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terça-feira, 21 de outubro de 2014

O lado mau

Bytes

A leitura deste último artigo de Doug Noland, de que aqui se publicam algumas passagens, é muito recomendada. Pleno de realismo não deixa, porém, de causar inquietação. Isto porque ao discurso e à discussão pública falta considerar as consequências do que já se fez e se continua a fazer - política e economicamente. E esse raciocinar pela metade está a ter sucesso. O entorpecimento é generalizado. Mas, não tenhamos dúvidas, as "soluções mágicas" estão traçadas e serão apresentadas num brilhante (e trágico) encadeamento. O guião está escrito, aguarda apenas o momento da sua encenação.
O lado mau de “fazer tudo o que for preciso” - Doug Noland - 17 de Outubro de 2014

"Alguém que não esteja realmente preocupado não percebe o que se está a passar.

Considero todo o cenário surreal. E, quanto mais as pessoas agem como se nada se passasse, mais preocupado fico. Por estranho que pareça, estes dias lembram-me a minha perplexidade quando estudava o período que conduziu à crise bolsista de 1929. Como é que foi possível não ver o que estava para vir? Como pôde toda a gente permanecer optimista – “num topo contínuo” – face àquilo que, posteriormente, era tão óbvio e perturbador: uma deterioração do mercado e das perspectivas da economia global.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Radar

O guião euro-americano das sanções contra a Rússia continua. Mas, do outro lado, age-se de forma muito clara para acomodar necessidades de novos eixos.
Andava o PM inglês a prometer correr com a Rússia do sistema SWIFT. Pois, as mudanças parecem ter começado. Antes mesmo das ameaças ocidentais.
Tanta acção a decorrer. Tanto cavalo furtivo. E nós, o que vemos?

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

Ou o antídoto para a silly season

No vídeo são exploradas as ideias (são mitos, tão somente) que têm moldado o discurso público acerca do mercado. Em sentido mais alargado, pode considerar-se a extensão desses mitos à presente situação do sistema bancário nacional (mas também europeu e mundial). E compreender que as suas consequências (os problemas, entenda-se) estão já montados no seio da própria visão comum (colectivista) acerca do mercado.
Como podem os mal-entendidos manter-se por tanto tempo? Poderem moldar a opinião mais educada (e todas as outras) sem serem submetidos ao exame do simples bom senso?
Convido os leitores, no visionamento do vídeo, a terem presente o conceito de "cavalos furtivos".

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cavalos Furtivos

Moldar percepções e expectativas

Gaston Phoebus, "Livre de Chasse" (1387)


O artigo que a seguir se publica foi traduzido e editado por mim a partir do original (mais longo e rico), cuja leitura se recomenda vivamente.
“O Cavalo Furtivo”, Ben Hunt - 21 de Julho de 2014

“Na guerra, a verdade é a primeira vítima” – Ésquilo

O cavalo furtivo é uma técnica de caça muito antiga onde o caçador consegue uma vantagem importante ao esconder-se atrás de um cavalo (ou da sua representação), levando a presa a considerar familiar ou natural o que está a ver. E a presa não sabe quantos pés tem o cavalo.
Os mercados de hoje estão atafulhados com cavalos furtivos, não para proceder a triviais aquisições hostis, mas para estabelecer objectivos macroeconómicos que são motivados politicamente. Seja o uso das palavras para criar representações furtivas ou o investimento num determinado activo para montar o mesmo cavalo furtivo, os governos são, hoje em dia, muito mais manipuladores do que em qualquer outra altura desde os anos 30. Muito pouco é o que parece nos mercados de hoje.
E sim, nós somos as presas. Somos nós os veados.