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terça-feira, 7 de março de 2017

Terapia de choque ou uma conversa entre cavalheiros?

"Haverá uma maldição financeira?"

No vídeo que aqui partilhamos, muitos são os detalhes que importa sublinhar. Seja o nível intelectual, a cordialidade e a actualidade dos temas aqui tratados.

O anfitrião Ross Ashcroft (realizador do premiado "Os Quatros Cavaleiros do Apocalipse") dirige, com um ritmo, com uma qualidade e um tacto raro no jornalismo económico, uma entrevista/debate acerca da possibilidade da existência de uma maldição financeira. Os convidados são o académico Richard Werner (autor da expressão Quantitative Easing e já aqui lhe demos destaque) e David Buik, comentador económico londrino.

A verdadeira natureza do negócio bancário das últimas décadas é aqui explicada com uma facilidade estonteante. O papel do crédito e da moeda no contexto das necessidades produtivas do mercado e as suas consequências nas crescentes desigualdades sociais são aqui relacionadas de um modo muito esclarecedor.

A rematar uma consideração histórica: a cidade de Londres não é uma jurisdição britânica. Não faz parte do Reino Unido. A rainha tem de pedir autorização para lá se deslocar.

Imperdível para perspectivar o presente.



Por que haveremos de pagar tão caro por um "serviço de intermediação que funciona, ainda por cima, em circuito fechado"?
Uma pérola, certo?

terça-feira, 3 de maio de 2016

Significativa mudança ou constatação do óbvio?

Publicamos a tradução do artigo de Kenneth Rogoff publicado hoje. A adaptação e sublinhados é, naturalmente, da nossa responsabilidade.
O artigo é, julgo, um reconhecimento muito importante no discurso público. É uma mudança qualitativa no discurso oficial da peça colectiva. Será um momento em que um dos Missionários orienta novas dinâmicas no Jogo? Será uma nova disposição dos Cavalos Furtivos?
Naturalmente, recomendamos a leitura integral do artigo. Sublinhando que se devem considerar as eventuais consequências deste gesto público, num momento tão delicado da conjuntura financeira e monetária internacional. Especialmente no momento de guerra monetária em curso (apesar do recente e muito secreto acordo entre os G20 em Xangai), que tem a reconfiguração do cabaz dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) como pano de fundo.
Muito a considerar, portanto. Boa reflexão.
“Terão os bancos centrais dos mercados emergentes demasiados dólares e ouro a menos? Se considerarmos a economia global e o seu abrandamento e o facto dos mercados emergentes estarem, provavelmente, satisfeitos com quaisquer reservas que consigam reter, aquela pergunta parece despropositada. Mas há uma boa argumentação que se pode apresentar para justificar a mudança nos mercados emergentes para começarem a acumular ouro e isso favorecer o funcionamento suave do sistema financeiro internacional, assim beneficiando todos os intervenientes.(...)

Estou a propor que as economias emergentes dirijam uma porção significativa dos seus triliões de dólares em reservas monetárias externas que actualmente possuem (a China, por exemplo possui reservas oficiais no valor de 3,3 mil biliões de dólares) para ouro físico. E uma mudança de, digamos, 10% das suas reservas para o ouro físico ainda os deixaria longe dos países ricos que possuem 60 a 70% das suas reservas no metal físico. (...)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Citação do dia (190)

Hoje em dia, o sistema financeiro global é um complexo sistema de redes electrónicas motivadas pela fé. À medida que progridem as bolhas globais, um grande conjunto de dogmas financeiros será exposto por aquilo que é: uma ilusão. E muitos desses dogmas foram usados como simples truques.
A finança global não passa, na sua maior parte, de um labirinto de ´promessas de pagamento`. E o valor dessas promessas depende da confiança e da fé. (...)
A crise nessa confiança acelerou nesta última semana.
Os últimos sete anos mostram-nos uma expansão da dívida nos mercados emergentes, liderada por aquela que deveria ser muito assustadora bolha no crédito na China.(...)
Esta semana vimos indicações do que tem potencial para despoletar essa crise de confiança no sistema bancário na Ásia e nos restantes mercados emergentes. A fé de que as autoridades chinesas (ou as autoridades desses mesmos mercados emergentes) têm a situação sob controlo está, seriamente, posta em causa. (...)
De acordo com a SNL Financial, os bancos chineses ocupam agora quatro dos cinco lugares de topo na lista dos maiores bancos mundiais. Analisando os balanços no final de 2014, os quatro grandes bancos chineses – Banco de Comércio e Indústria da China, Banco de Construção da China, Banco de Agricultura da China e Banco da China – terminaram 2014 com activos na ordem dos 87,59 triliões de yuan ou 13,7 triliões de dólares. Os activos totais destes bancos cresceu 64% em quatro anos. (...)
Na semana que passou ficou visível o desenvolvimento nas grandes rachas do sistema financeiro global. Fiz as contas às descidas dos títulos bolsistas dos dez maiores bancos mundiais: 1) Banco de Comércio e Indústria da China perdeu 6,1%; 2) Banco de Construção da China perdeu 6,9%; 3) Banco de Agricultura da China perdeu 4,9%; 4) HSBC perdeu 6,6%; 5) Banco da China perdeu 6,1%; 6) JP Morgan Chase perdeu 6,2%; 7) BNP Paribas perdeu 4,4%; 8) Mitsubishi UFJ Financial Group perdeu 7,5%; 9) Banco da América perdeu 9,0% e 10) Barclays perdeu 6,4%.(...)
A visão do abrandamento global foi confirmada esta semana.
É sempre pior do que tu pensas.

Doug Noland, "É sempre pior do que tu pensas", 22 de Agosto de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Radar

Upsss! Índices do NYSE estão suspensos. Afinal, para além da Grécia, da China, devemos estar também preocupados com os EUA?
Serão problemas técnicos? Um algoritmo que despoletou a venda?
Estaremos disponíveis para olhar o mal? A sério?

Ver aqui.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Citação do dia (187)

Quais são as principais lições que os legisladores devem retirar da análise do ano de 1944, quando se preparam para discutir a reforma do sistema financeiro internacional?

Na essência, Bretton Woods foi um acordo entre duas nações cujas políticas eram cruciais para o sistema financeiro internacional daquela época: os Estados Unidos, a dominante nação credora, e a Grã-Bretanha, o seu maior devedor. Aquele concordou em dar assistência às nações que lutavam com défices nas contas correntes, e o último negando insistentemente desvalorizações competitivas.
Actualmente, um roteiro para a cooperação nas reformas necessárias ao sistema monetário parece estar fora da agenda política. O maior credor mundial (a China) e o seu maior devedor (os EUA) não parecem disponíveis para sublimar as suas prerrogativas na esfera monetária – a China em controlar a sua taxa de câmbio e os EUA em controlar as taxas de juro em dólares - numa qualquer concepção abstracta de bem comum. Isto significa que as mudanças ao sistema serão, muito provavelmente, desordenadas e confrontacionais.
Por exemplo, as moedas dos mercados emergentes e a venda apressada das suas obrigações, logo após o planeado abrandamento das políticas de injecção de liquidez da Reserva Federal em Maio do ano passado, irão incentivar as nações emergentes a evitar a apreciação das suas moedas quando os tempos estão bons, a programar um superavit permanente nas suas contas correntes e a aumentar fortemente as suas reservas em dólares. Os responsáveis americanos referem-se a estes pacotes de medidas como “manipulação monetária” e estão já a exigir provisões que tornem ilegais estas práticas em todos os futuros acordos comerciais.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Movimentações Tectónicas

Indícios da geopolítica do futuro


Tem vindo a mostrar-se no palco da verdade oficial, lenta mas paulatinamente, a criação do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB). Este banco, que já ultrapassa os quarenta países subscritores, é a resposta chinesa ao Banco Mundial, por um lado, e ao facto dos americanos não terem dado cumprimento às mudanças no regime de quotas e composição dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) do FMI a que estão obrigados desde 2010 (referências nossas aqui, aqui e aqui).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Teimosas anamorfoses

"As deformações são insustentáveis", David Stockman

Da entrevista que aqui propomos, destaco a desmontagem, frontal e simples, da relação entre a criação de dívida e o aumento da riqueza (medida pelo PIB). Stockman expõe a realidade das consequências das políticas dos defensores da visão de comando e controlo da economia ao nível mundial, mas dando particular destaque à China.
Outra ideia muito importante é que a política vai revelar-se, segundo Stockman, muito mais volátil e explosiva do que as dinâmicas dos mercados. A história pode repetir-se e não serão os números a deixar marcas importantes. Os resultados políticos da crise só muito discretamente se estão a fazer sentir.

A entrevista cruza os seguintes tópicos:
- a iniciativa de auditar a FED e o jogo político nos EUA - Elizabeth Warren, a referência moral dos liberais e progressistas contra os males dos mercados, considera "que não se deve submeter a FED à intromissão dos políticos";
- as bolhas que fervilham em torno das zonas de exploração petrolíferas nos EUA - crédito à habitação e aquisição de automóveis - graças à repressão financeira promovida pelos bancos centrais;
- os resultados das políticas monetárias e financeiras da FED e as suas ressurgências históricas (eterno retorno?);
- o papel, a natureza e o futuro dos bancos centrais;
- a Zona Euro, mercado e dívidas soberanas;
- o Japão e os balanços bancários, especialmente na Europa;
- as deformações insustentáveis que os socialistas de todas as cores impõem por esse mundo fora - desde 2008 que a China aumentou a riqueza em cinco triliões, mas aumentou a dívida em 28 triliões;
- o momento no mercado do petróleo - exemplo do que está para vir noutras dimensões dos mercados?;
- a Grécia e as estratégias para adiar o inevitável;
- a política, sempre a política.

Uma hora de análise desassombrada da narrativa oficial acerca do que está a refazer-se. Por entre as linhas do palimpsesto. Numa tensão intensa e crescente.
Que seja de bom proveito.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A necessidade de um novo sistema de crenças

Políticas Monetárias e Sociedade
por William White (Banco de Pagamentos Internacionais - BIS)

Um dia depois de o BCE ter conferido mais velocidade, mais ritmo à queda das fichas com o seu "aliviar" quantitativo, propõe-se uma apresentação recente de White. Esta sua digressão é, simultaneamente, um balanço e uma visão prospectiva. Tenha-se em consideração que White faz parte dos altos quadros do BIS (OCDE também), logo, a sua visão é uma visão de dentro do sistema. Julgo, inclusive, que tem feito aconselhamento estratégico à chanceler Merkel.

A apresentação segue, de um modo alargado, os seguintes tópicos:
- Principais orientações do pensamento económico
- O sistema de crenças e valores de muitos dos agentes do sistema (relações endogâmicas entre a banca, o poder político, os reguladores e os bancos centrais)
- As consequências das políticas monetárias
- As insuficiências palpáveis das políticas fiscais e dinâmicas do jogo político
- Os agentes estruturais não mediram bem o que implicavam certas ideias de origem académica – necessidade de mudança do sistema de crenças e interacções
- As relações entre o poder, a criação de moeda e a dívida (armadilha da dívida)
- Os ciclos económicos e políticos – a democracia e as eleições (diferimento de soluções difíceis)
- Os sistemas complexos, as interacções e as necessidades de reforma institucional – acomodando uma nova ética e novos valores
- moedas alternativas, bitcoins e reserva de valor
- a concluir William White confessa: “durante a crise, que ainda atravessamos, não aprendemos nada”.

Votos de um excelente fim-de-semana.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Esperando o melhor

Adquirindo um seguro monetário

Por estes dias muitas são as listas de compromissos a assumir no ano que há-de vir. E já se multiplicam os discursos e intervenções por parte de políticos e especialistas, testando algumas estratégias para os tempos que se avizinham.
Sem a ambição de um balanço e visão prospectiva complexos, seleccionei a seguinte entrevista para que possamos ter algumas referências quando, a partir do presente, olharmos mais para a frente, do ponto de vista económico, financeiro e político. Em particular, para que possamos reconhecer, num esforço crítico fundamental, a peça que se desenrola e os seus próximos actos.
Isto porque, apesar da cantiga "das nuvens que já passaram" e do futuro brilhante que alguns defendem através de mais intervenções e investimentos públicos, os constrangimentos globais são maiores do que em 2007/08 e o espaço para soluções mágicas (assentes em engenharias financeiras cada vez mais obscuras e perigosas) é cada vez mais exíguo.
Importa, assim, fazer uma digressão pelas zonas menos conhecidas (porque será?), mas determinantes do nosso universo monetário e financeiro.

Boa viagem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Citação do dia (178)

"O alcance da Bolha Global do financiamento soberano de hoje projecta uma enorme sombra sobre a Bolha do financiamento hipotecário de 2007. Há muito mais a perder nesta Bolha internacional e muito mais com que nos devemos preocupar. Em vez de crédito de má qualidade (subprime), hoje a Periferia inclui dezenas de milhões de milhões de crédito vulnerável que atravessa vários países e envolve muitos milhões de pessoas. Em vez de hipotecas e dívida corporativa americanas, hoje o Centro inclui crédito de vários Bancos Centrais e a maior Bolha nos activos financeiros que alguma vez vimos.
No Centro do Centro, a histórica euforia nos mercados tem puxado os activos financeiros e a dívida das empresas a extremos que são precários – deteriorando os fundamentos económicos e financeiros globais. Não tenhamos dúvidas, os estímulos concertados dos Bancos Centrais exacerbaram a diferença entre activos financeiros inflacionados e os débeis sinais de crescimento global. Pior, a redistribuição da riqueza, implícita nas políticas que aumentam o tamanho do domínio financeiro global, está a degradar-se e a gerar tensões geopolíticas alarmantes. A Banca Central Global e a ideia da dívida soberana de “risco zero” estão a ficar descredibilizados."

Doug Noland - "Memórias"

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Regra de Ouro

Alan Greenspan, "A Regra de Ouro - a razão pela qual a China está a comprar" - Foreign Affairs - 29 de Setembro de 2014

"A questão de fundo - o regresso a um qualquer padrão-ouro - não está no horizonte de ninguém. Essa ideia tem poucos apoiantes num mundo em que, virtualmente, todos aceitam papel-moeda e taxas de câmbio livres. No entanto, o ouro tem propriedades especiais que nenhuma moeda, com a excepção da prata, pode reivindicar. Durante mais de dois mil anos, o ouro gozava do estatuto de meio de pagamento inquestionável e não exigia garantias de crédito a terceiros. Não se levantavam questões quando, o ouro ou títulos directos sobre ouro, eram oferecidos em pagamento de uma obrigação.

Nos dias de hoje a aceitação de papel-moeda - moeda sem ligação a qualquer activo com valor intrínseco -, fundamenta-se na garantia de crédito das nações soberanas com poder efectivo de taxar. Mas essa garantia não consegue igualar o estatuto, que o ouro possui, de ter aceitação universal."
Surpreendente este artigo. Seja pelo momento em que é publicado, mas também por ser escrito por Alan Greenspan. Assistimos, neste momento, a uma correcção mais acentuada do que muitos previam nos metais preciosos, em especial depois de ocorrerem mudanças relevantes na estrutura e organização do próprio mercado.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Radar

Este programa de rádio é uma viagem obrigatória aos centros nevrálgicos da decisão e regulação financeira. Para compreender como são as relações entre os reguladores e agentes bancários e financeiros em pouco mais de uma hora. É uma análise feita nos EUA, à FED e, neste caso, ao Goldman Sachs. As dúvidas avolumam-se quanto à qualidade do papel dos reguladores, à transparência de todo o sistema financeiro. Atente-se na descrição do que significa, para a FED e nas palavras de um alto quadro da instituição, credibilidade. Ou no caso apresentado acerca do Goldman Sachs e Santander. Alguém se lembra do comportamento recente do nosso Banco de Portugal?

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

Apesar do que se vê e ouve

A narrativa oficial está a demonstrar as suas falhas. O mesmo se pode concluir para os processos de controlo de percepção. Logo pela manhã se ouvia (a partir das redacções dos "económicos") a mensagem de que: "havia sinais de confiança", a "retoma da economia nacional deverá seguir a espanhola", "os juros da dívida estão historicamente baixos", circulava a toda a velocidade. Enfim o mesmo de sempre. O que se esperava é que se apresentassem razões, os fundamentos dessas boas notícias, mas não. E, ao fim do dia, o balanço afinal não é tão glorioso.
Arrisco que estas tentativas de entorse perceptiva terão prazos de validade cada vez mais curtos.
No pequeno vídeo de hoje são exploradas as relações entre a situação económica e financeira mundial (especialmente desde 2007) e a produção de energia. Sublinhe-se o diagnóstico que Roger Boyd faz da situação a que os bancos centrais nos conduziram.
Não se encontram diagnósticos desta natureza nos meios de comunicação convencional, preocupados em perpetuar uma narrativa de "sucesso e recuperação" de políticas que, inegável e insistentemente, se manifestam erradas. Imorais, mesmo.
Porque será?

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bolhas e oportunidades

A verdade de muitas mentiras

A entrevista que a seguir se propõe é-me muito querida. Em primeiro lugar, pela sabedoria que dela se pode tirar. Há uma naturalidade, uma disponibilidade em traduzir, de modo simples e elegante, os desafios e obstáculos que enfrentamos na economia global, poluída por governos, bancos centrais e demais interesses especiais a eles associados.
Em segundo lugar, pela coragem (terá alcance moral) de defender, não só aquilo em que se acredita, mas aquilo que é racionalmente justificado, numa adequação entre princípios, meios e fins. Assistir a este exercício de desmontagem dos mitos e da dissimulação que povoam o discurso político (económico e financeiro, igualmente) com tamanha elegância e humor é invulgar. Exemplos? Que tal a frase: "Macroeconomia é política mascarada de álgebra". Ou ainda: "Ser bom investidor é ter toda a gente a concordar comigo. No futuro".
O entrevistado é Jim Grant que, para além da inteligência e do laço que exibe, se faz também acompanhar de uma pequena porção de "trabalho condensado".
A entrevista contempla vários temas, dos quais se destacam:

terça-feira, 15 de julho de 2014

Para lá do horizonte




Outras vias

Terá início esta semana mais uma reunião do grupo de países apelidado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Um dos tópicos desta reunião será a criação de um banco que possa servir, especificamente, as necessidades destes países. A discussão acerca deste assunto já tem algum tempo, mas tornou-se uma necessidade premente uma vez que não foram implementadas as reformas necessárias no seio das estruturas existentes (FMI, Banco Mundial - que estão pendentes desde 2010) para acomodar a nova realidade económica e financeira mundial.
Demoremos algum tempo a considerar este facto. Os BRICS estão a querer tomar a iniciativa de criar uma infra-estrutura que se torne alternativa ao FMI e BM na defesa dos seus interesses.
A discussão, para além da composição relativa aos fundos e à participação de cada um dos países, já se centra na localização da sua sede. E aqui vão testar-se as vontades conciliatórias no contexto de tensões históricas.
Parece óbvio que estes países já reconheceram os limites da arquitectura e das práticas financeiras do Ocidente, em particular o propósito dessa arquitectura na projecção do interesse americano através do dólar.
Não vejo estas outras vias como negativas. Antes mostram que é possível diversificar as estruturas de poder económico e financeiro para corresponderem às necessidades de cada um dos seus agentes. Não será, seguramente, uma simples coincidência que estes impulsos transformadores se tornem evidentes ao mesmo tempo que o edifício do todo poderoso dólar mostra as suas deficiências estruturais.
Ou acreditamos que coincidências possam marcar os actos desta peça?

No interesse da pura especulação, pergunto-me: o que farão a Indonésia, o México, as Filipinas, a Turquia, a Coreia do Sul e o Vietname, depois de ser criada a nova rede financeira estruturante dos BRICS?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O que realmente aconteceu ao Bear Stearns?

O artigo cuja tradução a seguir se apresenta foi escrito por Ted Butler. Butler é um analista e comentador largamente reconhecido no mercado dos metais preciosos. É autor de uma reputada subscrição, participa em vários fóruns, conferências e estudos acerca do ouro e da prata desde 1996.
Neste artigo, Butler expõe alguns aspectos da sua investigação relativamente à falência do banco Bear Stearns, colocando-a no epicentro da crise financeira mundial de 2008/09. A sua investigação expõe igualmente a natureza promíscua e, não raras vezes, ilegal das relações entre banqueiros, políticos e entidades reguladoras. Não tenhamos dúvidas de que o mesmo ocorre por esse mundo fora. Nós, europeus, estaremos atentos?