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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Master Class - Grant Williams

"Os mercados, como a natureza, necessitam de predadores"

O vídeo que hoje aqui partilhamos corresponde a uma acção promocional do canal Real Vision. É a apresentação de uma intervenção de um dos seus fundadores - Grant Williams - numa conferência que ocorreu no passado dia 1 de Outubro. A apresentação é dedicada à história do papel do ouro nos sistemas económicos, mas especialmente às interpretações que, do seu papel e natureza, fizeram personagens historicamente relevantes. Evidenciando, com muita clareza, as consequências dessas interpretações para os mercados e para os cidadãos.

A história de "Pedro e o lobo" serve aqui para mostrar, em sentido auto-crítico, que a repetição dos avisos representa a descredibilização de "Pedro". Mas também demonstra a seriedade dessa descredibilização quando todos são confrontados com as reais consequências dos acontecimentos.

De especial nota as citações seleccionadas de Alan Greenspan, agora com a apresentação das consequências das políticas que ele iniciou e que outros têm levado a níveis inimagináveis.
Ainda hoje me causa estupefacção a mudança por que passou Greenspan, relembrar o que decidiu como governador da FED tendo por referência as suas ideias que já eram públicas nos anos sessenta - relativamente ao papel do ouro, por exemplo - é algo de incompreensível. E, caso se contemplem as suas mais recentes intervenções (que recuperam o sentido das suas ideias originais), a estupefacção é ainda maior.

Que a imprensa (especializada ou não, valem o mesmo para o caso) nada faça para o questionar quanto a estas mudanças é bem a medida da farsa que vivemos.

Ver Aqui



Assista-se e discutam-se visões e cenários para o futuro.
Próximo?


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Master Class - Ray Dalio

"Haverá mais intervencionismo"

Partilhamos com os nossos leitores uma extensa entrevista a Ray Dalio de Julho passado. São várias as intervenções que Dalio tem feito acerca do presente económico e financeiro. Inclusive, de modo recorrente, tem partilhado as suas reflexões sobre outros temas (ver aqui, entre outros destaco este artigo).

Não resisto a assinalar a hesitação que Dalio demonstra a responder a certas questões. Contrasta, de um modo fundamental, com a determinação e a certeza de políticos e burocratas. Mas estes não arriscam algo de seu. Não têm "skin in the game".

Alguns dos temas e problemas analisados são:

- os ciclos económicos e o crédito - ciclos curtos e longos;
- o crédito e a moeda - aos bancos centrais só resta manipular mais a moeda;
- a história está cheia de exemplos que importa analisar, mas os responsáveis não parecem estar interessados nisso;
- a máquina económica e os seus processos - crédito, moeda e produtividade;
- a Europa (a sul especialmente) está em dificuldades;
- um trabalhador francês, italiano ou espanhol custa o dobro de um trabalhador americano;
- vêm aí mais programas de facilitamento quantitativo (QE) - os bancos centrais não têm margem para, de modo eficaz e consistente, fazer subir as taxas de juro;
- a arte de investir, segundo Dalio;
- cerca de 70% das compras nos mercados bolsistas são recompras de acções pelas próprias companhias;
- os retornos do investimento (em qualquer classe) serão cada vez menores nos próximos anos.

Boas reflexões.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Master Class - Brent Johnson

"O mundo é dos psicopatas"

Partilhamos com os nossos leitores uma apresentação de Brent Johnson - Santiago Capital.
Brent gere um fundo de investimento e nele mantém uma exposição importante aos metais preciosos, especialmente ao ouro.
A apresentação estabelece, com humor e ironia, o contexto em que o sucesso das políticas económicas e monetárias actual deve ser compreendido.
O que pode perder-se na (pouca) sofisticação dos meios usados, ganha-se seguramente no alargamento de perspectiva.

Alguns dos tópicos abordados são (actualizado):

- as tensões entre o dólar, as taxas de juro e o ouro não são tão claras quanto se quer fazer crer;
- o sistema financeiro tem falhas estruturais;
- o tecto da dívida americana - um tema recorrente;
- o círculo vicioso que a FED vai intensificar quando der início ao "aperto quantitativo" e à normalização do seu balanço;
- a dissonância cognitiva dos vários observadores dos mercados;
- a genialidade e a sabedoria dos psicopatas - um teste à natureza da imagem pública dos banqueiros centrais;
- o sistema de preços e valorizações económicos e financeiros não é credível - consequência não intencionada?;
- a psicologia que não podemos esquecer quando tentamos compreender as acções e discursos dos curadores de serviço - no caso, os participantes na comissão da FED.

Aos leitores apresentam-se as desculpas pelo lapso na primeira edição desta entrada.
A sinopse desta apresentação estava errada e correspondia a outra entrada. Ultrapassado o lapso, que esta apresentação possa ser um bom exercício reflexivo acerca dos eventuais cenários para os próximos seis a dezoito meses. Nas suas dimensões económicas, financeiras e políticas.
Especialmente porque ela desafia o perigoso consenso a que tantos se entregam.

Boas reflexões.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

O reforço de um mundo de animação


Depois dos discursos e encenações desta semana por parte da equipa da FED, o mercado sabe com o que pode contar. Os índices bolsistas continuarão a sua ascensão como paradigmas de uma "economia de sucesso". E os curadores, quais mandarins ilustrados, mantêm a sua máquina de entorse perceptivo.
Lacy Hunt - que por aqui já recebeu a nossa atenção - cita Alan Meltzer acerca dos erros que a FED cometeu, comete e continuará a cometer quando segue os modelos e as ferramentas erradas para cumprir o seu mandato.
Traduzo: "O erro da FED é continuar a basear-se em modelos como a Curva de Phillips... que ignora a influência do papel da moeda, do crédito e dos preços". Esta teimosia, insiste Hunt, impede a FED de seguir tendências mais persistentes na moeda e no crédito, comprometendo o seu próprio papel estratégico no seio das exigentes componentes do seu mandato.

É caso para perguntar se esta gente acredita mesmo na sua poção mágica...

sexta-feira, 7 de julho de 2017

China - que poder alternativo?

Selecciono e traduzo uma parte de uma excelente reflexão levada a cabo por Chris do projecto "Capitalist Exploits" que, de Singapura, vai produzindo as suas análises económicas, financeiras e políticas.
Naturalmente, recomendo a leitura integral do artigo.
Importa coligir alguma informação acerca da iniciativa da Nova Rota da Seda que a China está, lenta e consequentemente, a implementar. Tem a sua componente marítima e terrestre e comporta uma amálgama de instituições e parceiros (veja-se aqui).
Aqui pelo Espectador Interessado, há muito que vamos dando conta da extensão e qualidade destes movimentos e iniciativas - aqui, aqui ou aqui.
Os negritos e adaptações são da minha responsabilidade.
“Como a China está a aumentar o seu poder global

A China tem ao seu dispor múltiplos modos através dos quais pode projectar o seu poderio económico, melhorar a sua balança comercial e exercer controlo sobre a dívida dos seus parceiros comerciais. Ao fazer uso deles, lentamente, garante uma influência política e económica que se reforça constantemente.
Caso sejam bem sucedidos nos seus intentos com a Nova Rota da Seda [conhecida internacionalmente como One Belt, One Road, daqui em diante referida por OBOR], a China pode esperar mitigar alguns dos seus problemas - que resultam do ciclo doméstico de crédito mal-parado - e, incidentalmente, garantir aquela projecção política e económica.
Os comentadores da iniciativa OBOR parecem dividir-se entre optimistas e cépticos quanto à capacidade da China em alcançar os seus objectivos com tal iniciativa. À partida, a ideia parece simples: a OBOR promete abrir mercados para as exportações chinesas. Mas essa abordagem parece-me simplista e inocente. Quanto mais investigo este tópico, mais concluo que há muito mais por detrás da OBOR do que se pode ver para já. Os chineses são muita coisa, mas não são estultos.
Consideremos alguns dos seus problemas, das suas ambições e a razão pela qual a OBOR é central para o mandato de Xi.

Excesso de capacidade

A China sofre de um excesso de capacidade produtiva e também de um problema interno de dívida no seu sistema bancário. Mas a OBOR pode providenciar os meios para a China diminuir essa dívida e exportar esse excesso de capacidade. Os chineses podem alcançar isso permitindo financiamento a países que estejam, desesperadamente, a necessitar dele – a Grécia encaixa aqui muito bem.

Aliviar a bolha de crédito

Certamente que um elevado nível de crédito não produtivo castiga o crescimento do produto chinês, mas considere-se o seguinte: e se a China transferisse a sua dívida doméstica para o balanço dos seus parceiros na OBOR?
Como?
O governo chinês pode emprestar aos seus parceiros o dinheiro necessário para grandes projectos de infra-estruturas – como, de resto, já estão a fazer. Quando esses projectos estiverem a ser construídos, uma boa parte dessa construção será atribuída a companhias chinesas, dando-lhes a hipótese de exportar o excesso de capacidade e ao mesmo tempo diminuir a bolha de crédito.
A China tem cerca de três triliões de dólares em papel/crédito que pode entregar a troco de poder e influência. Pense-se nisto:
O que é preferível?
Uma pilha de dólares? Com a FED ao leme que tem mostrado, sem ambiguidades, que assim que surjam as dificuldades, abandona o seu papel de referência monetária em prol da segurança e estabilidade política doméstica?

Ou apostar numa iniciativa que dá vantagem política e económica de alcance global?

A arma mais poderosa

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Balanço e Contas

Alguns balanços


Tocar imagem para ver maior
Fonte: Visual Capitalist.

Destaca-se a comparação com os índices que surgem na base da tabela. Quem lê os meios convencionais nem percebe tal subtileza.

Adenda: Anexamos mais umas tabelas para completar a análise (fonte)



Tocar para ampliar


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Crescente instabilidade no Sistema

Em tempo de guerra

O desenvolvimento das experiências monetárias prossegue a todo o vapor, pelo que deve esperar-se uma acelerar de resultados - inesperados e contagiantes - como consequência da vontade dos "demiurgos" em tudo controlar.
Na entrevista que hoje se publica, Jim Rickards reitera a tese defendida nos seus dois últimos livros ("Currency Wars" e "The Death of Money") e, se não se acompanha totalmente as soluções que parecem resultar da sua posição, não se pode deixar de reconhecer a precisão com que o autor descreveu os desenvolvimentos do nosso presente económico e político global.
Alguns dos conceitos determinantes para a compreensão desta sua perspectiva são: confiança, poder, sistemas complexos, incerteza, intensidade e extensão dos fenómenos e forças económicas e políticas.
A crueza do nosso presente global apresentada num tom de delicadeza cavalheiresca. Rickards é, não esqueçamos, aquilo a que se pode chamar um "insider", alguém que conhece e participa nos círculos menos visíveis do poder norte-americano.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A realidade da desdolarização da economia mundial

Mais tarde ou mais cedo, as consequências das acções tomadas tornam-se visíveis mesmo para os mais cépticos. O exorbitante privilégio de que falava De Gaulle está a ceder de forma provavelmente irreversível. Apesar das pressões dos EUA, cresce o número de países europeus que querem ser ser membros fundadores do novel Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas, um concorrente directo de instituições controladas pelos norte-americanos como é o caso do Banco Mundial. Não é coisa de somenos como o artigo que hoje proponho aos leitores sublinha.
18 de Março de 2015
Por Simon Black

O governo dos Estados Unidos acaba de passar da fase "por favor amorzinho, não me deixes" para a das ameaças frustradas e choramingas.

Depois do Reino Unido ter anunciado na semana passada que irá participar na criação, liderada pela China, do novo Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (AIIB), enquanto membro fundador, Alemanha, França e Itália decidiram ontem [dia 17] seguir-lhe o exemplo.

Bem-vindos ao começo do fim do domínio do dólar norte-americano pois é isso que está a acontecer.

Nas últimas décadas, a América foi a incontestável superpotência global e económica.

Imagem daqui
O mundo inteiro utilizou alegremente o dólar norte-americano, e, consequentemente, o sistema bancário dos Estados Unidos. E, mais importante, o mundo depositou alegremente a sua confiança no governo dos EUA.

Mas há um limite para o grau de irresponsabilidade, imprudência e ameaça que alguém pode representar. Chegará um dia em que um comportamento desses terá consequências para quem o prosseguiu.

Esse tempo chegou agora.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Radar

Por cá vamos seguindo a novela da CPI/BES, vamos ouvindo a cantiga de embalo dos candidatos às próximas eleições e nada vemos para lá destas cortinas de fumo. No final de uma semana muito complexa nos mercados e onde, inclusive, as taxas sobre a nossa dívida registaram subida importante, uma importante declaração da directora do FMI - Christine Lagarde - foi tornada pública. Nesta declaração assume-se que o Fundo vai avançar para o plano B, uma vez que os EUA se recusaram (já o fazem desde 2010) a aprovar as modificações ao esquema de quotas para o Fundo. Lagarde diz tudo o que é preciso dizer: vamos avançar numa abordagem alargada e multipolar já em Janeiro de 2015. Sem os EUA, pelo que parece.
Será possível conceber o alcance das consequências económicas, financeiras e políticas desta declaração, tendo por contexto a euforia em torno do dólar?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O lado mau

Bytes

A leitura deste último artigo de Doug Noland, de que aqui se publicam algumas passagens, é muito recomendada. Pleno de realismo não deixa, porém, de causar inquietação. Isto porque ao discurso e à discussão pública falta considerar as consequências do que já se fez e se continua a fazer - política e economicamente. E esse raciocinar pela metade está a ter sucesso. O entorpecimento é generalizado. Mas, não tenhamos dúvidas, as "soluções mágicas" estão traçadas e serão apresentadas num brilhante (e trágico) encadeamento. O guião está escrito, aguarda apenas o momento da sua encenação.
O lado mau de “fazer tudo o que for preciso” - Doug Noland - 17 de Outubro de 2014

"Alguém que não esteja realmente preocupado não percebe o que se está a passar.

Considero todo o cenário surreal. E, quanto mais as pessoas agem como se nada se passasse, mais preocupado fico. Por estranho que pareça, estes dias lembram-me a minha perplexidade quando estudava o período que conduziu à crise bolsista de 1929. Como é que foi possível não ver o que estava para vir? Como pôde toda a gente permanecer optimista – “num topo contínuo” – face àquilo que, posteriormente, era tão óbvio e perturbador: uma deterioração do mercado e das perspectivas da economia global.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Valor

O teste do tempo


As últimas semanas foram ricas em acontecimentos relevantes do ponto de vista financeiro. Muito relevantes, acrescentaria. Por esse mundo fora, registou-se um aumento na volatilidade dos índices bolsistas - com tendência claramente negativa, mas pouco pronunciada. Ainda.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Para lá do horizonte




Outras vias

Terá início esta semana mais uma reunião do grupo de países apelidado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Um dos tópicos desta reunião será a criação de um banco que possa servir, especificamente, as necessidades destes países. A discussão acerca deste assunto já tem algum tempo, mas tornou-se uma necessidade premente uma vez que não foram implementadas as reformas necessárias no seio das estruturas existentes (FMI, Banco Mundial - que estão pendentes desde 2010) para acomodar a nova realidade económica e financeira mundial.
Demoremos algum tempo a considerar este facto. Os BRICS estão a querer tomar a iniciativa de criar uma infra-estrutura que se torne alternativa ao FMI e BM na defesa dos seus interesses.
A discussão, para além da composição relativa aos fundos e à participação de cada um dos países, já se centra na localização da sua sede. E aqui vão testar-se as vontades conciliatórias no contexto de tensões históricas.
Parece óbvio que estes países já reconheceram os limites da arquitectura e das práticas financeiras do Ocidente, em particular o propósito dessa arquitectura na projecção do interesse americano através do dólar.
Não vejo estas outras vias como negativas. Antes mostram que é possível diversificar as estruturas de poder económico e financeiro para corresponderem às necessidades de cada um dos seus agentes. Não será, seguramente, uma simples coincidência que estes impulsos transformadores se tornem evidentes ao mesmo tempo que o edifício do todo poderoso dólar mostra as suas deficiências estruturais.
Ou acreditamos que coincidências possam marcar os actos desta peça?

No interesse da pura especulação, pergunto-me: o que farão a Indonésia, o México, as Filipinas, a Turquia, a Coreia do Sul e o Vietname, depois de ser criada a nova rede financeira estruturante dos BRICS?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ouro - um regresso esperado

Antes mesmo de ganhar o prémio nobel da economia em 1999, Robert Mundell pronunciou um discurso no Latrobe College (Pensilvânia, 1997) de que se seleccionou, traduziu e editou a seguinte passagem:
“O sistema monetário internacional no séc. XXI”, Robert Mundell - 12 de Março de 1997

"Não penso que voltaremos a ver um tempo em que duas grandes economias – os Estados Unidos e a União Europeia – fixem as suas moedas ao ouro, como fizeram no passado. O mais provável é que o ouro volte a ser usado a dada altura, talvez daqui a dez ou quinze anos, quando os governadores dos bancos centrais se sentirem confortáveis a falar publicamente acerca do seu uso, ao preço do mercado e não fixo, entre os próprios bancos centrais.
O ouro terá um papel na estrutura do sistema monetário do século XXI, diferente do que desempenhou no passado. Podemos analisar o período do padrão-ouro como sendo um período único na história, quando havia um balanço entre os poderes e não havia uma superpotência a dominar.
Esperemos que o maior evento do século XXI seja o facto de o dólar e o euro aprendam a viver juntos."

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Narrativa Omnipotente

Muito se tem especulado acerca dos acontecimentos na Ucrânia e das suas potenciais consequências para a economia mundial. Muitas são as análises sobre os riscos face à satisfação da procura energética da Europa e até ao papel do dólar como moeda de referência do sistema financeiro e comercial global. Na passagem que a seguir se apresenta experimenta-se mais uma hipótese face às políticas monetárias europeias e ao ouro. Considero importante assinalar que até meados de Junho, e após reuniões importantes no Banco Central Europeu, alguma coisa haveremos de poder relacionar com o que a seguir se apresenta. A tradução e os sublinhados são da minha responsabilidade.

"“De facto, no que diz respeito aos mercados, quanto mais ventos e tempestades sobre a Ucrânia houver, melhor. Draghi precisa de uma desculpa para lançar um programa semelhante ao Quantitative Easing (QE – injecção de liquidez na economia - nt) americano. As projecções negativas dos técnicos do Banco Central Europeu relativamente à possibilidade de a Gazprom fechar os canais de transporte do gás natural são apenas o que o médico pediu para aplicar o remédio. Alguns dias de queixas e lamentos nos meios de comunicação convencionais face às intenções de Putin, talvez acompanhados por um declínio de 1% nos mercados, e até Janet Yellen pode entrar em cena prometendo fazer “o que for preciso” para ajudar os irmãos europeus a ultrapassar essa terrível ameaça ao crescimento global.
Em última instância, tudo isto fortalece a Narrativa da Omnipotência dos Bancos Centrais, ou seja, o entendimento, que acaba por controlar efectivamente os mercados, de que os resultados económicos estão mais dependentes das acções dos bancos centrais do que da própria economia real.
Como é que se pode saber se esta Narrativa começa a tornar-se instável e a mudar? Se o ouro começar a ter peso. É isso que o ouro significa nos tempos de hoje... não uma reserva de valor ou uma qualquer protecção contra a instabilidade geopolítica. É antes uma apólice de seguro contra o erro desmesurado e o descontrolo dos bancos centrais. Por enquanto, a Narrativa Dominante de que os bancos centrais são grandes e tudo controlam permanece intacta. Pelo menos enquanto os investidores internacionais forem aceitando as afirmações gratuitas que Draghi ofereça publicamente e assim o ouro não tem a menor chance de sucesso."

Ben Hunt, "Tudo o que brilha"

Ascensão e (muito) provável queda do dólar americano

Julgo ter encontrado neste artigo de Robert P. Murphy - editor de um muito frequentado blogue para economistas, e autor de vários livros entre os quais o excelente Lessons for the Young Economist (dirigido à população juvenil do ensino secundário nas versões para aluno e professor) -, uma sucinta mas rica súmula da ascensão do dólar bem como da sua previsível queda. Murphy descreve o fim do padrão barra-ouro decretado por Franklin Roosevelt em 1933/34 (incluindo o episódio do roubo que perpetrou aos americanos quando lhes confiscou o ouro que detinham) e o novo arranjo monetário que lhe sucedeu, o dólar-ouro, saído da conferência de Bretton Woods e da "nova ordem internacional", dominada pelos EUA, que resultou da II Guerra Mundial. A meu ver, consegue proporcionar um relato inteligível a um qualquer leitor interessado sem todavia lhe escapar o essencial do porquê do papel privilegiado que o dólar tem proporcionado aos EUA durante todo este tempo. Termina o artigo a  explicar as razões para a sua (muito) provável queda, que, a concretizar-se, antecipa fragorosa. Em suma, razões bastantes para que achasse útil traduzi-lo (eventuais erros da minha inteira responsabilidade).
16 de Maio de 2014
Por Robert P. Murphy

Ainda Não Aconteceu o Crash: Estavam os Economistas da Escola Austríaca
Errados relativamente ao Dólar?

Robert P. Murphy
Os críticos do governo dos EUA, com frequência, chamam a atenção para os perigos da moeda fiduciária. Com efeito, desde que Richard Nixon acabou com a ligação do dólar ao ouro (em 1971), muitos proponentes do "dinheiro sólido" alertaram para um crash do dólar. Isto levou os críticos destes "gold bugs" a ridicularizar as previsões aparentemente erradas destes últimos e dos seus excêntricos pontos de vista. Neste artigo irei percorrer algumas das principais questões nesta matéria. Como veremos, os gold bugs poderão vir a acabar por ser os últimos a rir.

Sob o padrão-ouro clássico, o dólar americano era convertível em ouro à paridade de 20,67 dólares por onça. Quando FDR [Franklin Delano Roosevelt N.T.] tomou posse em 1933, ele terminou com esta estrita ligação do dólar e confiscou o ouro da nação. (O famoso depósito de ouro em Fort Knox foi na realidade construído com a finalidade de armazenar o ouro roubado dos americanos).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Metais Preciosos - o comentário pessimista


Comparação e percepção

Após um início de ano promissor, o preço dos metais preciosos procedeu a uma correcção e, neste momento, demonstra não ter direcção definida. A aparente falta de vitalidade no mercado para elevar o preço num movimento mais sustentado, foi inspirador para quem tem o trabalho de denegrir os metais, seja como investimento ou como reserva de valor.
Dado o contexto que temos estabelecido para os metais aqui no Espectador Interessado (seja para a produção, seja para a procura - aqui, aqui e aqui), e sabendo que dificilmente a China pode continuar a comprar ouro ao ritmo do ano passado ou das primeiras semanas deste 2014, alguns comentários têm sido avançados para orientar, para moldar a percepção do investidor ou aforrador comum para longe da hipótese dos metais, forçando a crença de que os problemas no sistema financeiro estão ultrapassados e que as pessoas podem continuar a esperar “prosperidade” deste sistema.

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Morte da Moeda

Tenho trazido à consideração dos leitores a temática da reformulação do sistema monetário internacional. Assinalei também alguns dos contornos que este tema possui (aqui e aqui). Publica-se agora a tradução da entrevista realizada por Koos Jansen a James Rickards a propósito da publicação do seu livro - "The Death of Money" (lançamento internacional a 3 de Abril e sem tradução portuguesa prevista) - que tem, como pano de fundo, a situação difícil do sistema monetário e financeiro internacional e as possibilidades da sua evolução, articulando com precisão o papel das grandes potências económicas (presentes e futuras), a função disciplinadora do ouro e alguns dos argumentos da Escola Austríaca de economia.
A tradução é da minha responsabilidade, bem como algumas observações ou sublinhados.

Willem Middelkoop, Koos Jansen e James Rickards


James Rickards e "A morte do dinheiro" - 14 de Março de 2014

Koos Jansen – Considera que haverá um colapso do sistema monetário global, acompanhado de caos social e problemas nos bancos face ao que os políticos não estão a fazer ou farão tarde demais?
James Rickards – O meu livro mais recente – The Death of Money – é, justamente, acerca da morte do dólar. Um colapso monetário global e o colapso do dólar são uma e a mesma coisa. O dólar é a chave do actual sistema, ora se o mundo deixar de ter confiança nessa chave, então, o sistema como o conhecemos entra em derrocada.
Se ocorrerão distúrbios a acompanhar esse colapso? Bem, penso que eles já estão a acontecer. Veja-se a Ucrânia, a Crimeia. A China está a enviar navios para o largo das ilhas que disputa com o Japão. Podemos ver também tensões e conflitos associados à primavera árabe por causa disso. É inegável que há sinais preocupantes em diversas regiões. Considero que os políticos vão continuar a prosseguir políticas erradas, não julgo que façam as reformas e ajustes necessários: o desemprego continua alto, o crescimento continua anémico e o perigo de deflação está à espreita. Estes fenómenos potenciam a instabilidade social, as disparidades no rendimento e riqueza. Assistiremos ao agudizar destes problemas durante o definhar do sistema.
Os bancos centrais e os governos já disseram que os maiores bancos e instituições finaceiras não podem cair. Isto impedirá, igualmente, que as correcções aconteçam. Quais são as consequências que conhecemos dessas decisões? Bom, isso convida a práticas irresponsáveis e a posturas parasitárias por parte dos banqueiros. Isso permite que eles cresçam e que destabilizem o sistema. Julgo que não veremos, para já, falências de grandes bancos, no entanto, quando o colapso acontecer alguns deles vão cair. É a própria política dos grandes demais para cair que conduz ao agravamento das disfunções no sistema e isso levará ao colapso.