n´O Insurgente (aqui). É, julgo, uma importante e oportuna reflexão levada a cabo acerca do ambiente moral em que vivemos.
É importante, pois foca a sua atenção no impulso e orientação do discurso e da acção – nas vertentes política, económica, social e cultural - para o global e para o abstracto. Identifico esta orientação como a tentativa de concretização de uma fuga e de um apagamento.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Greenwald: Obama, drones, propaganda e relativismo
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| Glenn Greenwald |
Admito que o tema do artigo de Glenn Greenwald, que proponho na ocasião aos leitores do EI, possa ter aspectos delicados e me leve a incorrer num risco de (des)entendimentos que não são de todos os meus com os leitores. Apesar de por várias ocasiões ter manifestado o mais vivo repúdio (por exemplo, aqui) da componente da "guerra ao terror" por recurso a drones para executar as "listas de morte" (normalmente sem danos directos para os seus promotores, razão pelo crescente recurso que fazem deles para além de evitar as "boots on the ground"), não ignoro que as "nossas" mortes não são "iguais" às dos outros. Claro que não são. A proximidade familiar, comunitária, empresarial, clubística, regional, nacional, linguística, cultural, etc., são determinantes dessa desigualdade. Nada há de mal nisso, pelo contrário. Coisa diferente, porém, é tratar diferente o que é igual e, sem mais, disso fazer alarde ainda que pela via sinuosa da redefinição semântica ou pelo olímpico desprezo pelos obscenos danos "colaterais" tratando milhares de vítimas inocentes não com desdém mas com a borracha da memória instantânea. Haverá diferença, afinal, para os Untermenschen? Não vejo onde. É sobre isto que escreve Greenwald
24 de Abril de 2015
Por Glenn Greenwald
Em todos os anos que levo de escrita sobre as mortes provocadas pelos drones de Obama, foi ontem [23-04-2015] que aconteceu, de longe, a discussão crítica mais alargada nos círculos do jornalismo convencional. Esse facto sobre os drones, desde há muito suprimido mas crucial, foi na realidade anunciado no título principal na primeira página do The New York Times de ontem:
"Capa" do New York Times, versão online, de 23-04-2015
A razão para a anormalmente intensa cobertura, largamente crítica, das mortes de ontem provocadas pelos drones é óbvia: as vítimas deste ataque eram ocidentais e não-muçulmanas e, portanto, foram vistas como realmente humanas.
O advogado paquistanês Shahzad Akbar, que representa 150 vítimas de drones americanos e a quem foi por duas vezes negada entrada nos EUA para falar sobre elas, disse ao meu colega do Intercept Ryan Devereaux como dois dos seus clientes, duas crianças, provavelmente reagiriam ao pedido de "desculpas" de Obama de ontem:
"Hoje, se Nabila ou Zubair ou muitas das vítimas civis estiverem a ver na TV o presidente a mostrar-se tão pesaroso relativamente à morte de um ocidental, que mensagem estará ele a veicular?" A resposta, segundo ele, é: "Vós não tendes importância, sois filhos de um Deus menor, e só expressarei pesar aquando da morte de um ocidental."
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Da (in)consistência intelectual de um economista
que se tornou num activista político.
A simplicidade do diagrama só sublinha a riqueza do seu conteúdo. Um exemplo ilustrativo de que visitar o Coyote com frequência é altamente recomendável.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Juiz Napolitano: O monstro Putin
De há muito que o Andrew Napolitano é uma presença assídua neste blogue quer através de clips do saudoso programa televisivo da Fox, Freedom Watch, quer pelos seus artigos e livros que publica regularmente. Antigo juiz do equivalente a um tribunal da Relação, fervoroso defensor do espírito e letra da Constituição americana e dos Pais Fundadores, Napolitano faz valer as suas qualidades de jurisconsulto na veemente defesa da Liberdade. Rigoroso e eloquente, mas sempre didáctico, Napolitano explica no artigo que se segue (minha tradução) porque não devem os EUA imiscuir-se num conflito onde nada têm a defender que lhes seja, sequer remotamente, vital ainda que o comportamento imperial do governo do ex-KGB seja, como é, abjecto. Para o efeito, irá também convocar o 6º presidente dos EUA, John Quincy Adams. Tomara que Woodrow Wilson tivesse seguido os conselhos que aquele proferiu ao invés de ter adoptado a "progressiva" e catastrófica doutrina segundo a qual os EUA têm a missão (divina?) de "tornar o mundo seguro para a democracia". As centenas de milhões de mortos que ocorreram no século XX têm aí a sua raiz. Por essa razão, importa retomar em breve a série de posts relativos à mãe de todas as catástrofes a que o século passado assistiu. O que faremos nos próximos dias.
6 de Março de 2014
Por Andrew P. Napolitano
O monstro Putin (Monster Putin)
O que sucede quando o governo dos Estados Unidos participa, de modo significativo, no derrube de governos estrangeiros em nome da difusão da democracia? Esse comportamento resulta geralmente em consequências não-intencionais e, com frequência, resulta em desastres.
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003, inicialmente para procurar armas de destruição maciça que, sabemo-lo agora, o governo Bush sabia não existirem, e promover a mudança de regime, os EUA conseguiram mudar profundamente a governação iraquiana. Mas, nesse processo, perdemos a vida de 4,500 soldados norte-americanos, sofremos 45 mil feridos, pedimos emprestados e gastámos - e não pagámos - mais de 2 milhões de milhões de dólares, causando a morte a 650 mil iraquianos e o desalojamento a 2,5 milhões, e abrimos o caminho no Iraque ao nosso inimigo público - a Al-Qaeda. A Al-Qaeda não estava no Iraque antes da nossa invasão. Hoje, ela controla um terço do país tornado instável.
Andrew P. Napolitano
Em 2010, o presidente Barack Obama decidiu que já não gostava do ditador favorito da América no Médio Oriente, o presidente Hosni Mubarak do Egipto, muito embora ele e os seus quatro antecessores imediatos tenha dado ao governo Mubarak, anualmente, cerca de 4 mil milhões de dólares. Foi assim que os nossos agentes fomentaram a revolução nas ruas, enquanto Obama sugeria abertamente que chegara a hora de Mubarak deixar o poder. Em seguida, as ansiadas e prometidas eleições livres tiveram lugar, e o inimigo declarado do Ocidente e um islâmico fanático, Mohammed Morsi, tornou-se no primeiro presidente eleito pelo povo na história do Egipto. Depois, os EUA decidiram que não o queriam na cadeira do poder independentemente da legalidade e da legitimidade moral da sua eleição, levando assim a administração Obama a incentivar um golpe militar.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Ucrânia: o prosseguimento do maniqueísmo imperial
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| Capa da The Economist da semana |
A tradução que se segue é da minha responsabilidade bem como pela introdução dos links e imagens no texto.
ACTUALIZAÇÃO (ainda no "prelo") - Como sempre sucede em períodos à beira
22 de Fevereiro de 2014
Por Eric Margolis
Nos inícios deste mês, a diplomacia americana na crise da Ucrânia foi sintetizada, pela alta funcionária do Departamento de Estado, Victoria Neuland, uma destacada neoconservadora: "Que se f*** a Europa!"
Na sexta-feira [21 de Fevereiro - NT], a Europa respondeu intermediando um compromisso sensato na cada vez mais perigosa crise ucraniana, quando o exército se aprestava a intervir. Se o pacto for respeitado, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, irá renunciar a alguns dos seus poderes, será formado um governo de unidade, serão realizadas eleições, e os manifestantes presos serão libertados. O destino da líder nacionalista presa, Yulia Timoshenko, permanece incerto.
Aqui estava uma solução diplomática inteligente para uma crise que poderia ter levado a um choque frontal entre a NATO e a Rússia, ambas potências nucleares.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Gramsci, o papa Francisco, jesuítas e proselitismo
Patrick J. Buchanan, uma presença frequente neste blogue, ainda que não pelos seus pontos de vista sobre economia (bem pelo contrário), não é um optimista. Explana longamente esse pessimismo informado, por exemplo, em Death of the West (2002) como no recente Suicide of a Superpower (2012). Como explica em artigo publicado na semana passada, Papal Neutrality in the Culture War, o papado de Francisco em nada contribuiu para moderar o seu pessimismo. Creio compreender o seu ponto de vista partilhando muitas das suas perplexidades perante a actuação do papa Francisco. A tradução que se segue é da minha responsabilidade.
Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013
"O papa Francisco não quer guerreiros culturais; ele não quer ideólogos", disse o bispo Blase Cupich, de Spokane, Washington:
"O núncio disse que o Santo Padre pretende bispos com sensibilidade pastoral, pastores que conheçam o odor das ovelhas."
O bispo Cupich estava a veicular as instruções que o núncio papal havia trazido de Roma para guiar os bispos dos EUA no processo de escolha de um novo líder.
Eles escolheram o arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, detentor de um mestrado em assistência social, para suceder ao arcebispo Timothy Dolan que Laurie Goodstein, do New York Times, descreve assim [link]:
"Um loquaz evangelista, confortável em frente a uma câmara, que liderou os bispos no confronto de grande notoriedade contra a administração Obama quanto a uma disposição na legislação sobre cuidados de saúde que exige à maioria dos empregadores que tenha um seguro que cubra [a despesa com] os anticoncepcionais dos seus empregados."Essa legislação exige igualmente aos empregadores a cobertura das drogas indutoras do aborto bem como das esterilizações.
Eis aqui mais uma confirmação que Sua Santidade procura mover a Igreja Católica para uma postura de não-beligerância, se não mesmo de neutralidade, na guerra cultural em curso pela alma do Ocidente.
Há um pequeno problema com a neutralidade. Como Trotsky observou, "Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você". Para a igreja, a sua auto-exclusão da guerra cultural não visa pôr termo a essa guerra, significa perdê-la.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Da inexistência de credibilidade das administrações americanas
Ontem, Peter Klein, escrevia a propósito da (falta de) credibilidade das alegações humanitárias (!?) da administração americana para justificar o bombardeamento, unilateral, na Síria (minha tradução):
"Os EUA têm que bombardear a Síria, dizem-nos, para manter a sua "credibilidade" no palco mundial. Eu não consigo entender isso. O governo dos EUA invadiu, ocupou e desestabilizou o Afeganistão e o Iraque. O Exército dos EUA usa bombas de fragmentação, de fósforo branco, e munições de urânio empobrecido, todos elas proibidas ou desencorajadas através de tratado ou convenção internacional. O Presidente apoia a execução extrajudicial, as extradições não judiciais e a tortura, todas elas proibidas pelas Convenções de Genebra. A NSA espia os seus próprios cidadãos, em violação da lei dos EUA, e nega esse facto até ser apanhada em flagrante. Que credibilidade é possível atribuir ao governo dos EUA?"
James Bovard, por seu lado, em "We can't trust White House Syria claims", e a propósito do celebérrimo massacre de oficiais polacos, perpetrado pelo exército vermelho, ocorrido durante a II GG na floresta de Katyn, em 1940, que só o ano passado, mais de 70 anos depois(!) e mais de 20 após o fim da Guerra Fria (!!), se soube oficialmente que os EUA tinham "abafado" a verdade, faz observar que, a nada acontecer que modifique o secretismo, aliás crescente, das administrações americanas, só em 2082 os EUA admitirão a verdade sobre o caso sírio.
Vejamos, então, recorrendo à história recente, e sem invocar inúmeros exemplos de operações de false flag, que viriam a "justificar" as pré-desejadas intervenções guerreiras pela administração imperial em exercício, "Dez ataques com armas químicas que Washington não que falemos". Segue-se uma tradução minha, parcial e adaptada, deste artigo de Wesley Messamore. As imagens têm a mesma proveniência.
1 - As forças armadas dos EUA lançaram 75 milhões de litros de produtos químicos sobre o Vietname de 1962 a 1971
Durante a Guerra do Vietname, as forças armadas dos EUA pulverizaram as florestas e terras agrícolas do Vietname e países vizinhos com 75 milhões de litros de produtos químicos, incluindo o muito tóxico Agente Laranja, para deliberadamente destruir o abastecimento alimentar, arrasar a ecologia da floresta e devastar a vida de centenas de milhares de pessoas inocentes. O Vietname estima que em resultado de uma década de ataques químicos, 400 mil pessoas tenham sido mortas ou mutiladas, 500 mil bebés tenham nascido com problemas congénitos e 2 milhões tenham sido vítimas de cancro ou outras doenças. Em 2012, a Cruz Vermelha estimou que um milhão de pessoas no Vietname são deficientes ou têm problemas de saúde relacionados com o Agente Laranja. [E, todavia, como Patrick J. Buchanan, assinalava "Depois de 58 mil mortos, saímos do Vietname. Quantos americanos mataram os vietnamitas desde que partimos?".]
2 - Israel atacou civis palestinianos com fósforo branco em 2008-2009
O fósforo branco é uma horrível arma química incendiária que faz derreter a carne humana até aos ossos.
Em 2009, múltiplos grupos de direitos humanos, incluindo o Observatório dos Direitos Humanos, a Amnistia Internacional e a Cruz Vermelha Internacional informaram que o governo israelita estava a atacar civis no seu próprio país com armas químicas. Uma equipa da Amnistia Internacional afirmou ter encontrado "provas irrefutáveis de utilização generalizada de fósforo branco" enquanto arma em áreas civis densamente povoadas. O Exército israelita negou as acusações no início, mas acabaria por vir a admitir que elas eram verdadeiras.
Após a série de acusações destas ONG, os militares israelitas chegaram mesmo a atingir o quartel-general da ONU (!), em Gaza, com um ataque químico. Que havemos de pensar de todas estas provas quando as comparamos com as do caso contra a Síria? Por que não tentou Obama bombardear Israel?
3 - Washington atacou civis iraquianos com fósforo branco em 2004
Em 2004, jornalistas "embebidos" nas forças armadas dos EUA no Iraque começaram a relatar a utilização de fósforo branco em Fallujah contra insurgentes iraquianos. Inicialmente, os militares mentiram e disseram que só estavam a usar fósforo branco para criar cortinas de fumo ou para iluminar alvos. Depois, admitiram ter usado o volátil produto químico como arma incendiária. À época, a emissora de televisão italiana RAI exibiu um documentário intitulado "Fallujah, o massacre escondido", que incluiu imagens sombrias de vídeo e fotografias, bem como entrevistas a testemunhas oculares residentes em Fallujah e a militares dos EUA que revelavam como o governo dos EUA fez indiscriminadamente chover fogo químico branco sobre a cidade iraquiana derretendo mulheres e crianças até à morte.
4 - A CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos com armas químicas em 1988
Os registos da CIA provam agora que Washington sabia que Saddam Hussein estava a usar armas químicas (incluindo gás de nervos sarin e gás mostarda) na Guerra Irão-Iraque, no entanto, continuou a fornecer informações secretas ao exército iraquiano, informando Hussein dos movimentos das tropas iranianas sabendo que ele usaria essas informações para lançar ataques químicos. Em certo ponto no início de 1988, Washington advertiu Hussein para um movimento de tropas iranianas, que teria terminado a guerra com uma derrota decisiva para o governo iraquiano. Em Março um encorajado Hussein com novos amigos em Washington atingiu uma aldeia curda ocupada por tropas iranianas com múltiplos agentes químicos, matando cerca de 5 mil pessoas e ferindo pelo menos 10 mil mais, a maioria deles civis. Milhares de pessoas morreram nos anos seguintes de complicações, doenças e malformações congénitas.
(...)
No infame cerco em Waco de uma pacífica comunidade de Adventistas do Sétimo Dia, o FBI bombeou gás lacrimogéneo para dentro de edifícios sabendo que mulheres, crianças e bebés os ocupavam. O gás lacrimogéneo era altamente inflamável e acabou por dar origem a um incêndio que envolveu os edifícios em chamas levando à morte de 49 homens e mulheres e 27 crianças, incluindo bebés e crianças. De lembrar, que atacar um soldado inimigo armado num campo de batalha com bombas de gás lacrimogéneo é um crime de guerra. Que tipo de crime constitui um ataque contra um bebé com gás lacrimogéneo?
Ler o resto do artigo aqui.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Are We Rome?
Ron Paul emitiu mais uma notável declaração agora relativamente ao que está em causa no pedido de autorização que Obama vai endereçar ao Congresso a propósito do anunciado ataque com mísseis à Síria. Pela sua importância, achei relevante traduzir o texto, o que faço mais abaixo. Antes dele, porém, uma chamada de atenção para um notabilíssimo livro da autoria de Cullen Murphy, com uma estrutura narrativa invulgar (talvez até única), cujo título, "Are We Rome?: The Fall of an Empire and the Fate of America", é em boa medida glosado no texto de Ron Paul.
O presidente Obama anunciou neste fim-de-semana que ele decidiu usar a força militar contra a Síria e que solicitaria autorização do Congresso quando este voltar a reunir após a pausa de Agosto. Cada membro tem a obrigação de votar contra esta utilização irresponsável e imoral da força militar dos EUA. Mas mesmo que cada um dos representantes e senadores venha a votar a favor de uma outra guerra, isso não melhorará essa terrível ideia pelo simples facto de se verificar uma espécie de aceno de cumprimento da Constituição. De resto, o presidente deixou claro que a autorização do Congresso é supérflua, ao afirmar, falsamente, que ele tem a autoridade para agir sozinho, com ou sem o Congresso. Que o Congresso se permita a si próprio ser tratado como uma montra de decorações pelo presidente imperial é algo de simplesmente espantoso.
O presidente afirmou no Sábado que o suposto ataque químico na Síria, a 21 de Agosto, significou "um grave perigo para a nossa segurança nacional". Discordo da ideia de que cada conflito, cada ditador e cada revolta, em qualquer parte do mundo, seja de alguma forma crítica para a nossa segurança nacional. Esse é o raciocínio de um império, não de uma república. É o tipo de pensamento que este presidente partilha com o seu antecessor e que está a conduzir-nos à falência e à destruição das nossas liberdades na nossa própria terra.
De acordo com recentes notícias da comunicação social, os militares não têm dinheiro suficiente para atacar a Síria pelo que haveria que ir ao Congresso para obter uma autorização de despesa suplementar para levar a cabo os ataques. Parece que o nosso império está no fim das suas possibilidades financeiras. Os ataques limitados que o presidente defendeu para atacar a Síria custariam aos EUA algo na casa das centenas de milhões de dólares. O chefe do estado-maior conjunto das forças armadas, General Martin Dempsey, escreveu ao Congresso no mês passado a dizer que só o treino dos rebeldes sírios e dos mísseis em número "limitado" e dos ataques aéreos significariam uma verba na "ordem dos milhares de milhões" de dólares. Devemos compreender com clareza o que uma outra guerra irá significar para a economia dos EUA, para não mencionar os efeitos dos custos desconhecidos adicionais, tais como um aumento brusco nos custos dos combustíveis em resposta ao disparo dos preços do petróleo.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Hollande, le Ridicule
Esta notícia - França quer intervir na Síria mas só se for acompanhada - é reveladora do estado do estado francês e, em particular, do seu actual presidente. Manietado pelo secular intervencionismo, os dirigentes do estado francês buscam desesperadamente oportunidades de se colocar em bicos de pés para recordar que a França não desapareceu e que continua a perseguir a sua grandeur. (Escrevi umas linhas sobre isto aqui, há um par de meses, a propósito de declínio económico do país afogado num estatismo crescente.)
Entretanto, mão amiga fez-me chegar à mão a crónica de Vasco Pulido Valente (VPV) no Público, intitulada "O ridículo mata", publicada no passado dia 24 de Agosto que, já exangue após meros 15 meses de mandato com níveis de impopularidade recorde, não encontra melhor antídoto para lidar com a gravíssima crise económica interna que intentar mais uma aventura numa ex-colónia (no caso chamaram-lhe "mandato", mas como VPV assinala, era um mero eufemismo). Transcrevo-o agora (à falta de um digitalizador) pela sua oportunidade. Uma chapelada de cartola!
Entretanto, mão amiga fez-me chegar à mão a crónica de Vasco Pulido Valente (VPV) no Público, intitulada "O ridículo mata", publicada no passado dia 24 de Agosto que, já exangue após meros 15 meses de mandato com níveis de impopularidade recorde, não encontra melhor antídoto para lidar com a gravíssima crise económica interna que intentar mais uma aventura numa ex-colónia (no caso chamaram-lhe "mandato", mas como VPV assinala, era um mero eufemismo). Transcrevo-o agora (à falta de um digitalizador) pela sua oportunidade. Uma chapelada de cartola!
«Disse ontem [Sexta-feira, 24 de Agosto] que o Ocidente se tinha mostrado cauteloso e, até certo ponto, desinteressado da guerra civil na Síria. Não me lembrei da França, que se julga desde o princípio do século XIX a entidade redentora da humanidade. Não só, segundo a ortodoxia, ensinou a liberdade aos povos, como a grande revolução de 1789-1794 (que, por acaso suprimiu qualquer vestígio de liberdade), mas serviu de modelo a Lenine e aos bolcheviques no glorioso golpe de Estado de 1917. Esta fé continua a ser essencial à cultura política do Estado e da "inteligência". Infelizmente, depois de 1815 e da derrota definitiva de Napoleão, a França nunca foi mais do que uma potência de terceira ordem; e desde o fim da II Grande Guerra perdeu mesmo a "supremacia" cultural, que sempre lhe dava algum consolo e importância.
Hoje quase desapareceu. Apesar de uma literatura incomparável, pouca gente lê a sua língua. Pátria da "haute" e da "baixa" cuisine, é agora, a seguir à América, a maior consumidora per capita da fast food do McDonalds. E o resto nem merece discussão. O que aparentemente deixa a França sem meios para afirmar a sua "grandeza". Neste compreensível desespero, o socialista François Hollande, a quem falta a pose e a oratória do general de Gaulle (e também o talento político), resolveu ressuscitar o velho belicismo do país: uma escolha tradicional, mas sem dúvida um pouco estranha, porque a França não ganha uma guerra de 1918 para cá. De qualquer maneira, o terrível Hollande, no meio de uma economia em estagnação, já se meteu na insurreição contra Kadhafi e nos conflitos do Mali. Com certeza que lhe soube bem esta espécie de "glória".
E a Síria não lhe podia ficar indiferente. Primeiro, porque foi um mandato francês (de facto, uma colónia com outro nome). Segundo, porque as barbaridades de Assad manifestamente chamavam "a grande redentora da humanidade". Enquanto as verdadeiras potências (a América, a Rússia, a China e a Inglaterra) tentavam não se imiscuir numa guerra que não compreendiam e que envolve uma apreciável parte do Médio Oriente muçulmano (o Irão, o Iraque, o Qatar e a Arábia Saudita) - Hollande proclamou o dever de punir Assad e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, pregava na televisão a necessidade de usar a "força". Como os franceses dizem, o ridículo mata.»
Coincidências, mistificações e um pouco de história
Foi notícia, no dia de ontem, a declaração de John Kerry, Secretário de Estado de Obama, quando afirmou que "Assad has now joined Hitler and [Saddam] Hussein" pelo facto de, alegadamente, Bashar al-Assad ser o responsável pelo incidente com armas químicas (provavelmente gás sarin) que levou à morte de centenas de pessoas no passado dia 21 de Agosto.
Embora não haja notícia de que Hitler, nem outro qualquer beligerante, tenha usado armas químicas durante os combates na II Grande Guerra, no plano estratégico ou táctico, todos sabemos que quer o lado "bom" quer o "mau" não fez outra coisa na I GG. Mas o que talvez poucos saibam é que em 1920, e exactamente a propósito do Iraque, um dos que veio a ganhar o epíteto de "grande homem" propusesse coisas como esta:
"I am strongly in favor of using poisoned gas against uncivilized tribes"
Tendo ontem decorrido o 74º aniversário do início da II Grande Guerra, com a invasão da Polónia por parte dos exércitos nazis, é talvez oportuno que nos perguntemos por que razão a utilização de armas químicas (ausentes, repito, da II GG) é moralmente mais repugnante que aquelas outras de fósforo branco ou de napalm que nela foram extensa e intensivamente utilizadas, na Europa e no Japão (já não falando das duas bombas atómicas detonadas), para arrasar cidades inteiras e exterminar, às dezenas de milhar, os seus habitantes civis (Hamburgo, Dresden, Tóquio, etc.). É aliás muito curioso que o morticínio sistemático, a uma escala anteriormente desconhecida de populações civis através de bombardeamentos, não tenha sido considerado crime de guerra durante os julgamentos em Nuremberga.
Certas indignações selectivas que por aí se ouvem, particularmente as que ocorrem nos meios tidos por "progressistas", deveriam ser contrastadas com o que os EUA, com presidentes democratas e republicanos, fizeram na Indochina durante a guerra do Vietname com o "agente laranja", com os efeitos conhecidos em número de vítimas mortais, incontáveis estropiados e centenas de monstruosidades geneticamente induzidas pelos químicos. Ou na aplicação intensiva e extensiva de uma das inovações dos finais da II Grande Guerra que ficou imortalizada na famosa fala de Robert Duvall no filme de Francis Ford Coppola, Apolypse Now: "I love the smell of napalm inthe morning".
quinta-feira, 13 de junho de 2013
M'espanto às vezes, muitas m'avergonho
O título do post remete para a epígrafe, algo modificada, escolhida pelo autor um dos mais conhecidos e antigos blogues lusitanos, por sua vez pedida emprestada a Sá de Miranda. A um e a outro o meu pedido de desculpas pela usurpação, mas não me ocorreu melhor para caracterizar a incensão que os media de "referência" dedicam aos últimos salvadores do mundo e arredores - os banqueiros centrais. Os tais que, mercê dos pactos faustianos que celebraram, praticam diariamente o exercício alquímico em quantidades colossais, assim permitindo que as grandes ilusões estatistas persistam por mais algum tempo, desta forma adiando o inevitável e agravando inexoravelmente as consequências das distorções introduzidas.
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| Montagem fotográfica do New York Times |
É interessantíssimo constatar como os media de "referência", invariavelmente devastadores para com as políticas de "austeridade", supostamente defendidas por tenebrosos ultra-neoliberais, e incessantes defensores das políticas de "estímulos", tenham uma tão grande estima pelos contributos/receitas de Milton Friedman no que toca à manipulação da massa monetária. Friedman que, em tempos ainda recentes, era apodado de "monetarista", um insulto então de "gravidade" equivalente ao do "neoliberalismo" dos dias de hoje. Poucos foram tão longe no elogio a Friedman como Ben Bernanke, actual presidente da Fed, quando, por ocasião do 90º aniversário do primeiro, a 8 de Novembro de 2002 disse publicamente: "I would like to say to Milton and Anna [Anna Schwartz, co-autora com Friedman da monumental A Monetary History of the United States]: Regarding the Great Depression. You're right, we [os banqueiros centrais] did it. We're very sorry. But thanks to you, we won't do it again.
Ainda me espanto às vezes (cada vez menos) pelo que creio, até ver, não me ter ainda transformado num cínico irremediável. Mas continuo a envergonhar-me com a insuportável mistura de iliteracia, indigência mental reiterada, relativismo e oportunismo de muitos (todos com "preocupações sociais"), em particular da imprensa de "referência", na realidade nada mais que agremiações activistas de profissão do estatismo.
Leitura complementar muito recomendada: Bank Of England's Haldane: "We've Intentionally Blown The Biggest Bond Bubble In History"
Leitura complementar muito recomendada: Bank Of England's Haldane: "We've Intentionally Blown The Biggest Bond Bubble In History"
sábado, 2 de março de 2013
As manifestações de hoje (e os comentários de amanhã) segundo a profecia de ontem
Compare-se o rigor (e o humor) da Voz do Profeta na fueirada de ontem com o jornalismo (?) activista e estridente daqui, daqui ou daqui ou, de resto, de qualquer um dos canais de televisão.
Violentíssimas manifestações do aquecimento global
um pouco por todo o hemisfério Norte onde - calcule-se! - ainda se fazem sentir as estações do ano. A título ilustrativo, via Daily Mail, sugiro uma extraordinária visita fotográfica à vila de Oymyacon e seus arredores, no nordeste da Rússia, onde as temperaturas médias no Inverno rondam os -50ºC e onde este ano já se atingiram os -70ºC! (O recorde, de -71.2ºC, é de 1924, assinalado na foto abaixo).
Apesar de o alarmismo climático, como Richard North assinala, estar em perda junto da opinião pública ocidental, de tal modo que, em manifesto contraste com o que tinha sucedido quatro anos antes, o tema praticamente desapareceu durante a campanha eleitoral que levou à reeleição de Obama, os eco-teócratas não desistem antes persistindo no desenho e concretização de "Planos centrais" para combater a supostamente terrível e (sempre) "iminente" catástrofe.
Obama, no seu discurso de posse, em contraste com o que (não) tinha ocorrido em campanha, voltou a centrar boa parte do seu discurso no "combate" às "alterações climáticas" e em aprofundar o desígnio nacional da "economia verde". Atente-se no seguinte excerto revelador da missão divina, excepcionalista, de que se auto-investe e se reclama herdeiro:
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| Fotografia retirada daqui. Oymyakon - o Pólo do Frio, lê-se na inscrição |
Obama, no seu discurso de posse, em contraste com o que (não) tinha ocorrido em campanha, voltou a centrar boa parte do seu discurso no "combate" às "alterações climáticas" e em aprofundar o desígnio nacional da "economia verde". Atente-se no seguinte excerto revelador da missão divina, excepcionalista, de que se auto-investe e se reclama herdeiro:
We, the people, still believe that our obligations as Americans are not just to ourselves, but to all posterity. We will respond to the threat of climate change, knowing that the failure to do so would betray our children and future generations. Some may still deny the overwhelming judgment of science, but none can avoid the devastating impact of raging fires, and crippling drought, and more powerful storms. The path towards sustainable energy sources will be long and sometimes difficult. But America cannot resist this transition; we must lead it. We cannot cede to other nations the technology that will power new jobs and new industries – we must claim its promise. That is how we will maintain our economic vitality and our national treasure – our forests and waterways; our croplands and snowcapped peaks. That is how we will preserve our planet, commanded to our care by God. That’s what will lend meaning to the creed our fathers once declared.Os escândalos de corrupção e a "torra" do dinheiro público irão pois continuar. Salvar o mundo com o dinheiro dos outros sempre foi uma tentação difícil de resistir para um político activista messiânico se, ainda por cima, houver bom dinheiro a ganhar por parte dos principais apóstolos da coisa... Exactamente como ocorre com o complexo militar-industrial, existe e não é menos perigoso que aquele um poderoso complexo industrio-ambiental. Tal como a guerra ou a preparação para a mesma seria "boa" para a economia (Krugman dixit), também a destruição da "economia do carbono" e a sua substituição por uma "economia verde" seria a salvação dos males do descalabro económico que nos assola. Uma NEP verde, enfim, na esteira de Lenine. Estranha morte do marxismo, esta!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Algo de bom deve ter acontecido em Itália
Só pode. Para sustentando esta tese bastará tomar o conteúdo do Público de hoje (títulos em itálico com links apenas disponíveis para assinantes da versão digital do jornal):
Na capa, o título é: "Instabilidade política em Itália ameaça reacender crise da dívida na Europa"; no interior, na página 2, Sofia Lorena, de Roma, escreve que "Barsani estende a mão ao movimento antipartidos de Grillo"; na página 3, Teresa de Sousa, inconsolável, escreve que "A Europa derrotou-se a si mesma" (link não disponível;) na página 4, de Bruxelas, Isabel de Arriaga, titula: "Zona euro teme que a instabilidade em Roma reacenda a crise da dívida"; por fim, na página 5, Jorge Almeida Henriques não vai por menos pedindo emprestado o título "Uma catástrofe institucional" a um tal constitucionalista (espécie também pela Bota muito ubíqua) de seu nome Nicolò Zanon".
Monti, o arquétipo do homem "íntegro", "tecnocrata competentíssimo" que, ao serviço do seu país, "tem realizado um trabalho notável para a Itália e em favor dos países vítimas dos mercados usurários", ainda que "suspendendo a democracia" por um período indeterminado, teve um resultado risível. Alguém ainda se lembra dos seis meses que Manuela Ferreira Leite "reclamava" em 2008 (reiterada de forma indirecta recentemente)? Ai o "relativismo"...
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Em memória de Martin Luther King
Barack Obama prestou juramento ontem, dia em que celebra o nascimento de Martin Luther King, feriado federal nos EUA, chegando ao ponto de usar o exemplar da Bíblia que pertenceu ao dr. King na tomada de posse relativa ao seu segundo mandato.
Acompanhando Anthony Gregory, creio que deveríamos meditar nas palavras de Martin Luther King, nomeadamente as proferidas em Nova Iorque, em 4 de Abril de 1967, quando denuncia a iniquidade da guerra do Vietname e o papel, terrível, que ele acha que o seu próprio governo nela prosseguia (transcrição integral discurso e video). Traduzo o excerto que A. Gregory entendeu destacar - e bem - num momento em que os EUA estão, hoje, envolvidos em múltiplas guerras pelos quatro cantos do mundo. Anoto, uma vez mais, a complacência hipócrita e imoral da esquerda relativamente às "boas" guerras de Obama (ver, a propósito a página do fb, referente a George W. Obama, o presidente que, à semelhança de Franklin Delano Roosevelt, também irá cumprir quatro mandatos...).
Acompanhando Anthony Gregory, creio que deveríamos meditar nas palavras de Martin Luther King, nomeadamente as proferidas em Nova Iorque, em 4 de Abril de 1967, quando denuncia a iniquidade da guerra do Vietname e o papel, terrível, que ele acha que o seu próprio governo nela prosseguia (transcrição integral discurso e video). Traduzo o excerto que A. Gregory entendeu destacar - e bem - num momento em que os EUA estão, hoje, envolvidos em múltiplas guerras pelos quatro cantos do mundo. Anoto, uma vez mais, a complacência hipócrita e imoral da esquerda relativamente às "boas" guerras de Obama (ver, a propósito a página do fb, referente a George W. Obama, o presidente que, à semelhança de Franklin Delano Roosevelt, também irá cumprir quatro mandatos...).
«Eu sabia que nunca mais poderia elevar a minha voz contra a violência dos oprimidos nos guetos sem antes ter falado claramente do maior veículo de violência no mundo de hoje - o meu próprio governo. Para o bem daqueles rapazes, para o bem deste governo, para o bem das centenas de milhar que tremem sob a nossa violência, eu não posso ficar em silêncio.
Para aqueles que perguntam, "Você não é um líder dos direitos civis?", desse modo pretendendo excluir-me do movimento pela paz, eu tenho mais uma resposta adicional. Em 1957, quando um grupo de nós formou a Conferência parar a Liderança Cristã do Sul [Southern Christian Leadership Conference], escolhemos como nosso lema: "Para salvar a alma da América". Estávamos convencidos de que não podíamos limitar a nossa visão a certos direitos para os negros, pelo que em vez disso afirmámos a convicção de que a América nunca seria livre ou salva de si própria até que os descendentes dos seus escravos fossem completamente libertados das grilhetas que continuam a usar. De certa forma estávamos concordando com Langston Hughes, aquele bardo negro de Harlem, que antes tinha escrito:
Oh, sim,
Digo-o de modo bem claro,
A América nunca foi a América para mim,
E todavia faço este juramento -
A América sê-lo-á!
Agora, deve ser incandescentemente claro que ninguém que tenha qualquer preocupação com a integridade e a vida da América pode hoje ignorar a actual guerra. Se a alma da América se vier a tornar totalmente envenenada, em parte da autópsia deverá ler-se: Vietname.»
Martin Luther King
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Coincidências e hipocrisias persistentes
O complexo militar-industrial, de que falava Eisenhower há 60 anos atrás, continua a operar livremente com o activo beneplácito do poder político (executivo e legislativo).
A esquerda, hipocritamente, cessou toda a retórica anti-militarista dos anos dos Bush parecendo conviver placidamente num insuportável silêncio, cúmplice e ensurdecedor, face a coisas como "listas de morte" (em que Obama é simultaneamente, acusador, juiz e carrasco, inclusivamente de cidadãos americanos), guerras não declaradas, como a da Líbia, do Iémen, do Paquistão, etc. (basta agora uma "ordem executiva" do homem da Casa Branca), para além da intensificação da guerra no Afeganistão, sem fim ou propósito à vista, para além da manutenção de Guantánamo. A guerra através do recurso aos drones, que Obama promove em cada vez maior escala, prossegue num crescendo aparentemente sem fim (e convenientemente fora dos holofotes mediáticos). Seguir-se-á o seu uso no próprio território americano.
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| Foto daqui |
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
A diferença de Hollande
Via Blasfémias, França sobe IVA para descer TSU às empresas.
Dizem que é uma espécie de diferença. De uma espécie igualmente diferente. De uma espécie que, ainda que igual, é abissalmente diferente. Pois.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Confrontos vs massacres, desacatos vs chacinas
Fazendo uma pequena prospecção pelo que os indignados de profissão dedicaram a sua atenção no dia de hoje, só consegui encontrar uma preocupação, certo que veemente, com a violência policial na África do Sul no Seixal.
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