A dia 30 de Abril último passaram 40 anos sobre a queda de Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh) às mãos do exército regular norte-vietnamita (imagens). Terminava assim a 2ª guerra da Indochina (uma outra designação para a guerra do Vietname), que se iniciara de forma larvar logo após o termo da 1ª (1946-1954) - quando os franceses foram forçados a abandonar as suas pretensões coloniais no sudeste asiático - para grande consternação americana - na sequência da estrondosa derrota militar sofrida em Dien Bien Phu. Era o tempo da "teoria do dominó", adoptada pela administração Eisenhower, doutrina segundo a qual era imperioso conter a "contaminação" de um país numa dada região pelo vírus comunista pois, caso contrário, a infecção espalhar-se-ia inexoravelmente aos seus vizinhos. As sucessivas administrações decidiram aumentar a sua intervenção no Vietname até que, com Lyndon Johnson, se iniciou o horror em grande escala. A derrota americana deixou marcas profundas e fez regredir, embora momentaneamente como se veria, a pulsão intervencionista no país. Não por acaso, o então (e ainda) influente Zbigniew Brezhinski gabava-se de ter conseguido atrair a então União Soviética para o seu próprio "Vietname" (quando a URSS invadiu o Afeganistão em 1979. Uns anos mais tarde (1983) será Reagan, pela via da invasão da minúscula Granada, que faria reacender o activismo militar intervencionista americano.
No texto que hoje proponho aos leitores, Eric Margolis refere a sua condição de participante directo no conflito e como a sua própria adesão inicial se desvaneceu. Passa em revista alguns dos marcos daquela guerra, das doutrinas e da geopolítica, não lhe custando encontrar paralelismos com os tempos que correm. E com os erros que se repetem. Não está optimista - «Infelizmente, parecemos ter esquecido tudo sobre a guerra do Vietname sem que tenhamos aprendido nada.»
2 de Maio de 2015
Por Eric Margolis
Corria o ano de 1967. A guerra do Vietname estava no auge.
Eric Margolis
Eu tinha 24 anos e acabara de sair da escola de pós-graduação de New York City. Tinha sido aceite na Universidade de Cambridge para fazer um doutoramento em história.
Mas não. Num acesso de patriotismo de juventude, concluí que era dever de todo o cidadão alistar-se nas forças armadas em tempo de guerra. Foi assim que me ofereci como candidato a oficial de infantaria do Exército dos EUA e enviado para a instrução básica.
A vida só pode ser compreendida em retrospectiva e é com a sabedoria que ela proporciona que a maioria das pessoas considera que os longos 20 anos da Guerra do Vietname foram um erro terrível, um crime mesmo. Mas, à época, o envolvimento militar dos EUA na Indochina parecia fazer sentido. Para mim não havia dúvidas. Eu estava orgulhoso por vestir o uniforme do meu país.
O general Douglas MacArthur advertira os americanos para "nunca travarem uma guerra terrestre na Ásia". Ele havia presidido, uma década antes, ao impasse sangrento na Coreia e conhecia a capacidade combativa e a tenacidade dos soldados asiáticos.




