Mostrar mensagens com a etiqueta Descalabro ético. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Descalabro ético. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Greenwald: Obama, drones, propaganda e relativismo

Glenn Greenwald
Admito que o tema do artigo de Glenn Greenwald, que proponho na ocasião aos leitores do EI, possa ter aspectos delicados e me leve a incorrer num risco de (des)entendimentos que não são de todos os meus com os leitores. Apesar de por várias ocasiões ter manifestado o mais vivo repúdio (por exemplo, aqui) da componente da "guerra ao terror" por recurso a drones para executar as "listas de morte" (normalmente sem danos directos para os seus promotores, razão pelo crescente recurso que fazem deles para além de evitar as "boots on the ground"), não ignoro que as "nossas" mortes não são "iguais" às dos outros. Claro que não são. A proximidade familiar, comunitária, empresarial, clubística, regional, nacional, linguística, cultural, etc., são determinantes dessa desigualdade. Nada há de mal nisso, pelo contrário. Coisa diferente, porém, é tratar diferente o que é igual e, sem mais, disso fazer alarde ainda que pela via sinuosa da redefinição semântica ou pelo olímpico desprezo pelos obscenos danos "colaterais" tratando milhares de vítimas inocentes não com desdém mas com a borracha da memória instantânea. Haverá diferença, afinal, para os Untermenschen? Não vejo onde. É sobre isto que escreve Greenwald
24 de Abril de 2015
Por Glenn Greenwald


Em todos os anos que levo de escrita sobre as mortes provocadas pelos drones de Obama, foi ontem [23-04-2015] que aconteceu, de longe, a discussão crítica mais alargada nos círculos do jornalismo convencional. Esse facto sobre os drones, desde há muito suprimido mas crucial, foi na realidade anunciado no título principal na primeira página do The New York Times de ontem:

"Capa" do New York Times, versão online, de 23-04-2015

A razão para a anormalmente intensa cobertura, largamente crítica, das mortes de ontem provocadas pelos drones é óbvia: as vítimas deste ataque eram ocidentais e não-muçulmanas e, portanto, foram vistas como realmente humanas.

O advogado paquistanês Shahzad Akbar, que representa 150 vítimas de drones americanos e a quem foi por duas vezes negada entrada nos EUA para falar sobre elas, disse ao meu colega do Intercept Ryan Devereaux como dois dos seus clientes, duas crianças, provavelmente reagiriam ao pedido de "desculpas" de Obama de ontem:
"Hoje, se Nabila ou Zubair ou muitas das vítimas civis estiverem a ver na TV o presidente a mostrar-se tão pesaroso relativamente à morte de um ocidental, que mensagem estará ele a veicular?" A resposta, segundo ele, é: "Vós não tendes importância, sois filhos de um Deus menor, e só expressarei pesar aquando da morte de um ocidental."

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Em medidas iguais

"Actualmente, os bancos centrais negoceiam com contrapartes que são gigantes bancos comerciais com derivativos nos balanços de uma escala e complexidade perturbadoras. Parece impossível que estas exposições comerciais possam ter sido construídas e mantidas sem o conhecimento e a cumplicidade dos sectores oficiais. O Deutsche Bank, por exemplo, envolvido como instituição acusada em milhares de queixas e investigações judiciais, possui uma exposição a derivativos numa dimensão vinte vezes superior ao PIB da Alemanha e cinco vezes o PIB da Zona Euro.
Não é preciso muita imaginação para inferir que os técnicos dos bancos centrais e os seus pares nestes colossos da banca de investimento – frutos do mesmo ADN, colegas nas mesmas escolas, perseguindo carreiras que se cruzam, frequentadores das mesmas conferências e sempre à distância de uma simples chamada – são indistinguíveis tanto ideológica como intelectualmente e corruptos moralmente em igual medida."

John Hathaway - "Tectónicas Monetárias"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Príncipes do Yen - ou DDT como por cá podem ser conhecidos

A captura da realidade política, económica e social

Para quem ainda tenha dúvidas dos incentivos incorporados no sistema, recomendo que veja atentamente este vídeo. Num presente repleto de análise e discussão do papel dos reguladores (especialmente da banca e sector financeiro), de críticas, seja de especialistas ou políticos, à acção da troika, passando pelas propostas apresentadas por movimentos políticos (portugueses ou espanhóis, neste caso) quanto às reformas necessárias do sistema financeiro, estranha-se que a atenção seja desviada do mais importante: o papel dos Bancos Centrais.
Estas instituições têm um potencial destrutivo sem igual. Repito, sem igual. Os "grandes grupos económicos", os "grandes especuladores", todos eles obedecem às suas ordens. Pactuam com as ideias para o planeamento económico, financeiro e social que estas instituições impõem, levando a cabo políticas com consequências devastadoras.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O lado mau

Bytes

A leitura deste último artigo de Doug Noland, de que aqui se publicam algumas passagens, é muito recomendada. Pleno de realismo não deixa, porém, de causar inquietação. Isto porque ao discurso e à discussão pública falta considerar as consequências do que já se fez e se continua a fazer - política e economicamente. E esse raciocinar pela metade está a ter sucesso. O entorpecimento é generalizado. Mas, não tenhamos dúvidas, as "soluções mágicas" estão traçadas e serão apresentadas num brilhante (e trágico) encadeamento. O guião está escrito, aguarda apenas o momento da sua encenação.
O lado mau de “fazer tudo o que for preciso” - Doug Noland - 17 de Outubro de 2014

"Alguém que não esteja realmente preocupado não percebe o que se está a passar.

Considero todo o cenário surreal. E, quanto mais as pessoas agem como se nada se passasse, mais preocupado fico. Por estranho que pareça, estes dias lembram-me a minha perplexidade quando estudava o período que conduziu à crise bolsista de 1929. Como é que foi possível não ver o que estava para vir? Como pôde toda a gente permanecer optimista – “num topo contínuo” – face àquilo que, posteriormente, era tão óbvio e perturbador: uma deterioração do mercado e das perspectivas da economia global.

sábado, 4 de outubro de 2014

Transversalidade

O Mal e a natureza do arranjo

A presente entrevista mostra, com detalhe, franqueza e humor por que razões, não obstante mudem as caras e as vozes dos personagens que exercem o poder, a narrativa se vai concretizando. Sem sobressaltos no centro da peça. Por muitos tumultos e distracções pelos quais a periferia e respectivos personagens secundários vá passando, o guião é para seguir.

É muito salutar que haja quem desvele, com esta simplicidade, os meandros das relações entre negócios (neste caso a banca) e o poder político. Quem dê a cara mostrando os contornos, nomeando as pessoas e os actos, e que leve ao fim as consequências desse seu conhecimento. Enfrentando, para além das reacções dos crentes e amigos, os solavancos de uma máquina de Justiça que mais parece uma debulhadora que encrava a cada grande passo.
Mais do que a agitação jornalística, oportunisticamente sincronizada com episódios de ascensão e queda de personagens políticos, a medida da maturidade da sociedade que somos pode fazer-se pelo exercício de cidadania que o entrevistado, aqui, evidencia.

Alguns dirão que essa conduta é, na sua essência, a verdadeira forma de estabelecer os controlos e os balanços da máquina e do sistema institucional e político. Pergunto se, ainda assim, esses esforços são suficientes?

E se o Mal, porque transversal, faz parte do arranjo?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Regra de Ouro

Alan Greenspan, "A Regra de Ouro - a razão pela qual a China está a comprar" - Foreign Affairs - 29 de Setembro de 2014

"A questão de fundo - o regresso a um qualquer padrão-ouro - não está no horizonte de ninguém. Essa ideia tem poucos apoiantes num mundo em que, virtualmente, todos aceitam papel-moeda e taxas de câmbio livres. No entanto, o ouro tem propriedades especiais que nenhuma moeda, com a excepção da prata, pode reivindicar. Durante mais de dois mil anos, o ouro gozava do estatuto de meio de pagamento inquestionável e não exigia garantias de crédito a terceiros. Não se levantavam questões quando, o ouro ou títulos directos sobre ouro, eram oferecidos em pagamento de uma obrigação.

Nos dias de hoje a aceitação de papel-moeda - moeda sem ligação a qualquer activo com valor intrínseco -, fundamenta-se na garantia de crédito das nações soberanas com poder efectivo de taxar. Mas essa garantia não consegue igualar o estatuto, que o ouro possui, de ter aceitação universal."
Surpreendente este artigo. Seja pelo momento em que é publicado, mas também por ser escrito por Alan Greenspan. Assistimos, neste momento, a uma correcção mais acentuada do que muitos previam nos metais preciosos, em especial depois de ocorrerem mudanças relevantes na estrutura e organização do próprio mercado.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Radar

Este programa de rádio é uma viagem obrigatória aos centros nevrálgicos da decisão e regulação financeira. Para compreender como são as relações entre os reguladores e agentes bancários e financeiros em pouco mais de uma hora. É uma análise feita nos EUA, à FED e, neste caso, ao Goldman Sachs. As dúvidas avolumam-se quanto à qualidade do papel dos reguladores, à transparência de todo o sistema financeiro. Atente-se na descrição do que significa, para a FED e nas palavras de um alto quadro da instituição, credibilidade. Ou no caso apresentado acerca do Goldman Sachs e Santander. Alguém se lembra do comportamento recente do nosso Banco de Portugal?

Presente Virtual

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Da (in)consistência intelectual de um economista

que se tornou num activista político.


A simplicidade do diagrama só sublinha a riqueza do seu conteúdo. Um exemplo ilustrativo de que visitar o Coyote com frequência é altamente recomendável.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

Apesar do que se vê e ouve

A narrativa oficial está a demonstrar as suas falhas. O mesmo se pode concluir para os processos de controlo de percepção. Logo pela manhã se ouvia (a partir das redacções dos "económicos") a mensagem de que: "havia sinais de confiança", a "retoma da economia nacional deverá seguir a espanhola", "os juros da dívida estão historicamente baixos", circulava a toda a velocidade. Enfim o mesmo de sempre. O que se esperava é que se apresentassem razões, os fundamentos dessas boas notícias, mas não. E, ao fim do dia, o balanço afinal não é tão glorioso.
Arrisco que estas tentativas de entorse perceptiva terão prazos de validade cada vez mais curtos.
No pequeno vídeo de hoje são exploradas as relações entre a situação económica e financeira mundial (especialmente desde 2007) e a produção de energia. Sublinhe-se o diagnóstico que Roger Boyd faz da situação a que os bancos centrais nos conduziram.
Não se encontram diagnósticos desta natureza nos meios de comunicação convencional, preocupados em perpetuar uma narrativa de "sucesso e recuperação" de políticas que, inegável e insistentemente, se manifestam erradas. Imorais, mesmo.
Porque será?

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Limites



De acordo com a Bloomberg, o governo italiano (no respeito integral das exigências da UE) irá proceder a alterações nos seus procedimentos de contabilidade e vai "melhorar" os números do PIB… incluindo a prostituição e o consumo de drogas.
Limites? Que limites?

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sistema educacional e falência moral

Coisas deste tipo (como deste) têm vindo a reproduzir-se como uma praga infestante cujo único antídoto - o garrote financeiro - não descortino coragem para fazer accionar. Um dos produtos resultantes é um certo tipo de jornalismo (?), de que o extraordinário Público é um expoente, como novamente se evidenciou na edição de hoje em mais uma extraordinária peça. Salvaguardadas algumas proporções (embora sem exagerar), foi a leitura de uma "experiência educativa" no New York Times Magazine que levou Thomas Sowell a escrever o artigo que me propus traduzir. É a minha forma - oblíqua, é certo - de me afastar do unanimismo, explícito e implícito, à "obra" de Veiga Simão e seus seguidores. 
7 de Maio de 2014
Por Thomas Sowell
Falência Moral

Caso se pretenda ficar com uma ideia da falência moral do nosso sistema educacional, é ler um artigo da edição de 4 de Maio da New York Times Magazine, intitulado "A História de Duas Escolas".

Thomas Sowell
O artigo não endereça o tema da falência moral. Mas é ele próprio um exemplo da falência moral que está por trás dos muitos falhanços da educação na América de hoje.

Alguém teve a brilhante ideia de pôr em contacto crianças de uma escola secundária pública de uma zona habitacional de pessoas de baixo rendimento no Bronx com crianças de uma escola secundária privada cujo custo de frequência ascende a 43 mil dólares anuais.

Quando os jovens de origem social modesta visitaram a escola privada chique "ficaram simplesmente esmagados”, de acordo com o New York Times. Uma criança correu pelo campus fora a chorar. Aparentemente, as outras sentiram-se “profundamente desencorajadas com as suas próprias circunstâncias".

Que tipo de bem terreno obtiveram estes jovens com esta experiência? Felizmente que ninguém se mostrou suficientemente insensível para me levar a uma excursão a uma escola particular chique durante o tempo em que eu crescia no bairro de Harlem.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A arte de governar com medo




Reveladores são os sinais de quem procura fazer-se forte a partir de uma posição moral cada vez mais fraca.
Valha-nos a ironia.


sexta-feira, 7 de março de 2014

A arte de mal governar e escapar com impunidade

consiste na dissociação temporal entre as acções cometidas e as respectivas consequências.

Por Gary Varvel

Juiz Napolitano: O monstro Putin

De há muito que o Andrew Napolitano é uma presença assídua neste blogue quer através de clips do saudoso programa televisivo da Fox, Freedom Watch, quer pelos seus artigos e livros que publica regularmente. Antigo juiz do equivalente a um tribunal da Relação, fervoroso defensor do espírito e letra da Constituição americana e dos Pais Fundadores, Napolitano faz valer as suas qualidades de jurisconsulto na veemente defesa da Liberdade. Rigoroso e eloquente, mas sempre didáctico, Napolitano explica no artigo que se segue (minha tradução) porque não devem os EUA imiscuir-se num conflito onde nada têm a defender que lhes seja, sequer remotamente, vital ainda que o comportamento imperial do governo do ex-KGB seja, como é, abjecto. Para o efeito, irá também convocar o 6º presidente dos EUA, John Quincy Adams. Tomara que Woodrow Wilson tivesse seguido os conselhos que aquele proferiu ao invés de ter adoptado a "progressiva" e catastrófica doutrina segundo a qual os EUA têm a missão (divina?) de "tornar o mundo seguro para a democracia". As centenas de milhões de mortos que ocorreram no século XX têm aí a sua raiz. Por essa razão, importa retomar em breve a série de posts relativos à mãe de todas as catástrofes a que o século passado assistiu. O que faremos nos próximos dias.
6 de Março de 2014
Por Andrew P. Napolitano

O monstro Putin (Monster Putin)

O que sucede quando o governo dos Estados Unidos participa, de modo significativo, no derrube de governos estrangeiros em nome da difusão da democracia? Esse comportamento resulta geralmente em consequências não-intencionais e, com frequência, resulta em desastres.

Andrew P. Napolitano
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003, inicialmente para procurar armas de destruição maciça que, sabemo-lo agora, o governo Bush sabia não existirem, e promover a mudança de regime, os EUA conseguiram mudar profundamente a governação iraquiana. Mas, nesse processo, perdemos a vida de 4,500 soldados norte-americanos, sofremos 45 mil feridos, pedimos emprestados e gastámos - e não pagámos - mais de 2 milhões de milhões de dólares, causando a morte a 650 mil iraquianos e o desalojamento a 2,5 milhões, e abrimos o caminho no Iraque ao nosso inimigo público - a Al-Qaeda. A Al-Qaeda não estava no Iraque antes da nossa invasão. Hoje, ela controla um terço do país tornado instável.

Em 2010, o presidente Barack Obama decidiu que já não gostava do ditador favorito da América no Médio Oriente, o presidente Hosni Mubarak do Egipto, muito embora ele e os seus quatro antecessores imediatos tenha dado ao governo Mubarak, anualmente, cerca de 4 mil milhões de dólares. Foi assim que os nossos agentes fomentaram a revolução nas ruas, enquanto Obama sugeria abertamente que chegara a hora de Mubarak deixar o poder. Em seguida, as ansiadas e prometidas eleições livres tiveram lugar, e o inimigo declarado do Ocidente e um islâmico fanático, Mohammed Morsi, tornou-se no primeiro presidente eleito pelo povo na história do Egipto. Depois, os EUA decidiram que não o queriam na cadeira do poder independentemente da legalidade e da legitimidade moral da sua eleição, levando assim a administração Obama a incentivar um golpe militar.